Nossos Destroços 18+

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Resumo

Trevor Black está quebrado há anos. Assombrado por uma tragédia. Esmagado pela culpa. Perdido em um mundo onde a única saída parece ser saltar da beira de uma ponte. Até a noite em que ele a encontra. Uma garota frágil parada no frio, uma estranha com olhos brilhantes demais e segredos profundos demais. Quando Trevor a puxa de volta da escuridão, ele não sabe se está salvando a vida dela… ou se ela está salvando a dele. A conexão entre eles é instantânea. Intensa. Inexplicável. Mas um amor construído sobre destroços é perigoso. E quando o passado volta com tudo, Trevor terá que encarar a verdade: Algumas cicatrizes nunca cicatrizam. Alguns amores nunca foram feitos para sobreviver. Nossos Destroços é o primeiro romance da duologia The Ruins of Us — um romance cru, emocionante e inesquecível sobre amor, perda e os destroços deixados para trás. Perfeito para fãs de histórias de amor dark, cheias de angústia e de partir o coração.

Status
Completo
Capítulos
24
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

Eu não estava preparado para o impacto. Ninguém nunca está. Tudo aconteceu em questão de segundos, mas, para mim, aqueles segundos se esticaram como pequenas vidas inteiras. Cada uma se desenrolando em um ritmo diferente, como painéis de vidro empilhados estilhaçando em sucessão. O tempo dilatou, distorceu, recusou-se a seguir em frente como deveria. O primeiro sinal foi o guincho dos freios a ar, aquele som metálico estridente que cortou qualquer outro barulho. As cabeças se levantaram. Conversas foram interrompidas no meio da frase. Alguém atrás de mim murmurou: “Que porra é essa—?”. Então veio o solavanco.

O ônibus derrapou de lado na pista congelada. Doze pneus deslizando sem aderência, e a máquina inteira tornou-se leve de uma maneira como nunca foi projetada para ser. Meu estômago revirou, não com a emoção passageira de uma montanha-russa, mas com o pavor doentio de saber que a gravidade havia escolhido sua vítima, e éramos nós. Pressionei minha palma com força contra o banco à minha frente, mas não serviu de nada. Eu podia sentir o desamparo se espalhando por cada passageiro como eletricidade estática, estalando no ar. O grito do motorista não carregava autoridade, apenas medo; um homem implorando para que a máquina obedecesse.

O som que se seguiu foi pior: o rangido baixo e torturado de uma viga de aço dobrando sob uma pressão impossível. Era como o gemido de um animal ferido, metálico e ancestral, a voz de algo grande demais para ser salvo. E então — um estalo. O som dela se rompendo. A frente do ônibus tombou e, de repente, a vista pela janela não eram mais os campos de neve brilhantes. Era o abismo. Apenas o abismo.

A gravidade puxou tudo junto: meu corpo, meu fôlego, a bagagem guardada sob nossos assentos. As portas do bagageiro chacoalharam, explodiram, e as malas se tornaram aríetes, deslizando, colidindo, avançando com força. Cada uma adicionando peso à dianteira, cada uma acelerando nossa queda. “Segurem-se!”, alguém gritou. Não havia nada em que se segurar.

Câmera lenta nem chega perto de descrever aquilo. Não foi cinematográfico. Foi cruel. Cada detalhe era ampliado: o jeito que o cachecol de uma mulher subiu no ar como uma bandeira antes de se enrolar no pescoço dela; o jeito que os óculos de um homem escorregaram de seu rosto e pairaram por um instante antes de se espatifarem no corredor; o jeito que meu próprio cinto de segurança apertou meu peito como uma mão tentando me conter, mas sem conseguir parar o impulso para frente. A paisagem sonora era insuportável — metal rangendo, vidro explodindo, vozes humanas se fragmentando em uivos animais.

Então — o impacto.

O para-brisa beijou o fundo da ravina com um estrondo que não era vidro, mas algo muito pior. O ônibus se dobrou como uma sanfona, o metal gritando enquanto se contorcia em um ângulo impossível. Gritos se misturaram em uma única nota bruta. Algo pesado atingiu meu ombro, outro peso se chocou contra o meu lado e, por um instante, eu não sabia se meus ossos tinham quebrado ou se o som vinha de outro lugar.

E então, houve silêncio.

Não um silêncio verdadeiro — ainda havia o chiado do líquido de arrefecimento vazando, o gemido do aço retorcido se acomodando no lugar — mas o tipo de silêncio que surge quando todas as vozes ficam sem ar ao mesmo tempo. Abri os olhos e não consegui entender o que estava vendo. O mundo estava de lado. Vidro brilhava pelo chão como geada. Um banco havia se soltado e estava atravessado na diagonal no corredor. O cheiro veio em seguida: borracha queimada, óleo quente, sangue com cheiro de cobre, tudo sobreposto ao perfume cortante e frio da neve entrando pelas janelas estilhaçadas.

Eu estava nos destroços. De alguma forma, contra todas as leis da física, eu ainda estava inteiro. Braços torcidos, mas não quebrados. Pernas espalhadas, mas, quando as flexionei, elas responderam. Meu peito doía como se tivesse sido afundado, mas nenhuma ponta de osso perfurava a pele. Eu estava vivo. Mas onde ela estava?

O pensamento atravessou a névoa instantaneamente. Onde ela está?

Tentei chamar pelo nome dela — será que falei em voz alta? Não consegui saber. Minha garganta estava em carne viva, minha voz enterrada sob o zumbido nos meus ouvidos. Parecia um grito sem som, como se meu crânio inteiro vibrasse, mas nada passava dali. Minha cabeça girava. O ar engasgava nos meus pulmões como se não encontrasse uma saída. O pânico me arranhou. Se eu não me movesse, eu me afogaria nele.

Forcei meu corpo para cima, ou pelo menos o que eu achava que era para cima, embora o ônibus não tivesse mais um sentido de direção. O mundo estava torto, cada superfície quebrada, afiada, traiçoeira. Meus dedos roçaram vidro estilhaçado, ar frio e uma manga de tecido que não era minha. Dei um solavanco para trás, com medo do que encontraria ali; o rosto dela. Eu precisava ver o rosto dela.

Tentei novamente, mais devagar desta vez, tentando levantar os escombros, tentando ignorar o calor pegajoso que se agarrava à minha mão. Alguém gemeu por perto, um som profundo e gutural de dor, mas não era ela. Tentei me levantar mais uma vez, as pernas falhando embaixo de mim. O movimento fez a escuridão se aproximar rapidamente, como se o mundo estivesse encolhendo a um ponto minúsculo. Minhas mãos escorregaram no vidro, minha visão ficou nublada com cinza nas bordas. Ela tem que estar aqui. Se eu pudesse apenas vê-la. Se eu pudesse apenas...

O mundo desmoronou sobre si mesmo — o barulho, os destroços, o cheiro de queimado, o ar frio entrando. Tudo foi canalizado para um único túnel negro. E então, não houve mais nada.