Histórias sem Laços

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Resumo

Esta é uma coletânea de One shots. O foco principal são histórias sobre homens gays ou bissexuais, embora eu eventualmente inclua narrativas héteros também. Esta coletânea contém conteúdo maduro e é destinada a leitores adultos. Inclui temas de intimidade, situações explícitas entre homens e linguagem explícita. Por favor, não leia se este tipo de conteúdo for ofensivo para você.

Status
Completo
Capítulos
16
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Ink and Smoke

“Ink and Smoke”


A boate era um animal vivo e pulsante — puro calor, suor e ritmo.

O grave vibrava pelo corpo de Jeremiah como um segundo batimento cardíaco, e o ar estava pesado, carregado de fumaça, perfume e cerveja. As luzes de neon cortavam a pista de dança em clarões intermitentes, congelando a multidão por breves momentos: quadris balançando, bocas abertas em risadas ou suspiros, corpos colados como se não suportassem ficar separados.

Jeremiah tinha parado de contar os drinques havia horas.

Ele estava solto, imprudente, brilhando com aquela embriaguez inebriante onde as consequências simplesmente não existiam. Ele queria se afogar em sua tristeza.

Foi então que ele o viu.

O homem não era bonito no sentido tradicional; ele era feroz, bruto, feito de linhas rígidas e um calor intenso. O cabelo escuro era denso e bagunçado na medida certa, sugerindo um desleixo proposital. Os ombros largos esticavam sua camisa preta. Tatuagens serpenteavam por um de seus antebraços. Sua boca — pecaminosa e insolente — curvou-se em um meio sorriso ao cruzar o olhar com Jeremiah.

Seus olhos se encontraram.

Algo elétrico crepitou entre eles.

O coração de Jeremiah falhou uma batida, e ele prendeu a respiração.

E então o homem — Leon, embora Jeremiah ainda não soubesse seu nome — caminhou em sua direção, abrindo caminho na multidão como se fosse o dono do lugar.

Sem dizer uma palavra, sem nem pensar, Jeremiah foi ao seu encontro.

A mão de Leon encontrou a cintura de Jeremiah, os dedos cravando no jeans logo acima do quadril. Seus corpos colidiram — peito com peito, quadril com quadril —, encaixando-se como peças de um quebra-cabeça que esperavam por aquele momento.

A música mudou, uma batida mais sombria e pesada ecoava pelo chão.

Eles começaram a se mover.

As mãos de Jeremiah subiram pelo peito de Leon, sentindo os músculos rígidos sob o tecido. As mãos de Leon desceram, possessivas e rudes, segurando os quadris de Jeremiah e puxando-o para perto, roçando seus corpos com um ritmo lento e deliberado.

A coxa de Leon se enfiou entre as pernas de Jeremiah, pressionando contra sua virilha, e Jeremiah soltou um gemido baixo e desesperado no ouvido do estranho.

Leon deu uma risada grave e perversa, pressionando com mais força e girando os quadris.

A dança deles já não era sobre a música.

Era sobre atrito.

Era sobre tensão.

Era sobre desejo.

A boca de Leon roçou o maxilar de Jeremiah, provocando-o, apenas um fantasma de um beijo. Jeremiah se virou, perseguindo seus lábios. Eles se tocaram brevemente — um roçar quente de bocas abertas — antes de Leon se afastar com um sorriso de canto, provocando-o.

A cabeça de Jeremiah girou, e não era apenas por causa do álcool.

Suas mãos encontraram os passadores do cinto de Leon, puxando-o para perto até que suas ereções roçassem através dos jeans.

A respiração de Leon falhou, e sua mão subiu pelas costas de Jeremiah, os dedos entrelaçando-se em seu cabelo, inclinando sua cabeça para trás para encará-lo.

"Vamos sair daqui", Leon rosnou, com a voz rouca como cascalho e fumaça.

Jeremiah nem hesitou.

Leon agarrou sua mão e o puxou através do mar de corpos, passando por cordas de veludo e seguranças que mal lhes deram um segundo olhar. O clube não era apenas uma boate; era um lugar de alto nível que atendia a certas... necessidades. Salas privadas ficavam ao longo do corredor dos fundos, disponíveis para quem soubesse como pedir.

Leon falou com um segurança em tom baixo. Jeremiah não ouviu o que ele disse; estava ocupado demais ofegando, bêbado pelo aroma da pele de Leon e pelo grave pesado que ainda vibrava em seu peito.

Uma porta se abriu.

Leon o empurrou para dentro.

O quarto era luxuoso e pouco iluminado, com sofás de couro preto, espelhos e um carpete espesso que abafava seus passos. Havia até uma cama baixa coberta por lençóis escuros, como se o lugar tivesse sido projetado exatamente para o que estavam prestes a fazer.

Jeremiah mal teve tempo de notar, antes de Leon prendê-lo contra a porta, fechando-a com o próprio peso.

Eles se atacaram instantaneamente, as bocas se chocando, os dentes raspando.

A mão de Leon deslizou sob a camisa de Jeremiah, a palma quente e áspera contra sua barriga nua, os dedos se espalhando possessivamente.

Jeremiah arqueou o corpo, roçando-se sem vergonha, embriagado pela luxúria e pela atmosfera sombria e pesada.

Leon puxou a camisa de Jeremiah pela cabeça, jogando-a em algum lugar do quarto.

Jeremiah respondeu tirando o paletó de Leon dos ombros, os dedos tropeçando nos botões da camisa, desesperado por sentir mais pele.

Leon beijava como um homem faminto — os dentes raspando o lábio inferior de Jeremiah, a língua mergulhando profundamente enquanto ele se esfregava contra ele.

Jeremiah gemeu, agarrando a camisa de Leon e puxando-a por cima da cabeça. Suas mãos exploravam avidamente a extensão da pele nua: o abdômen definido, o corte em V dos quadris, os padrões tatuados que serpenteavam pelos braços.

Leon beijou o pescoço de Jeremiah, mordiscando a pele sensível e deixando pequenas marcas.

Suas mãos estavam por toda parte — tirando a camisa de Jeremiah, desabotoando seus jeans, empurrando-os para baixo até que Jeremiah pudesse sair deles.

Leon parou apenas o tempo suficiente para olhá-lo — sem camisa, corado, respirando com dificuldade — e sorriu, um sorriso selvagem e obscuro.

"Porra", ele murmurou, como se não pudesse acreditar em sua sorte.

Jeremiah mal teve tempo de se sentir convencido antes que Leon o pegasse no colo, sem esforço, e o levasse em direção à cama.

Eles caíram no colchão em um emaranhado de membros, as bocas se encontrando novamente. Leon beijou o peito de Jeremiah, mordendo levemente seu mamilo, fazendo-o arquear e ofegar. Sua mão encontrou o pau de Jeremiah, acariciando-o através do tecido fino da cueca, de forma lenta e firme.

Jeremiah se empurrou contra sua mão, desesperado por mais.

Leon abaixou sua cueca com os dentes, jogando-a de lado.

Quando Leon finalmente o colocou na boca, Jeremiah quase soluçou — os quadris sacudindo incontrolavelmente, os dedos procurando algo para segurar. Leon era incansável, sugando profundamente, usando a mão para acariciar o que a boca não alcançava. Sua mão livre deslizou entre as coxas de Jeremiah, provocando e sondando, fazendo Jeremiah tremer de expectativa.

"Por favor", Jeremiah suplicou, com a voz embargada.

Leon levantou a cabeça, os lábios brilhantes, os olhos semicerrados e escuros de fome.

"Já está implorando?", provocou.

Jeremiah não se importava. O orgulho era um preço pequeno para aquela noite.

"Por favor", repetiu ele, agarrando o rosto de Leon e puxando-o para um beijo desajeitado e desesperado.

Leon lubrificou a si mesmo rapidamente, enfiando-se entre as coxas de Jeremiah, pressionando devagar, centímetro a centímetro, dando a Jeremiah tempo para se ajustar. O alongamento ardia, mas era o tipo de dor que Jeremiah desejava — a plenitude, a posse, a sensação de ser completamente tomado.

Eles se moveram juntos, devagar no início, depois mais rápido, mais rudes, perseguindo o prazer como homens que se afogam perseguem o ar.

Jeremiah acompanhou cada investida, as unhas arranhando as costas de Leon e deixando marcas vermelhas.

Leon grunhiu, um som animal baixo, e alcançou o meio deles para acariciar o pau de Jeremiah, masturbando-o no ritmo de suas estocadas.

Jeremiah gozou primeiro, gritando o nome de Leon — ou algo parecido com isso —, espalhando seu prazer pelo abdômen dele.

Leon veio momentos depois, os quadris se chocando com força, enterrando-se profundamente com um palavrão estrangulado.

Eles desabaram, uma pilha suada e emaranhada em lençóis e membros.

Jeremiah mal conseguiu puxar o cobertor sobre eles antes de apagar.

A luz do sol apunhalou suas pálpebras, afiada demais, cruel demais.

Jeremiah gemeu e se virou — e congelou.

O homem do clube ainda estava lá, estirado de bruços, dormindo profundamente. O lençol tinha caído até seus quadris, expondo a largura de suas costas. À luz da manhã, Jeremiah pôde vê-lo claramente pela primeira vez: os músculos fortes, as marcas de sol, a curva da cintura.

E a tatuagem.

Uma serpente, tatuada em preto, enrolava-se ao longo da coluna de Leon. Suas escamas eram tão detalhadas que pareciam ter textura, pareceriam reais. Na boca da serpente, logo abaixo da nuca, havia uma rosa vermelha como sangue, vibrante e marcante contra a tinta monocromática.

Jeremiah sentou-se lentamente, o coração martelando.

Ele não se lembrava do nome do cara. Não se lembrava de absolutamente nada sobre ele.

Mas ele nunca esqueceria aquela tatuagem.

A vergonha e o pânico se misturaram em seu estômago. Ele precisava ir embora.

Agora.

Cuidadosa e dolorosamente, ele juntou suas roupas. Sua calça jeans estava do avesso. Sua camisa cheirava a fumaça e suor. Ele encontrou seu paletó jogado sobre uma cadeira e enfiou as meias nos bolsos.

Jeremiah deu mais uma olhada em Leon — na expressão relaxada de sua boca, no jeito pacífico como ele dormia.

Uma parte dele — aquela não governada pelo medo — queria rastejar de volta para aquela cama, aninhar-se contra o corpo quente de Leon, pressionar seus lábios contra aquela tatuagem de cobra e descobrir a história por trás dela.

Em vez disso, Jeremiah abriu a porta, saiu para o dia ofuscante e deixou que ela se fechasse suavemente atrás de si.

A cidade rugia ao seu redor.

Carros. Vozes. O som distante de sirenes.

Jeremiah enfiou as mãos nos bolsos e caminhou, com a imagem daquela serpente tatuada gravada no fundo de seus olhos, algo selvagem e dolorido florescendo profundamente em seu peito.

Ele não sabia o nome dele.

Mas ele sabia que não o esqueceria.

Não por muito, muito tempo.

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