A Profecia de Pedra

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Resumo

Nas Terras Altas da Escócia, a curandeira Isla MacRae descobre um monólito que sussurra sobre o futuro. Quando ela salva Alastair Fraser, um chefe de um clã rival, seus destinos se entrelaçam. Visões assombram suas noites, e Isla precisa arriscar sua alma para reescrever o destino. Mas, no fim, será que a profecia superará o destino?

Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
4.9 15 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Ponto de vista de Isla:

A tempestade chegou como um chefe guerreiro briguento: barulhenta, impiedosa e impossível de ignorar.

Quando o primeiro trovão estalou pelo vale, os habitantes da cidade murmuraram orações aos santos e pragas a quaisquer espíritos inquietos que se agitassem no céu.

Mas eu, Isla MacRae, não o fiz.

Nunca fui de obedecer a avisos, viessem eles de homens, de tempestades ou dos próprios deuses.

Disse a mim mesma que saí em busca de ervas e que uma curandeira não pode deixar que o tempo dite o seu trabalho, afinal.

Essa era minha desculpa, e soaria respeitável o suficiente caso a vovó ou meu tio perguntassem mais tarde.

O ar vibrava desde o início da manhã, como a corda de uma harpa dedilhada que nunca se calava totalmente. Mas, ao anoitecer, ele pulsava dentro do meu peito.

Era loucura, sim — mas sempre tive mais rebeldia do que juízo.

A chuva me encharcou antes mesmo de eu dar 20 passos. Minha capa grudou no corpo, minhas botas afundaram na lama e meu cabelo estava emaranhado em cordas molhadas ao redor do rosto, meus fios ruivos e dourados emaranhados. Ainda assim, segui em frente.

E a terra parecia me guiar por conta própria.

Ela me levou pela encosta e por cima do cume, onde poucos ousavam ir depois que escurecia.

Eu deveria ter voltado. Mas, em vez disso, continuei subindo, até que a tempestade me levou para a cavidade das grandes pedras verticais irregulares.

Elas surgiam na distância — mais antigas que as disputas de clãs, mais antigas que as guerras inglesas e, talvez, mais antigas que o próprio pecado.

A maioria das pessoas não chegaria perto delas e, no passado, nunca me senti atraída, mas esta noite, por algum motivo... algo se agitou dentro de mim, exigindo que eu fizesse aquela jornada.

A pedra mais alta brilhava na luz pálida do luar. A princípio, pensei que fosse um relâmpago, mas não. Um brilho pulsava lá de dentro, fraco e verde como a água da nascente capturada pelo brilho da lua.

Parei de respirar.

Todos conheciam os contos — a voz de Morag ecoava em minha mente até agora. As pedras se lembram, menina. Elas veem o que nós não podemos. Mas o dom delas nunca é de graça.

Nunca fui uma menina de fugir de avisos, nem mesmo dos dela.

Então, dei um passo à frente.

A lama enterrou minhas botas ainda mais no solo úmido e a tempestade arranhava minha capa, mas nada poderia me puxar de volta agora. Minha mão se ergueu até a pedra e a ponta dos meus dedos roçou a superfície.

E silêncio.

A tempestade foi cortada como por uma faca. O mundo se resumiu a mim, à pedra e ao bater do meu coração.

Meus olhos estavam nublados.

Visões.

Guerreiros foram vistos travando uma batalha. Um bebê chorava na escuridão. E no centro de tudo estava um homem, envolto em sombras, com o rosto oculto. Mas eu pude ver seus olhos — aqueles olhos. Cor de aço. Ele se virou quando o seu olhar encontrou o meu e, por uma batida cardíaca impossível, eu me senti vista.

Como se ele me conhecesse.

A visão se despedaçou.

E eu percebi novamente que estava na tempestade, enquanto a chuva picava meu rosto e o vento uivava. Tropecei para trás e ofeguei, com a mão ainda gelada pelo toque na pedra. O brilho havia desaparecido agora.

"Santos me protejam." As palavras saíram rudes e ofegantes da minha boca.

Balancei, tonta com o que vira. Meu corpo tremia, mas cerrei os punhos para forçá-lo a parar.

O medo é uma fera faminta — ele cresce se você o alimenta. É melhor matá-lo de fome com teimosia.

Não foi nada, eu disse a mim mesma. Um truque do relâmpago.

Mas eu sabia que não.

Eu senti o cheiro da fumaça, senti o calor das chamas, vi os olhos do homem e até ouvi o choro do bebê.

Girei nos calcanhares e caminhei de volta pela encosta.

Qualquer que fosse a maldição que vivia naquelas pedras, eu não queria nada com ela.

Quando dei os últimos passos até minha cabana, eu estava quase afogada e mais do que furiosa. Fumaça saía da chaminé, prometendo calor, mas eu me preparei. A vovó e o tio logo estariam irritados com a minha jornada.

Dito e feito: assim que abri a porta, minha avó me lançou um olhar capaz de talhar o leite. "Pelos santos, menina, você enlouqueceu?" Morag MacRae levantou-se do banco junto ao fogo, com as costas curvadas pelos anos. "Fora numa tempestade dessas? Você vai ser atingida!"

"Eu estava colhendo artemísia", eu disse, tirando minha capa e pendurando-a perto do fogo.

O olhar de Morag se estreitou. "Não minta para mim, menina. Você tem o aspecto de quem viu mais do que chuva."

Forcei minha voz a ficar firme. "A senhora vê demais, velha."

"Sim, e você dá ouvidos de menos. Onde você foi?"

Meu maxilar travou. Eu deveria manter silêncio, mas o silêncio pressionava meu peito. "Às pedras. Uma delas... brilhou. Eu a toquei e vi coisas. Uma batalha — um salão queimando e um homem."

Morag fechou os olhos no que parecia ser pesar. "Como eu temia."

"Como a senhora temia? Sabia que isso podia acontecer?"

"Que aviso mudaria o destino?" ela perguntou. "As pedras escolhem a quem querem e, quando o fazem, não há como voltar atrás."

"Não quero fazer parte disso", retruquei para ela. "Sou uma curandeira. Minhas mãos consertam, elas não destroem."

"Querer não tem nada a ver com destino, menina. O dom — ou a maldição — reivindicou você. Você não pode lutar contra isso agora."

Larguei minha cesta sobre a mesa com um baque e as ervas se espalharam. "É o que vamos ver."

Ocupei-me organizando-as e recusei-me a encontrar seu olhar.

O que quer que as pedras pensassem ter encontrado em mim, eu arrancaria. Minha vida era minha e de mais ninguém.

Mas, mesmo enquanto eu enfileirava a artemísia, a visão ainda me corroía.

Fogo, sangue, o choro do bebê. E, acima de tudo, os olhos do homem — azul-acinzentados e implacáveis, queimando com algo que eu não conseguia nomear.

Naquela noite, deitei-me perto do fogo, encarando a escuridão enquanto a tempestade sacudia as venezianas ruidosamente.

O sono veio inquieto e cruel.

Sonhei novamente com o salão.

Acordei com um grito sufocado, minha camisola colada pelo suor, enquanto meu coração batia como o de um animal selvagem.

A tempestade lá fora havia se acalmado para uma garoa, mas dentro de mim, ela ainda rugia.

Pressionei as palmas das mãos contra os olhos e xinguei em voz alta. "Não vou me curvar a isso. Não vou."

Mas as palavras soaram vazias.

Porque o destino — maldição, dom — já tinha me marcado.

As pedras tinham se agitado, e eu havia respondido.

E, em algum lugar além das colinas enevoadas, um homem que eu nunca conhecera tinha um caminho já entrelaçado ao meu.