O guarda-costas do Mafia King

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Resumo

Ela foi enviada para espionar o homem mais perigoso da cidade. Em vez disso, ela se tornou sua rainha. A missão de Amanda Carter era simples: infiltrar-se no império de Adrian De Lucca, descobrir seus segredos e informar aos superiores. Mas nada poderia prepará-la para o homem por trás do poder. Adrian não era apenas implacável — ele era magnético, inebriante, o tipo de rei que destruía todas as defesas que ela tentava construir. Uma mentira levou a outra, até que a verdade explodiu em tiros e sangue. Ela quase perdeu a vida, mas, em vez disso, encontrou algo que nunca pensou ser possível nos braços de seu inimigo — o amor.

Gênero
Romance
Autor
B E Harmel
Status
Completo
Capítulos
31
Classificação
4.9 12 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

POV: Amanda

O distintivo pesava na palma da minha mão — mais do que um pedaço de metal, menos do que o que aquilo já significou para mim.

Para a minha família. Para o meu pai.

Anos me matando de trabalhar de uniforme, anos seguindo as regras à risca — e agora eu estava no vestiário da delegacia, encarando-o como se fosse o fantasma de alguém que eu costumava ser.

“Whitmore.”

Meu sobrenome carregava um peso maior do que eu às vezes conseguia suportar.

Eu me virei. O Capitão Clifford ocupava a entrada, cabelos grisalhos, braços cruzados, rosto marcado por aquela carranca permanente que só ficava mais profunda quando o FBI se envolvia.

A investigação tinha crescido. Minha obsessão tinha crescido ainda mais.

Porque se tratava dos De Lucca.

A família da máfia que matou meu pai quando ele tentou prendê-los.

Fiz da queda deles a missão da minha vida. Quando o caso escapou pelas minhas mãos e foi para o FBI, entrar infiltrada tornou-se meu único jeito de ficar perto. Meu único jeito de terminar o que ele começou.

Então eu aceitei.

“Tem certeza de que está pronta para isso?”, perguntou Clifford.

“Prontidão é meu nome do meio”, menti, batendo a porta do armário com força.

Ele me entregou uma pasta fina, daquele tipo que já cheirava a documento confidencial. E ele sabia que eu não precisava dela. Eu conhecia cada página, cada detalhe sobre a família De Lucca gravado na minha mente.

“Família De Lucca”, disse ele. “Você vai entrar como Amanda Carter. Ex-militar. Segurança particular. Seu histórico é impecável. Eles vão acreditar.”

Claro que eles acreditariam — porque metade era verdade. Meu nome verdadeiro também era Amanda; só trocamos o sobrenome. Sou ex-militar. Eu tinha o treinamento, as cicatrizes, a disciplina.

Abri a pasta mesmo assim. Uma galeria de poder me encarava: casas noturnas, portos, cassinos — cada um marcado com o selo do império em preto e dourado.

E no topo, o homem em si.

Adrian Matteo De Lucca.

Herdeiro da máfia.

Quando meu pai foi morto, o pai dele, Lorenzo De Lucca, era quem comandava a família. Adrian assumiu o controle há dois anos.

A fotografia à minha frente — preto e branco, mandíbula definida, olhos como aço — irradiava uma arrogância intocável.

E beleza.

Deus, como eu odiava essa palavra. Odiava como ele parecia lindo, daquele jeito de tirar o fôlego que revirava seu estômago de um jeito vergonhoso.

“Sua missão é ele”, disse Clifford. “Os rivais dele já tentaram duas vezes. Ele ainda está se recuperando das feridas da última tentativa. Precisamos de alguém lá dentro. Observe-o. Proteja-o. E se tivermos sorte, talvez ele deslize e nos dê o suficiente para finalmente derrubá-los.”

Coloquei a pasta debaixo do braço, com o coração batendo firme, mas acelerado.

“Entendido.”

Os olhos de Clifford se estreitaram. “Isso não é um turno de patrulha, Whitmore. Você está entrando na cova dos leões. O FBI quer olhos e ouvidos. Mas, até conseguirmos uma brecha, você é a sombra dele. A proteção dele. Não quebre o disfarce.”

“Sim, senhor.”

Quando saí da delegacia, Amanda Whitmore não existia mais. Em seu lugar estava Amanda Carter — segurança, soldado de aluguel e a mais nova peça no tabuleiro de xadrez dos De Lucca.

A mansão despontava no horizonte como se tivesse sido arrancada da Toscana e jogada em solo americano. Portões de ferro. Degraus de mármore. O tipo de riqueza projetada para intimidar — e funcionava.

Endireitei os ombros, lembrando-me de que já passei por coisas piores: Cabul, Bagdá, invasões que faziam aquilo parecer um piquenique de fim de semana.

E ainda assim, arrepios percorreram minha espinha, meu pulso vibrando como se eu já estivesse na mira de alguém.

Os portões se abriram. Eu entrei.

Uma mulher esperava no saguão, alta, elegante, com cabelos escuros emoldurando olhos verdes. Seu sorriso era caloroso demais para aquelas paredes de mármore frio.

Ela era deslumbrante. Que diabos havia com as famílias italianas — por que todos pareciam pertencer à capa da Vogue?

“Você deve ser Amanda Carter”, disse ela, com um sotaque suave e melodioso. Ela estendeu a mão. “Isabella De Lucca. Mas, por favor, me chame de Bella.”

Seu aperto era firme e genuíno, nada como as caricaturas de mafiosos para as quais eu tinha me preparado. Por um segundo, eu me permiti respirar.

Então ela me guiou para dentro, passando por pinturas a óleo e molduras douradas, até parar diante de uma porta de madeira escura.

“Ele está esperando por você.”

Ela abriu a porta.

E foi quando eu o vi.

Adrian Matteo De Lucca.

Não uma fotografia. Não tinta sobre papel.

Carne, osso e esculpido como o pecado.

E sangue, também.

Ele estava sem camisa atrás de sua mesa, um homem idoso de jaleco branco apertando o último dos curativos em seu peito largo.

E o corpo dele…

Deus me perdoe.

O corpo dele era delicioso. Músculos rígidos esticados com cicatrizes e tatuagens, um mapa perigoso marcado na pele perfeita. Meu coração falhou, minha garganta apertou e, pela primeira vez em anos, meu treinamento vacilou.

O arquivo não lhe fazia justiça — mais alto do que eu esperava, mais largo, mais moreno, mais vivo. O cabelo jogado para trás de qualquer jeito, seus olhos — castanhos claros, derretidos, mortais — me prenderam instantaneamente.

Um deus grego vestido de diabo.

Seu olhar queimou em mim por três longos e escaldantes segundos.

Então ele latiu — voz baixa, irritada, cortante:

“Que diabos é isso, Bella?”

Merda.

O brilho de Adrian poderia ter cortado mármore.

Seu peito enfaixado subia e descia com fúria, cada fibra muscular tensa, cada cicatriz em exposição.

“Você me trouxe uma babá, Bella?” Sua voz era puro veneno, carregada com um sotaque que tornava cada palavra uma arma.

“Ela não é babá, é proteção”, rebateu Bella, seus olhos verdes faiscando.

“Eu não preciso de proteção!”, ele rugiu, o som reverberando nas paredes de pedra. Sua mão bateu na mesa, e uma garrafa chacoalhou sobre ela.

“Você levou um tiro na semana passada!”, ela retrucou, a voz subindo para igualar a dele. “E vai levar outro se continuar andando por aí como se fosse invencível!”

Eles estavam discutindo em um italiano rápido agora, as vozes colidindo, uma tempestade de palavras que eu conseguia seguir, mas não rápido o suficiente. Peguei sorella — irmã — e testarda — teimosa.

Eu já tinha visto brigas de família o suficiente para reconhecer uma coisa: nenhum dos dois ia ceder.

Então eu dei um passo à frente, minhas botas soando pesadas contra o piso polido.

“Chega”, eu disse. Calma, constante, mas cortando o barulho.

Ambos congelaram. Os olhos de Adrian se fixaram em mim, afiados e ardentes, enquanto os ombros de Bella caíram em uma mistura de alívio e desafio.

“Sua irmã me contratou por uma razão”, eu disse, focada em Adrian, recusando-me a recuar sob a tempestade que ele era. “Para mantê-lo vivo. Quer você goste ou não.”

Ele caminhou ao redor da mesa em minha direção.

E droga — ele era maior de perto. Mais largo. Sua sombra engoliu a minha, e precisei inclinar o queixo para cima para manter contato visual. Meu pescoço esticou, todo instinto me dizendo para ficar ereta, mesmo com o calor se enroscando lá embaixo, no meu estômago.

“E como, diabos”, ele murmurou, com a voz um rosnado mortal, “você acha que pode me proteger?”

O peito dele estava a centímetros do meu, calor irradiando, o cheiro de sabonete limpo, perfume caro, fumaça e sangue enchendo meus pulmões. Meu pulso trovejou, mas meu treinamento estava mais aguçado.

Dei um passo deliberado para mais perto, inclinando o queixo ainda mais para enfrentar seu olhar. Ele olhou para baixo através dos cílios, olhos presos nos meus, e o ar entre nós ficou pesado — carregado, quase sexual.

E eu adorei o quanto ele estava distraído por isso.

Em um movimento rápido, minha mão deslizou para trás das costas dele, meus dedos fechando ao redor da Glock escondida em seu cinto. Eu a soltei, suave como um suspiro.

Ele nem percebeu até que o peso sumiu. Suas sobrancelhas se franziram, a cabeça se inclinou para baixo como se não pudesse acreditar no que tinha acabado de acontecer.

Antes que pudesse reagir, abaixei-me, a mão disparando para o tornozelo dele. A segunda pistola estava fora do coldre antes que ele pudesse piscar.

Endireitei-me devagar, ambas as armas penduradas nas minhas mãos, um sorriso de canto curvando meus lábios. Sua expressão endureceu, o maxilar tencionando.

“O que diabos…?”, ele começou, mas eu já estava me movendo.

Comecei a desmontar as armas em um borrão de movimento, o metal clicando e tilintando enquanto as peças se separavam. Minhas mãos trabalharam por memória muscular, desmontando cada arma até os ossos e derrubando as balas na palma da minha mão.

“Como isto.”

Coloquei os projéteis vazios sobre sua mesa com um tilintar satisfatório.

O peito dele subiu, rápido e pesado, os olhos estreitando-se com algo entre fúria e… algo mais sombrio.

Mas eu não parei.

Meu olhar passou por ele, captando os detalhes sutis que notei no segundo em que entrei — o brilho de aço sob a gaveta da mesa, o leve volume na lombada de um livro falso na estante.

Eu alcancei, rápido e preciso, arrancando ambas as armas de seus esconderijos. Uma. Duas.

Elas se juntaram à pilha crescente em minhas mãos.

E com a mesma velocidade impiedosa, desmontei-as e as montei novamente, o metal se encaixando com cliques nítidos e limpos.

Agora eu estava armada, todo o arsenal dele desmontado e remontado à minha mercê. As armas dele pendiam dos meus dedos como troféus, prova de quão facilmente eu poderia destruir suas defesas.

“Porque até o Rei da Máfia precisa de proteção”, eu disse, minha voz baixa, constante, cortando o silêncio denso.

Então levantei uma das pistolas dele, o cano nivelado com o peito dele.

“E eu posso lhe dar isso. Porque eu não pareço uma segurança. O que significa que posso surpreender.”

Por um longo e sufocante segundo, o silêncio pairou entre nós.

O peito dele arfava, largo e enfaixado, o maxilar tão travado que eu conseguia ouvir o ranger dos dentes.

Então o olhar dele caiu. Não muito. Apenas um lampejo.

Dos meus olhos… para a minha boca.

Um calor percorreu minha espinha, traiçoeiro e indesejado. Meus lábios se abriram por instinto antes que eu os fechasse novamente.

Adrian se recompôs tão rápido quanto, a fúria cobrindo seu rosto como aço.

“Você acha que isso prova alguma coisa?”, ele rosnou, aproximando-se ainda mais. Sua voz era baixa, letal, mas carregada com algo mais sombrio, mais pesado. “Que você pode entrar na minha casa e me deixar vulnerável na frente da minha irmã? Que você pode apontar a minha arma para mim como se eu fosse um bandido de rua?”

Sua mão disparou, os dedos fechando ao redor do cano da pistola que eu segurava contra seu peito. Sem puxar, sem forçar. Apenas envolvendo, o calor queimando contra o meu.

“Eu poderia te quebrar ao meio”, ele sussurrou.

Meu pulso acelerou. Deixei o canto da boca se curvar para cima, o sorriso mais leve de todos.

“Tente.”

Por um segundo — Deus me ajude — os olhos dele queimaram com mais do que fúria. Queimaram com curiosidade. Com desejo.

E então Bella limpou a garganta.

A cabeça de Adrian girou para ela, sua mão se afastando da minha como se tivesse sido pega no fogo. Suas narinas dilataram enquanto ele inspirava uma, duas vezes, e finalmente soltou um palavrão entre os dentes.

“Tudo bem”, ele soltou, a voz rouca e relutante. “Ela fica. Mas a responsabilidade é sua, Bella.”

Bella apenas sorriu docemente, sem se incomodar.

Adrian voltou sua carranca para mim. “E não pense por um segundo que você ganhou minha confiança, guardia del corpo. Você terá que lutar por isso.”

A maneira como ele disse — como uma ameaça, como uma promessa — penetrou em meus ossos.

Ele se virou, agarrando uma camisa na parte de trás da cadeira e jogando-a sobre os ombros, escondendo as cicatrizes, as tatuagens, o corpo que eu odiava ter memorizado.

“Mostre a casa para ela”, ele latiu para Bella, então caminhou até a porta oposta e bateu-a atrás de si.

A sala tremeu em seu rastro.

Bella soltou o ar devagar e depois virou-se para mim com um sorriso que continha tanto desculpas quanto diversão.

“Venha”, disse ela gentilmente. “Deixe-me lhe dar um tour.”

A mansão De Lucca era menos uma casa e mais um labirinto de mármore polido, tetos abobadados e portas que pareciam se estender para sempre. Cada cômodo sussurrava sobre riqueza, poder e história.

Bella explicou enquanto caminhávamos, apontando as alas da propriedade, a capela particular, as cozinhas, os quartos de hóspedes e os escritórios vigiados.

E então entramos no jardim dos fundos.

A luz do sol atravessava o pátio, brilhando em uma fonte, espalhando-se sobre sebes esculpidas em perfeita simetria.

E ali — parado, alto, largo, de um jeito dolorosamente familiar — estava um homem.

Cabelos escuros com fios grisalhos nas têmporas. Ombros ainda orgulhosos, corpo ainda forte. As mãos cruzadas atrás das costas enquanto ele inspecionava o terreno como se fosse dono do mundo.

Eu parei bruscamente.

Porque ele parecia com Adrian.

Como Adrian, mas mais velho. Mais afiado.

O suspiro de Bella tremeu no ar quente. Seus olhos verdes suavizaram-se, pesados com algo não dito.

“Aquele”, sussurrou ela, “é o motivo pelo qual meu irmão levou um tiro.”