Rinkside Rivalry

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Resumo

Emery Blake é designada para cobrir a temporada de hóquei dos Scorchers, uma oportunidade dos sonhos — exceto por um problema evidente: Carter Brooks, o arrogante co-capitão. Forçados a trabalhar juntos apesar de sua rivalidade intensa, faíscas voam enquanto eles lidam com a tensão entre ambos, a química inegável e seus passados. Eles conseguirão encontrar um terreno comum dentro e fora do gelo, ou o ódio mútuo os manterá patinando em direções opostas?

Status
Completo
Capítulos
16
Classificação
5.0 10 avaliações
Classificação Etária
18+

Jerk with a Perfect Jawline

Emery

Jogadores de hóquei são os piores. Pronto, falei. E antes que você revire os olhos, tenho experiência de vida de sobra para afirmar isso. Meu irmão mais velho, Ethan, viveu me aterrorizando com tacos de hóquei e equipamentos suados desde que éramos crianças. Agora, adulto, ele só trocou os ringues de quintal pelas arenas profissionais, e de alguma forma me convenceu a vir a esta festa pós-jogo dele.

"Qual é, Em, você nunca vem a essas festas", ele disse mais cedo, com um tom de súplica nítido no telefone. "Só aparece um pouco. Os caras querem te conhecer."

Os caras: aff. Os colegas de equipe do Ethan são barulhentos, arrogantes e quase todos obcecados por si mesmos. Mas, como tenho um fraco pelo meu irmão — e talvez porque meus planos para a sexta à noite envolvessem comer macarrão com queijo de pijama —, eu disse que sim. Grande erro.

Agora, estou aqui, na sala do Ethan, segurando um copo plástico de refrigerante sem gás, cercada por um bando de crianças crescidas de terno. Não faz nem dez minutos que cheguei e minha paciência já está no limite.

"Ei, Blake! Quem é a gata?"

Não preciso me virar. Pelo tom de voz, sei que é comigo. Solto um suspiro e aperto a base do nariz. É claro que a brigada de testosterona tinha que focar na única mulher na sala que não é namorada ou esposa de ninguém.

"Emery", diz Ethan, com a voz cortando o barulho enquanto ele chega ao meu lado. "Conheça os caras. E pessoal, essa é a minha irmã, Emery."

"Sua irmã?" Uma voz irritantemente suave e confiante vem do sofá. "Não sabia que o Blake tinha tão bom gosto para irmãos."

Eu me viro, e é aí que eu o vejo. Carter Brooks. O astro do time do Ethan. Já o vi na TV e em fotos, mas de perto, ele é ainda mais irritantemente perfeito: ombros largos, um cabelo escuro bagunçado que cai bem nele e um sorriso que grita: "Eu sei que sou melhor que você".

Ele estava largado no sofá do Ethan como se fosse o dono, com uma cerveja balançando na mão. No segundo em que nossos olhos se encontram, o sorriso dele aumenta, e eu sei de uma coisa na hora: esse cara é encrenca.

"Nossa", digo, carregando no sarcasmo. "Que elogio original. Você recicla eles ou tem uns cem guardados caso alguma garota entre na sala?"

Os caras ao redor dão risada, mas Carter não parece nem um pouco desconcertado. Ele se inclina, apoiando os cotovelos nos joelhos, e me dá uma olhada de cima a baixo que faz minha pele arrepiar.

"Só estou dizendo o que vejo, querida."

Querida. Eu odeio essa palavra. Especialmente quando dita por um cara que parece estar fazendo teste para comercial de perfume.

Cruzo os braços no peito e o fuzilo com o olhar. "As pessoas realmente caem nessa baboseira, ou só fingem para você calar a boca?"

Ethan geme ao meu lado. "Carter, nem começa."

"Quem está começando?", diz Carter, com uma falsa inocência. "Só estou sendo amigável."

"Amigável?", eu bufo. "É assim que chamam agora? Você é tão amigável quanto um tubarão em uma piscina infantil."

Outra onda de risadas surge na sala, e Carter nem pisca. Se algo mudou, ele parece levemente entretido. Satisfeito por ter sido confrontado.

"Você tem a língua afiada", ele comenta, com a cabeça inclinada. "Gostei disso."

"É, bem, eu não gosto de você."

"Ainda não", ele responde, me lançando um sorriso convencido.

Ethan geme de novo, mais alto desta vez. "Dá para a gente não fazer isso hoje? Emery, não deixa ele te provocar. E Carter, deixa ela em paz."

"Ah, não se preocupe", digo, sem tirar os olhos de Carter. "Eu dou conta dele."

"Eu não duvido", diz Carter, recostando-se no sofá como se tudo aquilo fosse um jogo. "Mas não se preocupe, querida — eu também dou conta de você."

Fecho os punhos ao lado do corpo. Esse cara é enfurecedor. Antes que eu possa responder, outro colega de time do Ethan interrompe, distraindo-o com uma pergunta sobre o jogo de amanhã. Aproveito a oportunidade para recuar até a cozinha, esperando evitar mais das bobagens do Carter.

A cozinha está silenciosa, mas nem tanto. Alguns colegas do Ethan estão por ali, mas ocupados demais atacando a geladeira para me notar. Sirvo um copo de água e respiro fundo, tentando espantar o que aconteceu.

"Ei", diz uma voz atrás de mim.

Me viro e, claro, é ele. Carter está encostado no batente da porta, com a cerveja na mão e aquele sorriso idiota estampado no rosto.

"Sério?", pergunto. "Você não tem nada melhor para fazer?"

Ele dá de ombros. "Não muito. Pensei em ver como você estava. Ter certeza de que não estava planejando minha morte aqui dentro."

"Não me tenta."

Ele ri, dando um passo à frente. "Sabe, para alguém que não gosta de mim, você passa um tempo considerável conversando comigo."

"Acredite, não é por escolha."

"Certo", ele diz, como se não acreditasse em mim. "Então, qual é a sua, querida? Por que me odeia tanto? Eu nem te conheço."

"Eu não te odeio", digo. "Eu só não gosto de atletas arrogantes e egocêntricos que acham que o mundo gira ao redor deles."

As sobrancelhas dele se erguem. "Nossa. Isso é específico. Tem certeza de que não está projetando um pouco?"

Eu rio com desprezo. "Ah, por favor. Não venha fingir que você não é exatamente o que eu acabei de descrever."

"Talvez", ele admite, com o sorriso aumentando. "Mas pelo menos sou honesto sobre isso."

"Isso deveria me impressionar?"

"Não importa", ele diz. "Não estou tentando te impressionar."

"Ótimo", digo. "Porque você está falhando."

Ficamos nos encarando por um momento, com a tensão entre nós tão densa que dava para cortar com uma faca. Finalmente, Carter balança a cabeça, rindo baixinho.

"Você é uma figura", ele diz.

"Obrigada", respondo secamente. "Agora, se me dá licença—"

"Espera", ele interrompe. "Só mais uma coisa."

Eu paro, estreitando os olhos para ele. "O quê?"

"Você sempre estraga as festas do seu irmão ou hoje é uma ocasião especial?"

Eu reviro os olhos com tanta força que é um milagre eles não terem ficado presos. "Você é impossível."

"E você é divertida de provocar", ele retruca.

Antes que eu consiga pensar em uma resposta, Ethan aparece na porta, olhando de um para o outro com desconfiança. "Estou interrompendo alguma coisa?"

"De forma alguma", digo, pegando minha água e passando por Carter. "Seu amigo estava de saída."

"Estava?", Carter chama atrás de mim, mas não me dou ao trabalho de responder.

Enquanto volto para a sala, faço um voto silencioso: não vou deixar Carter Brooks entrar na minha mente de novo.

Uma pena que ele já tenha entrado.

Volto para a sala segurando meu copo de água como se fosse um salva-vidas. A festa ainda está a todo vapor, com os colegas de equipe do Ethan rindo e se empurrando como se estivessem de volta ao vestiário. Sento no braço de uma poltrona no canto, tentando me tornar o mais invisível possível.

Não faz nem um minuto que me acomodei e Ethan e Carter já estão voltando, preenchendo a sala como se fossem estrelas de algum drama feito para a TV. Ethan está sorrindo, relaxado — o irmão mais velho tranquilo que todo mundo ama. Carter, por outro lado, entra com um passo que grita arrogância, como se o mundo — ou pelo menos aquela sala — pertencesse a ele.

Eu gemo por dentro. É claro que ele está de volta.

"Ei, Em", diz Ethan, me avistando e vindo na minha direção com aquele sorriso de irmão mais velho que sempre amolece minha resistência. "Tudo bem? Desculpa pelo Carter mais cedo — ele é sempre assim."

"Não é culpa sua", digo, oferecendo um sorriso forçado. "Embora eu não fosse reclamar se você colocasse uma focinheira nele."

É claro que Carter tinha que ouvir. Por que não ouviria? A risada dele corta a conversa; ele vem caminhando na minha direção, com a cerveja ainda na mão e os olhos brilhando com malícia.

"Focinheira?", ele repete. "Ah, qual é, querida." Jogando-se na poltrona oposta à minha, ele solta um suspiro dramático e exagerado, como se tivesse levado um soco.

"Você não levou", respondo com doçura, sem nem olhar para ele. "Mas imaginei que você precisasse de algo para combinar com a coleira que o seu ego colocou em você."

A sala se enche de risadas e, por um segundo glorioso, me sinto triunfante. Mas Carter apenas sorri, com os lábios curvando-se ainda mais.

"Fofa", ele diz, recostando-se e colocando os pés na mesa de centro como se fosse o dono da casa. "Você tem muitas opiniões para alguém que nem joga o jogo."

Eu fico na defensiva. "Como é?"

"Sabe, hóquei", diz ele, gesticulando preguiçosamente com a cerveja. "Você sempre julga muito rápido. Me faz pensar se você já pisou no gelo alguma vez."

Ethan se mexe desconfortável ao meu lado, mas levanto a mão para pará-lo. "Primeiro, minhas opiniões são válidas, quer eu jogue ou não. Segundo, não preciso jogar hóquei para saber quando alguém é um babaca egocêntrico."

"Egocêntrico?", Carter repete, fingindo-se ofendido. "Isso é um pouco pesado, não acha?"

"Nem tanto", digo, cruzando os braços. "Mas ei, se a carapuça servir..."

A sala dá risada de novo, mas os olhos de Carter se estreitam levemente, como se eu tivesse acabado de lançar um desafio que ele está ansioso para aceitar.

"Tudo bem, então", ele diz, sentando-se direito. "Que tal a gente colocar essa teoria à prova?"

"Que teoria?", pergunto, desconfiada.

"Você contra mim", diz ele, com um sorriso francamente diabólico. "Em um jogo de... hum, vamos dizer, cartas. Ou dardos. Algo simples. A menos, é claro, que você esteja com medo."

"Com medo?", eu rio com desprezo. "De você? Duvido."

"Prove então", ele diz, em um tom de provocação.

"Ethan, o que acha? Uma competiçãozinha amigável?"

Ethan solta um gemido. "Vocês dois podem parar de se provocar por cinco minutos?"

"Não", dissemos em uníssono, o que faz todos rirem de novo.

"Tá bom", diz Ethan, erguendo as mãos. "Mas mantenham a civilidade, beleza? Sem derramamento de sangue."

Carter sorri e aponta para a mesa de centro, onde um baralho está abandonado. "Que tal pôquer?"

"Pôquer é fácil demais", digo, com minha confiança surgindo apesar de mim mesma. "Que tal dardos?"

"Ooh, dardos", diz Carter, levantando-se. "Perigoso. Gostei."

Nós vamos até o alvo de dardos preso na parede ao fundo, e alguém me entrega um conjunto de dardos. Testo o peso deles, tentando ignorar o jeito que Carter paira ao meu lado, emanando arrogância.

"As damas primeiro", ele diz, recuando com uma reverência exagerada.

Reviro os olhos e me preparo para o arremesso. O primeiro dardo cai bem perto do centro, e uma onda de aprovação percorre a sala. Lanço um olhar para Carter, que levanta uma sobrancelha, mas não diz nada.

"Nada mal", ele diz enquanto lanço o segundo dardo, que cai ainda mais perto. "Para uma amadora."

"Sua vez, campeão", digo, dando um passo para o lado.

Carter assume sua posição, seus movimentos irritantemente elegantes. Seu primeiro dardo acerta o centro, e ele me lança um sorriso por cima do ombro.

"Sorte de principiante", murmuro, ignorando o frio que sinto no estômago.

Continuamos por mais algumas rodadas, cada um de nós pontuando o suficiente para manter o jogo equilibrado. A tensão aumenta, a sala vibra com expectativa enquanto todos se reúnem para assistir.

"Último arremesso", diz Carter, erguendo o dardo final. "Acha que aguenta a pressão?"

"Eu não sou a que desmorona sob pressão", respondo, encarando-o diretamente.

O sorriso dele aumenta, mas há algo diferente em seus olhos agora — algo mais afiado, mais focado. Ele joga o dardo, e ele cai bem perto do alvo.

"Não foi perfeito", ele diz, virando-se para mim. "Mas vamos ver se você faz melhor."

Respiro fundo enquanto meu pulso acelera, indo até a linha. A sala fica em silêncio; todos os olhares estão em mim enquanto arremesso o dardo.

Ele acerta o centro.

A sala explode em comemoração, e me viro para Carter com um sorriso triunfante. "Acho que você não é tão bom quanto pensa."

Ele me encara por um momento, depois balança a cabeça, rindo baixo. "Você é demais, querida."

"E você é previsível", respondo, passando por ele com um sorriso vitorioso.

Num instante, antes que eu pudesse dar outro passo, a mão de Carter dispara, agarrando meu braço. Não com força, apenas firme o suficiente para me parar.

Ele se inclina, com a voz baixa e rouca, transbordando aquela confiança insuportável. "Sabe o que é previsível? Como você não consegue decidir se me odeia... ou se só odeia o quanto eu mexo com você."

Prendo a respiração e viro a cabeça rapidamente para fulminá-lo com o olhar, mas ele já me soltou, recuando com um sorriso de autossatisfação.

Inacreditável.

"Uau. Deve ser exaustivo carregar esse ego todo", retruco, cruzando os braços e levantando uma sobrancelha.

O sorriso de Carter se alarga, seus olhos brilhando com humor como se ele estivesse gostando demais disso. "Não tanto quanto fingir que você não está impressionada."

Minha boca se abre e, por um momento, fico atônita demais para falar. Ele realmente acredita nessa merda. Então, ele tem a audácia — a ousadia pura — de piscar para mim, como se estivéssemos compartilhando uma piada interna.

Esse cara é insuportável.

"Carter, pelo amor de—" Ethan geme, passando a mão pelo rosto como se estivesse se arrependendo de cada escolha de vida que o levou a esse momento.

"Está tudo bem", eu interrompo, levantando a mão para impedir Ethan de reclamar comigo. "Eu estou indo embora. Não tenho paciência para isso."

Carter mal tenta esconder o sorriso que se espalha por seu rosto irritantemente bonito. "Já?", ele grita enquanto eu giro nos calcanhares, sua voz pesada com uma falsa decepção. "Não se preocupe, querida, vou sentir sua falta!"

Querida. A palavra me irrita profundamente. Eu giro, tempo suficiente para lhe lançar um olhar cortante e mostrar o dedo do meio. A sala explode em risadas; o som da risada grave de Carter continua a ecoar até a porta.

Mas hesito quando alcanço a maçaneta. Alguma parte da risada dele — não é apenas arrogante, é calorosa, é real, como se ele estivesse genuinamente se divertindo em vez de apenas zombar de mim — me deixa inquieta. Talvez, só um pouco, mexendo com algo que seria melhor deixar quieto.

Não. Balanço a cabeça, afastando o pensamento. Não é isso. Carter Brooks é apenas mais um atleta convencido que acha que o mundo gira ao redor dele. Já conheci muitos caras como ele antes, e não vou desperdiçar mais um segundo com suas bobagens.

Respiro fundo, abrindo a porta e saindo para sentir o ar frio da noite bater no meu rosto como um tapa. Refrescante — um reinício muito necessário após o caos lá dentro.

Mas, enquanto caminho em direção ao meu carro, sinto uma vontade avassaladora de ter continuado aquela briga que eu poderia ter vencido. E a pior parte? Alguma parte pequena e irritante de mim está se perguntando o que Carter teria dito se eu tivesse ficado.

Bato a porta do carro, apenas sentada ali, cerrando o volante com as mãos trêmulas enquanto o sorriso, a voz e a arrogância de Carter se repetem em um ciclo infinito e enlouquecedor na minha mente — o pior tipo de retrospectiva de todos. Pego meu celular, com os dedos prontos sobre o teclado, prestes a enviar uma mensagem furiosa para Ethan dizendo que ele estava oficialmente na minha lista negra por ousar convidar aquele cara.

Mas, antes que eu possa terminar de digitar "Nunca vou te perdoar pelo que aconteceu hoje", meu telefone vibra na mão, o nome de Melissa piscando na tela. Minha editora. Ótimo.

Fico olhando para a tela por um momento, pesando os prós e contras de atender. Quando Melissa liga, nunca é para jogar conversa fora. Geralmente é porque ela está prestes a arruinar meus planos — ou minha vida — com alguma tarefa de última hora.

Com um suspiro, deslizo o dedo para atender. "Oi, Melissa."

"Emery! Graças a Deus você atendeu", ela exclama de uma vez, pulando as gentilezas de sempre. "Preciso de um favor."

Fecho os olhos por um momento, me preparando. "Que tipo de favor?"

"Preciso que você cubra a temporada dos Scorchers", ela diz apressada, aparentemente correndo para dizer as palavras logo, caso eu tente recusar. "Entrevistas, cobertura dos jogos, bastidores — o que você quiser. Começa amanhã."

Fico imóvel. "Os Scorchers? O time do Ethan?"

"Sim! Você já tem uma entrada por causa do seu irmão, e você é uma das poucas pessoas da equipe que realmente entende de hóquei."

"Melissa, não." As palavras escapam antes que eu possa impedi-las. "Eu não posso fazer isso."

"Emery, qual é", ela insiste, sua voz caindo naquele tom mais alegre e manhoso que usa quando tenta me fazer sentir culpada. "Você é perfeita para isso. Você conhece o esporte de cabo a rabo, é uma escritora fantástica e já tem acesso a jogadores que a maioria dos repórteres mataria para ter."

"É exatamente por isso que não deveria fazer", argumento. "É conflito de interesses. O Ethan é meu irmão."

"Isso não é conflito de interesses", rebate Melissa. "É uma vantagem. Eles confiam em você. E acredite, isso pode ser enorme para sua carreira. Os Scorchers estão em alta agora — nova diretoria, elenco renovado, muito burburinho. Não é apenas jornalismo esportivo; isso é uma história. Você é a única pessoa que conheço que será capaz de dar conta."

Pressiono a ponta do nariz, tentando encontrar uma saída. "Melissa, agradeço a confiança que tem em mim, mas acho sinceramente que outra pessoa da equipe seria melhor. Eu só não estou... entusiasmada com essa tarefa."

"Entusiasmo não é o que preciso", ela diz com firmeza. "Preciso de talento, e você tem. Qual é, Em. Faça isso por mim. Pelo jornal. Por favor."

Respiro fundo e peso minhas opções. Por um lado, a última coisa que quero é ter que lidar com Carter Brooks e seu sorriso arrogante por meses a fio. Por outro lado, Melissa tem razão — esta é uma oportunidade enorme, e recusar poderia prejudicar minha carreira.

"Também tem o Carter", digo, com o tom bem mais suave agora.

"O que tem ele?"

"Nós só... digamos que não nos damos bem."

Melissa solta uma risada sarcástica. "Tensão rende ótimos textos. Use isso. Canalize para seus artigos. Além disso, você é profissional. Sei que consegue lidar com isso."

"Melissa—"

"Em, por favor", ela me corta, com a voz mais branda. "Estou te pedindo como um favor. Eu não colocaria isso em suas mãos se não achasse que você dar conta. Só dê uma chance, tá? Se for realmente insuportável, podemos conversar sobre te realocar depois de um mês. Mas acho mesmo que você vai arrasar nisso."

Solto um suspiro pesado enquanto encaro o para-brisa, tentando processar o que ela disse. Pode ser ótimo para mim, e por mais que eu não queira, Melissa nunca me deu conselhos errados antes.

"Tá bom", digo finalmente. "Eu aceito."

"Isso!" ela praticamente exclama, com um alívio palpável no tom de voz. "Sabia que você aceitaria. Vou enviar todos os detalhes para você hoje à noite. Valeu, Em. Você é a melhor."

"É, tanto faz", murmuro enquanto ela desliga.

Jogo meu celular no banco do passageiro e encosto a cabeça no encosto, fechando os olhos. Isso vai dar certo. Com certeza vai.

Exceto que não vai, porque Carter Brooks vai estar lá, e eu vou ter que lidar com ele regularmente.

"Isso vai ser uma droga", resmungo para mim mesma enquanto ligo o carro. De novo, vejo a imagem daquele sorriso de Carter; de novo, aperto o volante com mais força. Se ele acha que eu vou cair em qualquer provocação ou coisa do tipo, bem — ele está muito enganado.