Chapter 1
Caros leitores,
Obrigada por mergulharem em My Beloved Captor. Esta história foi escrita como um dark romance — o que significa que explora intencionalmente temas como desequilíbrio de poder, obsessão, controle, trauma e desejo. O protagonista masculino não deve ser visto como um herói "bonzinho" ou tradicionalmente romântico no início. O personagem foi desenhado para ser falho, controverso e moralmente ambíguo.
Este é o primeiro livro de uma trilogia, então nem tudo se resolve aqui. A jornada emocional é longa, e alguns dos momentos mais difíceis acontecem antes que o crescimento, a mudança ou a redenção possam criar raízes.
⚠️ Aviso de Gatilho / Conteúdo: Este livro contém cenas de coerção, manipulação e tensão psicológica que podem ser perturbadoras para alguns leitores. Por favor, leia com cautela e afaste-se se ficar pesado demais.
Eu realmente aprecio cada reação, até mesmo as irritadas e emocionais — porque isso significa que a história está cumprindo seu papel: fazer você sentir. Quer você ame os personagens principais, os odeie ou fique em dúvida, seu envolvimento dá vida a esta história. 💙
Com gratidão,
Kyrin Brynes
Eu estava começando a me perguntar se a minha mente estava pregando peças em mim.
Os convidados deste casamento tradicional se comportavam de forma estranha, me observavam o tempo todo e me davam a sensação incômoda de que eu não pertencia àquele lugar. Era como se eu fosse uma criatura estranha de outro mundo — e não apenas uma garota canadense longe de casa.
Eu não fazia ideia de como tinha conseguido sobreviver cinco dias inteiros tão longe da minha avó e de tudo o que era familiar. Quanto mais eu adentrava neste canto do Cáucaso, mais a saudade pesava em meu peito.
Talvez fosse a forma como este lugar parecia me rejeitar desde o primeiro dia. Ou talvez fosse apenas o jeito sinistro como as pessoas olhavam para mim.
"Você está linda!" O sussurro animado de Anya me trouxe de volta à realidade. Suas bochechas brilhavam com a alegria inconfundível de uma noiva. "O que você achou do meu vestido?"
É claro que ela me elogiaria primeiro — para depois esperar um elogio de volta. Isso era bem a cara dela.
Eu sorri e ponderei minhas palavras com cuidado. Anya, minha colega de faculdade e amiga mais próxima, estava se casando hoje. E, embora eu tivesse voado até aqui por ela, ainda não estava totalmente de acordo com suas escolhas — muito menos com o noivo. Ou com o cenário.
A região do Cáucaso, com todos os seus costumes rígidos e tradições arcaicas, era difícil de assimilar para mim. Eu sabia por histórias — e não apenas boatos — que muitas mulheres europeias que se casavam naquele mundo acabavam tentando fugir do controle de seus maridos. Algumas conseguiam.
Algumas, como minha tia, nunca voltaram.
"Uma escolha muito tradicional", eu disse diplomaticamente. Eu não queria ofendê-la. Mas, honestamente, será que aquele lenço na cabeça era mesmo necessário?
Ela estava coberta de tecido da cabeça aos pés. O vestido parecia insuportavelmente conservador — pesado, rígido e sufocante. Eu não pude evitar pensar se ela não estava morrendo de calor debaixo de tantas camadas.
Mas, claro, a família com a qual ela estava se casando tinha seus próprios costumes. E uma das tradições mais sagradas envolvia viajar de casa em casa por três dias inteiros, cumprimentando parentes distantes do noivo e prestando homenagens cerimoniais.
Desfilar a noiva e colecionar presentes elaborados era uma prática comum naquela parte do Cáucaso, e embora pudesse ser emocionante para Anya, aquilo tinha me esgotado completamente. Todos os dias terminavam do mesmo jeito: eu desabando no quarto de hóspedes, exausta demais até para sonhar.
E, mesmo assim, nós nem tínhamos conhecido o noivo.
A tradição ditava que ele não apareceria até o quarto dia das festividades de casamento. E esse dia, felizmente, tinha finalmente chegado.
"Eu sei", Anya suspirou, percebendo meu olhar. "Eu queria aquele vestido maravilhoso de costas nuas que vimos na loja, lembra? Mas eles insistiram."
Por "eles", ela queria dizer os novos parentes dela — que, naquele momento, me encaravam como se eu tivesse insultado os ancestrais deles.
O que eu tinha feito para ofendê-los?
Será que eu estava vestida de forma inadequada? Era o meu cabelo descoberto? Todas as mulheres na sala usavam um lenço na cabeça, com os cabelos presos modestamente sob tecidos trançados. Algumas pareciam adoráveis assim — especialmente as moças mais novas. Mas aquela não era a minha cultura, e certamente não era o meu estilo.
Além disso, eu tinha orgulho do meu cabelo. Claro e brilhando com um reflexo prateado natural, ele caía pelas minhas costas e ombros em ondas soltas e sedosas. Ele emoldurava minha pele pálida e me dava um ar delicado que eu nunca me senti merecedora. Minha avó ucraniana costumava acariciar minha cabeça e me chamar de sua "garotinha de cabelo de luar".
Hoje, apesar do calor sufocante, escolhi um vestido rosa blush de mangas compridas. O corpete justo abraçava meu peito com modéstia, e a saia longa se abria ao redor dos meus quadris sem marcar. A cor trazia calor à minha pele, e o visual como um todo — para qualquer padrão ocidental — era elegante e de bom gosto.
Mas os parentes do noivo e muitos dos convidados pareciam não estar convencidos.
Seus olhos me seguiam com um julgamento amargo e implacável que eu não conseguia mais ignorar. A desaprovação pairava no ar como fumaça de incenso, densa e inescapável.
E eu estava ficando sem ar.
"Eu preciso de um pouco de ar", murmurei, desesperada para escapar daquele barulho sufocante e do julgamento que se acumulava na sala.
"Ah, não, você não vai!" Anya segurou meu pulso, seus olhos arregalados com uma urgência ansiosa. "Ele vai chegar a qualquer momento. Não me deixe!"
Aquela frase de novo.
Não me deixe.
Ela tinha sussurrado isso no corredor, no banheiro, até pela porta do toalete mais cedo naquela manhã. Eu amava Anya, mas sua nova mania de grude de noiva estava começando a me esgotar.
"Quando toda essa agitação acabar", eu disse com firmeza, "nós vamos ter uma conversa séria sobre o seu comportamento nestes últimos dias."
"Não há nada para discutir", ela cedeu com um suspiro teatral. "Só não vá para longe. Alguém precisa cuidar de mim."
E lá estava. De novo.
"A sala está lotada!" eu sibilei, mal conseguindo conter minha frustração. "Se alguém quisesse te sequestrar, teria feito isso muito antes de metade da cidade aparecer para te parabenizar."
Sequestro — uma palavra que nunca deveria ser dita levianamente — era, de fato, uma "tradição" naquela parte do Cáucaso. Uma antiga, praticada de forma mais silenciosa hoje em dia, mas que ainda era sussurrada com reverência e inquietação.
A versão romântica era pintada com cores suaves: um jovem ousado levando sua amada embora na calada da noite, roubando-a de sua família antes de tomá-la como sua noiva.
Mas a realidade? Nem sempre era tão poética.
Se a garota não estivesse envolvida — se ela não esperasse ser levada — o ato se tornava algo muito mais sinistro.
Por costume, a garota sequestrada seria trancada na casa de seu raptor por três dias. Depois disso, ela seria "devolvida" para sua família... mas não sua dignidade. A comunidade presumiria que ela passou três noites sob o teto de um solteiro. Os sussurros se espalhariam como fogo, marcando sua reputação com uma mancha indelével.
Ninguém se casaria com ela.
Ela seria evitada, seu nome manchado. Sozinha e sem filhos, ou pior — enviada para parentes distantes, condenada a servir silenciosamente em algum lar frio e desconhecido.
Claro, havia outro caminho.
Para salvar sua reputação, sua família poderia concordar com um casamento com o sequestrador. Uma união forçada para transformar a vergonha em honra, o pecado em salvação.
Trágico? Sim.
Mas a tradição raramente pede permissão.
"Eu não estou preocupada comigo", Anya murmurou, virando o rosto para longe das mulheres que ajustavam seu véu.
Seu tom baixo chamou minha atenção.
"O que você quer dizer?" eu perguntei, o peso em sua voz me fazendo hesitar. "Anya, se está acontecendo alguma coisa, agora é a hora de falar."
Ela hesitou, dando uma olhada nas mulheres na sala antes de se inclinar para mais perto de mim. "Têm comentado... em algumas casas. Sobre você."
"Sobre mim?" Pisquei, pega de surpresa. "Que tipo de comentário?"
"Meu futuro sogro recebeu algumas ligações", ela sussurrou, seus dedos ficando frios de repente enquanto apertavam os meus. "Dos mais interessados, pode-se dizer."
"Interessados?" Minha voz ficou ríspida.
"Oh, Sonya... Eu não deveria ter falado de você para eles!", ela gemeu, cobrindo o rosto com uma das mãos. "Mas eles perguntaram! Com quem eu estava vindo, se você era uma boa menina..."
Estreitei os olhos. "Uma boa menina? O que é isso, algum tipo de conto de fadas medieval?"
"Eles queriam saber sobre sua família", ela continuou apressada. "Eu expliquei que você é... bem, que você é órfã-"
"Eu não sou órfã", eu a interrompi bruscamente.
"Eu sei, mas... aqui, é assim que eles vão te ver." Ela suspirou. "Você não tem pais, e nessa cultura, isso faz de você uma responsabilidade sagrada. Órfãs devem ser protegidas. Criadas bem. Tratadas com respeito."
"Eu tenho minha avó. Nunca me senti desamparada", eu disse secamente.
"Sim, mas isso não muda como as pessoas aqui pensam", Anya disse, frustrada. "Pensei que dizer que você era bem criada e respeitosa facilitaria as coisas, mas..."
Ela parou de falar, com os olhos fixos na porta.
"Mas o quê, Anya?" eu insisti. "Pare de rodear o assunto."
"Eu disse a eles que você era virgem, ok?!" ela finalmente confessou em um sussurro apavorado. "Não foi por mal — achei que ajudaria. Eu não fazia ideia de que você chamaria tanta atenção ou que minha futura sogra começaria a te exibir como uma boneca de porcelana rara."
Meu sangue gelou.
Um calafrio doentio percorreu meu peito quando as palavras dela fizeram sentido, trazendo consigo a lembrança horrível que eu tinha enterrado.
A velha — sua futura sogra — tinha invadido o banheiro há duas noites. Eu estava no meio do banho, alcançando uma toalha, quando a porta rangeu e seus olhos escuros escanearam cada centímetro do meu corpo.
Ela não disse uma palavra.
Apenas olhou.
Julgou.
Examinou.
Eu tinha congelado, chocada demais para gritar. Ela não pediu desculpas. Ela nem sequer hesitou.
Ela simplesmente fechou a porta atrás de si, deixando-me trêmula e humilhada.
Eu nunca contei para Anya. Não queria estressar ainda mais os nervos dela, que já estavam à flor da pele. Mas agora, lembrando disso com clareza, senti náuseas.
"Por que o estado do meu hímen seria importante?" perguntei, observando a multidão de dançarinos animados. Dito e feito, a futura sogra da minha melhor amiga estava me vigiando do outro lado do salão — semicerrando os olhos, franzindo a testa, desconfiada.
"Porque você está sob a proteção desta família enquanto mora na casa deles", Anya sussurrou com urgência. "Convidados são sagrados. Mas uma garota inocente, sem uma figura masculina para guardá-la? Isso é o dobro da responsabilidade. Eu só queria tornar sua estadia... confortável."
"Eu tenho um tio", protestei, segurando minha bolsa de miçangas um pouco mais forte.
"Sim, aquele que não te liga há dois anos e deixou sua avó te criar sozinha", ela disse, não de forma maldosa — apenas constatando fatos.
"Ele nos sustenta. Manda dinheiro", murmurei na defensiva, embora ambas soubéssemos que isso não era totalmente verdade. Mas havia limites, até entre melhores amigas.
"E ele não te visita há cinco anos", ela acrescentou, com a voz mais baixa agora.
Virei a cabeça lentamente para olhar para ela. "E você contou tudo isso para seus sogros?"
Anya se mexeu na cadeira, parecendo extremamente desconfortável. "Eles estavam perguntando..." ela murmurou, desviando o olhar.
Fechei os olhos e soltei um suspiro lento. "Tudo bem. Suponho que você teve que dizer alguma coisa. Afinal, eu ia morar sob o teto deles."
Mas seu silêncio me disse que havia mais.
"Na verdade..." ela começou relutante, "o interrogatório começou no dia seguinte à sua chegada."
"Provavelmente apenas curiosidade", eu sugeri, tentando ignorar.
"Talvez", ela disse, mas sua voz não convencia. "Apenas... tenha cuidado, Sonya. Não ande sozinha. Fique perto de outras mulheres. Sempre."
Arqueei uma sobrancelha e dei um meio sorriso. "Você está exagerando."
Ela não retribuiu o sorriso.
Antes que eu pudesse insistir, uma onda repentina de barulho cresceu perto da entrada. As pessoas começaram a gritar, correndo em direção às portas com entusiasmo, empurrando-se em antecipação.
"Ele está vindo!" O rosto de Anya se iluminou com uma mistura de pânico e euforia. "Oh, Sonya, estou tão nervosa que vou vomitar."
"Perfeito", murmurei. "Então vamos tirar você desse vestido-cortina-"
"Lá está ele!"
Virei-me — e congelei.
A multidão se abriu como o Mar Vermelho.
E, através daquele desfiladeiro vivo, um homem caminhou.
Não — uma montanha de homem.
Ele era enorme. Cada passo preciso, deliberado, letal. Seus olhos negros varreram o recinto — calculistas, dominadores. E, por um momento, achei que pousaram sobre mim.
Meu coração vacilou.
Algo baixo e desconhecido agitou-se dentro de mim. Uma emoção sem peso, uma vertigem. Eu não queria a atenção dele — mas senti-a mesmo assim.
Ele assentiu para alguém ao seu lado e depois continuou em direção à noiva.
Só então percebi que ele não estava sozinho. Um grupo de homens o seguia com casacos vermelhos brilhantes. Mas ele se destacava — não apenas por seu tamanho ou seu silêncio — mas porque vestia todo de preto.
Era impossível não notá-lo.
Ele usava uma jaqueta de lã ajustada com lapelas longas, cintada na cintura. Um estilete brilhava em seu quadril, e bandoleiras duplas cruzavam seu peito, cheias de ornamentos reluzentes em formato de bala.
Eu esperava que fossem apenas ornamentos.
Eu tinha ouvido histórias sobre homens caucasianos. Orgulhosos. Vingativos. Possessivos. Mulheres pertenciam à cozinha — de preferência grávidas. Divórcio era um escândalo. Casar significava casar com uma família inteira. Não havia saída.
O noivo apareceu — um jovem de uns vinte e poucos anos, vestindo vermelho. Eu já o tinha conhecido antes. Nenhum dos nossos encontros foi agradável. Ele olhava para Anya com uma espécie de superioridade entediada.
Então, o homem de preto virou-se — e olhou diretamente para mim.
Seu olhar me atravessou. Do meu rosto, descendo pelo meu cabelo, meu peito, minha cintura — esquadrinhando-me com a precisão perturbadora de um homem acostumado a possuir tudo o que queria.
Afoita, desviei o olhar.
Mas eu não era do tipo de garota que recua.
Meu coração batia forte. Meus joelhos tremiam. Ainda assim, levantei a cabeça — e encontrei os olhos dele novamente.
Negros como carvão. Intensos. Inabaláveis.
Quando ele finalmente desviou o olhar, fiquei sem fôlego. Tonta.
Não havia como um homem como aquele se interessar por mim.
... Será?