1 - KAYLA

Jaylynn suspira, sonhadora. “Eu preciso levar ele pra minha cama—”
Eu lanço um olhar fulminante para ela, enquanto ela praticamente baba por Camden Duke — meu insuportável meio-irmão, arremessador estrela dos UMD Huskies e presidente da Delta Psi Alpha, a fraternidade que poderia muito bem se chamar “Babacas Unidos”.
Seis anos dividindo a mesma casa durante o ensino médio já foram o bastante. Agora estamos na mesma universidade com bolsas de estudo equivalentes, e eu ainda não consigo escapar da sombra dele.
“É, boa sorte com isso”, eu digo a ela. “Você não é exatamente o tipo dele. Mas tenho certeza de que, depois de alguns implantes de silicone, umas merdas de preenchimento labial e um cabelo que parece ter sido mergulhado em água sanitária, você seria o que ele procura.”
Ela estala a língua. “Fala sério. Caras como ele só têm um tipo — garotas universitárias taradas.” Ela gesticula para si mesma. “Ah, olha só. Essa sou eu!”
Eu rio, apesar de mim mesma. “Qualquer outra pessoa, Jay. Literalmente qualquer uma, menos meu meio-irmão.”
“De jeito nenhum. Você não ouviu o que dizem sobre ele?” Ela estica as mãos bem abertas, levantando uma sobrancelha de forma sugestiva.
“Isso é nojento.” Eu franzo o nariz.
“Ah, qual é, Kayla. Você não vai me dizer que, se o Camden viesse andando pra cá com aquelas covinhas e aquele maxilar, você não derreteria um pouquinho?”
Eu encaro o olhar dela com uma expressão neutra. “É exatamente isso que eu estou te dizendo…”
Ela se vira de volta para o campo com um sorriso presunçoso. “Claro, querida. O que você disser.”
Eu digo a mim mesma que não vou olhar, mas eu olho. E quando vejo Camden parado no monte do arremessador, ele é um monumento da porra.
Os ombros dele esticam o tecido do uniforme, e sua postura é tão reta que parece que ele tem uma barra de aço no lugar da coluna. O boné bordô e dourado está puxado baixo sobre a testa, mas nada conseguiria disfarçar o maxilar de Camden, afiado e cerrado com um tipo de foco que tira o seu fôlego.
Eu observo o aquecimento de Camden. Algumas garotas na arquibancada gritam quando ele faz isso, e eu sinto vontade de revirar os olhos até conseguir ver o meu próprio cérebro.
Mas, em vez disso, eu apenas fico encarando, sabendo muito bem que, por alguns batimentos cardíacos, todos os olhos — incluindo os meus — estão grudados no meu meio-irmão.
Ele é mais alto que a maioria, mais largo, e faz o uniforme cair como uma segunda pele. O número oitenta e oito tremula entre suas omoplatas, colocado estrategicamente abaixo do nosso sobrenome —D U K E.
Seus antebraços, bronzeados e saltados com veias, lançam a bola pelo ar com tanta força que eu quase espero ouvir um estrondo sônico.
“Strike!”
Não consigo evitar comparar Camden com a época em que éramos mais jovens, ambos estrelas do atletismo na nossa escola rural fora de Duluth, forçados a uma rivalidade fraternal.
Naquela época, ele era só cotovelos e raiva, arrumando brigas com garotos gordinhos e respondendo a todo adulto num raio de cinco quilômetros. E ninguém dizia porra nenhuma porque ele era o garoto de ouro, Camden Duke, o cara que ia dar fama para a nossa cidade de merda.
Eu era a quieta, a “alma velha”, a garota que nunca se encaixava.
Nós orbitávamos um ao outro por necessidade, dividindo horários de banheiro e trocando falsas gentilezas no jantar, sem um pingo de calor humano vindo de nenhum de nós.
Agora, no campo, Camden é pura força controlada, e percebo que ele canalizou cada grama daquela raiva adolescente para os arremessos.
O segundo e o terceiro arremesso vêm, e o rebatedor é eliminado. Cam não soca o ar nem grita. Ele apenas fica parado por um segundo a mais, deixando o barulho do estádio passar por ele, antes de se preparar para o próximo rebatedor.
Eu o odeio. Eu odeio mesmo.










