Volume Máximo

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Resumo

Harper passou a maior parte da vida no mudo. Na escola, ela mantém a cabeça baixa. Online, ela domina os rankings em um mundo onde ninguém sabe qual é a sua aparência, e onde sua voz é a única coisa que importa. Quando ela conhece Ethan através de um jogo de tiro competitivo, a conexão entre eles é instantânea. Ele é divertido, gentil e a conhece melhor do que qualquer outra pessoa. Só existe um problema. Eles estudam na mesma escola esse tempo todo. À medida que o mundo online colide com a vida real, Harper é forçada a lidar com a visibilidade, a popularidade e a ideia aterrorizante de ser verdadeiramente vista. E Ethan precisa decidir quem ele é sem a máscara que sempre usou para todo mundo.

Gênero
Romance
Autor
Anne-Marie
Status
Completo
Capítulos
20
Classificação
4.8 11 avaliações
Classificação Etária
13+

Chapter 1

Harper Lane já tinha aprendido há muito tempo que o silêncio era mais fácil.

Na escola, o silêncio significava que ninguém a notava. Significava que ela podia sentar na última fileira da aula de inglês, com o capuz levantado e fones de ouvido mesmo sem música, e ninguém a incomodaria com perguntas. Significava que ela podia almoçar na biblioteca com o notebook apoiado nos joelhos, fingindo estudar enquanto assistia a vídeos de speedrun e guias de jogos. Significava que ela podia existir sem ser julgada.

Online, porém, o silêncio significava algo completamente diferente.

Online, o silêncio significava que as pessoas presumiam que ela era ruim.

Harper encarava a tela de carregamento de Frontline Protocol, seu jogo de tiro favorito, observando o ícone giratório no canto enquanto seu time aparecia do lado direito. Cinco jogadores. Partida aleatória. Competitivo.

Ela alongou os dedos, ajustou o headset e soltou o ar lentamente.

Ela nunca usava o chat de voz no competitivo.

Nunca.

Não porque fosse tímida. Nem porque não soubesse o que estava fazendo. Mas porque, no momento em que ela falava, a partida sempre mudava.

Na primeira vez que usou o chat de voz, dois anos atrás, ela disse exatamente três palavras.

“Inimigo no B.”

Houve uma pausa.

Depois, risadas.

“Era uma garota?”

“Você está falando sério?”

“Bom, essa partida já era.”

Ela ainda terminou como a melhor daquela partida. Mais abates. Melhor mira. Mais objetivos capturados.

Mesmo assim, culparam-na quando perderam.

Depois daquilo, ela aprendeu. Pings eram mais seguros. Chat de texto era mais seguro. O silêncio era o mais seguro de todos.

Esta noite deveria ser igual. Uma partida rápida antes de dormir. Uma ou duas rodadas, talvez três se estivesse em uma boa fase. Depois, dormir. Depois, escola. Depois, mais um dia sendo invisível.

O mapa carregou.

Urban Collapse.

Seu favorito.

Ela sorriu, apesar de si mesma.

A rodada começou. Ela se moveu por instinto, deslizando para se esconder, trocando de armas, conferindo os cantos. Sua mira estava afiada esta noite. Focada. Ela eliminou dois inimigos no primeiro minuto, quase sem sofrer dano.

Alguém no chat de texto digitou:

“nice shot”

Ela não respondeu.

Na terceira rodada, ela tinha o maior número de abates do time. Na quinta, o time inimigo estava claramente frustrado, correndo para os objetivos e sendo eliminado toda vez.

Então aconteceu.

Um de seus companheiros de equipe digitou:

“alguém pode usar o microfone? coordenação ajudaria”

Harper hesitou.

Ela observou seu personagem recarregar atrás de uma parede quebrada. Ela olhou para o placar. Eles estavam ganhando, mas por pouco. O outro time tinha começado a se adaptar.

Ela podia carregar o time, claro. Ela fazia isso com frequência. Mas aquilo era o competitivo. Coordenação realmente importava.

Ela posicionou o cursor sobre o botão de mudo.

Três segundos.

Então ela clicou.

“Hum,” ela disse, baixinho. “Eu posso passar as coordenadas, se quiserem.”

Houve uma pausa.

Ela se preparou.

“Espera,” alguém disse. Uma voz masculina. Jovem. Amigável. “Graças a Deus. Sim, isso seria incrível. Sou péssimo em ler o minimapa.”

Sem risadas. Sem comentários. Sem piadas.

Apenas… normal.

Harper piscou.

“O-okay,” ela disse. “Dois inimigos rotacionando pela esquerda. Um está com pouca vida.”

“Tô indo,” a mesma voz respondeu instantaneamente. “Te cobrindo.”

Ele cobriu.

Eles limparam o ponto juntos.

Algo no peito dela mudou.

Eles continuaram conversando.

Não muito. Apenas avisos. Frases curtas. Comunicação limpa.

Mas ele ouvia.

Realmente ouvia.

Quando ela disse “não avança, eles estão atraindo a gente”, ele não avançou. Quando ela disse “espera minha ult”, ele esperou. Quando ela disse “vou flanquear”, ele ajustou a posição sem questionar.

Ao final da partida, eles tinham ganhado de lavada.

O placar final apareceu.

Harper: MVP.

Ele: segundo lugar.

“Certo,” ele disse, rindo. “Estou oficialmente convencido de que você está carregando esse time inteiro nas costas.”

Ela sorriu antes que pudesse se conter.

“Na verdade não. Você teve um bom posicionamento.”

“Sim, porque você ficou me dizendo onde não ficar parado feito um idiota.”

Ela hesitou. Então, suavemente: “Você não foi um idiota.”

Houve um breve silêncio.

Depois ele disse: “Bem. Essa deve ser a coisa mais legal que alguém já disse para mim em um lobby de jogo de tiro.”

Ela riu.

Riu de verdade.

A próxima partida carregou automaticamente.

Eles continuaram no mesmo time.

E depois a próxima.

E a próxima.

Horas se passaram sem que Harper notasse.

Eles conversaram mais entre as rodadas. Sobre o jogo, no início. Mapas favoritos. Piores armas. Aquela atualização que estragou tudo.

Depois, o assunto mudou.

“Então, você é, tipo, uma profissional ou algo assim?” ele perguntou.

Ela bufou. “Não. Só… jogo bastante.”

“Eu também. É isso ou a lição de casa, e isso aqui pelo menos me recompensa.”

Ela sorriu. “Você também está na escola?”

“Sim. Terceiro ano do ensino médio. Está sendo um inferno.”

O coração dela disparou.

“Eu também.”

“Espera, sério?”

“Sim.”

“Isso é loucura. Nós dois estamos desperdiçando nosso último ano de liberdade jogando guerra digital.”

“Parece produtivo para mim.”

Ele riu de novo. Ela gostava da risada dele. Era leve. Natural.

“O que significa seu gamertag, na verdade?” ele perguntou. “Vanta é misterioso.”

Ela travou por meio segundo.

“É um encurtamento de Vantablack. O preto mais preto.”

“Misterioso,” ele disse. “Gostei. Melhor que o meu. Rook17. Eu criei quando tinha doze anos e achava que xadrez era legal.”

Ela sorriu. “Você ainda acha que xadrez é legal?”

“…Sem comentários.”

Eles jogaram até os olhos dela doerem e o celular vibrar com um aviso de bateria fraca.

“Provavelmente deveria sair,” ela disse relutante. “Já é quase meia-noite.”

“É, eu também. Tenho aula cedo amanhã.”

Houve uma pausa. Uma pausa estranha. Como se nenhum dos dois quisesse ser o primeiro a sair.

“Bom,” ele disse, “foi a partida mais divertida que já tive no competitivo… em toda a minha vida.”

“Eu também,” ela admitiu.

Outra pausa.

Então uma notificação apareceu em sua tela.

Solicitação de amizade de Rook17.

O estômago dela deu um nó.

“Uh,” ele disse, de repente um pouco sem jeito. “Sem pressão nem nada. Mas… a gente poderia jogar junto de novo qualquer dia?”

Harper encarou o pedido.

Três segundos.

Ela clicou em aceitar.

“Sim,” ela disse suavemente. “Eu gostaria.”

“Demais. Vou te convidar amanhã?”

“Ok.”

“Boa noite, Vanta.”

“Boa noite, Rook.”

A tela ficou em silêncio.

Harper removeu o headset e ficou ali, sentada na luz fraca do quarto, com o coração fazendo algo estranho e desconhecido.

Pela primeira vez em muito tempo, ela não estava invisível.

E ela não fazia ideia de que a pessoa que a tinha feito se sentir notada era alguém que ela cruzava todos os dias no corredor sem nem olhar.