Chapter 1
Asimina
Depois de um mês longo e solitário, o dia quase chegou. Em apenas quarenta e oito horas, minhas irmãs estarão voltando da Grécia para os Estados Unidos. Sento-me na cama, esperando pela chamada de vídeo delas. Em vez disso, recebo uma ligação por voz. Deslizo o dedo pela tela e atendo: “Departamento de reclamações. Como posso ajudar?” Sem conseguir esconder a diversão, provoco minha irmã mais velha, Natasha.
“Bem, minha reclamação é prematura, mas minha irmã provavelmente usou a maioria das minhas roupas e não lavou nada!” Ouvindo a voz alegre da Nat, sorrio enquanto ela entra no meu joguinho e me dá uma alfinetada. O comentário dela também é um aviso: certifique-se de que a roupa esteja lavada!
Dou uma risadinha, pensando comigo mesma que o tiro saiu pela culatra. Levei todas as nossas roupas sujas para a lavanderia ontem, mas vou deixar que ela pense o contrário. “Ah, entendi! Peço desculpas, não estou qualificada para dar conselhos sobre irmãs insolentes.”
Caímos na risada, que diminui alguns momentos depois. “Como você está, Mina? Nem acredito que vou dizer isso, mas sinto falta de te dar broncas”, confessa Nat.
“Ah, obrigada, eu acho!” Querendo pular as formalidades, mantenho o assunto curto. Estou ansiosa para mergulhar direto nos detalhes suculentos das férias delas. “Tudo bem. A mesma merda de sempre. Nada de emocionante.” Um sorriso surge nos meus lábios. “Então, nos divertimos? E com isso, quero dizer diversão do jeito da Asimina. Não aquele tipo de diversão chata da Nat”, provoco, um passatempo que gosto muito.
Recebo uma risadinha como resposta. “Talvez eu tenha buscado lá no fundo, e quero dizer bem no fundo, e canalizado a minha Asimina interior. Mas, por enquanto, é só isso que você vai saber.”
Ela faz mistério, sabendo muito bem como minha curiosidade sempre fala mais alto. Gemendo de frustração com sua resposta insatisfatória, bufo: “Eu te odeio! Você volta depois de amanhã. Quero todos os detalhes sórdidos. Vamos ver se você consegue me evitar então!”
“Vou te deixar na curiosidade o máximo que puder.” Suspirando, ela continua com cautela: “Agora, sei que continuo perguntando, mas como está a situação com o John?”
Eu sabia que isso viria. Sei que ela se preocupa, mas toda vez que o nome dele é mencionado, minha raiva dispara. Aquele homem não faz mais parte da minha vida, e a resposta não muda. Revirando os olhos e com um toque de frustração na voz, solto: “Ele me deixou em paz. Não soube de nada.” Só quero esquecer dele, e não ajuda quando ela continua trazendo o assunto à tona.
“Fico feliz! Eu estava preocupada em te deixar.” Ela suspira aliviada.
“Sua viagem foi marcada há um ano. Não tinha como eu deixar você cancelar. Agora, antes que você pergunte, eu já tenho o itinerário e estarei no aeroporto às seis da tarde em ponto, exatamente quando seu avião pousar. Não vou me atrasar desta vez”, afirmo.
“Estou tão orgulhosa. Você está crescendo!” Ela ri. “Falando sério, mal posso esperar para te ver.”
“Eu também”, concordo. “Como está a Lia? Posso falar com ela? Estou ansiosa para ouvir a voz dela.”
“Ela saiu com a Thia — a tia Helen — para buscar mais algumas coisas. A mala dela está bem acima do limite de peso.” Um tom de irritação com nossa irmã mais nova transparece em sua voz.
“Espero que essas malas tenham alguma coisa para mim, né?” Deixo a pergunta no ar para garantir que vou ganhar presentes.
“Sim, mas talvez eu precise de alguns dias ou uma semana para desfazer as malas”, ela alega.
Lá vem ela de novo! “Vou jogar tudo no chão do seu quarto, pegar o que é meu e depois você pode levar o tempo que quiser para guardar o resto”, respondo à altura.
Ela me recompensa com uma gargalhada alta, sem se surpreender com a rapidez com que me irrito. “Ok, ok. Não vou mais te atormentar. Vou garantir que você receba seu presente primeiro.”
“Assim está melhor!” Sorrio, satisfeita. “Vou te deixar ir, Nat. Tenho planos para jantar com o Petro.”
“Legal! Mande um oi para ele por mim”, ela pede. “Vejo vocês dois em breve. Amo vocês!”
“Pode deixar. Também amo você”, digo. Desligando o telefone, caminho até a cômoda e pego uma foto das minhas irmãs e minha. Meu Deus, como sinto falta delas! Sempre fomos inseparáveis, compartilhando tudo. Bem, quase tudo!
Nat é a mais velha e a mais sensata. Ela acabou de entrar nos trinta e poucos anos, o que explica o desejo repentino de viajar para as ilhas gregas. Se não fosse por ela, só imagino as merdas estúpidas em que eu teria me metido. Só a ideia da voz dela me dando bronca já me mantém na linha na maior parte do tempo.
Lia, nossa irmã caçula, tem vinte e três anos. Sempre tão reservada, tímida e cautelosa, Nat acreditava que essa viagem a ajudaria a ganhar um pouco mais de confiança.
Logo farei vinte e cinco anos e sou a imprevisível. Gosto de agitar as coisas, seguir meu coração e me preocupar com as consequências depois. Sou muito parecida com nossa mãe em vários aspectos, mas também tenho muitos traços do meu pai.
Engolindo o nó na garganta, a lembrança da minha mãe me faz chorar. Ela era tão forte e bonita.
Faz dois longos anos desde que ela se foi. Ela não estava se sentindo bem e me pediu para ficar em casa naquela noite. A imaturidade me fez sair mesmo assim. Quando voltei, encontrei-a deitada calmamente no sofá. Ela não estava dormindo. Ela não estava respirando. Apesar de todos os meus esforços, ela já tinha partido. A autópsia concluiu que a causa da morte foi um ataque cardíaco. Não passa um dia em que eu não deseje poder voltar atrás e ficar em casa naquela noite. Talvez ela ainda estivesse aqui se eu tivesse ficado.
Enxugando as lágrimas, coloco a foto de volta na cômoda e pego a foto do Petro e minha. Estou até ansiosa pelas piadas horríveis dele. Tecnicamente, ele é meu primo. Nossas mães eram irmãs. Mas eu o vejo como um irmão. A tragédia atingiu nossas duas famílias no dia em que perdemos nossos pais, dois melhores amigos que se apaixonaram por duas irmãs.
Ainda guardo a reportagem de jornal de oito anos atrás com a manchete: “Acidente bizarro na história do Rally mata piloto campeão e copiloto.” Petro sempre quis seguir os passos do pai, correndo com carros ou qualquer coisa com motor.
A maior parte do funeral é um borrão, com tantos rostos desconhecidos e tanto barulho ao nosso redor. A imagem que permanece clara e muito vívida é a de nós quatro. Minhas irmãs, Petro e eu, de pé, segurando duas rosas vermelhas cada um, observando enquanto os caixões eram baixados e nossos pais eram enterrados, lado a lado.
As paixões do Petro mudaram no dia em que nossos pais perderam a vida. Ele focou nos estudos e se formou com honras, tornando-se médico antes de seguir carreira em cirurgia geral. Ele conseguiu um estágio em um dos melhores hospitais da Itália. E desde então, ele viaja de um lado para o outro, trabalhando nos dois países. O pai dele estaria orgulhoso.
Reunindo meus pensamentos, olho a hora no meu celular. Não vejo o Petro há seis meses, e ele é a única pessoa que conhece todos os meus segredos. Um pequeno sorriso surge nos meus lábios enquanto pego minha bolsa e as chaves. Saindo apressada pela porta da frente, entro no carro e saio em disparada.
Meu celular vibra dez minutos depois de eu começar a dirigir. Ignoro-o quando o restaurante surge à vista. Estacionando, procuro na minha bolsa e pego o aparelho, lendo a mensagem do Petro: “Tive uma emergência. Estou um pouco atrasado. Me espere aí.”
Fechando a cara de irritação, respondo: “Ok. Não demore. Estou morrendo de fome!”
Ao sair para a brisa morna, noto três homens de terno saindo do restaurante. Observo o homem no meio, com os olhos azuis mais brilhantes que já vi. Parecem safiras brilhando intensamente na noite. Ele vira o rosto na minha direção e eu desvio o olhar rapidamente. Não quero atrair atenção indesejada.
Notando um café do outro lado da rua, decido que prefiro esperar pelo Petro lá. Caminho até lá e entro no pequeno, mas aconchegante café. As paredes pintadas de amarelo com listras laranjas dão uma sensação calorosa, junto com as mesas de madeira lisa cobertas com toalhas de mesa brancas, limpas e recém-passadas. Isso me leva de volta às ilhas gregas por um segundo.
Uma garçonete me recebe com um sorriso doce: “Bem-vinda, querida. O que posso servir?” Ela parece ter uns quarenta e poucos anos, mas parece que conseguiria dar conta de tudo muito melhor do que a garçonete mais jovem atrás do balcão.
Pensando que não demorará muito para meu primo chegar, peço educadamente: “Um cappuccino grande e forte para viagem, por favor.”
“Com certeza. Não vai demorar nem um minuto”, ela responde com um sorriso e vira, indo em direção ao balcão. Sento-me em uma das mesas e espero.
O som da campainha do café abrindo me faz olhar para cima. Ao fazê-lo, encontro os mesmos olhos azuis cativantes do homem com aparência divina que vi na rua momentos atrás.
Seus olhos são fascinantes e impressionantes, e aposto que o resto dele também seria, mas estou sentindo uma vibração tensa. Vamos apenas dizer que ele poderia conseguir um papel como um serial killer charmoso em um filme de Hollywood. Voltando meus olhos para o meu celular vibrando, leio outra mensagem do Petro: “Não vou conseguir ir!”
A audácia dele! “Sério?”
“Desculpa, Mina. Vá para casa. Vou passar aí daqui a algumas horas”, ele declara.
Ainda irritada, respondo rápido: “Você voltou faz duas semanas, Petro! Esta é a terceira vez que você me dá um bolo! Umas duas horas, e é bom você estar na minha casa!!!”
“Eu sei! Tive uma emergência no hospital. Desculpa. Vou levar hambúrgueres para o jantar e assistir Rocky. De novo. Prometo”, ele implora.
Dou uma risadinha de irritação com a mensagem dele. Pode apostar que vai! Murmuro baixinho para mim mesma e respondo: “Tudo bem, mas é bom você não dormir em cima de mim.”
“Combinado.”
O amor que sinto por ele não me permite ficar com raiva por muito tempo.
O som de uma cadeira sendo puxada e arrastando no chão quebra meus pensamentos. Desviando o olhar da tela, ele encontra os olhos cor de safira do homem. Ele se senta diretamente à minha frente. Fico olhando de volta, chocada, com a boca aberta.
“O nome é Alonzo”, ele anuncia com um brilho frio nos olhos.
“Prazer em conhecer?” A frase sai mais como uma pergunta do que como uma afirmação.
Notando a garçonete vindo em minha direção com meu café, levanto-me da cadeira. Pegando o copo para viagem, agradeço a ela. O sorriso dela desaparece instantaneamente ao olhar para o homem à minha frente. Suas feições distorcidas podem ser um aviso.
Virando-me para sair, ele agarra meu braço, parando meus passos. Levantando-se da cadeira, ele diminui a distância entre nós enquanto aperta o contato. A centímetros do meu rosto, ele começa a inalar lentamente.
Uma sensação desconfortável se espalha por mim enquanto o ouço sussurrar: “Gata, você vai me conhecer de perto e muito pessoalmente”, ele enfatiza.
Uma sensação enjoativa de puro nojo me invade. Soltando-me do aperto dele, respondo em um tom frio e firme, pausando entre cada palavra: “Eu. Não. Acho. Que. Sim.”
Com um sorriso sinistro, ele deixa os olhos descerem pelo meu corpo. Analisando minha figura, ele murmura algo em italiano: “Le cose che ho pianificato per te.” *As coisas que planejei para você.*
Engolindo a bile que sobe à minha boca, respondo: “Não entendo italiano. Se tem algo a dizer, diga em inglês.”
Uma risada sádica escapa da garganta dele, enviando um calafrio pela minha espinha. Segurando meu queixo, ele provoca: “Bonequinha, nos veremos em breve. Vamos ver se você consegue retrucar quando meu pau estiver enterrado bem fundo na sua garganta.”
Dando um tapa na mão dele, coloco distância entre nós. Deixando escapar as únicas palavras que consigo formar no meu estado de horror: “Você é nojento!”
Dito isso, viro-me e começo a correr para fora do café, indo instantaneamente em direção ao meu carro. Entrando no veículo e trancando as portas, não perco tempo em ligar o motor e sair em disparada. Que porra foi essa? Que tipo de psicopata doentio eu acabei de encontrar?
Chegando em casa e correndo rapidamente para dentro, precisando me sentir segura no meu lar. Batendo a porta com força, encosto-me nela e tiro um momento para respirar enquanto jogo minha bolsa de lado e arremesso minhas chaves na mesa do corredor.
Estou agitada e, com o pulso acelerado, vou ao banheiro precisando jogar um pouco de água fria no rosto. Olhando para o espelho, seco o rosto. Quem diabos era aquele esta noite? Minha atenção imediata recai sobre a porta da frente. Tenho certeza absoluta de que fechei aquela porta.
Meu coração cai no estômago quando a ficha cai. Eles me seguiram até em casa. Como pude ser tão estúpida? Encostada na parede, estou completamente apavorada. O pânico começa a tomar conta à medida que minha respiração acelera. Balançando a cabeça, abro os olhos de repente.
Preciso de uma arma. Não desista sem lutar, repito para mim mesma.
Deslizando pela parede, dou alguns passos até a sala de estar. Minhas pernas bambas me levam até a cozinha. Meus olhos caem sobre o conjunto de facas quando ouço a voz de um homem atrás de mim: “Olá, bonequinha.”
Virando-me abruptamente, encaro o homem. “Você estava com aquele outro, o Alonzo”, eu o reconheço de mais cedo, dando um passo para trás.
“Sim, eu estava. Ele deixou uma impressão em você.” A malícia na voz dele me atormenta.
“O que você quer? Por que está aqui?” Continuo dando mais passos para trás.
“Sou o entregador esta noite. O Al vai dar uma festa, e você, bonequinha, é a atração principal”, ele declara enquanto lambe os lábios.
“O que exatamente ele planejou —” Arrependendo-me da pergunta, pauso. “Quer saber? Não me importa. Não estou interessada”, repreendo.
“Não é opcional, bonequinha. É assim que acontece normalmente. O Alonzo tem a primeira vez enquanto te despe. Um grupo de confiança nosso estará assistindo enquanto ele soca você”, ele explica, sorrindo enquanto dá um passo em minha direção. Dou outro para trás.
“Não se preocupe! Ficaremos em plena exibição para você também, pelados com nossos paus para fora, batendo uma para o som dos seus gritos. Quando ele terminar, é nossa vez. Você ficará de quatro, um enfiando o pau na sua garganta, um segundo batendo naquela buceta doce sua de novo, enquanto outro destrói aquele cu apertado.”
Estou lutando para não vomitar. O medo se aproxima, me consumindo. Fechando os olhos, ele imagina cada detalhe nojento e lambe o lábio de novo. “Porra, bonequinha. Estou tão fodidamente duro só de pensar nisso. Talvez um gostinho antes do evento principal.”
Ele avança sobre mim, prendendo meu corpo contra a parede, perto do balcão da cozinha. Agarrando meu cabelo e pressionando o corpo contra o meu, ele sobe as mãos imundas pela minha camisa até meus seios, apertando.
Minha mente está em frangalhos, pois não quero acreditar que isso é real. Fechando os olhos, ouço meus pensamentos gritando comigo: Lute! Não deixe isso acontecer!
E com esse pensamento, abro os olhos enquanto uma descarga de adrenalina aquece meu corpo. Estou tremendo de raiva, conectando meu joelho às partes baixas dele com toda a minha força. Meu pequeno truque me liberta do aperto dele, me dando tempo suficiente para girar para a esquerda. Inclinando-me levemente, puxo a faca do cepo.
Tropeçando nos próprios pés, ele bate minha cabeça na quina da parede antes de me virar e empurrar minhas costas contra ela. Envolvendo suas mãos em volta da minha garganta, ele me faz lutar por ar.
Faça alguma coisa! Grito na minha cabeça. Ele vai te matar!
Minha visão embaça e pontos pretos se formam. Com minha última energia, agarro a faca firmemente com a mão direita e a desço com força, enterrando-a na lateral do pescoço dele, torcendo enquanto a empurro mais fundo.
O aperto dele afrouxa. Respirando fundo e com dor, empurro a mão dele e puxo a faca, apenas para cravá-la no peito dele. Mantenho meus olhos fixos nele, querendo ver seu medo enquanto desfiro um último golpe. Enfio a faca através do seu olho esquerdo, o sangue espirra no meu rosto antes que seu corpo sem vida caia no chão. Soltando um suspiro longo, meu alívio dura pouco. Passos apressados em minha direção me fazem cair de joelhos, revistando o corpo do homem morto. Encontrando uma arma escondida na parte de trás da calça dele e destravando-a, levanto-me. Agarro a arma, estico os braços para frente e aperto o gatilho. Com o som trovejante de um corpo caindo no chão, meus olhos se arregalam, e fico com um zumbido agudo ecoando em meus ouvidos.