Chapter 01
ROXIE
Aliso a parte da frente do meu vestido pela terceira vez esta noite, dando uma última olhada na sala de jantar. A mesa está perfeita, com velas tremeluzindo entre os pratos que passei a tarde inteira preparando.
Frango assado com ervas do jardim. Purê de batatas com alho, do jeito que o Ravi gostava. Pão fresco, ainda quente saindo do forno.
Cinco anos. Hoje fazem cinco anos de casados.
Minha loba se remexe inquieta dentro de mim, ou pelo menos, o eco do que costumava ser ela. A dor fantasma de sua ausência nunca desaparece completamente. Pressiono minha mão contra o peito, tentando afastar aquele vazio doloroso.
A porta da frente se abre e meu coração dispara. Ravi chegou.
"Você chegou", digo, caminhando em sua direção. Ele parece cansado, com o cabelo escuro levemente bagunçado por causa do voo. Ainda é bonito o suficiente para me deixar sem fôlego, mesmo agora. "Eu fiz o jantar. O seu favorito..."
"Já comi." Ele nem olha para a mesa enquanto segue direto para as escadas. "Vou tomar um banho."
As palavras soam como um tapa. Fico parada ali, congelada, enquanto ele desaparece escada acima sem olhar para trás. Nem um "oi". Nem um reconhecimento de que o dia de hoje significa algo.
Meu celular vibra em cima do balcão.
Eu não deveria olhar. Sei que não deveria olhar. Mas minha mão alcança o aparelho mesmo assim.
A mensagem é de um número desconhecido, mas reconheço o print na hora: é das redes sociais da Iris. Meu estômago embrulha enquanto encaro a imagem. Ravi e Iris em um restaurante à beira-mar, com velas entre eles.
Outra foto: os dois na praia, com fogos de artifício explodindo no céu atrás deles. Ela está rindo, com a cabeça inclinada em direção ao ombro dele. Em primeiro plano, um buquê de rosas vermelhas.
Postado há duas horas.
Sinto um vazio enorme no peito. Enquanto eu acendia velas e verificava o assado pela terceira vez, ele estava com ela. Dando a ela o sorriso que eu não vejo há anos. Dando rosas a ela.
Ouço o chuveiro desligar lá em cima. Minhas mãos tremem ao colocar o celular na mesa, virado para baixo, como se eu pudesse desver o que acabei de ver. Como se eu pudesse apagar isso da minha mente.
Ravi aparece no topo da escada, ainda úmido do banho, vestindo apenas uma calça de moletom de cintura baixa. Apesar de tudo, meu corpo reage ao vê-lo. Sempre reage.
Ele desce as escadas, e seus olhos âmbar finalmente param em mim. Há algo no seu olhar, talvez fome. Mas não é o tipo que tenha qualquer relação com amor.
"Roxie." Meu nome soa como uma ordem.
Ele atravessa a sala em três passos, sua mão prende meu queixo, levantando meu rosto. Seu beijo é bruto, exigente, e tem gosto de maresia. Como o oceano. Como ela.
"Ravi, espere..." Tento me afastar, mas ele aperta o cerco. "Não estou me sentindo bem."
Ele ri, mas não há calor na risada. "Não está se sentindo bem? Isso é novidade. Você costuma ser a que se agarra a mim, implorando por migalhas de atenção." Sua boca vai para o meu pescoço. "Agora quer fazer o tipo difícil?"
"Não é isso... eu não..."
Mas ele já está me puxando em direção às escadas, em direção ao nosso quarto. O quarto dele, na verdade. Eu só tenho permissão para dormir lá.
Não luto enquanto ele me puxa para a cama. Qual seria o objetivo? É assim que nosso casamento é: ele pega o que quer, quando quer, e eu finjo que é o suficiente. Finjo que as mãos dele no meu corpo significam algo além de apenas uma conveniência.
Ele levanta meu vestido e eu fecho os olhos.
Pense em outra coisa, digo a mim mesma. Em qualquer outro lugar.
Mas tudo o que consigo ver por trás das minhas pálpebras fechadas são aquelas fotos. O sorriso do Ravi — o verdadeiro, aquele que não vejo há anos — direcionado à Iris. O jeito gentil como sua mão descansava na curva das costas dela. As rosas.
Quando termina, fico deitada com os olhos ainda fechados, sem querer ver o rosto dele.
Uma lágrima escapa mesmo assim, deslizando pela minha têmpora até o meu cabelo.
A cama se move quando Ravi alcança o criado-mudo. Ele limpa a lágrima com o polegar, quase com ternura. Então, ele pressiona algo na minha mão.
Abro os olhos. A cartela de comprimidos anticoncepcionais. Sempre ali. Sempre pronta.
"Por favor, Ravi." Minha voz falha. "Você sabe o que eles fazem comigo. Eles me deixam muito enjoada. Vou ficar vomitando por horas, eu não consigo..."
"Tome." A voz dele é fria, definitiva.
"Por favor, meu estômago não aguenta. Na última vez, passei a noite inteira mal..."
Ele segura os comprimidos, virado para mim, imóvel e em silêncio. Sei que é uma recusa e não há espaço para discussão.
Lágrimas embaçam minha visão enquanto coloco o comprimido anticoncepcional na língua. Minha mão treme. Ele me entrega o copo de água e me observa engolir. Observa para ter certeza de que eu realmente fiz isso.
O celular do Ravi toca no criado-mudo. Ele olha para a tela e seu rosto muda completamente, suavizando. Ele atende imediatamente.
"Ei." A voz dele é calorosa, gentil. Tudo o que nunca é comigo. "Sim, acabei de chegar. Me dá vinte minutos?"
Ele se levanta, pegando suas roupas. Meu coração se aperta. "Onde você vai?"
Ele veste a camisa, sem olhar para mim. "Sair."
"Mas você acabou de chegar..." Alcanço sua mão sem pensar.
Ele se solta bruscamente, como se eu o tivesse queimado. "Isso não é da sua conta." Seus olhos âmbar estão frios, desdenhosos. "Saiba o seu lugar."
Ele sai.
Ouço a porta da frente bater. Ouço o carro ligar. Ouço-o ir embora.
A náusea me atinge em ondas. O comprimido já causando estragos no meu estômago vazio. Ou talvez seja o pensamento de onde ele está indo. De para quem ele está indo. A ideia de ele sair da nossa cama para abraçar outra pessoa com a ternura que nunca demonstrou por mim.
Lembro-me da primeira noite em que ficamos juntos. A reunião anual do Clã da Lua de Prata, o maior evento do ano. Eu estava tão animada para ir, usando o vestido de prata da minha mãe, com meu cabelo preso por presilhas de pedra-da-lua. Alguém me entregou uma bebida — champanhe, eu pensei. Apenas champanhe.
Mas não era.
Nenhum de nós sabia que tínhamos sido drogados até ser tarde demais. O frenesi do acasalamento nos atingiu como fogo, e terminamos em um dos quartos de hóspedes, incapazes de parar, incapazes de pensar para além da necessidade ardente que nos consumia.
Acordei sozinha na manhã seguinte, com o vestido da minha mãe rasgado e meu corpo dolorido. E três semanas depois, encarei o teste de gravidez positivo em minhas mãos, sabendo que minha vida nunca mais seria a mesma.
Os clãs forçaram o casamento, um casamento secreto. Não se pode ter o Alfa do Clã da Garra de Ferro solteiro com um filho bastardo a caminho. Mas Ravi deixou claro desde o início que nunca quis aquilo. Nunca quis a mim.
Iris tinha ido embora para a Europa logo após nosso casamento. De coração partido, todos diziam. A mulher que Ravi realmente amava, afastada por sua obrigação de casar com a mulher que o "prendeu".
Passei cinco anos tentando fazê-lo ver que eu não planejei nada daquilo. Que eu também fui uma vítima. Que talvez, quem sabe, pudéssemos construir algo real a partir dos destroços.
Cinco anos tentando conquistar um amor que ele nunca vai me dar. Corro para o banheiro e vomito na privada.
Ainda estou de joelhos no chão frio de azulejo quando ouço passos pequenos atrás de mim. "Mamãe?"
Limpo a boca com as costas da mão, tentando me recompor antes de me virar. Meu filho, Kai, está na porta de pijama de dinossauro, com o cabelo escuro bagunçado de sono.
"Ei, querido." Tento sorrir, mas sinto como se meu rosto fosse se partir. "Te acordei?"
Ele não responde, apenas me encara com aqueles olhos âmbar — os olhos de Ravi. Aos cinco anos, ele já parece tanto com o pai que dói.
Meu coração se suaviza apesar de tudo. É por isso que eu fico. Por que suporto a fria indiferença, os comprimidos, o conhecimento de que meu marido provavelmente está com outra mulher agora. Porque eu tenho o Kai. Porque ele precisa de mim.
Porque talvez, se eu não consigo fazer Ravi me amar, pelo menos posso garantir que nosso filho saiba que é amado.
"Venha aqui, meu amor." Estendo os braços, precisando abraçá-lo. Precisando de algo bom nesta noite que é um verdadeiro pesadelo.
Mas Kai não se move em minha direção. Em vez disso, ele cruza os braços pequenos sobre o peito, com uma expressão estranhamente semelhante à do pai quando está decepcionado.
"Mamãe", ele diz, e sua voz é monótona. Fria. "Você deveria se divorciar do papai." As palavras não fazem sentido de imediato. Fico encarando-o, certa de que entendi errado. "O quê?"
"Você deveria se divorciar do papai", ele repete, como se estivesse falando sobre o que quer comer no café da manhã. "Eu quero que a tia Iris seja minha nova mamãe."






What the actual fucking hell this made me cry whyd her son say that
damn didnt see that coming
Why did he say that?!