1. Uma Tempestade no Horizonte
“Só precisa ser uma noite, Caden.” Os lábios de Roman se curvaram com uma sugestão brincalhona que fez o estômago de Caden revirar de expectativa. “Mas vamos fazer valer a pena, certo?”
Como, como Caden tinha acabado nesta situação, olhando por cima da caneca de cerveja com sangue seco sob as unhas, sentado em um bar caindo aos pedaços encarando o homem dos seus sonhos, você pode se perguntar?
Só Deus sabia.
Ele não esperava encontrar ninguém que valesse a pena em New Hudson.
Na verdade, Caden tinha vindo especificamente para este lugar para garantir que ninguém interessante tentasse se aproximar dele por qualquer motivo. Ele queria sua solidão e relaxar depois de uma noite de extermínio dos diabos.
Seu corpo doía por ter sido jogado contra uma parede, ele estava salpicado de sangue e, apesar de lavar as mãos três vezes, só um banho o livraria daquela crosta cor de ocre que manchava todos os seus cantos e recantos expostos.
Um ninho de cinco vampiros Fledgling recém-formados não era tão intenso quanto algumas missões que ele já tinha feito, mas quando você está sozinho no meio de um cemitério, enfrentando três monstros a mais do que o esperado prontos para arrancar sua cara, Caden estava sentindo o peso daquela noite.
No entanto, ele estava perdido com essa situação.
Eram duas da manhã, o bar estava fechando e ele tinha uma hora e meia de viagem de volta ao Hangar 634. Ele ainda precisava registrar seu relatório, conversar com seu superior, Russell, receber bênçãos sagradas do Padre Donovan, tomar um banho, dormir, apenas para repetir tudo na noite seguinte.
Quem sabia o que seria aquela próxima merda de show?
Fadas da floresta rebeldes?
Orcs bandidos procurados por assassinato?
Talvez outro ninho de vampiros sem-teto ou algum outro bicho rastejante com intenção de devorar a comunidade de New Hudson.
Era tudo a mesma coisa quando as ordens vinham de Russell e dos chefões, e Caden era apenas uma engrenagem em uma máquina interminável lutando uma batalha árdua.
Ele tinha vinte e cinco anos, mas cada vez mais pensava que estaria pronto para se aposentar mais cedo ou mais tarde, especialmente pelo jeito que vinha se sentindo ultimamente.
Na verdade, era nisso que ele estava pensando antes de Roman Rossi aparecer naquele bar decadente cerca de duas horas antes, enquanto Caden tentava se esconder da sua própria vida por um pouco mais de tempo.
O homem foi um destaque imediato e capturou os olhos cansados de Caden, fazendo-o olhar duas vezes quando a porta se abriu.
Ele também estava sozinho, com os cabelos escuros encharcados pela tempestade que caía lá fora em cortinas torrenciais. Parecia que ele tinha bagunçado as mechas escuras, pesadas de água, com dedos impacientes antes de entrar, mas não foi apenas o rosto do homem que chamou a atenção de Caden, embora fosse um belo rosto.
Não, tinha sido algum tipo de mistério, talvez? Alguma atração palpável de energia que precedia o ar ao seu redor, como se ele se movesse em sua própria bolha de puro carisma. Qualquer um que ainda estivesse no bar também olhou e piscou, como se tivessem sentido o mesmo magnetismo emanando do sujeito.
Ele era alto, um metro e oitenta, e bem-construído sob sua jaqueta de couro escura e camiseta térmica cinza. Seus jeans azuis desbotados estavam bem ajustados sobre as coxas e quadris, apertados por um cinto preto, e suas botas de trabalho pareciam mais novas, mas ainda assim agradavelmente usadas, como se ele estivesse prestes a deixá-las confortáveis.
Suas feições eram fortes, masculinas, com maçãs do rosto altas e um maxilar quadrado. Esse último poderia parecer duro, mas era suavizado por lábios naturalmente curvados e uma elegância exótica em seus olhos escuros e profundos que dava um novo significado ao termo “sedutor”.
Mas foi a cor daqueles olhos de cílios longos que prendeu Caden.
Verdes. Um verde-jade verdadeiro, com um anel cinza escuro que abraçava as íris e tornava a cor arrebatadora. Caden sentiu imediatamente o desejo de olhar dentro daquela profundidade rica, perder-se na perfeição daquela floresta e examinar o tom até que o homem o afastasse com irritação.
Foi assustador, e Caden desviou o olhar apressadamente quando viu o sujeito olhar em volta, com o coração batendo forte devido a um sobressalto de desconforto enquanto girava ansiosamente seu segundo copo de Pale Ale entre as mãos.
Ele estava mais do que ciente do sujeito quando ele sacudiu a água do cabelo e lançou um sorriso para o barman antes de caminhar até o balcão.
“Ei, Mal, o que manda, cara?”
Como se o destino estivesse conspirando, Caden se preparou e girou o copo com mais força quando o estranho sentou no banco ao lado dele. Para ser justo, ainda havia muita gente ali, e era aquilo ou sentar perto da porta fria.
O barman era um sujeito com cara de ogro, talvez até metade daquela linhagem, com um rosto achatado, pele levemente acinzentada e um pouco caído. Ele era grande, com mais de um metro e oitenta, construído como um tijolo, com uma carranca permanente que o fazia parecer bastante inacessível.
No entanto, ele sorriu para o recém-chegado, com seus olhos cinzentos e esfumaçados se enrugando agradavelmente. “Oi, Rome. Não te vejo faz tempo. Vai de sempre?”
A boca de Rome se curvou quando ele assentiu. Aquele conjunto sensual de lábios era tão distrativo que Caden percebeu que estava encarando exatamente no momento em que aqueles olhos verdes se voltaram para ele com curiosidade.
Ele corou e olhou rapidamente para frente, com o estômago revirando de nervosismo por ter sido pego no flagra, mas, porra, aquele homem era simplesmente um destruidor de libido.
Caden perdeu o pequeno sorriso que se curvou um pouco mais alto durante sua manobra de desviar o olhar, antes de pegar o telefone rapidamente e abrir as mensagens.
Ele tinha algumas esperando: Sage perguntando se ele tinha saído vivo do cemitério, ele abriu a conversa com Jared e encontrou seu irmão bruto radiante com uma cabeça decepada de Vampiro em um punho, e uma legenda que dizia: -Pegamos quatro, como você se saiu?-
Jared estava saindo com seu outro irmão, Danny, e, para Caden, aquilo era trapaça, pura e simples.
Caden teve que conter o riso, erguer uma sobrancelha e responder rapidamente: -Engraçado que vocês dois são maiores que eu, e eu ainda dei uma surra nos dois. Cinco, Kitten. Eu ganhei-
Ele enviou a mensagem e guardou o celular a tempo de ver Mal se aproximar com, de todas as coisas, uma taça de vinho delicada em sua mão robusta. Dentro, parecia haver um vinho branco cristalino com reflexos gelados.
Mal colocou a taça na frente do monumento ao lado dele, e Caden não conseguiu esconder a expressão de humor divertido quando o cara a pegou com dedos longos e disse: “Abre uma conta para mim, pode ser?”
Mal assentiu, e não passou nem um segundo antes do sujeito virar o rosto totalmente para Caden, com os olhos se enrugando de bom humor. “Não me julgue.”
Caden puxou o lábio inferior, sentindo as bochechas esquentarem com a provocação, mas olhou de forma brincalhona para a taça e de volta para o rosto dele. “Eu tinha te achado com cara de quem pede um bourbon com gelo, imagino.”
Ele riu, e o som foi rico, profundo, e vibrou em seu peito como o zumbido de um violoncelo enquanto ele segurava a taça de haste longa como se estivesse em profunda contemplação. “Gosto da mentira barata disso. Me faz parecer refinado; enquanto isso, custa três dólares o galão.”
Caden riu alto antes que pudesse se conter e, pela primeira vez em muito tempo, descobriu um estranho que não o fazia querer sair correndo por sua vida.
Não era pessoal, apenas meio que… necessário. Ele não tinha a chance de fazer amigos facilmente, e seu tipo de trabalho e estilo de vida não eram muito propícios a casos triviais ou mesmo relacionamentos de longo prazo de qualquer tipo.
Era mais fácil evitar tudo isso, manter o que ele conhecia — não importava o quanto isso o estivesse deixando amargurado ultimamente.
Ainda assim, esse cara estava meio que chamando seu nome esta noite, e ele não saberia dizer por quê.
“Hum, bem, eu gostei do visual em você.” Ele sorriu alegremente quando aqueles olhos verdes se enrugaram para ele. “É digno, e a gente não vê muita dignidade em New Hudson com frequência, né?”
“Com certeza.” Ele se virou no banco e ofereceu uma mão grande. “Roman Rossi.”
“Eu sou Caden Smith. Italiano?” Caden sorriu e podia ver isso naquele nariz forte, nas pálpebras pesadas e na coloração um pouco mais escura. Siciliano, talvez?
“Algo assim.” Roman acenou com a mão antes de virar metade da taça e oferecer um sorriso caloroso ao retomar sua mão. “Prazer em te conhecer. Você parece alguém que tem uma boa história.”
Caden piscou para ele e depois caiu na risada com aquele comentário bizarro. Ele estava sorrindo e corado quando fez um gesto com a mão, confuso. “Eu? Por que você acharia isso?”
Roman mordeu a bochecha por dentro e o examinou com um olhar subitamente crítico. Isso fez Caden se contorcer e querer rir de nervoso, como se tivesse catorze anos de novo ou algo assim. “Bem, você tem sangue nas mãos, um porte velado sob o casaco e suas botas estão cobertas de lama até o tornozelo.”
Caden olhou para suas botas surradas quase com culpa e coçou a nuca, prendendo os lábios enquanto tentava conter uma risada sem jeito.
“Mas você não parece estar fugindo, já que está aqui, sentado à toa no bar, então,” Roman deu de ombros, mas seus olhos brilhavam com bom humor. “Sinto que você é um homem com uma história de vida interessante para compartilhar.”
Caden riu em resignação impotente e fez um gesto com a mão. “Quer dizer, eu poderia estar fugindo. Talvez seja por isso que estou aqui em Brunswicky, né?” Ele olhou ao redor, apontando para o cenário decadente do bar que ambos ocupavam. “Este parece um lugar perfeito para se esconder.”
“Muito óbvio.” Roman inclinou-se para frente de forma conspiratória, e o movimento fez todos os pelos do corpo de Caden se arrepiarem com uma consciência embriagante. “Além disso, este seria o primeiro lugar que eu procuraria um criminoso. Você estaria melhor indo para o Hilton em Tinsy.”
Caden quase precisou pressionar o copo contra o rosto para se refrescar.
A simples proximidade do cara era quase abrasadora. Estava claro que Roman estava tentando tirá-lo de sua zona de conforto.
“Isso exige mais sutileza do que eu jamais tive.” Ele olhou para baixo e não pôde deixar de ficar um pouco surpreso ao ver o vislumbre de uma arma sob o casaco do homem. Foi tão surpreendente que ele rapidamente voltou a olhá-lo nos olhos e perguntou: “Você é policial?”
Aqueles olhos verdes se enrugaram de um jeito quase malicioso. “Não. Eu conto os meus se você contar os seus.”
Caden sentiu-se quase tonto, subitamente intrigado com o homem alto, sombrio e bem armado. Mais do que estava cinco segundos atrás.
Ele nunca, jamais contava a ninguém o que fazia. Não porque fosse um crime, ou algum grande segredo, mas porque geralmente isso assustava as pessoas normais.
Era muito novo em sua vida conhecer alguém e ter vontade compulsiva de responder às perguntas. Algo lhe dizia que Roman talvez não ficasse tão chocado com aquilo. “Hum, eu sou um Caçador da New Mission Church of God.”
Ele se preparou e prendeu a respiração, esperando o escárnio e o olhar de desprezo que muitas pessoas lançavam quando descobriam o que ele fazia da vida.
Não era tanto pelo trabalho, mas sim pelo homem que o fazia erguer as sobrancelhas e dar aquele sorrisinho, como se ele fosse uma criança fofa vivendo em um mundo de fantasia.
Caden sabia o porquê. Simplesmente, à primeira vista, ele não era o tipo de homem que se esperava ser capaz de realizar aquele trabalho.
Para começar, ele era bem franzino, com um metro e setenta e cinco, magro e com traços angelicais, cara de bom moço. Ele tinha olhos azuis grandes, que faziam parecer que ele deveria estar piscando para alguém em uma boate, tentando fisgar um Sugar Daddy. Ele já tinha sido chamado de “bonitinho”, “fofo”, “adorável”, “feminino” e uma infinidade de outros adjetivos que não inspiravam confiança de que ele pudesse sair a campo com os melhores assassinos do mercado e fazer alguma diferença.
Ele, no entanto, era um candidato perfeito. Caden tinha motivação, tinha o conjunto de habilidades e, mais importante, tinha imunidade natural a Vamps e outras criaturas sobrenaturais que mexiam com o mesmo tipo de magia.
É verdade, ele era uma merda quando se tratava de Fae ou qualquer criatura naturalmente sobrenatural. Ele não tinha força bruta para caçar Orcs ou Trolls, ou sair em cruzadas contra Dragões — embora poucos fizessem isso —, mas Vamps, espectros, bruxos rebeldes e feiticeiros sedentos por poder eram a especialidade de Caden, e ele devia tudo isso à sua linhagem.
Sangue Dourado, ou Tipo Um RH-nulo, e Caden era uma das apenas cinco pessoas documentadas em todos os Estados Unidos que o possuíam.
Não era tão divertido quanto parecia.
Ele não mencionou isso a Roman, no entanto. Deus sabia que os Sangue Dourado eram tão cobiçados por alguns monstros que fazer propaganda disso era burrice. Nunca para estranhos, e especialmente nunca para um estranho que ele conheceu em um bar de quinta categoria.
No entanto, ele ficou realmente surpreso ao ver que Roman não zombou nem o olhou com choque. Em vez disso, sua sobrancelha se ergueu, como se aquilo fosse intrigante, antes de ele examiná-lo com uma nova avaliação e apontar com o copo para a mão de Caden. “Sangue?”
“Vamps.” Caden ficou subitamente nervoso, mas não de um jeito ruim. Ele estava mais para alguém um pouco encantado com aquela resposta surpreendente e, principalmente, com a energia daquele homem. Ele também ficou muito intrigado com Roman Rossi e, lá no fundo, sentiu gratidão pela falta de descrença debochada.
“Coisas irritantes, né?” Roman riu e tomou um gole de sua bebida antes de abrir um sorriso. “Eu trabalho por conta própria. Trabalho de mercenário, coisas de detetive particular. Muitas vezes, pessoas em cargos altos me contratam para execuções de, digamos...” Ele fez um gesto com a mão, mas seus olhos estavam focados, diretos nos de Caden, intensos, como se soubesse que Caden entenderia do que ele estava falando. “Indivíduos problemáticos.”
Caden entendeu perfeitamente.
Em casa, ele morava com cerca de vinte pessoas exatamente como Roman, excluindo seus irmãos e sua única irmã. Tecnicamente, os caçadores de elite da igreja eram chamados de Cruzados da New Mission. Na vida real, eles eram assassinos e forças especiais, assim como ele, só que sem a vantagem do sangue especial e, aparentemente, iguais a este freelancer no banco do bar ao lado dele.
“Eu entendo.” Caden engoliu o coração batendo forte e olhou para a arma de Roman. “O que você usa?”
Roman deu um sorrisinho de leve, e Caden ficou um pouco surpreso quando o homem puxou sua arma sem pestanejar. Caden olhou em volta do bar, mas, com certeza, nenhum homem ali se deu ao trabalho de parecer preocupado com mais um cara armado naquela parte da cidade.
Tinha que amar Brunswicky.
Roman estendeu a arma, e Caden arregalou um pouco os olhos com admiração ao pegar o armamento pesado dele.
Era linda, banhada a cobre com um cabo preto ambidestro. Caden quase sentiu um suor frio e um frio na barriga quando viu a marca Sand Viper gravada em uma fonte elegante e inclinada ao longo do cano. A mira SRO era uma beleza, modificada para visão noturna, para completar. Era uma arma que poderia arrancar a cabeça de alguém de cinco a cinquenta metros, tão suavemente quanto manteiga escorregando de um prato.
Linda, ela estava gravada com filigranas personalizadas decorando o topo do cano, e teria sido uma peça cara mesmo sem todos os acessórios extras.
Caden soltou um suspiro impressionado e não pôde deixar de baixá-la entre as coxas para olhar através daquela mira incrível. “Isso é lindo.”
Roman assentiu, mas observava os cílios longos e baixos de Caden quando concordou. “É, sim.”
Com aquele tom estranhamente íntimo, Caden olhou por baixo das sobrancelhas e encontrou aqueles olhos examinando seu rosto de forma distraída antes de Roman piscar e oferecer um sorriso mais neutro. Mas Caden, com certeza, não tinha deixado passar aquele olhar pesado de quem estava interessado.
Ainda assim, Roman olhou para a arma e continuou a descrição. “Haste do percutor em titânio, gatilho de cerca de um quilo, ferrolho estendido e retém de carregador ampliado.” Ele parecia muito carinhoso quando Caden a devolveu e a encaixou de volta sob o braço. “Ela faz o trabalho, mas sou vaidoso o suficiente para querer que fosse bonita também.”
Caden deu uma risadinha, e o som abrupto saindo de sua própria boca o chocou visivelmente, o suficiente para Roman sorrir abertamente com o som e a expressão.
Caden tossiu imediatamente para conter a risada, limpou a garganta, mas não conseguiu esconder o prazer crescente em seus olhos. “É deslumbrante. Eu prefiro modelos menores.” Ele apontou para seus dedos e mãos bem mais finos e delicados. “Não consigo lidar facilmente com uma Desert Eagle ou algo do tipo, dane-se a empunhadura com as duas mãos. Gosto de uma Hellcat Pro, ou se quiser ser discreto, vou de P365 modificada.”
Caden se animou com o pensamento, olhou em volta novamente e sacou sua própria pistola — de fato, um modelo Hellcat de tamanho médio mais elegante —, soltou o carregador, guardou a arma e tirou uma bala do pente.
Ele a passou para o curioso Roman e sorriu de forma um pouco tímida. “Notou alguma coisa nela?”
Roman o fez cair na risada quando suspirou, colocou óculos imaginários, apertou os olhos e fez uma cena colocando a bala contra a luz. Caden também não deixou passar o sorrisinho brincando nos lábios dele, e teve a revelação de que aquilo era, de certa forma, divertido, não era?
“Ponta oca, parece uma Federal Punch?” Roman olhou para os olhos azuis brilhantes de Caden e não conseguiu conter o sorriso ao ver o homem se remexer feliz no banco. “Cento e vinte e quatro grains?”
Caden assentiu, mas inclinou-se enquanto examinava a pequena beleza. “Sim, mas o que você vê?”
Roman olhou para ele, mas inspecionou com olhos mais perspicazes e teve que rir ao perceber ali, na cavidade oca da própria bala, uma pequena cruz gravada. “Matadora de Vamps?”
“Matadora de Vamps.” Caden confirmou, tão entusiasmado que fez Roman rir. Ele aceitou a munição de volta e sorriu radiante. “Especial da Igreja, cada uma abençoada pelo próprio Padre, e a cruz... bom, é só para enfeite, mas nos ajuda na hora de selecionar a munição para saber o que já foi pré-abençoado ou não.”
“New Mission Church, hein?” Roman deu a ele um sorriso confuso e viu os olhos de Caden caírem timidamente antes que o homem colocasse a bala de volta no carregador e a guardasse no bolso. Que reviravolta maluca, de fato. “Você não me parece o tipo soldado.”
Caden olhou para cima, e sua hesitação era visível antes de rir suavemente e balançar a cabeça, com seus cabelos loiros ondulados e bagunçados. “Quer dizer, meio que sim?” Ele se recostou e pegou sua cerveja de volta. “Estou na comunidade desde criança, então acho que é mais um chamado do que uma escolha de carreira, talvez?”
Os olhos de Roman estavam quase afiados nele, como se ele estivesse tentando ler nas entrelinhas. Isso era um pouco preocupante, considerando que havia muitas entrelinhas para se ler.
Caden, porém, ignorou e apontou para o copo quase vazio do homem. “Posso te pagar outra?”
Roman se ajeitou e, após um momento, assentiu. “Eu adoraria.”
Caden também.
Ele não sabia o porquê, mas aqueles olhos verdes intensos estavam o devorando vivo; a atração neles era quase magnética. Tudo em Roman era, e o fato de ele estar, de forma chocante, no mesmo ramo de trabalho que Caden era quase um milagre por si só.
Caden tentou conter seus nervos subitamente agitados, torceu para não estar interpretando mal aquela química súbita e tentou não pensar nas possíveis consequências enquanto chamava Mal novamente.
Lá fora, a chuva intensificou sua vingança, o vento batia nas laterais do prédio e as luzes piscavam no bar escuro. Era como um sussurro de aviso do mundo, lembrando Caden de que sua vida sempre fora uma grande tempestade sombria. Que aquilo não deveria acontecer com ele, e que, em hipótese alguma, as coisas seriam flores em sua vida.
Curiosamente, ele olhou para o lado, sorriu para Roman Rossi e, de repente, não deu a mínima para o que o mundo estava tentando lhe dizer.









Do we read this book first or the other or is there a book before this one. I saw your note but I couldnt find a prequel called blood bank . Kind of confused
wow im loving this book. I want so much for Roman and Cade. Feels some mystery about
Welp I'm settled in for the ride 👀👀👀 Loving Cade's internal monologue so far