Conscripted
Eu não queria estar aqui, mas não tive escolha. A convocação para os testes de aptidão militar era clara: a presença era obrigatória.
O centro de seleção cheirava a desinfetante e suor frio, um fedor que me revirou o estômago no momento em que atravessei a porta. Entreguei minha identidade ao sargento sem encará-lo, como quem desliza um bilhete de confissão por uma fresta. Fui indicado para um banco. À minha volta, dezenas de rapazes da minha idade — alguns rindo nervosamente, outros tão silenciosos quanto condenados. Fixei o olhar nos meus sapatos. Eu não queria ver ninguém. E, principalmente, não queria ser visto.

Depois de um tempo, um oficial entrou. Sua voz estalou como um tiro:
— Despidos. Tudo. Roupas no banco, alinhem-se aqui.
Meu coração batia forte contra as costelas. Tudo? Lancei um olhar rápido para os outros, que já obedeciam, alguns com um desleixo que me pareceu obsceno. Eu era do tipo que se trocava debaixo de uma toalha no vestiário da academia, que desviava o olhar quando um colega tirava a cueca. A vergonha já queimava minhas bochechas antes mesmo de eu ter me movido.

Forcei-me a tirar o suéter, a camiseta, a calça jeans. Cada peça de roupa que caía era uma camada de proteção a menos. Quando apenas restou minha cueca, senti os olhos dos outros roçando minha pele como dedos invisíveis.

Cerrei os dentes e deixei a última barreira cair. Nu. Na fila. Com os ombros encolhidos e os braços cruzados sobre o corpo, como se esse gesto inútil pudesse me tornar invisível.

Nós nos alinhamos. Nus.

Atrás de mim, um hálito quente. Uma risada contida? Fiquei tenso, os músculos rígidos, o pescoço queimando. Não ousei me virar, mas conseguia sentir os corpos enfileirados, próximos demais, o calor irradiando deles, misturado ao cheiro acre de estresse e sabonete barato. O oficial caminhava entre nós, inspecionando, anotando, indiferente ao nosso desconforto. Suas botas rangiam no piso.
Olhei para a frente. As paredes eram brancas, a luz de neon era intensa. Havia as sombras dos outros, suas silhuetas borradas, seus quadris, seus ombros. Uma proximidade insuportável. E, ainda assim, contra a minha vontade, meus olhos deslizaram por um segundo para o rapaz à minha frente — seus ombros largos, a curva de suas costas, o modo como suas mãos tremiam levemente enquanto ele se cobria.
Desviei o olhar, enojado com minha própria curiosidade. Porra, o que há de errado comigo?
— Avancem.
Dei um passo, depois outro, minha pele elétrica, como se cada centímetro de ar entre nós estivesse carregado com uma tensão que eu não entendia, que eu não queria entender.
— Os próximos.
Entrei em uma sala de exame.
O médico, um homem de cabelos grisalhos e movimentos metódicos, examinou cada um de nós. Seus dedos roçaram meu ombro para me virar em direção à régua de medição, depois deslizaram pelo meu braço esticado, como se avaliassem algo além da minha altura. Prendi a respiração. Sua palma era seca, quente, e cada toque parecia uma invasão. Ele anotou algo em seu caderno, em silêncio.

Então ele ordenou:
— Suba na balança.
Subi na balança, pés descalços no metal frio. O ponteiro oscilou e depois parou. Ele marcou o número com um traço de caneta e depois olhou para mim. Um olhar rápido e profissional, mas que me fez sentir dissecado. Cruzei os braços sobre o peito, como se quisesse me proteger.
— Respire normalmente.
Senti seus dedos pressionarem minhas costelas, logo abaixo do peito. Ele contou minhas respirações, seu polegar roçando minha pele a cada movimento. Fixei um ponto acima de seu ombro, a mandíbula cerrada. Atrás de mim, os outros esperavam sua vez, com suas risadas contidas, seus sussurros. Imaginei os olhos deles nas minhas costas, na minha bunda, nesta cena grotesca onde eu era reduzido a um corpo nu, um número, um objeto de exame.
— Vire-se.
Obedeci, com o rosto queimando. Ele apalpou meus ombros, minhas escápulas, passou as mãos pela minha coluna. Seus dedos demoraram um pouco na parte inferior das minhas costas. Eu estremeci.
— Está com frio?
Não. Não, eu não estava com frio. Eu estava envergonhado. Estava com medo. E, pior que tudo, algo dentro de mim reagia ao toque dele, apesar da situação, apesar da presença dos outros, apesar da voz do oficial ecoando na sala como uma chamada à ordem.
Balancei a cabeça, com os dentes ainda cerrados.
Os exames continuaram, mecânicos, impessoais, como uma via-sacra.

O que me incomodava não eram apenas as mãos dos médicos, as ordens gritadas, o frio dos instrumentos. Era o coletivo. Essa intimidade forçada, essa fila onde estávamos todos amontoados, nus, expostos, como animais antes da venda.
A cada exame, éramos vários, alinhados, observados, julgados. Risadas contidas, murmúrios, olhares de soslaio. Nós nos roçávamos, nos evitávamos, nos esbarrávamos. Ombros contra ombros, coxas roçando coxas, mãos se cruzando por acidente. Cada toque era uma queimadura. Tentei ficar o menor possível, olhos baixos, braços cruzados sobre o peito, como se pudesse escapar dessa massa de corpos, desse calor sufocante, desse cheiro de suor e desinfetante.

Depois, fomos ordenados a ficar em fila contra a parede, lado a lado. Costas retas, calcanhares juntos. Ainda nus. Uma dúzia de corpos pressionados uns contra os outros, pele tocando pele, respirações ofegantes. O piso frio sob nossos pés, a parede de concreto às nossas costas.

Alguns, como eu, cobriam-se de maneira desajeitada com as mãos.
— Mãos ao lado do corpo — disse o oficial.
Sua voz estalou como um chicote. Obedeci, com os músculos tensos e os joelhos tremendo.
O oficial caminhou à nossa frente, lento, metódico. Ele parou diante de cada um.
— Todos vocês foram declarados aptos para o serviço militar.
O silêncio que se seguiu foi tão pesado que dava para cortar com uma faca. O oficial olhou para nós, com um sorriso irônico nos lábios, como se tivesse acabado de dar uma notícia boa. Como se tivéssemos ganhado um prêmio.
— Vocês ficarão conosco por um ano. Seu serviço começa agora.
Um ano.
Essas duas palavras ecoaram na sala como uma sentença de morte.
Senti meu estômago dar um nó. Agora. Não amanhã. Não daqui a uma semana. Agora. Como se tivéssemos sido arrancados de nossas vidas sem aviso, sem transição, sem misericórdia.
À minha volta, alguns abaixaram a cabeça, outros cerraram os punhos. Ninguém disse uma palavra. Ninguém ousou protestar. Já estávamos presos, engolidos pela máquina.
— Quando seu nome for chamado, apresente-se ao escritório no fundo da sala. Lá, vocês serão informados sobre a designação do regimento. Depois, se vestirão.
O oficial falava com um tom monótono, como se lesse uma lista de compras. Sem um pingo de humanidade, sem sombra de emoção. Apenas ordens, nomes, destinos. Como se nossas vidas tivessem acabado de ser reduzidas a um quadrado para marcar, um arquivo para fechar.
Um a um, os nomes foram chamados. Um a um, os rapazes se desprendiam da parede, com os ombros encolhidos e os olhos desviados. Alguns caminhavam com passos pesados, outros arrastavam os pés, como se ainda esperassem um alívio, um erro, um milagre.
Cerrei a mandíbula enquanto ouvia a ladainha. Cada nome chamado era uma martelada: você não é mais você, você é um número, um corpo, um soldado em formação.
Fui chamado por último.
Claro.
Sempre por último, por causa do meu sobrenome. Os outros já tinham ido embora, seus nomes riscados com um traço de caneta, seus arquivos fechados. Só eu restava.

O sargento encarregado das designações era menos desagradável que os outros. Ele até tinha algo de humano no olhar, um vislumbre de cansaço que o tornava quase simpático.
— Você é Valentin Zylto, certo?
— Sim, sargento.
Ele folheava os arquivos, franzindo a testa, como se buscasse a solução para um problema que não era o meu. Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvir o sangue pulsando nas minhas têmporas.
— Escute, Valentin... Todos os regimentos estão cheios. Tem muita gente este mês. As únicas vagas que sobraram são no 41º, mas é um regimento quase disciplinar, sabe? Onde mandam os encrenqueiros, os que têm problemas de disciplina, os que precisam ser quebrados. Na base da bota, se necessário. E você não tem esse perfil.
Meu estômago apertou.
— De qualquer forma — ele continuou com um suspiro —, você não fez nada para merecer isso, não vou te mandar para lá.
Prendi a respiração.
— A menos que você faça questão de cumprir o serviço militar, vou te dispensar.
Porra. Bom demais para ser verdade.
— Eu não faço questão de cumprir o serviço militar, sargento.
Ele assentiu, pegou um formulário em branco e começou a preenchê-lo. Observei seus dedos grossos segurarem a caneta, o carimbo ali ao lado, pronto para selar minha salvação. Em algumas horas, eu estaria em casa. Casa. O pensamento me atingiu como um choque elétrico, tão violento que trouxe lágrimas aos meus olhos.
Ele estendeu a mão para o carimbo.
Bem no momento em que ia carimbar o papel, um soldado entrou sem bater, inclinou-se e sussurrou algo sobre os veículos do quartel. O sargento suspirou, levantou-se, chamou um colega para assumir e desapareceu pelo corredor.
O novo sargento tinha cara de cachorro bravo. Seus olhos me atravessaram antes mesmo de ele abrir a boca.
— Então, você é Zylto?
Assenti, com a boca subitamente seca.
Ele pegou o papel e me encarou.
— Por que ele está te dispensando?
— Não há mais vagas, sargento.
Ele remexeu nos arquivos, os dedos raspando o papel.
— Há vagas no 41º.
Senti meu estômago dar um nó.
— O sargento disse que é um regimento disciplinar, que...
— O 41º não é oficialmente um regimento disciplinar — rosnou ele, enfatizando a palavra como se fosse uma ferida. — É um regimento como qualquer outro. Duro, sim. Para casos difíceis, sim. Mas não seria justo com os outros que estão prestando serviço e você não.
Ele rasgou o formulário de dispensa. O som me deu um calafrio.
— Apto para o serviço. 41º Regimento.
Plac.
O carimbo despencou sobre o meu destino.
— Um ano. 41º Regimento.
Fiquei ali, mãos tremendo, o papel entre os dedos, como um condenado que acaba de ouvir seu veredito.
Ninguém pediu minha opinião. Ninguém me deu escolha. O exército tinha acabado de roubar minha liberdade com um único gesto, e eu não tinha nem o direito de protestar.
Uma lágrima rolou pelo meu rosto.