Escola dos Mortos

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Resumo

Quando Erin sobrevive a um trágico acidente de carro que mata seus pais, ela precisa lidar com o luto enquanto sua tia não lhe oferece qualquer afeto. Em vez disso, ela envia Erin para um internato. Com a passagem na mão, Erin embarca em um ônibus incomum, sem saber que seu destino é um lugar de onde ela jamais poderá sair. O Internato Ravenwood é uma escola para os mortos e para os seres indesejados do mundo sobrenatural. Um lugar onde Erin Moore não deveria estar. Sua natureza humana terá que desviar de presas e garras nesta jornada para sobreviver ao último ano — e descobrir quem ela realmente é.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
4.8 29 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Erin

Minha tia Mabel me arrasta até o lugar que ela chama de meu quarto. É um cômodo pequeno e sem graça, comparado ao luxo que eles têm aqui. “Arrume suas malas. Você vai para um internato amanhã.”

A porta bate e eu desabo na cama, com as lágrimas já rolando. Faz mal um mês que mamãe e papai sofreram aquele acidente de carro fatal, e os corpos deles mal esfriaram na cova. Agora, virei um fardo para minha tia detestável.

Eu a ouço falar com alguém ao telefone. Ela mal pode esperar para se livrar de mim, usando o dinheiro que meus pais deixaram para pagar meus estudos. Pelo menos, se eu conseguir terminar este último ano do ensino médio, poderei ficar longe dela para sempre.

Eu nunca gostei da minha tia, nem me dei bem com ela nas poucas vezes que nos vimos. Mas isso é uma tortura, ter que morar com ela. Tudo o que fazia parte da minha vida agora sumiu. Meus amigos, escola, casa, pais. Estou morando em outro estado com essa minha tia vagabunda.

A velha mala de couro marrom cabe todas as minhas roupas — no limite. Deixo de fora algumas coisas para usar nas próximas doze horas. Com apenas a TV como companhia, deito na minha cama e fico assistindo a umas bobagens.

Vou pela casa até a cozinha, onde encontro algo para comer. Durante o último mês aqui, aprendi a ficar longe do caminho dela até que ela suma na ala dela da casa. Às vezes, ela reclama da comida que falta, mas o que ela espera? Que eu não coma?

Quando o dia seguinte chega, ela aparece com um sorriso no rosto, um que eu adoraria apagar um dia. “O motorista vai deixar você na rodoviária. Aqui está sua passagem.”

“Só isso? Para onde estou indo?” Ela não disse nada sobre que tipo de escola é essa.

“Está tudo na passagem.” Ela faz um som de desdém. “Vá embora. O que está esperando?” Ela me enxota com a mão.

Pego minha mala, coloco ao meu lado no carro e mantenho a cabeça erguida. Não houve despedida, nem um "até logo". É um "não vou voltar" — não que eu quisesse, de qualquer forma.

A viagem é longa e silenciosa, com a vasta paisagem passando como um filme mudo. Para onde raios ele está me levando? Quando ele para em frente a um pequeno prédio de tijolos com um ponto de ônibus, ele abre minha porta e diz que é ali que eu devo descer.

Certo, então. Seguro minha mala e mordo o lábio inferior. “Tem certeza de que este é o ponto certo?” Sinto um frio na barriga. Normalmente não fico nervosa, mas este lugar me faz sentir que não devia estar aqui.

Ele me faz um sinal de positivo com a cabeça, entra no carro e vai embora. Empurro a porta do prédio e encontro um balcão de informações. Finalmente, sinal de vida.

“Pode me dizer quando meu ônibus chega? Não tem horário na passagem.” Entrego o papel. A pessoa pega, olha, depois assente, apontando para a porta por onde acabei de entrar. “Ok, obrigada,” digo, e volto para o lado de fora depois de pegar minha passagem de volta.

Ninguém fala mais nada por aqui? Com um suspiro, sento a bunda no banco e sinto a parede de tijolos áspera contra minhas costas. Estou no meio do nada e não tenho celular porque aquela tia desgraçada quebrou o meu. Abraço meu corpo e fecho os olhos. É isso. Vou morrer aqui fora.

Quando ouço um zumbido à distância, abro os olhos e coloco a mão em teste, forçando a vista para ver o que vem vindo. Um ônibus aparece e, graças a Deus, não vou passar a noite inteira aqui fora.

Ele para e eu fico de pé, agarrando minha passagem. Esta é minha saída daqui. As janelas escuras criam um ar de mistério, mas o ônibus exala uma aura de luxo. A porta abre com um chiado e eu dou um passo atrás.

“Passagem, por favor,” o motorista rosnou baixo.

Ótimo, um motorista de mau humor. Isso vai ser divertido — só que não. Reviro os olhos, subo os degraus arrastando os pés e entrego a passagem. Ele faz uma careta, com o canto da boca caído enquanto me devolve o papel.

“No banco de trás, e não se mexa.” É o que ele diz, e as portas fecham com um chiado.

Caminho pelo corredor e dou uma olhada nos bancos conforme passo por eles. Não há uma alma viva aqui. Será que sou a primeira a embarcar? Coloquei minha mala no bagageiro acima dos bancos lá no fundo. Ele disse "banco de trás", mas não um número específico. Sento-me no meio para poder ver quem entra na próxima parada — se é que vai ter alguma.

As janelas são tão escuras que mal consigo ver o lado de fora. Isso é tão estranho. Há um zumbido baixo de um rádio ou algo assim, mas a sensação é esquisita, como se eu não devesse estar aqui.

Depois de um tempo, o ônibus diminui a velocidade e para. Sento-me ereta e observo atentamente enquanto as portas se abrem e alguém embarca. Um cheiro de mofo invade o ônibus quando o estranho misterioso sobe.

Alto, musculoso e, nossa, muito bonito. Ele joga o cabelo castanho escuro para trás enquanto se vira e caminha pelo corredor. Olhos verdes escuros encontram os meus, e ele trava por um segundo. Ele franze o nariz como se estivesse farejando o ar. Que diabos ele está fazendo? Um rosnado baixo sai da garganta dele enquanto ele continua vindo na minha direção.

Ele para na minha frente, faz uma careta e resmunga algo baixinho enquanto coloca a mala no bagageiro.

“Qual é o seu problema?” sussurro, mas soa como um sibilo. Não saí de uma casa de merda para ser tratada feito lixo aqui também.

“Você não deveria estar aqui,” ele rosna.

“Bem, pelo menos você fala. Diferente de todo mundo que encontrei até agora. Qual é o seu nome?” É melhor tentar ser amigável se vamos para o mesmo lugar.

Ele senta em um banco na minha frente, vira-se e seu olhar permanece no meu rosto. “Eu manteria essa boquinha fechada, caso contrário você vai se meter em problemas.”

“Todo mundo que entra neste ônibus é mal-humorado que nem você?” Nossa, ele é realmente muito bonito. Pena que é um babaca.

Ele resmunga e balança a cabeça, olhando para frente. “Você vai estar morta antes de chegar,” ele murmura baixo.

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