Provocação

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Resumo

Roxie é uma mulher que conhece o valor exato de cada movimento seu. Como dançarina particular de alto nível, ela transformou seu talento em uma carreira lucrativa, dominando tanto o palco quanto o preço cobrado. Ela nunca pediu desculpas por amar a riqueza que seu trabalho lhe proporciona — até que uma matriarca influente a aborda com uma proposta que soa mais como uma aposta do que como um trabalho. A mulher oferece a Roxie uma pequena fortuna por uma tarefa específica: provocar seu neto, Enzo Villafuerte, para que ele recupere sua vontade de andar. Após um evento que mudou sua vida, Enzo se refugiou no silêncio de sua cadeira de rodas, aparentemente satisfeito em deixar o mundo passar sem ele. A hesitação profissional de Roxie desaparece no momento em que ela o conhece. Melancólico, perspicaz e intensamente masculino, Enzo desperta nela um calor primitivo para o qual ela não estava preparada. Para Roxie, parece o golpe perfeito — um pagamento enorme e a chance de estar perto de um homem que assombra seus pensamentos desde o primeiro olhar. Mas, à medida que ela inicia a dança provocativa de levar Enzo ao seu limite, Roxie percebe que a missão é muito mais perigosa do que ela previa. Ela foi contratada para ajudá-lo a ficar de pé, mas pode ser ela quem vai cair no processo.

Status
Completo
Capítulos
17
Classificação
5.0 7 avaliações
Classificação Etária
18+
Este é um exemplo

Capítulo 1

Roxie apertou o ícone de play no celular, conectado via Bluetooth às caixas de som Bose do sistema de áudio. Assim que o ritmo sensual ecoou pelo quarto, ela começou a rebolar os quadris. Usava uma sainha de bailarina com um toque especial: a saia era feita de gaze bem transparente, e até a parte de baixo era fina. O corpete era de renda, um pouco mais grosso na altura dos seios, mas dava para ver o contorno dos mamilos.

Ela partiu para uma sequência de jetés, pliés e pirouettes, terminando num penché—aquele passo de balé em que uma perna é esticada para cima, bem aberta. De propósito, virou-se para a câmera do notebook naquela posição, exibindo a região da virilha, mal coberta pelo tecido rendado da roupa, feita para ser sensual.

Ouviu aplausos vindos do computador. Na tela, viu o rosto do cliente. Ele sorria, claramente curtindo o show. Ela fez uma reverência, deu um sorriso tímido e começou uma nova coreografia. Ainda era balé, mas com um toque mais ousado. Abria mais as pernas e mantinha os alongamentos no ar por mais tempo, dando ao seu único espectador uma espiadinha em partes do corpo que não mostrava para qualquer um.

Roxie escolhia a música com cuidado. Selecionava peças que combinavam com a coreografia e também a colocavam no clima—no clima de sexo, porque como poderia despertar essa emoção no público se ela mesma não a sentisse? Como uma atriz, precisava vivenciar a emoção que queria transmitir. E, como qualquer atriz que quer fazer um bom trabalho, tinha que internalizar.

Parte dessa internalização era imaginar uma cena que a excitasse. Enquanto seu corpo se movia, a mente divagava. Na imaginação, criava a imagem da pessoa que gostaria de ter como parceiro sexual. E então, na fantasia, ele estava ali. O público já não era mais o homem na tela do computador, mas o homem dos seus sonhos. Ele estava ali no quarto, assistindo, curtindo o espetáculo...

Quando ergueu a perna no ar para outro penché, ele apareceu ao seu lado num instante. Segurou a perna erguida, prendendo-a pelo tornozelo, impedindo que a baixasse. Devagar, começou a acariciar seu tornozelo, a mão quente e suave deslizando sobre a pele.

Roxie fechou os olhos enquanto arrepios surgiam com o toque delicado, mas como estava de olhos fechados, o equilíbrio vacilou. Ela começou a perder a postura. O cara soltou sua perna na hora e a segurou nos braços. Ela caiu contra o peito duro, presa nos braços fortes.

Ele inclinou o rosto dela para cima, fitando-a nos olhos. Dava para ver o lampejo de desejo nos olhos dele. Ainda só um lampejo. Ela sorriu. Uma das coisas que mais gostava era atiçar aquela pequena faísca até ver os olhos do parceiro queimarem de tesão.

Começou a se contorcer contra ele, pressionando o corpo macio contra o dele, musculoso. Os seios esmagavam-se contra o peito firme. Deslizou as mãos pelos músculos definidos até chegar à frente da calça. Procurou pelo volume ali. Parecia adormecido, mas já dava para sentir a arma começando a endurecer.

Roxie se afastou um pouco e voltou a pular e girar, erguendo as pernas mais alto para que ele vislumbrasse seu paraíso. No grand finale, jogou a perna sobre o ombro do homem, colocando sua joia quase na cara dele.

As mãos dele agarraram sua cintura, impedindo-a de se virar. Então, uma das palmas deslizou pela coxa, subindo em direção à parte do corpo que já latejava de antecipação.

A respiração dela ficou presa na garganta quando ele finalmente chegou ao destino. A mão enorme cobriu sua boceta, e começou a apertá-la de leve. Roxie soltava um gemido cada vez que a mão apertava ali. A renda já estava encharcada com sua excitação. Tinha certeza de que o homem sentia a região da virilha ficando cada vez mais úmida.

— Você está ficando excitada, não está? — A voz dele era um sussurro rouco.

— Tem certeza disso? — O sorriso dela era provocante.

— Deixa eu descobrir. —

Ele esfregou-a através do tecido fino que cobria a virilha. Os movimentos eram lentos e deliberados, o dedo cutucando a fenda ainda coberta, deslizando sobre a abertura repetidas vezes. Roxie mordeu o lábio. Com a pressão crescente dos toques, o clitóris era apertado, ficando mais sensível a cada roçar do dedo. Ela queria que ele parasse de provocá-la e enfiasse logo o dedo dentro dela. Estava ansiosa para sentir algo duro a penetrando.

Mas não. Ele só continuou a acariciá-la, esfregando os dedos no clitóris com mais pressão. Pressão que não era suficiente para Roxie, que se viu pressionando a boceta com mais força contra a mão dele.

— Chega disso. Me come. Ah, por favor — gemeu.

— Tem certeza? —

Roxie hesitou, mas só por um instante.

— Tenho, sim — declarou, firme.

Só então ele baixou a perna dela do ombro. Agarrou a frente da roupa e, com um puxão violento, rasgou-a. De repente, os seios estavam à mostra. Os olhos dele pareceram nublar enquanto devorava com o olhar o formato perfeito dos seios nus. Com um sorriso malicioso, estendeu as mãos e segurou-os, girando-os lentamente contra os mamilos. Aquilo acendeu um fogo dentro dela, deixando sua entrada ainda mais molhada.

Continuando a segurar os seios, o homem se inclinou e os ergueu mais perto da boca. Pegou um mamilo rosado entre os lábios e o rolou como uma bolinha. Roxie agarrou a cabeça dele, os dedos se enroscando nos cabelos.

Depois de juntar os dois seios, o homem abocanhou o outro mamilo, levando-o à boca. Lambeu os dois bicos duros com a língua, cada movimento enviando uma onda de calor para o meio das pernas. Roxie quase se contorceu com a sensação intensa enquanto ele alternava mordiscadas nos mamilos...

— Isso, gata. Mexe esses quadris. Abaixa pra mim.

A voz vinda do computador mal penetrou na consciência de Roxie. Mas foi o suficiente para que o corpo obedecesse ao comando. Rebolando, virou-se de costas para a câmera e se inclinou. Assim, dava ao público uma visão generosa da bunda redondinha.

— Ahhh, isso, gata. Isso mesmo. Mostra essa bunda. Rebola pra mim.

Roxie nem precisava olhar para o homem para adivinhar o estado dele. Só pelo tom de voz, já imaginava o que estava acontecendo. Provavelmente, ele estaria esparramado no sofá, com a calça arriada, o pau de fora, se masturbando enquanto a assistia.

Quando entrava no ritmo, o corpo dela funcionava no automático. A música a levava, e uma vez que o compasso entrava no sistema, a imaginação voava livre, porque não precisava pensar muito no que fazia. Mas ainda tinha noção suficiente para entender o que o cliente queria. Ele queria que ela rebolasse, então ela rebolava. Gemia devagar, sedutoramente, inclinada na direção da câmera.

— Vira pra cá agora. Quero ver sua boceta, gata.

Aquilo não fazia parte do combinado, mas ela já estava acostumada a ouvir esse pedido dos clientes. Os caras geralmente se empolgavam. Mas não, ela não tirava a roupa para eles.

Roxie ainda assim seguiu a ordem. Virou-se para ele e abriu as coxas de novo. Só um vislumbre da joia era o que ele teria. Depois de dar a espiadinha, baixou a perna e começou a acariciar os seios.

— Isso, gata, toca esses peitos. Ahhh, se eu pudesse pôr as mãos nessas belezas — o homem gemeu. Quando Roxie olhou para ele, descobriu que estava completamente nu.

A suposição anterior estava certa; ele segurava o pau e se masturbava. A mão subia e descia, apertando a arma ereta.

— Chega mais perto, gata. Encosta esses peitos na tela.

Ela se aproximou o máximo possível da câmera, até os seios quase tocarem a tela. Viu a mão do homem na imagem, provavelmente imaginando que estava acariciando aqueles montes.

— Ah, siiim, gata, siiim. — De repente, ele se afastou e afundou no sofá. Roxie viu claramente o líquido jorrar do pau dele. A mão continuou subindo e descendo até a sensação de prazer diminuir. O homem se recostou, exausto e mole.

— Você é ótima, como sempre — disse, ofegante. — Até a próxima.

— Até logo — respondeu Roxie. Mandou um beijo e desligou a câmera.

Ela desabou na cama. Damon era cliente fixo, então já conhecia as manias dele. O cara era bonito. Se misturasse trabalho com prazer, já teria aceitado os repetidos convites para um encontro. Mas ela não misturava as coisas. Nem conhecia os clientes homens pessoalmente. Às vezes fazia shows particulares, mas com regras bem rígidas. Só dança, sem toque. Essa cláusula estava nos termos e condições do formulário online que os clientes em potencial preenchiam. Quando ia a um local para clientes de primeira viagem, levava reforço. Também confiava no próprio instinto. Se algo parecesse estranho, cancelava o show.

O que ela era, afinal? Bom, era dançarina particular. Era assim que Roxie chamava seu trabalho. Alguns achavam que era uma espécie de sexo sob demanda, e, de certa forma, era verdade. Mas o sexo que oferecia existia apenas na fantasia dos clientes. Sua participação se limitava a alimentar a imaginação deles dançando. Devia estar fazendo um bom trabalho, porque tinha muitos clientes. A maioria era fixa. E o número só aumentava.

Roxie se dedicava de verdade. Fazia aulas de dança para se manter em forma e atualizada com as últimas tendências musicais e coreográficas. Era ex-integrante do grupo de dança da escola e amava dançar. Era sua válvula de escape.

Esfregou os olhos com a mão quando sentiu que começavam a arder. Não deixaria a mente voltar ao passado de novo.

Sentou-se e tirou a fantasia. Quando se viu no espelho, aproximou-se para observar o corpo. Os seios não eram enormes, mas eram firmes e bem torneados. Tinha a barriga em V e pernas longas e definidas. Resultado do esforço na academia e das aulas de dança. Não tinha o rosto de uma deusa, mas o corpo era de enlouquecer qualquer um. E aquele corpo agora ansiava por alguém que o incendiasse.

Como Roxie imaginava cenas quentes toda vez que se apresentava, quando o show acabava, sentia desejo de verdade. A vontade não passava tão fácil quanto surgia. Enquanto se olhava, estudando a anatomia que enlouquecia os homens, não conseguiu evitar tocar o próprio corpo.

A mão foi primeiro para um seio. Segurou-o, apertando a carne firme. Fechou os olhos com o choque elétrico que percorreu os músculos. Devia tê-los mantido fechados, mas preferiu mantê-los abertos. De alguma forma, ver no espelho o que fazia consigo mesma intensificava as sensações.

A mão apertou o seio, espremendo a carne macia. E, de novo, na imaginação, viu a figura daquele homem das suas fantasias. Ele estava atrás dela, e era a mão dele que segurava seu seio...

Beijou-a no pescoço, a língua mergulhando na pele e traçando círculos, deixando-a sensível. Devagar, os lábios desceram pela nuca, pelo ombro, pelas costas.

Ele a puxou para encará-lo, sua cabeça ficando na altura do peito dela. Ao virar-se, ele capturou seu mamilo com a boca. Imediatamente, ele endureceu em resposta à sucção do homem. Roxie jogou a cabeça para trás com o prazer ardente que disparava pela parte que a língua dele brincava. Agora, ela gemia. Um gemido que ficou mais alto quando sentiu a perna dele separar suas coxas.

Abrindo suas coxas com a perna, ele começou a deslizar o joelho para cima e para baixo em seu meio. Acertava seu clitóris, pressionando-o. Roxie não se contentava só com aquilo, então rebolou a pélvis contra o joelho duro dele. Ele pressionou contra ela enquanto a segurava firme pela cintura, puxando-a para mais perto. Também chupou com mais força seu mamilo...

A mão de Roxie se movia mais rápido sobre o seio. Ela beliscava o bico agora. E então sua outra mão deslizou em direção ao seu centro. Não se surpreendeu ao sentir como estava escorregadia. Estava tão molhada que a umidade escorria pelas coxas.

Abriu os olhos que nem percebera ter fechado. Ver sua mão se movendo entre as pernas a excitou ainda mais. Separou as coxas e abriu os lábios da sua boceta com os dedos. Viu a entrada molhada e brilhante, inchada de desejo. Ah, como ansiava por sentir como seria ser penetrada pelo pau duro de um homem. Já tinha enfiado um dedo em sua passagem várias vezes. Mas sabia que seria uma experiência completamente diferente ter um homem metendo dentro dela.

Olhando para seu reflexo, passou um dedo sobre seu clitóris escorregadio. Mordeu o lábio com a intensidade do prazer que aquilo lhe dava. Era ainda mais forte porque podia ver exatamente o que fazia. Era um tesão ver seu dedo se movendo sobre o clitóris. O nível de prazer que a envolvia subia cada vez mais. Seu útero parecia incrivelmente apertado. Sentia a contração intensa que era sinal de que estava perto do limite.

Roxie diminuiu o movimento do dedo. Não queria gozar ainda. Prolongar a estimulação sem deixar chegar ao clímax geralmente resultava em um orgasmo mais forte e intenso. Em vez de passar o dedo sobre o clitóris, acariciou as bordas da entrada. Ainda dava prazer, o suficiente para manter o desejo vivo em seu útero, mas não o bastante para empurrá-la além do limite.

Penetrou seu centro devagar, com cuidado. A mão se movia lentamente para não chegar ao clímax. O indicador entrava e saía devagar, enterrado superficialmente em sua passagem quente e apertada.

— Aaaah... — Arqueou as costas. Lutava para controlar o corpo, que ansiava pela explosão de prazer.

Ainda de frente para o espelho, Roxie recuou até conseguir se sentar na cama. Apoiou as pernas na beirada. Parecia estar agachada, mas, em vez de levantar o bumbum, ele ficava apoiado na cama. Graças às aulas de dança e aos exercícios, era flexível como uma ginasta. Sentar na beira da cama com as pernas abertas dos dois lados era fácil para ela.

Nessa posição, sua boceta ficava ainda mais exposta. Viu claramente quando enfiou o dedo do meio em seu buraco ávido e o moveu para dentro e para fora repetidamente. O calor começou a se acumular dentro dela de novo, e mais uma vez não conseguiu evitar que as imagens se formassem em sua mente. Logo, não era mais seu dedo que entrava e saía dela...

O homem pairava entre as coxas de Roxie. Antes, ele vinha lambendo seu clitóris sem parar. Os quadris dela se ergueram quando ele o sugou com força. A pressão era intensa, mas não o suficiente para levá-la ao ápice. Desesperada para chegar lá, levantou o corpo para pressionar seu centro sensível com mais força contra ele.

O homem lhe deu o que ela tanto queria. Enterrou o rosto mais fundo em sua abertura. Enquanto chupava seu mamilo, enfiou o indicador dentro dela. Conforme o dedo deslizava para dentro e para fora, sua língua passava sobre o clitóris, a pressão aumentando a cada movimento...

A boca de Roxie estava aberta, ofegante de prazer. Olhava para seu reflexo, vendo o dedo entrar e sair rapidamente. Sua excitação era tão intensa que o dedo deslizava com facilidade. Estava subindo de novo em direção ao êxtase. A cada roçar das paredes internas contra o dedo que se movia dentro dela, sentia como se fosse arrastada por uma onda até um lugar que tanto desejava.

Logo, seus dedos dos pés começaram a se curvar. Os músculos das pernas e coxas ficaram rígidos de tanto se segurar. Quando sentiu que o ápice que buscava estava tão perto, beliscou o clitóris. Com um grito alto, se lançou além do limite. Seu centro se contraiu e relaxou, o espasmo provocado pelo clímax.

Como o homem que se masturbava assistindo-a dançar, Roxie desabou na cama, fraca com a liberação da tensão acumulada em seu útero.

Se ao menos o prazer que sentia fosse suficiente para saciar sua fome, talvez parasse de procurar um homem que a fizesse sentir o prazer definitivo. Mas, como diziam suas conhecidas, provavelmente era diferente quando tinha um parceiro, e não eram só suas mãos e dedos se movendo para agradar seu corpo.

Mas, por enquanto, teria que bastar. Por enquanto, não tinha intenção de dar a um homem permissão para desfrutar de seu corpo ou para satisfazê-la. Porque, mesmo que seu trabalho fosse visto por alguns como algo próximo à prostituição, estava determinada a se manter o mais limpa possível, nem que fosse só por sua consciência. Porque, mesmo que repetisse para si mesma que não se importava mais com a opinião da família, Roxie queria manter sua dignidade caso um dia os enfrentasse. Mesmo que não quisesse, ainda ouvia na cabeça o que seu pai dissera quando descobriu como ela ganhava dinheiro.

— Você só me provou que não serve para nada. Não, é até pior que isso. Você é uma imundície. Ainda bem que não mora mais debaixo do meu teto.

Roxie usava um nome diferente para aumentar a distância entre ela e o pai, impedindo que ele a acusasse de ser uma vergonha para a família.

Seu nome verdadeiro era Ma. Isabella Cardenas, e quase todos que a conheciam a chamavam de Bella. Quando o pai a expulsou de casa, quase três anos atrás, começou a usar o nome Roxie Lopez. Era o sobrenome de solteira da avó materna. Com certeza, seu pai não teria do que reclamar se ela aumentasse a distância entre si e a família. Também negava ser filha dele quando tinha o azar de ser reconhecida.

— Deve ser só parecida com a mulher de quem estão falando. Essa era sua resposta padrão.

Roxie se levantou da cama para ir ao banheiro.

— Estou fazendo o que você me desafiou a fazer. Estou me virando sozinha. — Na sua cabeça, dizia aquelas palavras para o pai.

Mas os meios pelos quais se virava, bem, deixavam muito a desejar. Na verdade, aquilo deixava o pai furioso por ela ter acabado assim. Mas essa também era uma das razões pelas quais Roxie escolheu continuar naquela profissão. De certa forma, gostava da ideia de ganhar a vida com algo que o pai definitivamente não aprovava. Era uma vingança por todo o tempo em que fez quase tudo para conseguir sua aprovação. Que ele nunca lhe deu. Então, parou de se importar. Ou pelo menos era o que dizia para si mesma.

Roxie soltou um suspiro pesado ao perceber que seu coração estava ficando pesado de novo. Virou as costas bruscamente para o espelho e caminhou em direção ao banheiro para tomar banho. Sua próxima consulta só seria à tarde. Tinha bastante tempo, então daria uma volta no shopping primeiro.



— Eu disse para sumir daqui! — Junto com o grito, Enzo varreu a bandeja carregada pela empregada. Ela voou da mão da moça, e seu conteúdo — o café da manhã — se espalhou pelo chão. A empregada deve ter ficado apavorada; nem tentou limpar a bagunça. Saiu correndo do quarto.

Enzo passou a mão no rosto assim que a mulher saiu. Odiava ter aterrorizado alguém de novo. Por que ela era tão teimosa? Já tinha dito que não queria comer. Deixara claro que não queria ser incomodado no quarto, que não queria visitas a menos que chamasse algum dos empregados, mas ela ainda assim bateu mais cedo, insistindo para que tomasse o café da manhã. Acabou explodindo com ela.

— Pelo amor de Deus! — exclamou, frustrado, ao ouvir outra batida na porta. Seu sangue ferveu ainda mais quando a porta se abriu, mesmo sem ter dado permissão para que entrassem.

— Que parte de ‘me deixem em paz’ vocês não entendem... —

— Cala a boca ou eu te dou um tapa.

O discurso foi interrompido quando reconheceu a voz de quem chegava — Manang Ising, a governanta da avó e sua babá quando criança. Como a empregada que se assustara antes, ela carregava uma bandeja com comida.

— Se tentar fazer isso voar, vai ver o que te espera — ameaçou. Uma ameaça que provavelmente cumpriria.

— Não estou com fome, Manang — Enzo disse, forçando um tom mais suave. A avó com certeza ficaria sabendo se agisse como um mimado na frente dela. Mas não era só por isso que se acalmava. Manang Ising era uma das poucas pessoas que respeitava.

— Como vai ficar forte se não come nada? Não quer andar de novo?

— Não vou andar de novo nem se comer toda a comida do mundo — respondeu.

A mulher soltou um suspiro.

— Enzo... — O tom era de repreensão.

Manang, por favor, estou te implorando, só quero ficar sozinho — declarou, a voz baixa.

— Não cansa de ficar sozinho? Até eu, que tenho gente para conversar, às vezes fico louca de tédio; quanto mais você? Não sai do quarto. Não encara quem vem te visitar. Até quando vai querer ficar sozinho?

Pelo resto da minha vida, pensou. Se ao menos vocês me deixassem em paz.

Talvez fosse melhor voltar para sua casa. Por que deixou Lola Divina o pressionar a morar na casa dela? Por que deixou a culpa falar mais alto, ainda mais quando ela dizia que não conseguia dormir de preocupação com ele?

No entanto, viver sozinho naquelas condições também era difícil, principalmente porque ainda não estava totalmente recuperado, nem fisicamente nem emocionalmente, do acidente que sofrera.

Acidente? Um sorriso amargo se formou nos lábios de Enzo. Você mesmo se meteu nessa, cara.

— Você vai melhorar se quiser. Só precisa se esforçar. — Ainda bem que Manang Ising falou de novo. Senão, sua mente teria voltado ao passado.

— Já tentei, Manang. Mas não consigo. Talvez realmente existam coisas que têm limite — respondeu Enzo.

— Se for assim, então aceite o limite a que se refere e viva dentro dele. Com o que está fazendo...

Enzo ergueu a mão. — Por favor, Manang, já estou cheio dos sermões da Lola. Não precisa aumentar a dose.

A governanta balançou a cabeça. Parecia ter percebido que não adiantaria nada ficar insistindo, então colocou a bandeja na mesinha perto dele.

— Coma isso. Se não, vou beliscar sua coxa, estou avisando. E ainda mando a Flora voltar aqui para limpar essa bagunça. Não assuste a menina, senão não vai ser só um beliscão que vou te dar — disse antes de sair do quarto.

Quando ficou sozinho de novo, Enzo quase desejou que a velha voltasse, principalmente quando sentiu a enxurrada de lembranças ameaçar dominá-lo mais uma vez. Mesmo tentando evitar, as cenas que tentava esquecer se recusavam a parar de passar em sua mente, cenas que o levaram à cadeira de rodas em que estava sentado e da qual parecia não conseguir escapar nunca mais...

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