Elliott Está com um Péssimo Timing
Ok, esta é uma história que escrevi no ensino médio em 2016. Foi banida do Wattpad (com 4 milhões de leituras, nada demais) e meus amigos me zoam de um jeito humilhante por causa dela. Então... não estou muito confiante se quero republicar, mas que se dane, né?
Estou tomando a péssima decisão de não editar nem uma palavra. Esta história é uma cápsula do tempo. Provavelmente é um trauma emocional para quem não shippava Wincest no Tumblr em 2012. Não é exagero considerar isso um perigo para a literatura.
Aproveitem!
A/N (AVISO): Não haverá itálicos ou edições de formatação devido à minha preguiça descarada. Ah, e também, incesto.
-
POV de Elliott
Quando acordei hoje de manhã, com certeza eu não esperava dar de cara com dois irmãos se pegando. Nem ferrando. Eu tinha acordado, levantado da cama, feito minha maquiagem, vestido um look fashion o suficiente para o Elliott Davis e pulado no meu carro. Saí dirigindo, sem imaginar que toda a minha inocência estava prestes a ser esmagada em pedacinhos minúsculos e poeirentos.
Brincadeira. Que inocência?
... Tá, dois irmãos se pegando no banheiro da escola foi um pouco intenso, até para mim. Minha inocência foi esmagada, sim.
Não era comum eu entrar naquele banheiro nojento da escola, cheio de porra e baratas, mas minha amiga Stella disse que meu delineador estava borrado, então eu precisava consertar! Empurrei a porta do banheiro masculino, logo ao lado da academia fedorenta, e bum! Lá estavam eles. Tate e Oliver Moore, o cara mais assustador e o mais popular da escola, respectivamente. A dupla dinâmica das trevas e da luz, do "mais provável de ser um serial killer" e "mais provável de ser famoso", da noite e do dia. Os gêmeos que as garotas querem e que os caras querem ser.
Se pegando pra valer. Se pegando. No banheiro. No banheiro! Quem faz isso? Que nojo!
"Uh..." eu disse, de uma maneira extremamente inteligente. Eles se separaram num solavanco e se viraram para mim, e eu congelei cada músculo do meu corpo. Dois pares de olhos verdes marcantes perfuraram minha alma. "Não me batam! Por favor, não me batam! Eu já vou! ... Espera, na verdade, eu não posso ir embora porque preciso consertar minha maquiagem, mas depois disso juro que saio!"
Tate ficou totalmente em silêncio. Sem surpresas. Na verdade, corria um boato de que ele tinha falado uma vez, mas eu não acreditei nem por um segundo. Tudo o que o cara fazia era ficar parado por aí, lançando olhares mortais e exibindo os músculos debaixo da jaqueta de couro, parecendo um verdadeiro tesão.
Seus olhos penetrantes se estreitaram e os músculos do seu maxilar ficaram tensos. Esquece o que eu disse — esse cara não era só um petisco, ele era o banquete completo.
Ele levantou o braço para passar a mão pelo cabelo curto e preto num gesto de raiva... e a barra da camiseta subiu. É... talvez um bufê livre.
"Elliott Davis?" Aquele era o gêmeo ensolarado falando. Espera. O galã, jogador de hóquei hiperatlético, Oliver Moore, sabia meu nome?
"Uh, sim? Você me conhece?" perguntei, totalmente pasmo. Quero dizer, ele era atlético, suado, musculoso e tudo mais. Eu era muito gay e não curtia ser agarrado, a menos que fosse onde realmente importa. Nossos tipos simplesmente não combinavam.
"Claro, temos aula de artes juntos", disse ele. Ele passou a mão pelo cabelo preto, um pouco mais longo e bagunçado. Devia ser coisa de família ou algo assim. "Escuta... eu não sei o que você acha que acabou de ver..."
"Vocês estavam se beijando."
"Ha! Ha ha! Isso é o que eu imaginei que você pudesse ter pensado, mas esse não é realmente o caso", Oliver gaguejou. Ele estava ficando com um rubor avermelhado bem fofo nas maçãs do rosto. "Na verdade, eu estava morrendo. Engasgando. Hum, Tate estava fazendo RCP para me salvar, então você meio que precisa boca-a-boca para esse tipo de coisa, então..."
Eu pisquei. "Nossa. Hum. Não, vocês estavam se beijando. Tá tudo bem. Eu só quero mesmo consertar minha maquiagem, então se não se importam..."
Joguei minha nécessaire na bancada e encarei meu próprio reflexo. Cabelo loiro, cacheado. Olhos azuis. Uma sarda embaixo do meu olho direito. Ah, e sim, ali mesmo, bem nos meus olhos: inocência esmagada. Ah, e maquiagem borrada também. Incrível.
Assisti aos gêmeos trocarem um olhar pelo reflexo. Os olhos dos dois se voltaram para mim, fazendo contato visual constrangedor pelo espelho. O silêncio nunca tinha sido tão dolorosamente óbvio para mim.
Nossa, este foi o momento mais constrangedor dos meus 17 anos de vida.
Peguei um lenço demaquilante e apaguei o delineador no canto onde estava borrado. Cuidadosamente, comecei a redesenhar a linha perfeita.
"Então, escuta, Elliott... Você não pode contar para ninguém sobre isso, sabe?"
"Oh, acredite em mim, eu nunca mais quero falar sobre isso na vida. Com ninguém. Então, resolve o problema." Fechei a nécessaire, já pronto, e me virei para eles.
Oliver ainda me olhava debaixo de cílios longos. Ele brincava com a bainha desfiada da sua camisa dos Celtics. "Então... você não vai contar?"
"Oh, uh, não! Definitivamente não", eu disse, pensando em quão rápido eu poderia chegar até minha melhor amiga Stella. ... E talvez o Jordan, ah, e o Ryan com certeza era legal o suficiente para saber.
Tate me lançou um olhar carrancudo e senti meus joelhos fraquejarem. Ele tocou o pulso de Oliver com dois dedos e o polegar; um gesto pequeno, mas vindo de alguém como ele, atraiu a atenção de todo mundo.
Ele encontrou meus olhos calmamente e eles estavam duros como pedra. "Ele não vai contar."
Minha boca se abriu e senti um arrepio percorrer minha espinha. "Eu não vou." Desta vez, eu falei sério. "Eu juro. Terminamos aqui?" Bati um pé com meu Vans bordô, disfarçando meu nervosismo com impaciência.
Tate ficou mudo de novo. Oliver suspirou. "É. É, terminamos. Pode ir embora agora."
Podem acreditar que saí o mais rápido que pude. Corri com minha bundinha apertada até o refeitório, onde meus amigos me receberam como se eu fosse um idiota.
"Tá tudo bem, Davis?" Matt zombou quando eu ofeguei e me joguei no assento.
"NÃO! Não, não está nada bem, Mattie", desabei minha cabeça no ombro dele e ele revirou os olhos. Matt era espinhoso, mas também atlético, então seu bíceps macio compensava aturar a personalidade dele. Brincadeira, eu o amava. "Cadê a Stella? Eu preciso da minha melhor amiga agora mesmo!"
O grupo revirou os olhos coletivamente, porque morriam de inveja por eu ser o melhor amigo da Stella.
"Ela foi pegar uma segunda porção de purê de batatas", informou-me Ryan, o gótico do grupo. "Sério, querido, você está bem? Acho que você está suando."
"Cala a boca, Ryan, eu te odeio e nunca mais quero falar com você."
"É gente, deve ter sido feio se o Elliott realmente participou de uma atividade física", disse Jordan. Então eles começaram a rir, cutucar meu cabelo lindo e fazer gracinha.
Eu soltei um ganido e tenho quase certeza de que o Ryan fez um "awn". Eles me amavam. Eram uns chatos, mas me amavam. "É por isso que eu preciso da Stella! Ela não é um monstro. Ela não fica tirando sarro de mim."
"Ah, por favor, você sabe que a gente te ama", Jordan zombou. Ele se inclinou e beijou minha bochecha, então saí relutantemente do conforto do ombro do Matt.
"Ok, voltei e me perguntando por que o meu garoto levou dezessete anos para fazer um delineado gatinho."
"STELLA!"
Pulei da mesa e mal consegui chegar aos braços dela sem derrubar o purê. Todos na mesa gemeram.
"Vão arrumar um quarto", resmungou Matt.
"Por que você não ama a gente desse jeito, Elliott?" Ryan choramingou.
Ignorei todos eles. "Você não tem noção do que eu acabei de presenciar! Ó Deusa, você nem consegue imaginar o horror! A traição absoluta! Toda a escala de gostosura foi alterada!"
... Minha determinação estava enfraquecendo.
"Ok, o que foi?" Stella perguntou, com um biquinho compreensivo e dois tapinhas leves na minha bochecha.
"Na verdade..." ohhh minha deussaaaa, "eu não posso, particularmente..." aguentar... firme, "te contar?"
Matt soltou uma risada. "Aposto que ele não aguenta nem um dia. Talvez."
Meu corpo inteiro estava vibrando. Tenho que... fofocar...
"Dez minutos", disse Ryan, jogando o cabelo longo por cima do ombro. "Dez minutos no máximo."
"A rainha da fofoca da Kingston High, guardando um segredo?" Jordan soltou um suspiro delicado. "Estou chocado."
"Para de dizer 'shook', Jordan", eu disse.
E foi nesse momento que meus olhos vagaram para a visão mais aterrorizante. Lá estava ele: Tate Moore, parado do outro lado do refeitório com o olhar mais maligno conhecido pelo homem. E lobisomem. E estava direcionado a mim.
Isso foi tudo o que eu precisei. "Uh, pessoal? Eu preciso ir. Sério, preciso fazer xixi."
Pela segunda vez naquele dia, eu saí correndo de uma sala como um completo maluco. No entanto, só percebi meu grave erro quando uma voz severa atrás de mim disse: "Pare. Pare de correr."
Por pouco, por muito pouco, eu não fiz xixi nas calças.
"Um, oi!" Virei nos calcanhares e estremeci ao perceber que Tate estava logo atrás de mim. Tipo. Logo atrás, facilmente a uns doze centímetros, no máximo.
"Por que você saiu?" Sua voz era profunda e seu olhar era feito de aço. Nossa, esse cara era sexy num nível "dobra no meu joelho agora mesmo, garoto".
Eu estava... tão afim disso.
"Por favor, não me mate!" soltei, levantando as mãos para proteger o rosto de um soco. Esperei. Depois de uns dez segundos sólidos de silêncio absoluto, baixei as mãos e abri os olhos. Ele literalmente não tinha feito nada. "Você... não vai me matar?"
"Você continua assumindo que eu quero te machucar."
"... Sim?"
Sua carranca ficou ainda mais carrancuda. "Volte para o refeitório. Você não comeu."
"Desculpa!" eu soltei um guincho. "Vou voltar, hum, para comer!"
Sua expressão não mudou nada. Me afastei lentamente, e ainda assim nada mudou. Eu não tinha certeza do que esperava. Uma dispensa, talvez? Algum sinal de que ele não ia me enforcar enquanto eu passava por ele?
"Uh..." dei um passo além dele e olhei para sua expressão de novo. Não, nenhuma mudança. Mais um passo. "Ok, estou indo agora, tudo bem?" Ainda assim, nada.
Foi só quando minhas costas estavam viradas, relutantemente, e comecei a acelerar o passo, que ele disse: "Você me lembra um hamster."
Virei-me num sobressalto. "Como é?"
Ele tinha se virado também e estava me encarando. "Pequeno, tímido e que pode ser pego facilmente."
"Isso é... isso é uma coisa boa, ou..."
"E jogado. Bem longe."
"OkAY, então, tchau!"
Isso oficialmente fez com que fossem três vezes que saí correndo de uma sala naquele dia. E com o Tate, sexy, porém assustador, andando por aí, presumi que não seria a última.