Do Pecado Ao Amor — O Alvorecer De Minha Tentação — Livro 1 by IngriddeCarvalho at Inkitt
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Do Pecado Ao Amor — O Alvorecer De Minha Tentação — Livro 1

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Summary

"SINOPSE" “ Algumas promessas foram feitas para durar a vida inteira. Outras existem apenas para serem quebradas." Aos quarenta e dois anos, Principessa Alcântara Lemos acreditava que já conhecia todos os tipos de dor. Mas estava enganada. Pois nunca imaginou que se apaixonaria por um homem inalcançável. Um homem que havia prometido entregar sua vida inteiramente a Deus. Aos cinquenta e sete anos, Giorgio Bianchi Ricci passou a vida imaginando que o seu destino já estava selado. Contudo, não poderia estar mais enganado. Porque jamais imaginou que a maior prova de sua fé teria cabelos escuros, olhos profundos e quarenta e dois anos. Enquanto ele luta para honrar seus votos... Ela luta para esquecer um homem que jamais poderá amar. Existem, entretanto, sentimentos que não obedecem à razão. Nem à religião. Nem ao tempo. E alguns pecados começam muito antes do primeiro beijo.

Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
18+

"PRÓLOGOS NAS VERSÕES DE PADRE GIORGIO BIANCHI RICCI E PRINCIPESSA ALCÂNTARA LEMOS

"PRÓLOGO NA VERSÃO DE PADRE GIORGIO BIANCHI RICCI”

ANTES DO PECADO”

Há prisões que se constroem dentro da própria alma, e amores que trazem consigo tanto o inferno quanto a redenção.”

Sou padre. Não por vocação. Não por fé. Pelo menos, não no começo.

Entrei para a Igreja porque era o único lugar onde poderia me esconder de mim mesmo. Meu nome é Giorgio Bianchi Ricci, e o que me habita... é perigoso.

Não sou um santo. Nunca fui.

Já fui homem de prazeres doentios, de vícios da carne, de um sadismo tão íntimo e silencioso que ninguém nunca desconfiou. Nenhuma mulher saía ilesa do meu toque. Nenhuma.

Eu as possuía como se a posse fosse um direito natural. Marcava. Feria. E o pior de tudo... gozava com isso.

Até que um dia, percebi que não conseguiria parar. Não importava o rosto, o corpo, o nome. Não importava o pedido de “não”. Algo em mim queimava mais do que o controle.

Por isso fui forçado a entrar no seminário aos dezoito anos. Meus instintos carnais, animalescos, inconcebíveis e completamente doentios, forçaram-me a abrir mão de minha sexualidade. E achei que a única forma de conseguir controlar-me era tornando-me padre.

Ao completar a maioridade, comuniquei aos meus pais e irmãos o meu desejo pelo sacerdócio. Como todos nós sempre fomos católicos bastante praticantes, nem sequer ousaram questionar a minha decisão.

Ficaram imensamente felizes por saber que um de seus filhos—justamente o caçula— o mais frágil e suscetível — queria seguir o sacerdócio. Permaneci oito anos me preparando como era de praxe até que, fugindo de mim mesmo, fui ordenado um sacerdote.

Não foi fácil. Foram anos de clausura, oração, silêncio e ódio de mim mesmo. Cada manhã era uma batalha. Cada mulher que se aproximava era uma ameaça. E cada confissão de pecado carnal era um espelho — me devolvendo aquilo que tentava matar dentro de mim.

Na penumbra de minhas próprias memórias, visto-me de santidade para sufocar um passado que insiste em pulsar dentro de mim. Sadismo, culpa e desejo: uma tríade que quase me destruiu antes de abraçar a batina como penitência.

Busquei no sacerdócio a única forma de sobreviver a mim mesmo. Todavia, não encontrei a pureza. Encontrei disciplina.

Aprendi a dominar o fogo. Contudo, nunca consegui apagá-lo.

Mesmo após trinta e nove anos de abstinência, o monstro continua vivo. Adormecido, talvez. Morto, jamais. Nunca me curei. Apenas aprendi a mantê-lo acorrentado.

Trinta e nove anos sem transar com ninguém. Sem meter. Sem tocar em um corpo nu.

Trinta e nove anos com um demônio dentro de mim que, de tempos em tempos, ressurge — principalmente nas madrugadas em que acordo com o pau duro e latejante, sentindo cheiro de sexo no ar, mesmo que não haja ninguém ali.

Posso dizer que desde seminarista até hoje, graças ao meu Bom e Misericordioso Deus, nunca mais voltei a tocar em uma mulher. Porque após alguns anos de sacerdócio, felizmente estas sensações amaldiçoadas, que me consumiam por dentro passaram a ser cada vez mais esporádicas e aprendi a dominar-me.

Parece que com o passar do tempo, dedicar-me ao Pai e aos meus irmãos em Cristo com todo o meu ser, atenuou em mim a malícia. Afinal de contas, com os inúmeros compromissos que assumo, mal tenho tempo para respirar, quanto mais pensar em sexo.

Ao menos é o que tento acreditar. Mas, quando me encontro sozinho, sinto, em raros segundos, o calor antigo percorrer-me as veias, como uma serpente despertando no silêncio.

A estrada diante de mim é apenas um borrão. Os faróis iluminam faixas cinzentas e retorcidas, no entanto, meus olhos ardem com o peso das memórias.

Minha boca está seca, como se ainda buscasse o gosto de um pecado perdido no tempo. Estou remoendo mentalmente tudo o que ouvi. E tudo o que escondo.

Por fora, sou o sacerdote exemplar. Por dentro, sou um animal enjaulado. Um predador adormecido. Que luta todos os dias para não abrir os olhos.

Porém, a jaula está velha. O cadeado, enferrujado. E algo me diz que, em breve... vai arrebentar.

Respiro fundo, e o ar parece me queimar por dentro. Cada inspiração traz consigo ecos de vozes femininas, que um dia gemeram entre dor e prazer sob minhas mãos. Tento expulsar.

Tento rezar. Entretanto, elas retornam como sombras.

Minha mente é uma prisão de aço. As paredes estão cobertas de marcas, como se meu próprio desejo tivesse arranhado sua superfície.

E, por mais que me esforce, ainda sinto a serpente adormecida se movendo em meu sangue, enrolando-se em meu coração.

Porque mesmo com a batina ou clergyman, mesmo com a cruz no peito, há noites em que a lembrança me visita como amante proibida.

Como uma amante que nunca desapareceu completamente. Apenas… se escondeu, esperando somente a melhor oportunidade para reaparecer, despertando com força absoluta.

O ronco do motor acompanha o ritmo da minha respiração. Meus dedos apertam o volante como se fosse um rosário de ferro. Tento concentrar-me na estrada, entretanto, a mente, insiste em me levar para dentro.

Revejo as celas estreitas do seminário, as longas orações da madrugada, o jejum, a disciplina. Todos os mecanismos que inventei para calar a carne. E, por um tempo, funcionou. Ou eu quis acreditar que funcionava.

Hoje, sei que apenas adormeci o desejo. E a cada dia que passa, percebo o perigo de acordá-lo. Até porque ele já começou a emitir os seus sinais.

Aperto o volante com mais força ainda e me obrigo a voltar à realidade. Eu sou um padre.

Tenho uma missão. Não posso mais permitir que esse lado me domine.

Por anos, pensei que havia encontrado a paz nesse autoexílio espiritual, até o momento em que ela cruza meu caminho. Porque nada — nada mesmo — me preparou para ela.

Principessa Alcântara Lemos.

O nome já é poesia e o corpo sedução. Entretanto, o que me desestabiliza não é seu corpo. É o que há por trás dele: a fragilidade com que ela tenta parecer forte.

A mulher com jeito de menina é a primeira pessoa em anos a me desarmar. Ela está desesperada.

Fome nos olhos. Vergonha nas palavras. E mesmo assim, há algo limpo nela.

Uma força quieta. Uma beleza sem maquiagem, sem poses. Uma beleza real. E real demais para mim.

O que sinto... não é dever.

É um pavor antigo, que há tempos não visita o meu corpo.

Desejo. Um desejo sujo. Um desejo que reprimo com todas as forças. E é aí que começa o meu novo calvário.

Com os olhos que refletem a luz celestial e o corpo que exala a tentação do inferno, ela encerra a última ilusão de serenidade, destruindo as últimas barreiras — que com tanto esforço — eu havia construído para proteger o que ainda resta em minha alma.

Observo-a em silêncio, tentando resistir ao desejo brutal que cresce dentro de mim. Cada movimento seu é um passo meu rumo ao pecado, cada sorriso, uma promessa de perdição. Cada passo que dá é um convite, cada palavra um veneno doce que me consome, fazendo com que a batalha que travo dentro de mim seja feroz.

De um lado, a devoção a Deus e a promessa de uma vida sem pecado; do outro, o desejo insaciável de possuí-la, de explorar seus limites e ultrapassar todas as barreiras da moralidade. Quem sou eu, porém, para resistir a ela?

Quando seu olhar encontra o meu, sinto tudo se desintegrar à minha volta. A tentação é imensa, e me pergunto: Será este o caminho da redenção ou da perdição eterna?

Ela não é apenas minha tentação. É a sedução viva que pode me conduzir do abismo do pecado para a liberdade do amor. Mas, será que, ao ceder a ela, estou condenando a mim mesmo? Ou, quem sabe, finalmente alcançando a redenção que nunca soube que merecia?

Ela é o alvorecer de minha tentação, a materialização do pecado que tanto tento fugir. Talvez, com ela, possa finalmente passar da escuridão do pecado para a luz do amor, ou talvez, eu apenas sucumba à perdição.

Nada mais será igual. E ao reconhecer isso, sinto que a queda já começou.

PRÓLOGO NA VERSÃO DE PRINCIPESSA ALCÂNTARA LEMOS”

O FOGO QUE MOVE TUDO”

“O destino, às vezes, se disfarça de pecado, apenas para nos ensinar a intensidade do amor.”

Minha vida sempre foi marcada pela sede de liberdade, por uma busca incessante por algo que seja maior do que a rotina fria do mundo ao meu redor. Carrego em mim cicatrizes invisíveis, segredos que nunca confessei e uma fome de viver que beira a imprudência.

Uma mulher marcada por perdas, carência e desilusões. Não busco o amor, nem a luxúria. Procuro apenas um recomeço, um respiro. Quando o destino me coloca sob os cuidados de Giorgio, não imagino que acabarei dividindo a casa — e o coração — com um homem dividido entre o céu e o inferno.

Não sou santa, nem pretendo ser. Apenas mulher — de carne, desejo e sonhos.

Não o procuro. Não planejo cruzar o caminho de um homem como ele: um sacerdote, envolto por uma aura de mistério e silêncio, como se carregasse em si os segredos de todos os céus e infernos. Mas, quando nossos olhares se encontram, não há como voltar atrás.

Sinto-me desnudada diante de sua presença, como se ele enxergasse em mim não apenas a mulher que o mundo vê, porém, a essência que até eu mesma escondo.

Entre nós nasce algo proibido, tão arrebatador quanto perigoso.

Sei que, ao me aproximar dele, posso destruir sua fé, abalar seu mundo e talvez perder o meu. Todavia, também sei que há uma promessa oculta nesse risco: A de viver um amor que desafia tudo — o certo, o errado, o divino e o profano.

O que será de nós? Um mergulho no abismo do pecado... ou... a descoberta de uma redenção feita de paixão?

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Strong Dialog

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