Dirty Thirty
SERENA
Fazer trinta anos era diferente do que Serena havia imaginado.
Não era pior, exatamente. Apenas... diferente.
Serena Barnes sentava-se à sua mesa no escritório de esquina da Barrett & Associates, observando o horizonte de Manhattan ganhar tons de cobre e ouro enquanto o sol do fim de tarde cruzava o Rio Hudson. Treze anos atrás, ela era uma bolsista vinda de Stockton, Califórnia, chegando a Princeton com malas de segunda mão e uma mágoa do tamanho da Ponte George Washington. Agora, ela era uma consultora econômica de sucesso, com seu nome em propostas que passavam pelas mesas de incontáveis CEOs da Fortune 500.
A jornada tinha sido longa. Lutada com garra. E valeu cada batalha.
Seu celular vibrou sobre a mesa de vidro com uma mensagem de sua mãe, Loni:
Mãe❤️: Feliz aniversário, minha filha. Estou muito orgulhosa de você. Me ligue hoje à noite.
Serena sorriu, sentindo um calor se espalhar pelo peito. Sua mãe havia trabalhado em turnos duplos no hospital por anos para complementar aquela bolsa, para garantir que Serena nunca precisasse escolher entre livros e comida. Tudo o que Serena conquistou, cada sucesso, cada triunfo — carregava consigo os sacrifícios de sua mãe.
Outra mensagem apareceu, desta vez de sua melhor amiga, Nadia:
Nadia💓: NÃO faça planos para hoje à noite. Tenho uma surpresa especial para você. E antes que discuta, não é negociável. Um carro vai te buscar às 7. Use algo fabuloso. Te amo! xoxo
Serena bufou. Nadia Sinclair não fazia nada pela metade. A amizade delas tinha começado em terreno incerto — Serena desconfiada da garota rica, pálida e excêntrica que a abordou na biblioteca de Princeton com um sorriso genuíno e um convite para um café. Mas Nadia provou ser real, gentil, engraçada e ferozmente leal. Treze anos depois, ela era a irmã que Serena nunca teve. A melhor amiga que esteve ao seu lado em cada triunfo e cada fracasso.
Serena olhou para o calendário em sua tela. O casamento de Nadia era em duas semanas e meia. Um casamento em um resort de luxo em Porto Rico que provavelmente custou mais do que o salário anual de Serena. Ela seria a madrinha, o que significava quatorze dias de proximidade forçada com a família Sinclair.
Quatorze dias com ele.
Ela afastou o pensamento, irritada consigo mesma por deixar que isso viesse à tona. Nick Sinclair já ocupou espaço demais em sua cabeça ao longo dos anos. Ela não ia dar a ele mais nenhum centímetro, especialmente não hoje.
Voltando o foco para o trabalho, Serena tentou se perder nas projeções econômicas espalhadas pelo monitor. Mas a concentração mostrou-se difícil. Sua mente continuava vagando para coisas que ela preferia não examinar muito de perto.
Como o fato de que ela não era tocada por um homem há mais de um ano.
Dezoito meses, se fosse para ser precisa. E ela era sempre precisa.
Não era por falta de oportunidade. Homens a chamavam para sair regularmente — colegas, clientes (os solteiros, pelo menos), amigos de amigos. Ela ia a encontros. Às vezes até segundos encontros. Mas nada nunca fluía. Nenhuma faísca, nenhuma conexão, nenhum desejo de deixar alguém chegar perto o suficiente para ser importante.
Seu terapeuta provavelmente diria que ela estava usando a carreira como um escudo. Que ela construiu seus muros tão altos, que esqueceu como deixar alguém escalá-los.
Seu terapeuta provavelmente estaria certo.
Mas a alternativa — deixar alguém entrar apenas para que a vissem como algo menor, como aquela garota de Stockton que não pertencia ao lugar, que sempre estaria do lado de fora olhando para dentro — isso era pior do que estar sozinha.
Pelo menos sozinha, ela estava segura.
Pelo menos sozinha, ela controlava a narrativa.
“Toc toc.”
Serena olhou para cima e encontrou Marcus Chen, seu colega e amigo de trabalho, apoiado no batente da porta com um sorriso cúmplice.
“Deixa eu adivinhar”, ela disse secamente. “Você está aqui para me arrastar para alguma comemoração de aniversário improvisada com bolo de mercado e cantoria desafinada?”
“Que audácia a sua assumir que gastaríamos com bolo de mercado.” Marcus entrou, colocando uma pequena caixa embrulhada em sua mesa. “A equipe queria fazer algo legal para você, mas Keisha disse que você provavelmente destruiria qualquer um que tentasse fazer alarde.”
“Keisha me conhece bem.”
“Ela conhece. É por isso que isto é de mim, pessoalmente, e você não tem permissão para recusar ou fazer disso algo estranho.” Ele bateu na caixa. “Feliz aniversário, Barnes.”
Serena sentiu a garganta apertar inesperadamente. Ela e Marcus começaram na Barrett & Associates no mesmo ano, enfrentaram as mesmas horas brutais e clientes impossíveis. Ele era uma das poucas pessoas em sua vida profissional que parecia um amigo de verdade.
“Você não precisava—”
“Abra antes que eu mude de ideia e fique com ele para mim.”
Ela revirou os olhos e desembrulhou a caixa cuidadosamente, revelando uma bela caneta-tinteiro — elegante, com suas iniciais gravadas no corpo. SLB. Serena Latoya Barnes.
“Marcus, isso é—”
“Uma caneta. É apenas uma caneta.” Mas os olhos dele estavam suaves. “Você vai fazer coisas incríveis, Serena. Maiores que esta firma, maiores que qualquer um de nós. Quando você estiver assinando contratos da sua própria empresa, quero que use isso.”
“Minha própria empresa?” Ela riu, mas o sonho sussurrava nos cantos de sua mente há meses. “Isso está muito longe.”
“Talvez. Talvez não.” Ele deu de ombros. “O ponto é: você tem o que é preciso. Não deixe ninguém te convencer do contrário.”
Eles conversaram por mais alguns minutos antes de Marcus sair, lembrando-a de não trabalhar até muito tarde. Mas Serena ficou, encarando a caneta, pensando em possibilidades e futuros e em todas as coisas que ela queria, mas era cautelosa demais para alcançar.
Quando ela saiu do escritório, o sol já tinha se posto completamente, e a cidade do outro lado do rio brilhava como diamantes espalhados.
O carro que Nadia enviou era, como esperado, um exagero.
Um Mercedes preto elegante com um motorista que abriu a porta para ela e perguntou se gostaria que a temperatura fosse ajustada. Serena vestia um vestido esmeralda justo que abraçava suas curvas e realçava o brilho de sua pele cor de sépia, combinado com saltos que adicionavam oito centímetros à sua estatura de um metro e sessenta e sete.
Ela tinha aprendido a se vestir para o mundo de Nadia. Como circular por esses espaços com a cabeça erguida e sua armadura perfeitamente no lugar.
O trajeto levou trinta minutos, serpenteando pelos bairros exclusivos do norte de Nova Jersey até chegarem à propriedade dos Sinclair em Alpine — uma mansão vasta com jardins impecáveis e uma vista que se estendia até o horizonte de Manhattan. A propriedade provavelmente custou mais do que a maioria das pessoas vê em toda uma vida.
Serena esteve lá dezenas de vezes. Já deveria parecer familiar.
Nunca parecia muito.
A porta da frente abriu antes que ela pudesse bater, e Nadia apareceu, praticamente vibrando de empolgação. Seus olhos verde-musgo brilhavam, e seu cabelo castanho escuro estava preso em um coque bagunçado propositalmente. Ela usava um vestido floral esvoaçante que a fazia parecer elegante e descontraída sem esforço.
“Feliz aniversário!” Nadia envolveu Serena em um abraço, apertando com força. “Você está absolutamente deslumbrante. Esse vestido é perfeito.”
“Você está suspeitamente animada... mais do que o habitual, pelo menos”, disse Serena, retribuindo o abraço. “O que você fez?”
“Eu? Nada. Sou inocente.” O sorriso de Nadia era tudo, menos inocente. “Vamos, todos estão esperando.”
“Todos?”
Mas Nadia já a puxava pelo hall de entrada, passando pela escadaria monumental e obras de arte originais que custaram mais do que a faculdade de Serena. Elas seguiram em direção aos fundos da casa, onde a estufa se abria para o terraço do jardim.
“Feche os olhos”, instruiu Nadia.
“Nadia—”
“Feche-os!”
Serena suspirou, mas obedeceu, deixando Nadia guiá-la. Ela ouviu o murmúrio suave de vozes, o tilintar de taças, música tocando baixo ao fundo.
“Ok”, Nadia sussurrou. “Abra.”
Serena abriu os olhos para um terraço transformado. Luzes de corda drapeadas acima, banhando tudo em um brilho quente e dourado. Mesas carregadas com comida e champanhe. Flores por toda parte — peônias e rosas em tons de rosa e creme. E pessoas — pelo menos trinta delas — todas se virando para ela com sorrisos.
“SURPRESA!”
O grito subiu, seguido por aplausos e vivas. Serena reconheceu rostos de sua firma, velhos amigos da faculdade, amigos artistas de Nadia e até a Sra. Andrews da cafeteria perto de seu apartamento em Hoboken.
Seu coração transbordou. “Nadia, você não precisava—”
“Claro que precisava. Você está fazendo trinta anos, e merece ser celebrada.” Nadia apertou sua mão. “Agora entre lá e deixe que as pessoas te digam o quão incrível você é.”
A hora seguinte passou em um borrão de abraços e risadas, champanhe e conversa. Serena se viu relaxando, deixando o calor de estar cercada por pessoas que realmente se importavam com ela dissipar a solidão que ela não tinha admitido até agora.
Ela estava no meio de uma conversa com duas das amigas de Nadia quando sentiu.
Aquele formigamento na nuca. A consciência instintiva que dizia perigo em uma linguagem mais antiga que palavras.
Ela se virou, com a taça de champanhe a meio caminho da boca, e travou o olhar com Nick Sinclair do outro lado do terraço.
Ele estava perto das portas da estufa, alto e imponente em calças pretas sob medida e uma camisa social cinza-chumbo que provavelmente custava mais do que seu aluguel. Seu cabelo escuro estava levemente despenteado, como se ele tivesse passado as mãos por ele recentemente, e aqueles olhos azul-gelo — da mesma cor de um céu de inverno — fixaram-se nela com uma intensidade que parecia um toque físico.
Sua expressão era fria. Avaliadora. Aquele misto familiar de desdém e algo mais que ela nunca foi capaz de nomear.
Treze anos, e ele ainda a olhava como se ela fosse algo que ele tivesse raspado da sola do sapato.
O champanhe ficou amargo em sua língua.
Os olhares se mantiveram por um longo momento congelado. Serena viu o segundo exato em que ele registrou o que ela estava vestindo, o jeito que seus olhos percorreram seu corpo e voltaram para cima, algo sombrio tremeluzindo em suas profundezas antes que sua expressão se fechasse completamente.
Ela ergueu o queixo, recusando-se a ser a primeira a desviar o olhar.
Finalmente, Nick se virou, desaparecendo na multidão com a mesma arrogância casual que ele usava como uma segunda pele.
As mãos de Serena estavam tremendo.
Ela pousou sua taça de champanhe antes que pudesse derrubá-la e foi procurar Nadia.
Ela encontrou sua amiga perto do bar, rindo com Jodie, sua noiva. Jodie tinha olhos castanhos calorosos, pele bronzeada e sorrisos fáceis, o contrapeso perfeito para o caos criativo de Nadia. Elas eram boas juntas — tão claramente apaixonadas que faziam o peito de Serena doer com algo desconfortavelmente próximo da inveja.
“Nads?” Serena disse, forçando sua voz a permanecer nivelada.
Nadia se virou, o sorriso ainda no rosto. “Sim, meu amor?”
“Por que o Nick está aqui?”
O sorriso vacilou. Jodie, que Deus a abençoe, desculpou-se imediatamente com um beijo rápido na bochecha de Nadia e um olhar solidário para Serena.
“Deus... Rena, qual é—” Nadia começou.
“Você sabe que eu o odeio.”
“Odeia? Jesus, essa é uma palavra forte. Você não pode odiar o Nick.”
“Quer apostar?”
A expressão de Nadia mudou de súplica para resignação. “Rena, ele é meu irmão.”
“Que diferença isso faz?” Serena podia ouvir sua voz subindo e não se importou. “Este é meu aniversário, eu não tenho voz sobre quem deve ou não estar aqui?”
Nadia suspirou e engoliu em seco antes de continuar. “Tudo bem... eu vou pedir para ele ir embora.”
Serena revirou os olhos, a irritação e a culpa escapando por sua razão como água por rachaduras. Ela não queria ser essa pessoa — a que fazia Nadia escolher. Mas Deus, por que tinha que ser ele? Por que hoje à noite?
“Não, está tudo bem, deixa para lá. Já é tarde demais de qualquer jeito.”
“Rena, me desculpe”, sussurrou Nadia, a tristeza evidente em seus olhos verde-musgo. “Mas Nick é meu irmão, eu o amo, e com o casamento chegando, eu realmente preciso que vocês dois pelo menos tentem se dar bem... por mim... por favor?”
O casamento. Certo. Quatorze dias de proximidade forçada. Quatorze dias fingindo que não sentia como se sua pele ficasse apertada sempre que Nick Sinclair estava no mesmo ambiente.
Serena olhou para sua melhor amiga — para a esperança, a preocupação e o amor, tudo emaranhado em sua expressão — e sentiu sua raiva diminuir.
“Ok”, Serena soltou com um suspiro. Ela assentiu relutante e puxou Nadia para um abraço. “Por você? Qualquer coisa.”
“Obrigada”, Nadia respirou contra seu ombro. “Eu prometo, você nem vai precisar falar muito com ele. Ele provavelmente vai se esconder na academia de qualquer jeito. Você sabe como ele é.”
Mas quando Serena se afastou e olhou por cima do ombro de Nadia, ela viu Nick observando-as do outro lado do terraço. Sua expressão era ilegível, mas seu maxilar estava tenso, e suas mãos estavam enfiadas nos bolsos, como se ele estivesse se contendo fisicamente.
Seus olhares se encontraram novamente.
Desta vez, Serena desviou o olhar primeiro.
Seria uma longa noite.
E duas semanas ainda mais longas.