O Arrependimento do Alpha

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Resumo

Destinados pela Lua. Quebrados pela traição. Reunidos pelo destino. Emma, filha do Beta de sua alcateia, sempre foi comum — até a noite em que conhece Noah, o impressionante filho do Alpha. Quando seus olhares se cruzam, o vínculo ganha vida, unindo-a a ele como sua companheira destinada. Uma noite de paixão sela a conexão deles para sempre... apenas para Emma ouvir Noah zombando dela com seus amigos, chamando-a de fraca, esquecível, uma decepção comparada à sua ex. Destroçada, Emma foge. Anos depois, ela retorna mais forte do que qualquer um se lembra — não apenas uma loba, mas também uma bruxa. Ela carrega o poder do coven de sua mãe e o espírito feroz de sua loba. E quando uma tragédia a puxa de volta para sua antiga alcateia, ela descobre que Noah assumiu seu lugar como Alpha. O vínculo deles é tão inegável quanto sempre foi. Mas Emma se recusa a esquecer a crueldade que a quebrou. E Noah se recusa a deixá-la escapar novamente. Quando um cruel Rogue King surge, ameaçando todas as alcateias, Emma e Noah são forçados a lutar juntos — ou perder tudo. Mas feridas antigas são profundas, e Emma deve decidir se pode confiar no homem que um dia estraçalhou seu coração... e se o vínculo que os une é forte o suficiente para sobreviver ao destino, à traição e à guerra que se aproxima.

Gênero
Romance
Autor
N. SWANSON
Status
Completo
Capítulos
31
Classificação
4.7 22 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

A lua pairava baixa sobre os pinheiros, projetando sombras prateadas na clareira onde as alcateias haviam se reunido. Fogueiras ardiam intensamente, suas chamas estalando no ar do fim do verão. Lobos e humanos se misturavam; alguns riam, outros estavam tensos sob o peso de políticas centenárias. Para Emma, parecia que ela estava entrando em outro mundo.

Seu coração batia forte enquanto ela seguia seu pai, o Beta Elias, da alcateia Moonveil. Ele caminhava com a autoridade natural de um homem que só perdia para o Alpha, com os ombros alinhados e a cabeça erguida. Emma tentou imitar sua confiança, mas cada passo apenas a lembrava dos olhares que deslizavam sobre ela. Julgando. Avaliando. Esperando.

Esta noite era seu primeiro Gathering como adulta, e a tensão em seu peito parecia algo vivo. Ela tinha dezoito anos agora; velha o suficiente para que seu lobo despertasse por completo, velha o suficiente para que o elo de parceria surgisse. Velha o suficiente para mudar sua vida para sempre.

"Cabeça erguida", murmurou Elias, sem virar o rosto. Sua voz grave alcançou apenas os ouvidos dela. "Você é filha de um Beta. Não se diminua para ninguém."

Emma engoliu em seco e obedeceu, forçando os ombros para trás. Seu cabelo escuro roçava contra o vestido preto, simples, mas elegante. Ela não era chamativa como as outras filhas da alcateia, que usavam vestidos que brilhavam sob a luz do fogo. Ela não se destacava, pelo menos não na aparência. Mas seu lobo... bom, isso já era outra história.

Seu lobo era branco puro. Uma cor tão rara que gerava sussurros toda vez que ela se transformava. Alguns diziam que era uma bênção, um sinal de poder oculto. Outros diziam que era uma maldição, desperdiçada em uma loba do tamanho de um ômega. Ela havia sido ridicularizada por esse tamanho mais vezes do que conseguia contar. Esta noite não seria diferente, ela tinha certeza.

Ainda assim, ela caminhou para a frente, o calor da fogueira a envolvendo enquanto entravam no centro da clareira. Os Alphas estavam em um círculo frouxo, cumprimentando uns aos outros com acenos rápidos e o ocasional aperto de mãos.

E foi então que ela o viu.

Noah Blackthorn.

Ele era uma cabeça mais alto que a maioria, com ombros largos que preenchiam o terno escuro que ele usava com uma elegância natural. Seu cabelo era uma bagunça de ondas escuras, seu maxilar era definido e sua boca exibia um meio sorriso que sugeria que ele achava o mundo divertido. As pessoas se moviam ao seu redor como se atraídas pela sua gravidade; o futuro Alpha da alcateia Bloodmoon comandava a atenção sem dizer uma palavra.

Emma congelou.

O elo a atingiu como um raio.

Sua respiração falhou, seu lobo surgindo com um grito que ecoou em seus ossos. Faíscas brilharam em sua pele, invisíveis para qualquer outra pessoa, mas inegáveis para ela. A atração era magnética, avassaladora, como se uma corda invisível tivesse se enrolado em seu peito e a estivesse arrastando para frente. Seu corpo inteiro vibrava com uma consciência aguçada, cada terminação nervosa subitamente viva e clamando por ele.

Noah virou a cabeça como se puxado pela mesma corrente, seus olhos — cinza-tempestade, afiados como aço — fixando-se nos dela.

Naquele instante, todo o resto desapareceu.

O fogo. A multidão. O zumbido da conversa.

Era apenas ele.

O elo de parceria vibrava entre eles, vivo, inegável, inebriante. Os lábios de Emma se entreabriram em choque, suas mãos tremendo ao lado do corpo. Ela havia sonhado com este momento, rezado por ele. Mas a realidade era mais intensa, mais devoradora do que qualquer coisa que ela tivesse imaginado. A atração era tão forte que a assustava; como estar na beira de um precipício, sabendo que um passo a mais a faria cair no abismo.

O olhar de Noah a percorreu lentamente, de forma deliberada, como se ele estivesse memorizando seu rosto. Seus lábios se curvaram em um sorriso — confiante, charmoso e um pouco perigoso.

E Emma, apesar de si mesma, pensou: Ele é o homem mais lindo que já vi.

Então, imediatamente depois: Ele é um Alpha. E eu sou... eu.

O pensamento atingiu sua euforia como água fria. Noah Blackthorn estava destinado a liderar uma das alcateias mais poderosas da região. Ele era forte, imponente, nascido para governar. E ela era... o quê? Filha de um Beta com uma loba bonita e um corpo pequeno demais para se impor. Ela não era forte. Ela não era impressionante. Ela era comum em todos os sentidos que importavam.

O que ele pensaria quando percebesse?

Emma não se lembrava de ter dado um passo, apenas que, de repente, Noah estava à sua frente, pairando sobre ela, as faíscas entre eles como um fogo vivo. Ele estendeu a mão e roçou os dedos nos dela, um toque leve que enviou um arrepio por todo o seu braço. O contato a fez arfar; era intenso demais, como tocar um fio desencapado.

"Você é minha", disse ele, com a voz baixa, feita apenas para ela ouvir.

Seus joelhos quase cederam.

O elo de parceria cantava dentro dela, seu lobo pressionando contra a superfície, uivando em concordância. Ela nunca se sentira tão viva, tão notada, tão completamente reivindicada por um único olhar e um único toque. Mas, sob a euforia, uma dúvida sussurrou: Por quanto tempo? Até ele perceber que não sou o suficiente?

O pai de Emma ficou tenso ao lado dela, mas não falou nada. Era assim que as coisas funcionavam; parceiros destinados eram sagrados, mesmo que inconvenientes.

Noah inclinou-se para perto, sua respiração quente contra a orelha dela enquanto ele inalava seu perfume. "Eu esperei por você."

O pulso de Emma falhou, seus pensamentos um turbilhão. Ela o conhecia há menos de um segundo e já estava perdida. Já pertencia a ele. O elo era uma droga, e ela estava indefesa contra ele.

O mundo voltou ao foco quando uma comemoração irrompeu perto da fogueira. Alguém havia se transformado, seu lobo saltando pela clareira em uma exibição brincalhona. Emma deu um pulo, afastando-se levemente, mas a mão de Noah fechou-se gentilmente em torno de seu pulso, mantendo-a firme.

"Você sente isso também", disse ele, não como uma pergunta, mas como uma certeza. Seus olhos cinzentos brilhavam como se ele a desafiasse a negar.

A garganta de Emma ficou seca. Ela mal conseguiu acenar.

A boca de Noah se curvou, presunçosa e satisfeita, como se ele tivesse acabado de conquistar um prêmio diante do mundo inteiro. "Bom."

Antes que Emma pudesse responder, um dos Alphas chamou o nome de Noah, chamando-o para o círculo. Ele não soltou o pulso dela enquanto caminhava, puxando-a junto. A multidão se abriu, com sussurros os seguindo. Emma podia sentir o peso de cada olhar, e seu estômago se revirou de ansiedade.

Todos estão se perguntando por que ele ficou preso a alguém como eu.

O calor queimou as bochechas de Emma, mas Noah não pareceu notar — ou talvez ele não se importasse. Ele ficou ereto diante dos Alphas, puxando Emma um pouco mais para perto do seu lado.

"Esta é Emma, da alcateia Moonveil", anunciou ele, sua voz carregada com uma autoridade natural. "Minha parceira."

Uma onda de choque e curiosidade se espalhou pelos lobos reunidos. Os Alphas trocaram olhares; alguns aprovando, outros céticos. O rosto do pai de Emma era ilegível, mas sua mão repousava levemente sobre o ombro dela, uma demonstração silenciosa de apoio.

Emma queria afundar na terra. Ao mesmo tempo, seu lobo ronronava sob o aperto possessivo de Noah, banhando-se na reivindicação. A contradição a deixou tonta.

Após as apresentações formais, o Gathering seguiu seu ritmo habitual — dança, bebida, transformações, risadas ecoando pela clareira. Lobos corriam pelas bordas da floresta, seus olhos brilhando no escuro. A música tocava em alto-falantes portáteis que alguém tinha arrastado, uma mistura estranha de tradição e vida moderna colidindo sob a lua.

Emma estava de lado, bebendo algo que não se lembrava de ter pegado, quando Noah apareceu novamente ao seu lado. Apenas ficar perto dele fazia seu coração disparar, o elo puxando-a como uma maré.

"Você não parece impressionada", disse ele, com a voz divertida.

"Estou apenas... absorvendo tudo", respondeu Emma, olhando para a multidão. Ela nunca tinha participado de nada tão grande antes. A quantidade de alcateias reunidas era avassaladora.

Noah inclinou-se, seus lábios roçando perto da orelha dela. "Ou talvez você esteja impressionada comigo."

O pulso dela disparou. "Quanta arrogância, não?"

Ele riu, um som baixo e quente. "Apenas quando estou certo."

Apesar de si mesma, Emma riu, a tensão diminuindo um pouco. Noah a observava intensamente, como se estivesse memorizando o som. Isso fazia seu estômago dar voltas de uma maneira que era, ao mesmo tempo, emocionante e aterrorizante. Como alguém como ele poderia querer alguém como ela?

"Emma, certo?"

A nova voz cortou entre eles como uma lâmina. Emma se virou para encontrar uma morena alta e marcante parada ali perto. Seu cabelo brilhava sob a luz do fogo, seu vestido vermelho abraçando cada curva com precisão deliberada. A confiança em sua postura, o jeito como ela olhava para Noah com uma familiaridade fácil — tudo isso disse a Emma o que ela precisava saber.

Rachel.

O nome flutuou ao redor do círculo de espectadores como fumaça. Rachel, a que costumava estar ao lado de Noah. Rachel, aquela que muitos presumiam que acabaria sendo a Luna.

O lobo de Emma se eriçou instantaneamente, um rosnado possessivo subindo em seu peito. Mas, sob o instinto, havia algo pior: inadequação. Rachel era linda, elegante e claramente confortável naquele mundo de Alphas e poder. Tudo o que Emma não era.

O sorriso de Rachel era doce, mas seus olhos estavam frios enquanto percorriam Emma. "Parabéns. Parceiros destinados." Ela disse as palavras como se tivessem um gosto amargo. "Que... surpresa."

A ênfase na última palavra fez o estômago de Emma se fechar.

"Rachel." O tom de Noah era educado, porém frio, com seu braço deslizando ao redor da cintura de Emma em uma clara demonstração de posse.

O sorriso de Rachel se estreitou, seu olhar indo para onde a mão de Noah repousava no quadril de Emma. "Tenho que dizer, Noah, não esperava por isso. Depois de tudo o que nós..." Ela pausou delicadamente. "Bem. Suponho que o destino tenha senso de humor."

As bochechas de Emma queimaram. A implicação era clara: Você não é o que esperavam. Você não é boa o suficiente.

"Rachel", disse Noah novamente, mais firme desta vez. "Emma é minha parceira. Isso é tudo o que importa agora."

"Claro." A risada de Rachel foi leve, mas seus olhos eram afiados como facas. Ela voltou sua atenção totalmente para Emma, e Emma teve que lutar contra o impulso de dar um passo atrás. "Você deve estar tão animada. Ser parceira de um Alpha é uma grande responsabilidade. Espero que esteja pronta para isso."

As palavras pareciam inocentes, mas o tom as tornava um desafio. A garganta de Emma se fechou. "Eu..."

"Ela é perfeita", cortou Noah, sua voz dura. "E ela não precisa da sua aprovação."

A expressão de Rachel vacilou — mágoa, depois raiva, depois um vazio cuidadosamente posado. "Eu só estava tentando ser acolhedora." Ela olhou para Emma novamente, e desta vez não havia fingimento de simpatia. "Você deve saber, Emma, que ser parceira de um Alpha não é apenas sobre o elo. É sobre força. Liderança. Ser capaz de ficar ao lado dele quando as coisas ficam difíceis." Seu sorriso era afiado como uma navalha. "Espero que você esteja à altura do desafio."

As mãos de Emma se fecharam ao lado do corpo. Seu lobo rosnou, querendo atacar, mas Emma sentia-se paralisada. Porque Rachel estava certa, não estava? Emma não era forte. Ela não era uma líder. Ela era apenas... ela.

"Já chega." A voz de Noah baixou para um rosnado, seus olhos brilhando com o comando de um Alpha. O ar ao redor deles pareceu ficar mais denso, e Rachel deu um passo atrás, seu lobo reagindo à dominância no tom dele.

O maxilar de Rachel se fechou. Por um momento, Emma pensou que ela diria algo mais, mas, em vez disso, ela inclinou a cabeça rigidamente. "Claro. Parabéns novamente." A palavra pingava veneno.

Ela se virou e foi embora, com a coluna rígida, mas Emma conseguia sentir a fúria irradiando dela em ondas.

Emma soltou um suspiro trêmulo, com o coração batendo forte. O braço de Noah apertou sua cintura, puxando-a para mais perto.

"Não dê ouvidos a ela", ele disse com firmeza.

Mas Emma não conseguia se livrar da inquietação que crescia em seu estômago. As palavras de Rachel tinham atingido um ponto sensível, ecoando todas as dúvidas que Emma tinha sobre si mesma. "Mas ela tem razão, não tem? Eu não sou... Eu não sei como ser uma Luna. Eu não sou forte como..."

"Pare." Noah a virou para encará-lo, envolvendo o rosto dela com as mãos. Seus olhos cinzentos eram intensos, queimando nos dela. "Você é minha companheira. Isso faz de você exatamente o que precisa ser."

O vínculo entre eles brilhou com o toque dele, quente e reconfortante, mas não conseguiu silenciar completamente a voz na cabeça de Emma, sussurrando que ela não era boa o suficiente.

"Ela é uma das suas ex-namoradas", disse Emma baixinho, odiando como sua voz soava pequena. "Não é?"

O maxilar de Noah se apertou. "Nós tivemos um caso. Acabou. Já faz tempo."

"Ela é linda. E confiante. E claramente conhece o seu mundo melhor do que eu."

"Emma." O polegar de Noah acariciou a bochecha dela. "Eu não quero ela. Eu quero você. O vínculo escolheu você. Eu escolho você."

Emma queria acreditar nele. O vínculo cantava em suas veias, implorando para que ela confiasse, aceitasse e se entregasse a esse sentimento. Mas a dúvida persistia como uma sombra.

Conforme a noite avançava, Noah nunca se afastava muito. Ele dançou com ela uma vez, com as mãos firmes em sua cintura e os olhos escuros de intensidade. Ele a apresentou aos seus amigos mais próximos, que a cumprimentaram com sorrisos brincalhões e olhares curiosos. Ele trazia bebidas para ela, roçava os dedos em suas mãos e sussurrava coisas que a faziam corar.

"Você é perfeita", ele murmurou mais de uma vez, e as palavras se instalaram em seus ossos como se fossem a verdade.

O coração de Emma oscilava entre a euforia e o desespero. Apesar de todos os sussurros, de todos os olhares, de todas as dúvidas — ali, com Noah, ela se sentia escolhida. Ela se sentia conquistada.

Mas ela também se sentia apavorada.

E quando a noite chegou ao fim, quando as fogueiras diminuíram e os grupos começaram a se dispersar, Noah inclinou-se para perto e disse: "Venha para casa comigo".

Emma prendeu a respiração. Casa. A casa dele. A alcateia dele. O mundo dele.

Ela hesitou, e Noah deve ter visto o medo em seus olhos, porque sua expressão suavizou. "Você não precisa ter medo."

"Eu não estou com medo", ela mentiu.

Seus lábios se curvaram naquele sorriso conhecedor. "Mentirosa."

O pai de Emma se aproximou então, com a expressão indecifrável. Ele olhou para Noah, depois para Emma, e algo passou entre eles — um entendimento, talvez. Uma resignação ao destino.

"Cuide dela", Elias disse baixinho.

"Com a minha vida", respondeu Noah, e a certeza na voz dele fez o peito de Emma doer.

Seu pai beijou sua testa, apertou sua mão e então se foi, desaparecendo na multidão. Emma o viu partir, uma onda repentina de saudade a invadiu, mesmo que ela ainda não tivesse ido embora.

A mão de Noah encontrou a dela, quente e firme. "Pronta?"

Não. "Sim."

A viagem até o território Bloodmoon pareceu interminável. Emma sentou no banco do passageiro do elegante SUV preto de Noah, com o zumbido do motor se misturando ao batimento acelerado de seu coração. Lá fora, os pinheiros passavam como borrões, prateados pela luz do luar. Cada quilômetro a afastava de tudo o que ela conhecia.

A mão de Noah descansava no console entre eles, os dedos roçando os dela de vez em quando, como se ele não conseguisse evitar. Cada toque enviava faíscas pelo braço dela; o vínculo de companheiros era um zumbido constante sob sua pele. Era inebriante e avassalador ao mesmo tempo — essa atração por ele parecia maior do que ela, mais forte do que sua própria vontade.

"Você está quieta", disse Noah por fim, olhando para ela.

Emma forçou um pequeno sorriso. "É só... muita coisa para assimilar."

"Nervosa?"

"Um pouco." Era um eufemismo enorme. Seu estômago estava um nó, sua mente corria com mil perguntas. O que a alcateia dele pensaria dela? Eles a aceitariam? Será que a veriam do jeito que Rachel a via — como inadequada, indigna de seu futuro Alfa?

Noah esticou a mão e segurou a dela. Sua palma era quente, firme, reconfortante. "Não fique. Eles vão amar você."

"Como você sabe?" A pergunta escapou antes que ela pudesse impedi-la.

Ele apertou a mão dela. "Porque você é minha. Isso é tudo o que eles precisam saber."

Mas Emma não tinha certeza se era tão simples assim. Ela olhou pela janela, observando a paisagem desconhecida passar. Ela estava deixando sua alcateia, sua casa, seu pai — tudo o que ela sempre conheceu. Para morar com estranhos. Para ser a companheira de um Alfa. Para, de alguma forma, se tornar alguém digna de ficar ao lado de Noah.

"E se eu não for boa o suficiente?" As palavras foram apenas um sussurro.

A mão de Noah apertou a dela. "Emma..."

"Estou falando sério." Ela se virou para olhá-lo, com o peito apertado de ansiedade. "Você vai ser o Alfa. Você precisa de alguém forte ao seu lado. Alguém que possa liderar, que possa lutar, que possa..." A voz dela falhou. "Eu não sou assim. Minha loba é pequena. Eu não sou uma guerreira. Eu não sei como ser uma Luna."

Noah encostou o carro no acostamento, e a parada súbita fez o coração de Emma dar um solavanco. Ele se virou para encará-la totalmente, seus olhos cinzentos intensos na escuridão.

"Escute-me", ele disse, com a voz baixa e autoritária. "Eu não me importo com nada disso. Você é minha companheira. O vínculo não comete erros. Você é exatamente quem eu preciso."

"Mas..."

"Não." Ele envolveu o rosto dela com as mãos, e o contato fez o vínculo brilhar tão intensamente que Emma ofegou. "Você é o suficiente, Emma. Mais do que o suficiente. E eu vou passar todos os dias provando isso para você, se precisar."

Lágrimas arderam em seus olhos. Ela queria acreditar nele tanto que doía. O vínculo gritava para que ela confiasse nele, para que deixasse de lado seu medo, para que se entregasse a esse sentimento. Mas a dúvida era algo teimoso, profundamente enraizado.

Noah inclinou-se para frente e encostou sua testa na dela. "Eu sei que você está com medo. Mas você não está sozinha. Eu estou com você."

Emma fechou os olhos, respirando o aroma dele. Cedro, fumaça e algo selvagem. O vínculo a envolveu como um cobertor, quente e seguro, e absolutamente avassalador. Talvez ele estivesse certo. Talvez o vínculo fosse o suficiente.

Ou talvez ela estivesse perdida demais para resistir.

Noah voltou para a estrada, mas não soltou sua mão. Emma segurou firme, tentando se ancorar enquanto a ansiedade continuava a revirar seu estômago.

Quando finalmente cruzaram a fronteira do território Bloodmoon, Emma sentiu — uma mudança no ar, uma mudança na energia. Aquela era a terra de Noah. Sua alcateia. Sua casa.

E agora, de alguma forma, deveria ser a dela também.

A casa da alcateia Bloodmoon surgiu adiante, uma propriedade espaçosa de pedra e madeira que parecia mais uma fortaleza do que um lar. Lobos descansavam na ampla varanda, conversando e rindo até o SUV de Noah entrar. Então, silêncio.

Todos os olhos se voltaram para o carro. Para ela.

O coração de Emma martelava contra suas costelas. Ela podia sentir os olhares deles mesmo através dos vidros escuros, podia sentir a curiosidade e a especulação. Eles estavam se perguntando quem ela era. Por que o futuro Alfa deles tinha trazido uma estranha para casa.

Se ela era digna.

Noah deu a volta no carro e abriu a porta para ela, oferecendo a mão. Emma hesitou, com a boca seca e as palmas das mãos suadas. A vontade de ficar no carro, de se esconder, era quase avassaladora.

Mas Noah estava esperando. E o vínculo estava puxando.

Ela entrelaçou seus dedos nos dele, e ele a puxou para fora, mantendo-a perto de seu lado. Seu braço estava firme ao redor dos ombros dela, protetor e possessivo.

"Pessoal", Noah chamou, sua voz carregada com a facilidade do comando. Os lobos na varanda se endireitaram, a atenção voltada para ele. Mais membros da alcateia surgiram de dentro, atraídos pelo tumulto. Em poucos instantes, pelo menos trinta lobos se reuniram, todos observando com diferentes graus de curiosidade e suspeita.

Emma queria desaparecer.

O braço de Noah apertou ao redor dela. "Esta é Emma, da Alcateia Moonveil." Ele pausou, deixando as palavras serem absorvidas. "Minha companheira."

A reação foi imediata. Ofegos, sussurros, algumas exclamações de choque. Emma sentiu o peso de cada olhar, de cada julgamento. Alguns rostos mostravam surpresa. Outros mostravam aprovação. Alguns poucos mostravam clara ceticismo.

Emma não conseguia ouvir as palavras exatas, mas podia lê-las nas expressões deles. Suas bochechas arderam, e ela teve que lutar contra a vontade de se encolher ao lado de Noah.

"Ela deve ser tratada com o respeito devido à sua futura Luna", continuou Noah, com a voz rígida de autoridade. "Qualquer um que tenha um problema com isso pode se entender comigo."

O desafio em seu tom era inconfundível. Ninguém falou.

Após um longo momento, uma mulher mais velha deu um passo à frente, com uma expressão gentil. "Bem-vinda, Emma. Estamos honrados em tê-la conosco."

Alguns outros ecoaram o sentimento, mas Emma ainda conseguia sentir a corrente subterrânea de dúvida. Eles estavam reservando seu julgamento. Esperando para ver se ela estaria à altura.

Ela não tinha certeza se estaria.

Noah não deu tempo para perguntas. Ele guiou Emma para longe da casa da alcateia, com a mão firme na base das costas dela. Eles caminharam por um caminho de pedra iluminado por lanternas, e Emma percebeu que estavam indo em direção a uma casa menor, afastada do prédio principal — perto o suficiente para estarem conectados, mas separada.

"Esta é a minha casa", disse Noah enquanto se aproximavam. Era linda — moderna, mas acolhedora, com janelas grandes e uma varanda que envolvia a estrutura. "Bem ao lado da casa da alcateia, então estou perto quando preciso, mas é privado."

Emma olhou para a casa, com o estômago revirando. Era isso. O lar dele. Onde ela moraria agora. Com ele.

A realidade daquilo a atingiu como uma onda. Ela tinha deixado tudo para trás. Sua alcateia. Seu pai. Seu quarto, sua vida, tudo o que era familiar. E agora ela estava ali, em um lugar estranho, com um companheiro que conhecia há apenas algumas horas, esperada para se tornar alguém que ela não sabia como ser.

Noah destrancou a porta e a abriu, depois se virou para ela. Sua expressão suavizou ao ver o rosto dela.

"Ei", ele disse gentilmente, estendendo a mão para a dela. "Vai ficar tudo bem."

Emma assentiu, mas não conseguia falar por causa do nó em sua garganta.

Ele a puxou para frente, e ela subiu na varanda. O limiar se erguia diante dela — uma linha entre sua vida antiga e este novo e aterrorizante desconhecido.

Noah apertou sua mão, esperando.

Emma respirou trêmula e olhou para a casa que deveria ser seu lar agora, com o coração batendo com partes iguais de medo e expectativa, imaginando se ela seria corajosa o suficiente para cruzar aquele limiar e se tornar a pessoa que todos esperavam que ela fosse.