Club Damon
Unwanted Daddy é uma história BDSM focada no estilo de vida Dominante/submisso. Neste livro, você pode encontrar os apelidos dados e usados pelos personagens, que talvez não sejam do seu agrado. Até mesmo a dinâmica 24/7 praticada nesta narrativa pode parecer estranha se não for algo com que você esteja acostumado. No entanto, se estiver confuso com a dinâmica descrita nestas páginas e curioso sobre o que está lendo, sugiro que pesquise mais sobre o assunto.
O relacionamento entre nossos protagonistas, Bobbi e Riggs, é definitivamente fluido. Como qualquer outro relacionamento, está cheio de reviravoltas e muitas camadas. Ninguém nesta história é simples. São seres complexos que navegam por um mundo igualmente complexo. Se ainda estiver interessado, continue lendo. Espero que goste de alguns dos personagens mais memoráveis que já tive o prazer de escrever!
Bobbi estava do outro lado da rua, encarando fixamente a porta da frente da boate. Roendo a unha do polegar, ela andava de um lado para o outro enquanto observava a fila de pessoas esperando para entrar. A fila se estendia pelo lado esquerdo do prédio preto e dava a volta na esquina. Todas as mulheres ali pareciam iguais. Cabelos cacheados e volumosos, cílios postiços grossos e pretos, saltos agulha e roupas que mostravam demais e cobriam de menos.
Continuando a andar de um lado para o outro, ela puxou os cordões do moletom preto, tentando se esconder. Parecia que Burney era o segurança da noite. Pelo menos ele não implicava muito quando ela aparecia por ali. Respirando fundo para criar coragem, atravessou o trânsito em direção ao letreiro de neon que anunciava o nome de seu meio-irmão para o mundo.
Club Damon era a boate mais badalada da cidade. Sempre que Bobbi ouvia alguém falar dela, mudava o nome em segredo para Club Demon. Ele tinha aberto a boate não muito depois que os pais deles morreram. Tecnicamente, tinham a mesma mãe, mas o pai dele era seu padrasto, e ela não o deixava esquecer isso.
Aproximando-se de Burney, Bobbi parou na frente dele e cutucou-o com a ponta do tênis gasto. Burney olhou para ela. Agarrando seu queixo com força, obrigou-a a encará-lo.
— Puta merda, Bobbi! Você está um lixo! — ele disse, avaliando sua aparência. Levantou o cordão de veludo do suporte e fez um gesto com a cabeça. — Bom, entra logo. Ele está lá em cima, como sempre.
Sem dizer uma palavra, ela passou pelas portas duplas escuras, ouvindo as mulheres na fila reclamarem por ela ter sido deixada entrar antes delas.
As luzes piscantes e a música alta eram suficientes para provocar uma convulsão. Pelo som, a banda da noite era de heavy metal, perfeito para como ela estava se sentindo. À sua direita, no meio da boate, havia uma escada espiral de metal com dois seguranças parrudos na base. Cada um usava uma camisa social branca com as mangas arregaçadas. As calças pretas e os sapatos pretos os deixavam com uma aparência ameaçadora.
Bobbi reconheceu os dois. O da direita era mais músculo do que cérebro. Jack era intimidador, mas Bobbi sabia das coisas. Já o da esquerda era Riggs, um amigo da família desde que nasceu. Os pais dele trabalhavam para os dela quase a vida toda. Riggs nasceu na propriedade da família e cresceu brincando com ela e Damon. Ele não era só mais um funcionário ali. Era da família.
— Merda, merda, merda — Bobbi disse em voz alta, sabendo que ele era uma das últimas pessoas que queria ver. Reunindo toda a coragem que tinha, caminhou na direção dos dois brutamontes.
— Meu Deus, Bug, você parece que não come nem toma banho há meses! O que anda aprontando? — Riggs perguntou. Ele segurou seu braço e puxou o capuz para trás, querendo ver melhor.
Bobbi sabia que era isso que a esperava. Também sabia muito bem o que a inspeção dele estava revelando. Seu corpo miúdo de 1,62 m estava desnutrido e descuidado. Olhando para a calça jeans larga, via a sujeira de noites dormindo na rua. Havia manchas de todo tipo de coisa nojenta na calça e no moletom.
Erguendo os olhos para ele, deu um suspiro de desdém. — Posso subir logo, Riggs? Não estou a fim disso agora.
Depois de uma última olhada, ele murmurou: — Me segue.
Subindo os degraus de metal, Bobbi ficou pensando no tamanho dos pés de Riggs. Apostava que, se colocasse o pé ao lado do dele, o dela seria um quarto do tamanho. Perdida nos pensamentos, não percebeu quando chegaram ao topo e ele parou na frente dela. Bobbi esbarrou nele e percebeu que mal chegava à altura das costas dele.
Espiando por trás do corpo musculoso dele, viu o irmão sentado no sofá de couro preto, cercado de mulheres lindas. Riggs estalou os dedos, chamando a atenção antes de apontar para o que estava atrás dele.
Damon descruzou as pernas e se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Fez um gesto com a mão, como se a estivesse esperando. Riggs deu um passo para o lado, deixando Bobbi entrar no território do irmão.
— Boa sorte — ele disse, mas soou mais como um aviso do que um incentivo.
Enquanto caminhava até onde Damon estava sentado, viu-o dispensar as mulheres ao redor.
— Senta! Senta, mana! — ele gritou, apontando para que ela se sentasse no sofá. Bobbi se sentou a alguns passos de distância, puxando o capuz de volta sobre a cabeça. Com um movimento rápido, Damon se aproximou e tirou o capuz dela.
— Ah, não, mana. Isso fica fora quando você está aqui. — Cheirando o ar ao redor dela, perguntou quando tinha sido a última vez que tomara banho.
— Não sei — ela murmurou, dando de ombros.
Analisando o rosto dela em busca de sinais do que procurava, exigiu que mostrasse as mãos, que mantinha escondidas no bolso da frente. — Agora, Bobbi! Já! — ordenou, sério.
— Você já sabe, Damon! Sempre sabe! — ela retrucou, recusando-se a obedecer.
Ele tentou esconder o sorriso. Ela tinha razão. Era conhecido por nunca fazer uma pergunta sem já saber a resposta. Era uma das características que o tornavam o mais temido entre os humanos e seus companheiros Carrion Feeders. Mas aquela era sua irmã caçula, e, embora os dois já soubessem a resposta sobre ela ainda usar drogas ou não, ele queria obrigá-la a confirmar. Havia algo de sádico nisso, mas não se importava.
Bobbi ergueu os olhos do chão do mezanino. Viu Riggs parado do outro lado da mesa entre eles. Ele esperava, junto com o irmão, que ela seguisse as ordens. Resmungando para os dois, tirou as mãos trêmulas do esconderijo do bolso. Estendeu-as à frente, desejando que parassem de tremer. Ficou decepcionada consigo mesma por um desejo tão inútil.
Damon agarrou rapidamente sua mão direita e começou a virá-la de um lado para o outro. — Meu Deus, Bobbi! Você come no chão de terra ou o quê?
Ela olhou para as unhas pretas, tão encrustadas de sujeira que pareciam ter trabalhado em plataformas de petróleo por anos. — Eu… eu não sabia que estavam assim — admitiu baixinho.
— E olha essa roupa! Seu cabelo! Meu Deus, nossos pais me matariam se vissem você agora. Não é assim que quero minha irmã andando por aí! — Ele apontou para as roupas dela como se ela o enojasse.
— Meia-irmã — ela corrigiu, com sarcasmo. Riggs pigarreou, dando-lhe um aviso silencioso.
Damon recostou-se no sofá, cruzando o tornozelo sobre o joelho e relaxando nos almofadões. — Então, veio aqui atrás de uma dose, não foi? — perguntou, já sabendo a resposta. Na verdade, sabia muito mais do que a irmãzinha podia imaginar.
A última vez que a vira tinha sido quase três meses antes, quando ela apareceu na boate, como hoje. Foi nessa época que bolou um plano com Riggs para tentar ajudá-la. Tinha todos os traficantes da cidade ou no seu bolso ou morrendo de medo dele. Havia mandado um aviso para todo mundo na cidade, semanas atrás, para cortarem a irmã dele. Se falassem com ela e explicassem o motivo, não veriam o nascer do sol seguinte.
— Bom, não tenho nada para você — Damon disse, com naturalidade. — Queria poder ajudar, mas parece que você deu azar hoje. Por que não deixa o Riggs te arrumar alguma coisa para comer?
Bobbi olhou para ele com nojo. Sabia o que ele queria dizer. Carrion Feeders se alimentavam de humanos. Isso os nutria e sustentava, como um superalimento. Um simples caldo feito de ossos podia mantê-los por uma semana. Mas um bom bife ou qualquer tipo de carne podia aumentar sua força e energia por quase um mês. Isso era algo que ela rejeitava. Só de pensar em tirar uma vida humana, sentia vontade de vomitar. — Tá falando sério? Você sabe como me sinto sobre isso!
— Bom, é o melhor que posso fazer, mana. Talvez você precise voltar para aquele apartamento bacana que eu pago, em vez de dormir na rua! — disse, com arrogância. — Sabe, tomar um banho e pedir um delivery ou algo assim.
Levantando-se do sofá, puxou o capuz de volta sobre a cabeça e lançou um sorriso sarcástico para Damon e Riggs. — Valeu por nada! — gritou, antes de empurrar os dois homens e descer as escadas. Atravessou a pista de dança lotada, abrindo caminho com o corpo pequeno em direção ao banheiro.
— Ei, calma aí, pequenina! — um homem gritou atrás dela. Virou-se e viu um sujeito magricela que ela tinha empurrado. Ele se aproximou, encarando-a com dureza. — Parece que você precisa de um teco — disse, baixando a voz. — Tenho uma coisinha para você, se estiver procurando.
Bobbi assentiu e deixou que ele a levasse por uma porta lateral até um pátio privado, onde a escada de incêndio se apoiava precariamente na parede de tijolos. Tirando a seringa, pediu o braço dela, que ela ofereceu sem hesitar.
Bobbi nunca questionou o que havia na seringa. Só se importava em correr atrás do barato que certamente viria. Fechou os olhos e encostou a cabeça na cerca de madeira enquanto sentia a ponta da agulha encontrar sua veia. Assim que a substância desconhecida começou a se espalhar pelo corpo, sua cabeça pendeu para o lado e os joelhos começaram a fraquejar. Sentiu o estranho exigir seu pagamento pelo puxão no botão da calça jeans. Baixou a calcinha até os tornozelos e sentiu o momento em que ele a penetrou.
Não se importava com o que ele tomasse como pagamento, desde que pudesse continuar sentindo a felicidade em que estava mergulhada. Enquanto ele se movia para dentro e para fora, começou a ver pequenos flashes de luzes atrás das pálpebras.
De repente, ouviu a porta de emergência bater com força contra a parede de tijolos. O pênis do homem foi arrancado dela com violência no momento em que ele foi puxado para longe. Com uma lufada de ar nas pernas nuas, Bobbi foi erguida e jogada sobre o ombro de um homem como um saco de batatas. Erguendo a cabeça pesada, finalmente abriu os olhos o suficiente para ver o irmão esmagar o estranho contra a cerca antes de arrancar a garganta do traficante com os dentes.
A porta foi batida por Jack, o segurança. Fechando os olhos, deixou a névoa da droga tomar conta. Com a onda correndo pelas veias e de cabeça para baixo, já estava desmaiada antes que seu corpo chegasse ao topo da escada de metal novamente.
Damon abriu a porta de seu quarto particular, ao lado do mezanino. Riggs já tinha Bobbi deitada na cama, tirando suas roupas sujas. Os dois já tinham feito isso tantas vezes que havia uma rotina estabelecida.
Fechando a porta atrás de si, caminhou até o closet para trocar as roupas ensanguentadas e se arrumar. — Está pronto para isso? — perguntou ao melhor amigo.
— Venho estudando e pesquisando discretamente o que esperar desde o dia em que você me pediu para assumir isso — Riggs confirmou.
Aproximando-se do pequeno bar no canto, Damon agachou-se, tirou uma garrafinha plástica com tampa de rosca da geladeira e colocou no micro-ondas. Quando o aparelho apitou, tirou-a e jogou para Riggs, que a pegou com uma mão.
Riggs se posicionou na cama, colocando um travesseiro sob o cotovelo esquerdo e puxando Bobbi inconsciente para o colo. Acolheu-a como um bebê antes de colocar a tampa da garrafa em sua boca. Fazia tanto tempo que ela não provava aquele sabor doce. Mesmo inconsciente, seu corpo não resistiu ao impulso de sugar.
— Bom, me avise quando terminar aqui. Venha me ver no escritório. Vou te colocar no helicóptero da família hoje à noite.
Riggs observou Damon sair, depois se aconchegou para ver Bobbi beber o caldo que lhe era oferecido. Quando terminou, posicionou-a na cama para ter melhor acesso ao corpo dela. Revirando a gaveta do guarda-roupa particular de Damon, tirou uma cueca limpa. Tirando a última peça de roupa do corpo dela, começou a limpá-la um pouco. Sabia o que esperar em breve do corpo dela, finalmente recebendo o alimento que tanto desejava. Depois, puxou as cobertas e a ajeitou na cama, antes de ligar o monitor para que ele e Damon pudessem vigiá-la pelo computador do escritório.
Saindo de volta para o barulho da boate, Riggs caminhou por um corredor privado até onde viu Damon falando ao telefone. Entrou no escritório e fechou a porta atrás de si.
— Isso mesmo. Quero decolar em uma hora. Não me importa se a filha dele está fazendo seis anos! Mande-o aqui e pronto para pilotar esse helicóptero em uma hora! — Damon bateu o telefone na mesa, balançando a cabeça em descrença para o homem sentado à sua frente.
— Você sabe que se pega mais moscas com mel — Riggs disse, com um sorrisinho.
Sentindo o rubor da vergonha subir pelo pescoço, Damon desviou os olhos do amigo e olhou para o chão. — Vou mandar um pônei para a casa dele amanhã, para a menina.
— Bom menino — Riggs sorriu, inclinando-se sobre a mesa. — Está pronto para falar dos métodos que vou usar? — perguntou ao homem frustrado.
— Não. Confio em você para fazer o que for preciso. Só a deixe firme. Quero ela limpa e saudável. Tem um mês. Acha que é razoável? — Damon perguntou.
Riggs assentiu, recostando-se na cadeira e observando o homem atrás da mesa. — Vou usar alguns dos mesmos métodos que usei com você. Como se sente com isso? — Continuou a observar o amigo de infância, esperando sua reação.
Damon se levantou, saiu de trás da mesa e ficou parado na frente de Riggs. Como não obteve o que queria, bateu o pé no chão, dando um resmungo.
Riggs riu baixinho antes de oferecer o colo. Bateu na perna e esperou pacientemente que Damon se sentasse. Em vez disso, Damon montou nele, escolhendo encará-lo de frente enquanto se esfregava. — Estou de boa com o que você precisar fazer.
Segurando o traseiro de Damon, Riggs se levantou com o homem menor firmemente grudado à sua frente. Sentou-o em cima da mesa para dar uma olhada em Bobbi no monitor do computador. Viu-a começar a se mexer sob as cobertas. Voltando a atenção para o homem à sua frente, inclinou-se e lhe deu um beijo. — Não posso fazer isso agora, Damon. Tenho que ir cuidar da sua irmã. Pode garantir que tudo o que pedi e comprei esteja na casa antes de chegarmos?
— Posso fazer isso — Damon prometeu. Enrolando as pernas na cintura de Riggs, pediu um último beijo antes de soltá-lo. Cedendo, Riggs atendeu, mantendo-o curto e doce.
Voltando ao quarto, Riggs conferiu a temperatura de Bobbi antes de movê-la. Normal, como deveria ser. Deu uma olhada rápida nela antes de vesti-la com uma calça de moletom do irmão e uma camiseta grande demais. Acolhendo-a nos braços, sussurrou em seu ouvido enquanto a carregava para fora, em direção ao helicóptero que os esperava. — Vamos para o País das Maravilhas, garotinha.