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Resumo

A professora do ensino fundamental Alice Bennet jurou nunca mais se envolver com jogadores de hóquei depois que um deles destruiu sua vida quando ela tinha 17 anos. Mas Jake Showalter, o capitão irritantemente charmoso dos Bulldogs, é designado para sua sala de aula e se recusa a ser odiado.

Status
Completo
Capítulos
47
Classificação
4.9 12 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo: A garota que perdeu tudo

Alice Bennet aprendeu cedo que o luto deixava as pessoas desconfortáveis.

Nos dias seguintes ao acidente que tirou a vida de seus pais, caçarolas se acumularam na sua porta, abraços foram apertados demais e sussurros de coitadinha, pobre menina a seguiam pelos corredores do mercado. Mas, quando o funeral terminou, a compaixão secou como leite derramado. Ela tinha dezesseis anos, sentada em uma casa silenciosa demais que cheirava ao perfume de sua mãe e à graxa de motor de seu pai, e, de repente, ninguém sabia o que fazer com ela.

Ninguém, exceto Ethan.

Ethan Callahan, o garoto de ouro de Somerfield, era seu namorado desde o primeiro ano do ensino médio. Alto, de ombros largos, já observado por olheiros universitários e tão absurdamente bom no gelo que seus jogos lotavam as arquibancadas como futebol americano em uma noite de sexta-feira no Texas. Os professores o chamavam de “o orgulho de Somerfield”. As garotas cochichavam sobre ele nos banheiros. Os garotos queriam ser ele.

E Ethan queria Alice.

Quando ele e seus pais apareceram alguns dias depois do funeral, Ethan segurou a mão dela, com um sorriso triste, porém firme, enquanto sua mãe enxugava os olhos e dizia: “Você não pode ficar nessa casa grande sozinha, querida. Venha morar conosco. Nós vamos cuidar de você.”

Alice acreditou neles. Ela não tinha motivos para não acreditar.

A casa dos Callahan era duas vezes maior que a dela, cheia de madeira polida e camisas de hóquei emolduradas. O pai de Ethan, um empresário que se gabava de conhecer “as pessoas certas”, gostava de ditar as regras na mesa de jantar. Sua mãe se preocupava com as aparências, servindo comida em porcelanas finas e insistindo que Alice a chamasse de “mãe”, se quisesse. Ethan beijava a testa dela todas as noites, como se fosse o herói de algum livro de contos de fadas.

Por um tempo, ela se permitiu acreditar que era real.

Mas a bondade tinha data de validade.

Começou com a casa de seus pais.

“Você não pode deixá-la parada lá, vazia”, disse o Sr. Callahan certa noite, com sua voz retumbando pela mesa. “Vai acabar se deteriorando. Vândalos, roedores, Deus sabe o quê. Seja prática, Alice.”

“Eu só…” Ela torcia o guardanapo, com a garganta apertada. “Era a casa dos meus pais. É tudo o que me resta deles.”

“É claro, querida”, disse a Sra. Callahan com doçura, dando tapinhas em sua mão. “Mas você é uma criança. Não pode administrar uma propriedade. É melhor vender, colocar o dinheiro em um lugar seguro. Pense no seu futuro.”

Ethan apertou a mão dela por baixo da mesa, com aquele sorriso de ouro no rosto. “Eles têm razão, Al. Não se torture com a manutenção e as contas. Você precisa focar na escola, em nós. Deixe meus pais ajudarem.”

E então, ela assinou.

A casa de seus pais desapareceu. Os móveis sumiram, a conta bancária foi transferida, e os Callahan garantiam que tudo estava “resolvido”. O dinheiro, diziam eles, estava na conta deles “só por enquanto”, até que ela fizesse dezoito anos. “Você não vai querer lidar com os impostos”, o Sr. Callahan dissera, dando tapinhas em sua mão à mesa de jantar.

Aos dezesseis anos, Alice se agarrava à fantasia de que eles tinham boas intenções.

Aos dezoito, ela estava pronta para seguir em frente.

Ela havia se candidatado a universidades em segredo, rabiscando redações no restaurante onde trabalhava como garçonete. Seu coração quase explodiu quando a carta de aceitação chegou. Contra todas as probabilidades, ela tinha conseguido.

Naquela noite, ela se sentou à mesa da cozinha dos Callahan, com a carta tremendo nas mãos. “Eu preciso do dinheiro da minha casa”, ela disse, com a voz suave, porém firme. “A herança. A mensalidade da minha faculdade vence no mês que vem.”

O silêncio que se seguiu a arrepiou mais do que qualquer grito.

A Sra. Callahan pousou sua taça de vinho com um cuidado deliberado. “Esse dinheiro acabou, Alice.”

Alice piscou. “Acabou? O que quer dizer com acabou?”

O Sr. Callahan dobrou o jornal. “Nós o usamos. Comida. Roupas. Gasolina. Você acha que mantê-la aqui foi de graça?”

“Isso não era de vocês!”

“Era nosso a partir do momento em que abrimos nossas portas para você”, ele disparou. “Nós demos um lar a você. Você nos deve.”

Seu peito subia e descia rapidamente. “Isso não é verdade! Vocês prometeram… Ethan, diga a eles!”

Mas Ethan não conseguia encará-la. Com o maxilar travado, seus dedos tamborilavam na mesa. Finalmente, ele murmurou: “Talvez eles estejam certos, Al.”

Seu estômago revirou. “Você não acredita nisso.”

O lábio da Sra. Callahan se curvou. “Oh, eu acho que ele acredita. Acho que você usou nossa boa vontade demais. Deixamos você ficar aqui, mas seguir o Ethan para a faculdade? Isso é demais.”

“Eu não estou seguindo ele para a faculdade! Eu passei na UMich porque eles têm o melhor programa de ciências!”

“Você está tentando prendê-lo. Acha que não percebemos? Uma garota como você, sozinha, desesperada… o que seria melhor do que engravidar do nosso filho antes dele ficar famoso?”

As palavras a atingiram como um tapa.

As bochechas de Alice queimaram. “Isso não é… como você pode sequer—”

“Não se faça de inocente”, o Sr. Callahan latiu. “Ethan tem um futuro. Ele está destinado à NHL. Você acha que vamos deixar uma garotinha do interior com cifrões nos olhos atrapalhar isso?”

Suas mãos tremiam. “Eu o amo. Eu—”

“Amá-lo?” A Sra. Callahan riu, de forma fria e cortante. “Não, querida. Você amava o que ele podia te dar.”

Alice se virou para Ethan, com as lágrimas ardendo nos olhos. “Diga alguma coisa. Por favor.”

Mas Ethan apenas olhou para o nada além dela, com uma expressão inescrutável. E, naquele silêncio, o último fio de esperança de Alice se rompeu.

No dia seguinte, sua bolsa de lona estava na varanda. Ela tentou abrir a porta da casa, mas a fechadura havia sido trocada.

A voz da Sra. Callahan flutuou através da porta fechada. “Já fizemos o suficiente por você, querida. Está na hora de andar com as próprias pernas.”

Atrás dela, a sombra de Ethan apareceu na janela. Ele não abriu a porta.

Alice tentou lutar.

Ela dormiu na casa de uma amiga e, no dia seguinte, foi falar com seu professor, que franziu a testa gentilmente, mas disse: “Os Callahan são pilares desta comunidade, Alice. Cuidado com o que você diz.”

Ela procurou seu antigo vizinho, um amigo de seus pais, que fez um sinal de desaprovação. “Aquela família te salvou quando ninguém mais o faria. Não estrague as chances do Ethan com fofocas.”

Ela até foi à polícia. O oficial mal disfarçou seu desdém. “Você assinou os documentos, senhorita Swan. Legalmente, nada foi roubado. É melhor ser grata por eles terem te mantido por tanto tempo.”

A cidade acreditava em Ethan e em sua família. Ninguém acreditava nela.

Então, ela deixou Somerfield.

Ela embarcou em um ônibus para Boston com quarenta e dois dólares no bolso e uma fúria ardendo mais intensamente do que o luto.

A cidade era barulhenta, anônima, indiferente. Ninguém sussurrava sobre seus pais. Ninguém elogiava Ethan. Ela era ninguém, e isso era liberdade.

Ela jurou que nunca mais seria impotente.

Nunca entregaria sua confiança, nunca confundiria charme com amor, nunca deixaria um garoto de ouro do hóquei chegar perto o suficiente para arruiná-la pela segunda vez.