Prólogo
Nikolai
Acordei com calor.
Não aquele calor que avisa, mas o que toma posse.
Coxas presas ao redor dos meus quadris. O peso dela me pressionando. O tecido áspero contra a pele. Uma faca na minha garganta. Um olhar tão porra de firme que fez meu pau latejar antes mesmo do meu coração.
Ela estava montada em mim como se já fosse dona de tudo. Esguia. Controlada. Montada em cima de mim com a confiança de quem sabia que eu não a mataria antes de ouvir o que ela tinha a dizer.
Ou talvez ela estivesse apenas cansada de esperar eu acordar.
"Você dorme que nem um defunto", ela murmurou.
Meus dedos se contraíram embaixo do travesseiro, roçando no cabo da lâmina que eu mantinha ali. Eu poderia tê-la jogado no chão em três segundos. Poderia tê-la cortado, dado um fim no corpo e trocado os lençóis antes do sol nascer.
Mas não me movi.
Porque então ela sorriu.
Não foi um sorriso suave. Nem doce. Foi predatório. Como se a faca não fosse uma ameaça — era uma preliminar.
E então?
Ela me beijou.
Com força. Rápido. Sem hesitação nenhuma.
A boca dela se chocou contra a minha como se já estivéssemos no meio de uma briga.
Sem hesitar. Sem aviso.
Apenas contato em potência máxima — lábios colidindo, dentes raspando, língua forçando a minha a responder.
E porra, eu respondi.
Eu a beijei de volta. Com mais força. Mais bruto.
Agarrei a nuca dela e a puxei para perto, como se eu fosse o invasor.
A faca não vacilou. Nem ela.
O calor dela se esfregou em mim, confiante e deliberado, como se seu corpo já soubesse que a ameaça não era a faca — era eu.
Mordisquei o lábio inferior dela. Ela gemeu — um som baixo, destruído, desafiador.
Aquele som me atingiu mais forte que a lâmina. Direto no pau. Porra.
Eu engoli o som. Arrastei a língua dela para dentro da minha boca e a fodi com a minha.
Os seios dela roçaram meu peito, mamilos rígidos sob o tecido preto, uma fricção provocante que fez minha espinha estalar de tão reta.
Cada instinto gritava para jogá-la no chão, prendê-la, rasgá-la ao meio.
Em vez disso, gemi contra a boca dela. "Puta merda."
Sujo. Animal. Possessivo de um jeito que fez meus dentes doerem e meu aperto se tornar brutal.
Os quadris dela giraram contra os meus e senti a pressão do seu calor — nu, agressivo, deliberado.
Meu pau latejava como se tivesse acabado de receber uma sentença de morte que ele estava feliz em aceitar.
Os olhos dela não se fecharam. Mesmo enquanto eu a beijava como se planejasse ser dono de cada porra de respiração que ela desse.
Ela encarou os meus olhos direto — como se me desafiasse a piscar primeiro.
Agarrei o quadril dela, com os dedos cravando fundo. Com força suficiente para deixar hematomas. Com força suficiente para avisar.
Ela não recuou.
Não amoleceu.
Apenas se afastou alguns centímetros, olhos ainda travados nos meus, a respiração roçando meus lábios como se soubesse que eu a deixaria viver. E já estivesse julgando o que isso significava.
"Olá, Nikolai."
Pisquei uma vez. "Quem porra é você?"
Ela se inclinou para trás o suficiente para que eu pudesse vê-la direito — roupas pretas justas, cintos presos nas coxas esguias, cabelo em uma trança, olhos como geada.
"Talia", disse ela. "Considere isso uma visita de cortesia."
Não me movi. Não sorri.
Ela bateu a ponta da lâmina gentilmente contra o meu pescoço, com pressão apenas o suficiente para me lembrar que ela não a tinha afastado.
"Você me herdou."
Que porra é essa?
Meu aperto se intensificou. "Quer repetir isso?"
"Existe um juramento de sangue. Você não precisa dos detalhes. Apenas o essencial — você é responsável por mim agora."
Eu a encarei.
Ela estava montada em mim, faca na minha garganta, lábios inchados pelo beijo que ela mesma começou — e agora estava vindo com política familiar?
"Eu não faço serviço de babá. E, com certeza, porra nenhuma de deixar estranhos armados subirem na minha cama para falar de herança."
"Bom", ela disse, com um sorriso afiado. "Porque eu não estou aqui para ser protegida."
A lâmina desapareceu — assim mesmo. Deslizou de volta para a bainha na coxa dela. Um movimento fluido.
"Mas achei que você deveria saber", ela acrescentou. "Você está livre. O juramento de sangue foi cumprido. Eu sei me cuidar sozinha."
"E ainda assim, aqui está você. Na minha cama."
"Eu estava curiosa", ela disse.
"Sobre o quê?"
O sorriso dela se abriu, sombrio. "Sobre você."
Talia
Ele não tentou me jogar para fora.
Não entrou em pânico. Não gritou.
Nem sequer pareceu surpreso.
O que era assustador — ou impressionante para caralho.
Desci de cima dele devagar, não porque tinha terminado, mas porque já tinha feito meu ponto.
Nikolai Markov. Herdeiro de sindicato. Rei da máfia. Estupidamente atraente e perigoso do jeito que o congelamento é perigoso — silencioso, frio e com a garantia de te custar algo se você não se mover rápido o suficiente.
Ele me observou me mover como se eu fosse uma bomba com o cronômetro ainda correndo.
"Você invadiu o meu complexo", ele disse.
"Evidentemente."
"Passou pelos guardas. Neutralizou a segurança do meu quarto."
Girei uma das facas dele entre os dedos. "Seu guarda na esquina leste confia demais na linha de visão dele. Ele nem me ouviu chegar."
Os olhos de Nikolai se estreitaram. "Ele vai ouvir."
Eu dei de ombros.
Não é problema meu.
"Você sabe que eu deveria te matar por isso", ele disse.
"Provavelmente."
"Por que não usou os canais oficiais?"
"Porque eu não confio em mais ninguém", eu disse simplesmente. "E você também não."
Isso o fez hesitar.
Espetei a faca na madeira do criado-mudo — cabo para cima. "Eu precisava ver o homem que você se tornou. Decidir se você era do tipo que honra um juramento, ou apenas alguém que enterra quem tenta cobrar por ele."
"E?"
"Você me deixou viver." Sorri. "Então, ou eu te impressionei... ou você ainda está decidindo onde me enterrar."
Ele se levantou, pegou um par de calças de moletom pretas e as vestiu como se não tivesse acabado de ser acordado aos beijos com uma lâmina na jugular.
Cada centímetro de tinta em seu peito era uma cicatriz disfarçada — prova silenciosa de que ninguém saía de perto dele sem sangrar.
Porra, ele era gostoso. Gostoso demais para ser confiável. Especialmente com a lembrança daquele beijo ainda arrastando calor pela minha espinha.
Virei o rosto antes que ele notasse meu olhar.
"Então", eu disse. "Agora que a entrada dramática acabou, vai me oferecer um café? Ou vou ter que continuar te impressionando?"
Ele não se moveu. "Eu não faço café para invasores."
"Então vou ficar com a sua cama como prêmio de consolação."
Finalmente, a boca dele se contraiu. Um lampejo de diversão sombria.
"Por que agora?", ele perguntou. "Por que me rastrear?"
"Porque eu tenho uma mensagem. Um aviso. E porque algo maior está chegando. Algo ligado às linhagens de sangue antigas. Aquelas das quais pessoas como nós nasceram."
O maxilar dele se moveu. Apenas um pouco.
Ele sabia.
Ele não sabia o quê, ainda não — mas seus instintos tinham detectado a tempestade no horizonte.
"Me conte tudo", ele disse.
Olhei para a faca ainda cravada no criado-mudo.
Depois para ele.
E sorri.
"Eu vou. Mas coloque uma camisa, Nikolai. Porque se não, vou te foder em vez de terminar a minha frase."
FIM DO PRÓLOGO