Capítulo 1
Quando o amor esfria
Manon
— Você é completamente louca — sussurrou Lilah, embora sua voz ainda carregasse peso suficiente para fazer as velhas paredes manchadas de mofo tremerem. Não o suficiente, no entanto, para me demover da decisão que eu já tinha tomado.
O olhar dela disparou para o corredor aberto, buscando ouvidos atentos, antes de voltar para mim. — É a morte que você busca agora? — A fúria em seu tom superava a preocupação. — Eu não vou deixar você se matar.
A preocupação era uma reação natural, dado que eu passara dias falando e planejando a única coisa que nenhum lobo ousava tentar dentro da alcateia Tynok.
Eu pretendia desafiar o Alfa Maleek, o governante de todos que viviam nestas terras amaldiçoadas, Tarnilk.
Eu não queria. Não de verdade. Minha mente gritava que era tolice uma loba fraca como eu mostrar os dentes para o rosto enrugado dele, mas meu coração se recusava a ouvir. Meu coração já tinha escolhido.
Lilah queria que eu permanecesse escondida dentro destas paredes. Que eu me mantivesse invencível, pois era mais seguro assim, mas como eu poderia? O Alfa tinha arrastado Ceri, nossa amiga mais próxima, para dentro de sua tenda para fazer o que bem entendesse com ela. Ela era exatamente como nós. Uma jovem fêmea que mal tinha vivido vinte e três anos.
Como toda loba, Ceri lutara para sobreviver e se cobrir.
Ela aprendera a se proteger dos olhos famintos de machos lascivos que olhavam como se quisessem nos deixar nuas apenas com o olhar, lambendo os lábios como se já estivessem nos provando.
E justamente quando ela tinha passado mais tempo do que a maioria sem se tornar uma vítima, o Alfa Maleek a reivindicou para seus desejos egoístas e movidos pelo cio.
Não fazer nada já não era uma opção. — O que você quer que eu faça, Lilah? — indaguei. — Fingir que está tudo bem? Fingir que não ouço Ceri gritando todas as noites enluaradas? — Minha voz falhou, lágrimas aquecendo meus olhos enquanto se preparavam para cair.
O olhar de Lilah derreteu para um verde mais suave, como os caules de flores escondidas nas profundezas da floresta. — Sua raiva é algo que eu conheço muito bem. Mas você não pode ir contra o Rei Alfa.
Eu tinha ouvido essas palavras muitas vezes esta semana. Minha cabeça latejava por causa delas.
— Você esqueceu onde estamos? — continuou ela. — Somos lobas da alcateia Tynok. E Ceri, ela sabia o que aconteceria depois daquela dança no Festival do Fogo. Ela o provocou diante de todos, e o Alfa a escolheu para a noite.
Provocou? Ela tinha dançado totalmente coberta.
— Era para ser apenas uma noite! — gritei, agarrando meu cabelo escuro enquanto caminhava pelo quarto como um bicho enjaulado. E talvez fosse exatamente isso que eu era. O que todas nós éramos.
— Uma noite de lua cheia, Lilah. Mas já faz uma semana. Uma semana inteira, e ela não saiu daquela tenda. Você sabe o que isso significa? Nós a ouvimos gritando todas as noites. Que a Lua me ajude, eu estou farta de ouvir isso.
Nossa respiração parou quando vários pares de botas estrondaram pelo chão úmido lá fora. Os homens do Alfa. Eu não voltei a respirar até que o som desaparecesse.
Lilah exalou de forma trêmula. — Você sabe que não podemos ir contra o Alfa Maleek — sussurrou ela. — Se ele convocar qualquer fêmea sem parceiro, ela deve atender. Essa tem sido a lei desde antes de você nascer. Esta terra é o nosso destino.
Eu odiava o fato de ela estar certa.
Nas terras brutais de Tarnilk, onde a maioria dos lobos ficava grata por nada além de um teto sobre suas cabeças, pouco importava que nosso Alfa fosse velho o suficiente para ser meu pai ou o de Ceri. Sua fome nunca teria fim.
Maleek era um transformado que acreditava que toda mulher na alcateia nascera para servi-lo. Pior ainda eram as mães que criavam suas filhas para obedecê-lo sem questionar.
No momento em que você deixava o calor do útero e pisava no solo frio de Tarnilk, você se tornava propriedade.
Aqui, os homens eram quase tão perigosos quanto o próprio Alfa. Apenas um laço de parceria oferecia proteção.
Esse laço fora minha salvação, a única coisa que impedia os olhos gananciosos de Maleek de me reivindicar. Mas Ceri ainda não tinha um parceiro. A maioria de nós não tinha.
Um suspiro cansado escapou dos meus lábios. — Estou exausta, Lilah.
Ela viu, a dor que eu não conseguia mais esconder. Ela estava ao lado da mesa de carvalho que meu parceiro tinha prometido consertar meses atrás, se ele não tivesse sido engolido pelo exército. Lilah sempre fora a mãe que Ceri e eu não tivemos. Embora não fosse mais velha que nós, ela sempre foi a melhor entre nós.
Assentindo, ela disse: — Vamos torcer para que ela retorne hoje. Vou preparar as águas curativas. Ela estará dolorida. — Seus olhos se fecharam antes que ela sussurrasse o restante: — Se ela sobreviver a ele.
Levantando suas saias manchadas de ervas, ela passou por mim, deixando-me sozinha com meus pensamentos.
Pela janela, o som do choque de espadas ecoou. Os guerreiros estavam se preparando para mais uma guerra.
Os machos de Tarnilk tinham lutado não menos que dez batalhas apenas esta semana, atacando lugares que só atrairiam o tipo errado de atenção.
A ganância do Alfa Maleek o levava a reivindicar mais cidades, roubar mais mulheres e ganhar mais inimigos do que podíamos suportar. Nossos números ainda eram poucos, embora estivesse claro que ele pretendia mudar isso.
Eu só podia rezar para que sua fome não o levasse a arrasar cidades sob o domínio do Rei de Olhos Dourados. Se o Rei de Galaris soubesse, mesmo que apenas fragmentos do que Maleek tinha feito...
Não.
Eu não me permitiria pensar nisso. O Alfa não era tolo o suficiente para desafiar o Rei Lycan.
Se ele fizesse isso, estaríamos todos mortos. Os inocentes e os perversos igualmente.
Pensar nele sozinha fazia arrepios frios deslizarem pela minha pele já dolorida.
Decidindo que era melhor ajudar Lilah a preparar as ervas curativas, na esperança de que nossa amiga voltasse, virei-me em direção à porta. Antes que eu pudesse dar um passo, alguém afastou as cortinas de contas escuras e entrou.
Minha loba saltou sob minha pele, pulando de excitação, quando o cheiro de floresta e chuva do meu parceiro inundou nossas narinas. Isso fez meus mamilos endurecerem quando não tinham motivo nenhum para isso.
— Você chegou, meu querido... — Minha voz saiu mais aguda que o normal.
Ele limpou uma mancha de sangue espesso da bochecha, provavelmente de um treino, e se aproximou com um pequeno sorriso brincando em seus lábios.
Puxando-me para seus braços grandes, seu perfume envolveu-me completamente. — Senti sua falta.
Seus dedos ásperos traçaram meu rosto, carregando o cheiro de ferro com eles enquanto ele pressionava sua boca contra a minha. O gosto de seu calor derreteu em mim instantaneamente.
Pressionando seu corpo duro contra o meu, sua língua deslizou pelo meu pescoço, lambendo o sal da minha pele enquanto sua outra mão mexia no cós de sua calça de algodão velha.
— Xavian... — ofeguei, esfregando meus mamilos contra seu peito. — Lilah precisa que eu ajude a preparar as águas.
— Você ainda acredita que Ceri vai voltar? — Ele me virou rudemente e me empurrou para frente até que meu peito e estômago batessem contra a mesa de carvalho... aquela que ainda implorava por reparos.
Ele levantou minhas saias, expondo-me a ele. Tentei me afastar, mas ele agarrou meu pescoço e forçou minha cabeça de volta para a mesa, deixando as minúsculas farpas morderem minha pele.
— Não comece com suas... — Outro suspiro roubou o resto das minhas palavras quando senti o tamanho dele roçar minha entrada.
Fraca sob seu toque, ainda me forcei a falar. — Sua negatividade não é algo de que eu queira me alimentar hoje.
Seus dedos cravaram-se em meus quadris. — Ela não será livre — disse ele, com ele ainda deslizando através da minha umidade. — Maleek nunca deixa ir a fêmea que ele quer.
Talvez ele estivesse certo, mas eu não queria pensar nisso agora, não com ele me esticando. Faíscas do laço de parceria incharam em meu sangue, respondendo ao seu toque enquanto suas estocadas ficavam mais rápidas, enquanto sua língua roçava meus ombros.
— Xavian — gemi, agarrando a pobre mesa para me apoiar, embora ela mesma precisasse desesperadamente de reparos.
— Seu calor doce abraça meu pau tão bem. — Sua respiração roçou minha orelha enquanto ele avançava com mais força, pressionando minha cabeça mais fundo na madeira. Gemi, não de prazer, mas de desconforto.
Sua língua deslizou de volta para o meu pescoço e ficou lá, não vagando mais pela minha pele como antes.
Minha loba ficou rígida, rosnando baixo dentro da minha cabeça, exigindo que eu prestasse atenção, apesar da espessura dele me preenchendo.
Seus dentes roçaram minha pele, e eu sabia exatamente aonde isso ia dar.
— Xavian, não! — Empurrei meus quadris para trás, forçando-o a sair. Seu membro escorregou de mim, e ele gemeu com a perda abrupta.
Enquanto eu puxava minhas saias para baixo, olhei para ele, e para suas presas, ainda escondidas sob suas gengivas.
Exatamente como eu suspeitava. Ele estava prestes a me marcar.
— Já fazem meses, Manon! — Sua voz aumentou. — Por que você não me deixa marcá-la?
— Eu já te disse. — Minha voz subiu para igualar a dele. — Já somos parceiros. Não preciso de uma marca para provar isso.
Ele passou a mão pelo rosto, andando pelo quarto. — Você sabe como é sentir que diz a todos que é minha parceira e não ter nada para mostrar? Os parceiros de todos os outros são marcados. Você... — Seu maxilar se apertou. — Você me faz parecer um tolo.
— Então agora eu sou um constrangimento?
— Não foi isso que eu...
— Então o quê, Xavian? Desde quando você se importa com o que eles pensam?
Havia motivos para sua marca não estar no meu pescoço, motivos que eu nem conseguia explicar para mim mesma.
Minha loba não deixava que ele me marcasse. Se ele o fizesse, eu pertenceria totalmente a ele. E que a deusa me ajude, eu queria isso. Eu queria mais do que a própria liberdade, mas minha loba se recusava, mesmo que o amasse tão ferozmente quanto eu.
Aproximando-me, segurei seu rosto. — Eu sou sua. Isso é tudo o que importa e isso deveria ser o suficiente.
Suas mãos se fecharam em punhos. — Você está fodendo outra pessoa? É por isso que não me deixa marcá-la?
A acusação atingiu com força suficiente para fazer minhas mãos caírem. — Como você ousa? Se eu estivesse, você saberia.
— Eu saberia se tivesse marcado você — rebateu ele. — Então escolha. Deixe-me marcá-la... ou veja-me ir embora.
Não era assim que deveria acontecer. Nada estava dando certo. Por que ele estava fazendo isso?
— O que é isso? — sussurrei. — Desde quando você faz ameaças?
— Desde que me cansei de implorar pelo que é meu. — Sua voz era tão fria quanto as águas sob a ponte.
Ele nunca tinha falado comigo assim antes. — Você está me dando um ultimato? Agora? Quando Ceri...
— Não me importo com Ceri! — interrompeu ele. — Ela é uma causa perdida. O que importa somos nós. Então, como isso termina, Manon?
A raiva surgiu em meu peito. — Como você pode falar dela assim? Ela é nossa amiga! — Lágrimas arderam em meus olhos enquanto transbordavam.
— Foda-se, Manon.

that's weird that she doesn't want him to mark her
Hi! I just wanted to let you know that I really enjoyed your story. The world, the emotions, and the character interactions all felt very engaging. One of my favorite things was how easy it was to visualize every scene while reading. It has a very cinematic feel, and I can easily imagine how incredible it would look as a comic. Wishing you the best with the rest of your story!