| Máfia: Rendido por Ela |

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Resumo

★Era uma vez um mafioso frio e implacável que se apaixonou por sua esposa.★

Gênero
Romance/Action
Autor
Anlixn
Status
Completo
Capítulos
37
Classificação
4.8 19 avaliações
Classificação Etária
16+

Capítulo 1

Nova York, 22h45


Uma garota caminhava apressada pelo beco, com seus passos ecoando contra as paredes de concreto. Ela usava uma jaqueta longa, azul-celeste, que cobria todo o seu corpo e escondia cada centímetro de sua forma. Sua cabeça estava completamente coberta por um lenço, sem deixar uma única mecha de cabelo à mostra. Ela era a própria imagem da modéstia, com seus olhos castanhos arregalados de preocupação. Seu rosto, embora não estivesse exposto, carregava as marcas do cansaço e da determinação. O dia tinha sido longo, cheio de tarefas demais, e agora ela estava atrasada... atrasada para voltar para casa, atrasada para descansar.


O beco não era o lugar mais seguro do mundo. Era um atalho conhecido, mas também um lugar onde as pessoas aconselhavam não ficar por muito tempo. A cidade estava cheia de sombras, mas o tempo dela estava acabando. Seus sapatos batiam contra o asfalto enquanto ela seguia em frente, com o coração acelerado.


De repente, o grito de um homem ecoou pelo beco estreito, um clamor cheio de agonia.


Ela parou onde estava, com o coração batendo forte no peito. O medo a dominou, mas ela o espantou, forçando-se a continuar. "Qual é, não seja estúpida", murmurou para si mesma, tentando reunir coragem. "É apenas um grito, não é nada de mais."


Mas o grito continuou, cada clamor mais desesperado que o anterior.


Ela mordeu o lábio, com seus instintos puxando-a na direção do barulho. Quando chegou ao fim do beco, o que viu quase a deixou sem ar.


Corpos sem vida de homens estavam espalhados pelo chão, imóveis de uma forma antinatural. Alguns estavam em posições de luta, outros retorcidos de um jeito que sugeria que a dor os levara além do limite da resistência. Mas havia um homem que não estava morto, embora o sangue formando uma poça ao seu redor sugerisse o contrário. Ele ainda estava vivo, contorcendo-se no chão, com os olhos arregalados de uma dor inimaginável. Seus olhos... ardentes, queimando com uma intensidade que ela não conseguia compreender.


Ela deu um passo cauteloso à frente, com o coração martelando no peito. Conforme ela se aproximava, ele ergueu a cabeça levemente e seus olhares se cruzaram. Os olhos dele ardiam com um fogo sobrenatural, uma energia estranha irradiando deles, apesar da dor que castigava seu corpo.


O fôlego dela sumiu. Que diabos...


"Ajuda...", ele conseguiu sussurrar entre os dentes cerrados. Sua voz era rouca, desesperada, mas havia algo nela, algo... familiar. Ele estava com dor, sem dúvida, mas havia poder nele. Um poder sombrio.


Ela saiu de seu transe com o coração acelerado. Desviou o olhar rapidamente, com o medo correndo em suas veias, mas não conseguia deixá-lo ali.


"Vou chamar uma ambulância", disse ela com firmeza, apesar da voz oscilar levemente.


"Não." A voz dele era um rosnado baixo. Apesar do sangue que manchava seu rosto e roupas, havia raiva em suas palavras. "Não chame."


Ela congelou por um momento, com os olhos arregalados. "O quê? Você está... você está sangrando aqui! Você precisa de ajuda!" Sua voz falhou um pouco enquanto ela lutava para manter a calma.


Ele a encarou, com os olhos faiscando. "Sem ambulância. Meu telefone... está no carro. Traga-o para mim."


Seu coração perdeu uma batida. Carro? O homem tinha um carro, mas por que ele parecia um cadáver ambulante? Aquilo não fazia sentido!


Ela olhou em volta, examinando a área. "Onde está o carro?", perguntou ela.


Ele gemeu de dor, sem respondê-la diretamente, apenas apontando fracamente para um carro estacionado na beira do beco. Ela franziu a testa, mas assentiu, lançando mais um olhar para o homem ferido antes de correr em direção ao carro.


Alguns momentos depois, ela voltou com o celular dele na mão.


Mas, quando voltou até ele, seu sangue gelou.


Ele estava inconsciente, com o corpo relaxado no chão frio. O sangue que vinha de sua cabeça formava uma poça ao seu redor, uma visão terrível que fez o estômago dela revirar. Seu rosto estava pálido e seus olhos fechados. Vê-lo assim fez com que suas mãos tremessem.


Pense, pense! ela disse a si mesma.


Ela se ajoelhou ao lado dele e começou a vasculhar sua bolsa rapidamente. Encontrou um pedaço de pano e pressionou contra a cabeça dele, tentando estancar o sangramento.


Suas mãos tremiam enquanto ela segurava a cabeça dele em seu colo. "Vamos, acorde", ela sussurrou baixinho, quase como se falasse consigo mesma. "Por favor, não morra comigo, não desse jeito."


Ela sentia-se impotente, mas não podia simplesmente deixá-lo ali. Ele já não era um estranho. Havia algo nele, algo que a atraía.


"Acorde... você não vai morrer aqui. Não sob meus cuidados", murmurou ela, com a voz trêmula, mas determinada. Seus dedos estavam cobertos pelo sangue dele enquanto ela segurava o rosto dele com delicadeza.


Os olhos dele se moveram levemente e ele gemeu, recuperando a consciência aos poucos. Seus olhos encontraram os dela novamente

desta vez, estavam mais opacos, mas havia um leve sinal de reconhecimento ali.


"Senha", murmurou ele, com a voz quase um sussurro.


"Senha?" Ela franziu a testa. "O que você..."


"Senha", repetiu ele, com a voz ficando mais fraca. "Ligue... para Yousef..."


Ela piscou, confusa. "Yousef? Quem é..."


"Apenas... ligue para ele", insistiu ele, fracamente.


Ela olhou para o celular na mão, sentindo uma onda de urgência. Não era hora para perguntas.


Seus dedos digitaram o número, trêmulos. Após alguns segundos, uma voz do outro lado atendeu.


"Yousef", disse ela, sem fôlego. "Este homem está ferido... gravemente. Ele está no beco... por favor, você precisa se apressar."


A voz de Yousef estava firme do outro lado, embora houvesse um toque de pânico. "Fique com ele. Não o deixe. Eu estarei aí."


Ela desligou o celular e seu olhar recaiu sobre o homem deitado em seu colo, com a respiração curta. Ela olhou para baixo, com o coração acelerado. Não conseguia evitar o medo. Quem era ele? O que aconteceu ali?


"Fique comigo", ela sussurrou, com a voz trêmula, porém resoluta. "Por favor."


Por um momento, pareceu que ele não responderia, mas então seus olhos se abriram novamente. Um sorriso fraco e doloroso surgiu nos cantos de seus lábios. "Eu te disse... Eu não vou morrer hoje."


Ela soltou um suspiro que nem sabia que estava segurando, uma mistura de alívio e descrença.


Não vai morrer hoje. Sei, como não.


"É, bom, não me faça me arrepender de ter salvado a sua vida, entendeu?" Ela soltou uma risada contida, carregada de uma tensão nervosa.


Os lábios dele se contraíram, como se fosse responder, mas o som de um carro se aproximando os interrompeu. Ela olhou para cima, sentindo uma ponta de esperança.


O carro de Yousef freou bruscamente perto da entrada do beco, com os pneus cantando no cascalho antes de parar de vez.


A porta se abriu e um homem saiu. Sua figura alta se destacou na luz fraca; sua postura era imponente, mas visivelmente tensa. Ele parecia alguém que já tinha visto de tudo, mas, naquela noite, algo estava diferente. Seus olhos afiados escanearam a cena:

ela, o homem ferido e o chão encharcado de sangue.


O olhar dele pousou sobre ela. Ela sentiu o peso daquele olhar, mas não recuou. Manteve a mão na cabeça do homem, recusando-se a soltá-lo.


"O que aconteceu com ele?" A voz de Yousef era calma, mas trazia uma urgência oculta enquanto ele caminhava em direção aos dois.


A garota respirou fundo, ainda abalada. Ela não sabia como explicar tudo... como o homem se feriu ou por que ele não queria ajuda. Mas ela não conseguia ignorar a pergunta que queimava em sua mente.


"Quem é ele?" ela perguntou antes que pudesse se conter, alternando o olhar entre o homem inconsciente em seu colo e Yousef.


Yousef hesitou, cerrando o maxilar. Ele pareceu avaliar a pergunta cuidadosamente, então deu de ombros.


"Ele é alguém que não gosta de ser salvo", respondeu Yousef, com a voz áspera. "Mas acho que ele não vai ter muita escolha desta vez."


Ela franziu a testa. Não entendia. Não gosta de ser salvo? Mas aquele não era o momento para perguntas. Não agora.


Yousef se ajoelhou ao lado dela e começou a examinar o homem com movimentos rápidos e precisos. Seus dedos checaram o pulso no pescoço do homem, e então seus olhos foram para o pano enrolado no ferimento.


"Você foi bem", disse Yousef, com o tom mais suave ao olhar para ela. "Mas precisa deixar que eu assuma agora. Não temos muito tempo."


Ela assentiu, tirando as mãos da cabeça do homem a contragosto, mas não se levantou. Permaneceu sentada ao lado dele, com o olhar fixo em seu rosto inconsciente.


Yousef assumiu o controle rapidamente, movendo-se com precisão ao levantar o homem nos braços com uma força que parecia não ser natural. Ele o levou para o carro com urgência.


O homem nos braços dele continuava inconsciente, mas seus lábios se moveram levemente, como se tentasse falar, embora a voz não passasse de um sussurro.


O homem ferido murmurou, as palavras arrastadas pela dor, mas havia uma gratidão inegável nelas. "Eu vou retribuir o favor... um dia."


A expressão de Yousef suavizou um pouco ao olhar para o homem ferido e depois para a garota. Ele assentiu, reconhecendo as palavras.


"Apenas coloque-o no carro. Nós cuidaremos dele a partir daqui", disse Yousef, com o tom surpreendentemente gentil.


A garota ficou ali, com o coração ainda batendo forte. "Ele vai ficar bem?" ela perguntou, com a voz trêmula, apesar de tentar disfarçar com um tom de preocupação.


Yousef não respondeu de imediato. Ele abriu a porta traseira do carro, colocando o homem lá dentro com cuidado. "Ele vai sobreviver", disse, fazendo uma pausa antes de olhar por cima do ombro para ela. "Mas você deve ir. Não vai querer estar aqui quando ele acordar."


Ela assentiu lentamente, ainda tentando processar tudo o que tinha acabado de acontecer. O homem estranho, o sangue, a energia sombria que parecia emanar dele mesmo inconsciente. Ela estava abalada, mas algo a mantinha presa ali. Ela queria ir embora, mas... algo dentro dela dizia que não podia simplesmente ir embora ainda.


Enquanto Yousef entrava no banco da frente e ligava o motor, ele virou a cabeça para ela uma última vez.


"Cuide-se. E não se meta nisso de novo."


As palavras ficaram suspensas no ar e, com um último olhar, o carro arrancou noite adentro, os faróis iluminando o beco escuro enquanto desaparecia à distância.


A garota permaneceu lá, com a mente a mil e o coração ainda preso no caos daquela noite. O que tinha acabado de acontecer? Seu corpo parecia entorpecido, seus pensamentos confusos enquanto ela revivia os eventos:

os olhos ardentes do homem, o sangue, as palavras que ela não conseguia entender direito. E agora, o aviso enigmático de Yousef sobre não se meter nisso novamente.


Por que ele disse aquilo? ela se perguntou, observando a rua vazia onde o carro tinha sumido.


Ela engoliu em seco, tentando acalmar os nervos, mas tudo o que sentia era o ar frio da noite em sua pele e o eco das palavras do homem em seus ouvidos.


"Eu vou retribuir o favor..."


Seus pés se moveram antes que pudesse impedi-los, como se soubessem para onde ir. Seu apartamento ficava a poucos quarteirões. Ela precisava chegar em casa e processar tudo o que tinha acabado de acontecer, mas as ruas pareciam mais longas do que o normal. Cada passo parecia pesado, como se o peso dos olhos ardentes daquele homem a estivesse seguindo.


Eu nem sei o nome dele, ela pensou, com a respiração falhando enquanto caminhava mais rápido. O que foi aquilo esta noite?


O prédio de seu apartamento finalmente apareceu e ela sentiu uma onda de alívio. Subiu as escadas apressada, com a chave tremendo em sua mão.


Lá dentro, seu apartamento parecia silencioso demais, parado demais, em um contraste marcante com o caos que acabara de testemunhar. Ela trancou a porta e encostou-se nela, ainda com o coração disparado.