Capítulo 1
POV: Daniella
Eu não me mudei para esta cidade para me apaixonar por ninguém. Por ninguém mesmo.
Vim em busca de um recomeço, um emprego estável e, se desse sorte, um apartamento meia-boca, mas com uma pressão de água decente e sem fantasmas do meu passado. Romance não fazia parte do plano. Eu estava farta de homens — especialmente aquele tipo perigosamente charmoso que sorria como se nunca tivesse sofrido na vida.
Então, é claro, a primeira pessoa que conheci era exatamente desse tipo.
"Ei", disse o cara atrás do balcão da academia, com os olhos brilhando com algo quente demais para um estranho. "Primeira vez aqui?"
A voz dele era suave. Amigável. Provocadora. Mas o que realmente me pegou foi o jeito que seus olhos cor de avelã brilhavam, com pontos dourados captando a luz como fogo.
Ele era... gato.
Alto e atlético, com o cabelo castanho-claro preso em um coque curto, um maxilar que podia cortar vidro e braços que, definitivamente, não pulavam o dia de treino. Ele vestia uma regata preta justa que grudava no peito como se tivesse sido feita para ele.
Merda.
"É tão óbvio assim?", perguntei, tentando não corar sob o olhar dele.
"Um pouco", ele disse, sorrindo. "Mas você tem potencial."
Ele estendeu a mão. "Eu sou Robert Heinmeir. Mas todos me chamam de Bob."
Eu apertei a mão dele, com o pulso já acelerado. A mão dele era quente e firme, com uma pressão que foi o suficiente para deixar meus joelhos bambos por meio segundo.
"Daniella", eu disse. "Daniella Moore, nova na cidade. Emprego novo. Tudo novo."
"Garota do recomeço", ele assentiu, aprovando, como se aquilo significasse algo a mais. "Bem-vinda à FitZone. Sou personal trainer aqui — se precisar de ajuda para começar, conte comigo."
Antes que eu pudesse responder, a porta da academia se abriu atrás de mim.
E mais dois homens entraram — ambos impressionantes, cada um de um jeito diferente.
O primeiro tinha um cabelo castanho rico, bagunçado na medida certa para parecer desleixado, mas não preguiçoso. Seus olhos escuros vasculharam a sala como se ele estivesse coletando informações. Ele vestia uma camisa social com as mangas dobradas, expondo antebraços bronzeados e dedos longos. Intenso. Quieto. Inteligente. Definitivamente o tipo misterioso.
O segundo homem se movia com uma espécie de autoridade casual que fez minha respiração falhar. Ele era mais alto e mais largo, com cabelo preto, olhos azul-gelo e uma presença calma e dominante que fez minha pele arrepiar. Tudo nele gritava protetor. Executor. Perigoso.
E eles estavam caminhando na minha direção.
Meu coração martelava contra as costelas. Minhas palmas ficaram levemente suadas. Meus pulmões esqueceram como respirar por um segundo.
Bob ergueu uma mão. "Falando no diabo. Daniella, conheça meus colegas de quarto. Nathaniel Martin e Adrian Bauer, Nate e Ace."
"Daniella Moore, eles moram com você?", perguntei, tentando parecer neutra, mesmo que meu corpo gritasse que lugar é esse e como faço para nunca mais sair daqui?
"Infelizmente", murmurou Nate, mal olhando para mim — até que olhou. Seus olhos demoraram um pouco mais do que o necessário, como se ele estivesse me analisando molécula por molécula.
"Transferência de emprego ou coração partido?", perguntou Ace, com a voz baixa e firme.
Pisquei para ele. "Como é?"
Ele deu de ombros. "Os recém-chegados geralmente se encaixam em uma dessas categorias."
Hesitei. "Um pouco dos dois."
A boca de Ace se contorceu, quase um sorriso. "Bem-vinda, então."
Bob bateu palmas dramaticamente. "Ok, então — nova regra. Vocês dois não falam com ela. De jeito nenhum. Assim ela não vira 'proibida'."
Nate bufou. "Tarde demais. Nós já vimos ela."
"Eu vi primeiro", rebateu Bob, fingindo seriedade e cruzando os braços como se estivesse impondo a lei.
Ace arqueou a sobrancelha. "Ou você só está tentando marcar território."
"Ela entrou, fez contato visual comigo e eu só estava sendo amigável."
"Você estava babando", murmurou Nate.
"Eu estava sorrindo", contra-atacou Bob.
Ace me lançou um olhar — calmo, divertido, perspicaz. "No que exatamente você se meteu, Daniella?"
"Sinceramente, não faço ideia", eu disse, tentando não rir.
"Ok, chega", disse Nate, intervindo como a voz da razão — o que, de alguma forma, o deixou ainda mais atraente. "Todos nós a vimos. Então, ela é proibida. Fim de papo. Ela será nossa amiga. Nada de romance."
E, assim, eles voltaram a ser estranhamente intensos sobre uma regra que eu não entendia.
Bob gemeu. "Eu odeio essa regra."
"É uma regra real?", perguntei.
"Ah, é real", respondeu Nate. "Fizemos um pacto anos atrás. Nada de envolvimento romântico com pessoas com quem convivemos. Mantém a paz."
"Você diz isso como se tivessem tido... incidentes", eu disse lentamente.
Os três ficaram em silêncio. O que foi uma resposta bem barulhenta.
"Nossa", pisquei. "Vocês estão realmente discutindo sobre quem pode flertar comigo — enquanto eu estou parada aqui na frente?"
Aquilo quebrou o clima.
Eles riram. Alto e sem se desculpar.
E, ainda assim, por baixo da provocação e da brincadeira, algo não dito tremeluzia entre nós — uma tensão eletrizante, afiada e inegável. Eu senti isso no meu peito, na minha respiração, no calor que se acumulava lá embaixo, no meu ventre.
Aquilo não era inofensivo.
"Eu gostei dela", disse Nate, com os olhos fixos nos meus.
"Pena que ela é proibida", acrescentou Bob, lançando um sorriso que ficou no meio do caminho entre charmoso e letal. "A menos que você queira procurar outro treinador."
"Espere — você é meu treinador agora?"
"Se você quiser que eu seja", ele disse, com a voz caindo para um tom rouco e quente. "Eu cuido de você."
Minha boca secou. Meu corpo todo se inclinou para aquele momento, para ele, para a promessa que se formava por trás daquelas cinco palavrinhas.
Deus me ajude, eu queria dizer sim.
Se eu pensei que treinar com Bob seria simples, eu estava enganada.
Era calor e tensão disfarçados de treino físico.
Ele me guiou pelas máquinas, demonstrando cada movimento com uma facilidade suave e prática, seu corpo sendo uma distração constante. Toda vez que ele me tocava para corrigir minha postura — suas mãos firmes nos meus quadris, um toque leve na parte inferior das minhas costas — eu sentia aquilo por toda parte.
Coração disparado. Respiração ofegante. Pele vibrando como se eu estivesse ligada na tomada.
"Você está muito tensa", ele disse, posicionando-se atrás de mim durante uma série de agachamentos.
"Não faço ideia do porquê", murmurei, olhando fixamente para o espelho, tentando não observar como os olhos dele insistiam em percorrer minhas pernas.
"Hmm", ele disse, com a voz baixa e provocadora. "Deve ser o nervosismo de garota nova."
Ou o fato de ele ser puro calor e pele dourada nas minhas costas.
Do outro lado da academia, vi Nate e Ace encostados na parede, ambos bebendo shakes e nos observando como se aquilo fosse algum tipo de show particular. Nate deu um sorriso malicioso e lento. Ace não sorriu — seu olhar era intenso, ilegível.
Ótimo. Sem pressão nenhuma.
"Você está indo bem", murmurou Bob, aproximando-se novamente. A mão dele deslizou pela minha cintura, sua respiração perto do meu ouvido. "Você não precisa ser perfeita. Só continue se movendo."
Minhas pernas quase cederam — não pelo agachamento, mas pelo jeito que a voz dele me envolvia.
"Você realmente não se importa com aquela regra, né?", perguntei, com mais ar do que voz.
Ele se endireitou e deu de ombros, com um sorriso convencido no rosto. "Eu odeio aquela regra."
"Pensei que fosse sagrada."
"Não é real se me impede de fazer isso direito."
"Isso?", arqueei a sobrancelha.
Ele não respondeu. Apenas estendeu a mão, colocou uma mecha solta de cabelo atrás da minha orelha e deixou os dedos deslizarem por um momento a mais do que o necessário.
Meu estômago deu uma cambalhota.
Quando terminamos a sessão, eu estava corada, ofegante e dolorida em lugares que eu nem sabia que tinham músculos.
Nate e Ace se despediram da recepção.
"Vem junto?", Nate perguntou a Bob.
Bob negou com a cabeça. "Vou fechar aqui em um instante. Vejo vocês mais tarde."
Eles trocaram um olhar e foram embora.
Eu fiquei para trás, pegando minha bolsa no vestiário. O lugar estava silencioso agora, ecoando o zumbido das luzes do teto e o tilintar distante dos pesos. Eu não ouvi Bob entrar — apenas senti sua presença atrás de mim enquanto fechava meu armário.
"Você sobreviveu", disse ele, com a voz mais baixa na sala vazia.
"Por pouco."
"Você vai estar dolorida amanhã."
"Eu já estou", eu disse, e me virei para encará-lo.
Estávamos perto demais. Aquele tipo de proximidade que poderia ser descartada como acidental — se qualquer um de nós quisesse que fosse.
Eu não dei um passo para trás.
Ele também não se moveu.
Bob estendeu a mão, com os dedos roçando a alça da minha bolsa. "Você é mais forte do que pensa."
"Você mal me conhece."
"Sou treinador", ele disse. "É meio que minha especialidade."
Eu ri, suave e insegura.
Então ele se inclinou — e tudo pareceu desacelerar.
A mão dele subiu até meu rosto, o polegar roçando o canto da minha boca. Seus olhos desceram para os meus lábios e voltaram para os meus, buscando. Pedindo.
Eu não o impedi.
Os lábios dele tocaram os meus — lentos e suaves a princípio, como uma pergunta.
E quando eu respondi me inclinando, ele aprofundou o beijo.
O beijo foi de quente a selvagem num piscar de olhos.
A mão dele deslizou para o meu cabelo, a outra segurou meu quadril. Eu derreti contra ele, sentindo gosto de sal, calor e algo que me fazia querer colocar tudo a perder por mais um segundo. Minhas costas bateram na porta do armário, e sua boca reivindicou a minha como se ele estivesse faminto por aquilo.
Deus, ele tinha um gosto bom.
Eu arquejei quando ele recuou, apenas o suficiente para respirarmos.
"Quero ver você de novo", ele disse com a voz rouca. "No mesmo horário amanhã?"
Minha cabeça girou. Eu deveria ter hesitado.
Eu não hesitei.
"Sim", eu respondi ofegante.
O sorriso dele era pura encrenca. "Ótimo. Vou fazer você suar."