The Unicorn Escape
Adora tropeça ao passar pelas fileiras de motos estacionadas lá fora, com o olhar fixo na luz acima das portas largas do celeiro. Encontre as luzes, sua mamãe lhe disse. Lembre-se do número. Essa é a coisa mais importante. Ela empurra a porta, repetindo o número a cada passo que dá em direção ao seu destino. Um, sete, oito, seis.
Lá dentro, ela para, sentindo a porta fechar atrás de si. Descalça, usando um pijama rosa de unicórnio, agarrada ao seu bicho de pelúcia de unicórnio branco e roxo, com o cabelo loiro emaranhado com alguns gravetos, ela repete o número novamente. Com lágrimas nos olhos, ela observa os clientes vestidos em uma mistura de jeans e couro, cercados pela fumaça de cigarro. Seus grandes olhos verdes travam em Stone do outro lado do recinto, o homem mais alto e mais forte ali. Ela sussurra baixinho enquanto dá um único passo em direção a ele. “Um, sete, oito, seis. Moço, por favor, encontre minha mamãe.”
Stone gira o olhar para a porta que se abre e congela ao ver a menina pequena, parada hesitante no batente, olhando em sua direção. Seus olhos se estreitam instantaneamente, avaliando o perigo enquanto ele lança um olhar ao seu braço direito. “Tank, uma criança aparecer aqui a essa hora significa coisa ruim.”
As risadas e o som das bolas de bilhar batendo cessam conforme cada homem grisalho vestido de couro volta sua atenção para a criança.
Com lágrimas nos olhos, ela abraça seu unicórnio com mais força diante dos olhares intensos deles e recua um passo, encostando-se na porta pela qual acabara de entrar.
“Você tem razão quanto a isso, Stone.”
Os lábios de Adora tremem, lágrimas de crocodilo escorrendo por suas bochechas. “O papai está machucando a mamãe. Ela me empurrou pela janela. Disse para eu encontrar o número, então eu encontrei. Um, sete, oito, seis. Depois, eu tinha que correr para as luzes. Mas não havia luzes… Por muito tempo não, mas aí eu vi esta luz.”
Stone dá um passo à frente, tirando sua jaqueta de couro enquanto se agacha até o nível dela. Ele a envolve gentilmente com a jaqueta, tentando não assustá-la, mantendo a voz baixa e calmante. “Você está segura aqui, querida. Ninguém vai te machucar. Agora… que número é esse que você fica repetindo?”
Soluçando, Adora se entrega aos braços dele. “Era na casa onde a mamãe está. Por favor, ajude minha mamãe. Ela está muito machucada.”
“Viper. Venha aqui”, Stone chama, enquanto Tank se aproxima ao lado dele. Sua voz suaviza ao se dirigir à criança, seus olhos focando no sangue no chão. “Nós vamos encontrar sua mãe. Qual é o seu nome, pequena?”
“Adora.”
“Qual é o nome da sua mamãe?”
“Mamãe.” Ela pisca para ele, confusa.
A boca de Stone se contrai com a resposta. “Certo. Você sabe por que seu papai está machucando sua mamãe?”
“Não, ele está bravo. Ele fica gritando. Dizendo que ela deveria ter cuidado da própria vida. Depois ele disse que precisava lidar com ela. Ele deu uma surra nela e ela caiu. Aí o telefone dele tocou e ele saiu, mas… ele disse que voltaria. A mamãe esperou e depois me empurrou pela janela. Ela não conseguia passar. Só eu conseguia.”
Stone troca um olhar com Tank, depois faz um gesto com o queixo para Viper. “Certo, pequena. Viper vai ficar com você enquanto encontramos sua mãe. Ela também vai olhar seus pés e enfaixá-los para você. Tudo bem?”
Adora acena com a cabeça. “Eu andei por muito tempo e meus pés doem, mas a mamãe me disse. Eu precisava encontrar a luz.”
Viper se aproxima, vestindo jeans rasgados e uma camisa de botões amarrada logo abaixo dos seios. Uma jaqueta de couro cobre tudo, com o emblema de um lobo de olhos violeta nas costas. Ela se ajoelha e cutuca o unicórnio com um sorriso gentil. “Este é seu cão de guarda? Ele é bom em uma briga?”
Adora funga, segurando-o para cima. “Não é um cachorro. É um unicórnio. Ela é muito boa porque tem um chifre. É pontudo.”
“Ela tem nome?”
“Marshmallow.”
“Esse é um nome muito bonito. Você está com fome?”
“Um pouquinho.”
“Certo. Vamos te dar algo para comer enquanto os rapazes vão encontrar sua mãe.”
Adora olha para Tank, que está por perto, e acena com a cabeça, saindo dos braços de Stone e indo para os de Viper. “Obrigada.”
“Ei, de nada, Pequena.” Viper a levanta e a carrega de volta ao bar, colocando-a sobre o balcão. “O que você quer comer?”
Adora olha para os pratos no balcão, focando nos nachos. “Posso comer os salgadinhos?”
“Nachos? Claro. Posso pedir um pratinho para você.” Ela se inclina através da abertura para a cozinha. “Havoc. Um pedido pequeno de nachos para a Adora aqui. Knox, preciso do kit de primeiros socorros.”
“Já estou indo.”
Viper sorri para Adora e aponta para os pés dela. “Posso dar uma olhadinha neles?”
Adora abraça seu unicórnio, olhando-a desconfiada. “Vai doer mais?”
“Não, querida. Eu vou fazer eles se sentirem melhor. Preciso limpá-los e depois vou enfaixá-los com curativos bonitos. O que acha?”
Adora se anima. “Que tipo de curativos bonitos? A mamãe tem uns de unicórnio quando eu me machuco.”
Viper dá um toque no nariz dela e pega cuidadosamente o pé esquerdo. “Bem, nós não temos de unicórnio, mas eu prometo que, amanhã, quando as lojas abrirem, vou ver se consigo encontrar alguns para você. Estes são de cores diferentes, então podemos fazer um arco-íris, ou, se você preferir, eu tenho faixas roxas e brancas, para combinar com a Marshmallow. Podemos até colocar algumas nos pés dela também.”
“Sim, por favor. Eu quero combinar com a Marshmallow! E ela quer combinar comigo.”
Conforme Knox se aproxima, com o kit de primeiros socorros na mão, ela olha para o pé. “Vou buscar uma tigela pequena com água morna. Você vai querer lavá-los primeiro.”
“E faixas roxas e brancas.”
“Já vou, Viper.”
Enquanto Viper cuida de Adora, Stone se endireita, com o olhar varrendo o clube. Sua voz ecoa pela sede da alcateia, atraindo a atenção de todos. “Lobos. Temos uma mãe para resgatar. Tank, Rogue, Fang. Vocês vêm comigo. O resto, mantenha a posição.”
Sparrow pula de uma mesa. “E quanto a mim, Stone? Eu posso ajudar.”
Stone gira o olhar para Sparrow e o intimida. O membro jovem e imprudente da alcateia, que ainda está aprendendo o serviço. “Desta vez não, Sparrow. Precisamos de um ambiente controlado. Entrar e sair.”
Os ombros de Sparrow caem em derrota. “Você promete?”
“Sim, cuide da criança. O pai dela vai vir procurar. Não o deixe passar por aquelas portas sem um mandado. Nem sequer olhe. Entendido?”
Sparrow se endireita. “Sim. Valeu, Stone. Isso eu consigo fazer.”
Stone dá um único aceno, seu olhar passando pela menina empoleirada no bar antes de se virar. Lá fora, o cascalho range sob suas botas enquanto ele caminha pela fila de máquinas de cromo e aço. Ele para em sua moto; preta como a meia-noite, mais pesada que a maioria, é uma máquina que combina com ele: sólida, perigosa, construída para o comando. Sua mão roça o guidão, mas ele não monta. Em vez disso, com o maxilar travado, ele vasculha as sombras da noite, com uma meia-lua iluminando o céu. Em algum lugar lá fora, uma mulher está trancada, preocupada com sua filha. Ele a encontraria. Ou queimaria o mundo tentando.
Sentindo os outros atrás dele, ele gira para encará-los, lendo a mesma raiva e determinação em suas posturas.
“Qual é o plano, Stone?”
“Não tenho certeza. Considerando o quão longe fica a sede da alcateia, não sabemos quanto tempo a menina levou para chegar aqui. Ou se o número que ela nos deu está correto.” Stone pega o telefone e pesquisa o endereço, notando que fica a cerca de cinco quilômetros deles. “De acordo com isso, tem uma casa a uns oito minutos daqui. Porra, isso significa que a menina está andando há pelo menos duas horas.”
“Ela disse que a mãe a empurrou pela janela”, Fang resmunga. “Como diabos ela conseguiu chegar aqui descalça?”
Tank solta um assobio baixo. “A garota é durona. Pés sangrando, morrendo de medo, e ainda assim nos achou.”
“Ela me achou”, Stone corrige, passando a mão pelo guidão da moto. “Isso significa que a casa não fica longe, mas com o tempo de percurso dela, é possível que o velho já tenha voltado, e estaremos entrando direto num ninho de vespas.”
“Vamos torcer para que ele não esteja.”
“Se ele estiver, precisamos pisar em ovos. Eu vou abordar primeiro. Se houver um carro na entrada, vou clicar no alarme duas vezes. Dois sinais rápidos, o suficiente para vocês, mas não para quem estiver na casa. Se, por algum motivo, ele sair, vou inventar uma desculpa para o meu motivo de estar lá. Endereço errado ou algo assim. Estacionem as motos ao longo da estrada e entrem como lobos. Sigam o rastro da garota se puderem. Encontrem a janela, porque talvez precisemos voltar. Se não, me sigam. Rogue, você abre as fechaduras, Tank e eu entraremos para encontrá-la. Fang, você fica de vigia. O mesmo para você. Dois sinais rápidos se um carro parecer que vai entrar na garagem.”
“Entendido, Stone.”
Stone alcança a moto ao lado dele e pega o capacete, guardando-o no alforje, sabendo que sua irmã não se importará que ele o pegue emprestado. Colocando o seu, ele passa a perna por cima e se ajeita na moto.
“Vamos nessa.” Ele tira a chave e liga o motor, sentindo a máquina roncar sob seu toque, como se sentisse a tempestade se formando. Ele guia a moto para fora do estacionamento e entra na estrada principal, em direção à casa de campo, respirando fundo o ar fresco e frio, sentindo o vento no rosto.
Os outros montam e se enfileiram atrás dele, cada um trocando um olhar enquanto seguem seu Alfa em direção ao desconhecido.
Stone encontra o endereço na lateral de uma caixa de correio de metal antiga, que já viu dias melhores. Virando a moto para a estrada de terra, reduzindo a marcha para um ronco baixo. Após duzentos metros, ele avista a casa de campo no centro dos campos, cercada por árvores. Ele resmunga baixinho, a raiva inundando-o mais uma vez pelo que a criança teve que passar para encontrá-los.