Capítulo 1 - Decisão
"Lila, por favor... amor, não faz isso.
Por favor, só... só me ama."
Vou cuidar de você pra sempre. Vou casar com você, te dar a porra da casa mais linda... vou... vou te dar uma família, Lila. Podemos ter filhos, bebês, qualquer coisa que você quiser, juro, só... só fica."
O apelo quebrado de Tyler paira no ar salgado do mar, envolvendo-me, penetrando nos meus ossos. Meu coração bate descompassado, um ritmo frenético que vibra por todo o meu corpo.
Eu me afasto só o suficiente para olhar para ele sob o céu escuro. O luar reflete em suas lágrimas, roubando meu fôlego, esmagando meu coração de um jeito que nunca senti antes.
Esse homem, esse homem lindo, perigoso, confiante, está se despedaçando bem na minha frente. E por um instante, não consigo respirar. Não consigo falar. Um lampejo de vergonha cruza seu rosto, como se ele se arrependesse de me deixar vê-lo assim. Mas antes que ele possa se virar, antes que consiga se recompor, eu me inclino e esmago meus lábios nos dele.
Ele hesita por um segundo, soltando um suspiro trêmulo, quase uma risada, antes de ceder. Antes de me beijar de volta.
É imprudente. Desesperado. Selvagem. Mas não me importo. Eu o beijo com tudo o que tenho, cada gota de afeto, cada promessa não dita. Suas mãos passam dos meus ombros para o meu rosto, segurando-me enquanto aprofunda o beijo, puxando-me para mais perto, como se eu pudesse escapar.
Eu me afasto só o suficiente para sussurrar contra seus lábios, minha voz tremendo entre as lágrimas.
"Tá tudo bem... me desculpa", sussurro, meus lábios roçando nos dele. "Estou aqui, Tyler. Estou aqui."
Nesse momento, vejo tudo, toda a dor dele, todo o trauma que carregou por tanto tempo. Cada vez que alguém o abandonou, o decepcionou, fez com que se sentisse insuficiente. E agora, tudo isso desaba sobre ele, cru e incontrolável.
Meu coração se parte.
Sem hesitar, agarro sua camisa, os dedos enroscados no tecido enquanto o puxo para mim. Deito-me de costas no cobertor e o guio para baixo comigo. Espero que ele resista, que tente se recompor, mas ele não faz isso.
Ele não luta.
Passo os braços por baixo dele, envolvendo-o, puxando-o contra mim. Seu corpo está rígido no início, tão tenso, tão travado, mas então ele exala, estremecendo contra mim, e se derrete no meu abraço. Sua bochecha pressiona meu peito, bem em cima do meu coração acelerado, e sinto o momento em que ele se entrega.
Acaricio o topo de sua cabeça, apertando os braços ao redor dele, segurando-o bem perto.
"Tá tudo bem, shh... estou aqui. Te seguro", sussurro, a voz trêmula de emoção.
Fecho os olhos com força, libero um braço e pressiono a palma da mão em sua bochecha, acariciando suavemente, mantendo-o ali, contra mim, contra o meu calor.
"Shh", acalmo, mexendo-me só o suficiente para entrelaçar minhas pernas nas dele, ancorando-o a mim, garantindo que ele sinta, que me sinta.
Não vou soltar.
"Me desculpa, Lila... sinto muito por te machucar. Sinto muito por ter sido egoísta, por ter te afastado da sua família."
Sua voz está destruída, cada palavra se desfazendo em dor crua e sem filtro.
Aperto-o com mais força, a garganta se fechando, engasgada com as palavras que quero dizer, mas nada sai. Só consigo segurá-lo, meu corpo tremendo enquanto ele solta um soluço trêmulo. Ele tenta engolir, tenta forçar de volta, enterrar onde ninguém possa ver. Mas eu não quero que faça isso.
"Tyler", soluço entre lágrimas, a voz falhando. "Você está seguro. Te seguro. Por favor, só respira."
Pressiono beijos desesperados em seu cabelo, meus lábios roçando o calor de sua pele, precisando que ele sinta, que saiba que é verdade. Que estou aqui, de corpo e alma.
Quero tirar toda a dor dele.
Quero abraçar a criança dentro dele, aquela que nunca se sentiu segura, nunca se sentiu amada. Quero consertar cada pedaço quebrado do seu coração.
Meus dedos se enroscam em seu cabelo, acariciando devagar, repetidamente, longas e suaves, incentivando-o a relaxar, a respirar comigo. A sentir a segurança que estou tentando dar a ele com tanto empenho.
"Respira comigo", sussurro em sua têmpora, os lábios mal se movendo.
Forço minhas próprias lágrimas a diminuírem, meu coração acelerado a se acalmar. E ele faz isso. Segue meu ritmo, puxando um suspiro trêmulo, depois outro, até que as últimas lágrimas cessam. Seus braços se apertam ao meu redor.
Parece surreal, como um sonho febril, como algo escorregando entre os dedos.
Isso não pode ser real.
Tyler nunca vacilou. Nunca perdeu a confiança. Mas isso, isso é um homem empurrado ao limite. Um homem lutando, se agarrando, desesperado para segurar alguém que não vai soltá-lo.
Para me segurar.
Pela primeira vez desde que saí de casa, uma calma silenciosa se instala no fundo da minha alma. Um sentimento que não consigo explicar, como se, talvez, talvez, isso não seja algo de que eu precise fugir. Como se, talvez, isso não precise terminar em desastre.
Não para ele.
Não para nós.
Sei que é imprudente. Perigoso. Ingênuo. É o tipo de escolha sobre a qual as pessoas te alertam, o tipo que não faz sentido no papel.
Minha mãe nunca entenderia, jamais entenderia. Mas algo dentro de mim, algo enterrado no fundo mais profundo, está me implorando para ficar. Para escolhê-lo. Para aceitar isso.
Aos poucos, sinto-o amolecer contra mim. O peso da sua tristeza, do seu medo, se desenrolando devagar enquanto sua respiração se acalma. A tensão rígida em seu corpo cede, e deixo meus dedos pararem em seu cabelo, descansando levemente sobre ele enquanto adormece.
Não me mexo.
Fico só deitada ali, escutando.
O som distante das ondas quebrando na praia. O canto dos grilos em algum lugar na escuridão. A brisa sussurrando pelo ar da noite.
E, por baixo de tudo, o ritmo constante da sua respiração.
Um som em que nunca esperei encontrar conforto. Um som sem o qual não tenho certeza se consigo viver.
Posso ser jovem, ingênua, imprudentemente irresponsável. Mas sei que isso é só um momento no tempo, uma brecha na armadura dele que talvez eu nunca mais veja. Um vislumbre fugaz do menino por trás do monstro. E quando o sol nascer, quando o peso desta noite se instalar em seus ossos, sei que ele não vai se permitir ser fraco assim de novo.
Mas hoje à noite?
Hoje à noite, ele é meu.
E eu sou dele.
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