Goodbyes
**** Ponto de vista da Sarah ****
Eu estou farta de tudo. Das mentiras do c*****o, de ter o coração partido e de chorar por quem não merece. Sou o que a maioria de vocês chamaria de romântica incurável e é parcialmente verdade que sou mesmo um caso perdido. Cinco rolos e dois relacionamentos em um ano? E todos foram parar direto no lixo. Alguém me dê logo um prêmio por ser a idiota do ano! Eu simplesmente não entendo! Será que todo cara é um babaca ou eu que sou azarada demais?
Depois que o papai morreu, fiz o meu melhor para me enturmar com o pessoal do orfanato, mas nunca deu certo. O mesmo aconteceu com todos os caras com quem me envolvi. Nunca funcionou e só resultou em mais decepções. Alguns dizem que sou boa demais até para o meu próprio bem. Na verdade, o que eles querem dizer é que sou uma tonta de marca maior. Talvez eles estejam certos. Sendo órfã, sempre desejei amor e, quando alguém demonstrava o mínimo de carinho por mim, eu estava pronta para dar o mundo a essa pessoa.
Mas não é assim que a vida real funciona. Namorar é como entrar em uma teia de aranha; antes que você perceba, já está presa nela e virou a presa. Na semana passada, atingi o meu limite. Gerald disse que não suportava a distância e que era melhor não nos envolvermos mais. De que c*****o de distância ele está falando? Eu moro em Brighton e ele em Hove. Eu devia saber que tudo não passava de desculpas.
“Podemos ser bons amigos e nos falar de vez em quando”, foi o que ele disse. Aquele sanguessuga desgraçado. Bons amigos? Seu babaca do c*****o, ele deu em cima de mim no bar naquele dia só para sermos bons amigos? Eu confiei meu coração a ele. Digo, ele foi o primeiro cara que chamou um encontro de encontro de verdade, não só aquela m***a vaga de “vamos sair hoje à noite”. Ele foi cavalheiro o suficiente quando eu disse que queria esperar. Foi gentil o bastante para se oferecer para me ajudar com a busca pela universidade.
Pois é, busca. Caçar fósseis, sabe, aquelas coisas mortas que podem nos contar algo importante sobre o nosso passado? É exatamente o que estou fazendo agora: cavando os restos fósseis do nosso relacionamento para entender o que deu errado e por que terminamos. Acabei com os caras ingleses, não, com todos os caras, na verdade, com a humanidade inteira. Sim, cansei da humanidade. Comprei uma passagem para a cidade do Richard, na Austrália, um fim de mundo onde ninguém me conhece nem eu conheço ninguém, e onde posso ser a vadia que eu quiser. Eu nem pude acreditar que tinha uma universidade naquela cidadezinha precisando de paleontólogos.
Não tenho certeza se sou sortuda ou burra o suficiente para conseguir um emprego naquele canto isolado do mundo aonde ninguém vai. Acabei de gastar todas as minhas economias na passagem só de ida e em um contrato de aluguel de seis meses. Não tenho, de fato, uma libra sequer na minha conta bancária. Estou oficialmente farta deste reino enquanto embarco no meu avião para Melbourne.
***




