Capítulo 1: O Alfa atrás da porta
O Alfa da Porta ao Lado
Capítulo 1: O Alfa atrás da porta
Neste mundo, a sociedade movia-se pelas regras de Alfas, Betas e Ômegas.
Os Alfas eram poderosos, dominantes e naturalmente atraídos pelos Ômegas. Diziam que os Ômegas eram o par perfeito para eles, completando o vínculo instintivo que a natureza desenhou. Os Betas, no entanto, viviam em um meio-termo — comuns, equilibrados e intocados pelos instintos intensos que governavam os Alfas e os Ômegas.
Havia também um boato silencioso que circulava pela sociedade.
De que um Alfa e um Beta nunca poderiam realmente pertencer um ao outro.
Não porque fosse impossível, mas simplesmente porque não era assim que o mundo esperava que as coisas fossem.
Ren nunca se importou muito com esses boatos.
Ele era um Beta e estava perfeitamente feliz com isso.
Alto e naturalmente bonito, Ren tinha uma aparência calma e composta. Sua vida era simples, exatamente do jeito que ele preferia. Sem instintos dramáticos, sem feromônios avassaladores controlando suas emoções. Os Betas viviam de forma mais pacífica do que os Alfas e Ômegas, e Ren gostava disso.
Mais importante ainda: ele não gostava de Alfas.
A arrogância deles, a presença esmagadora, o jeito como agiam como se o mundo lhes pertencesse — isso o irritava. Ren sempre acreditou que sua vida tranquila como Beta era muito melhor do que o caos que parecia seguir os Alfas por toda parte.
Todas as manhãs, ele ia trabalhar em uma agência de publicidade de modelos, onde cuidava de tarefas administrativas nos bastidores. Enquanto modelos e fotógrafos enchiam o estúdio de energia e euforia, Ren preferia ficar no segundo plano, fazendo seu trabalho silenciosamente.
Era pacífico.
Previsível.
E Ren gostava de previsibilidade.
Naquela noite, depois de terminar o trabalho, Ren caminhou em direção ao prédio onde morava. O sol já começara a se pôr, pintando o céu com tons suaves de laranja e dourado. Seus ombros pesavam após um longo dia, e tudo o que ele queria era um banho quente e uma boa noite de sono.
Assim que se aproximou da entrada do prédio, uma voz alegre e familiar o deteve.
“Ahh, Ren! Você chegou!”
Ren olhou para cima e sorriu gentilmente.
Ali estava a senhora do primeiro andar, a quem todos no prédio chamavam apenas de Tia. Ela era sempre gentil com ele, trazendo pequenos lanches ou perguntando como foi seu dia, como se ele fosse seu próprio neto.
“Sim”, respondeu Ren com uma risada curta. “Saí do trabalho mais cedo hoje.”
A idosa assentiu alegremente antes de se inclinar, claramente empolgada para compartilhar algo.
“Sabe, uma pessoa nova se mudou para o nosso prédio hoje. Bem na porta ao lado do seu apartamento!”
Ren ergueu uma sobrancelha levemente.
“Ah? Sério?” ele disse. “Bom… acho que isso é bom.”
Então ele acrescentou com um pequeno suspiro.
“Desde que o cara não faça barulho nem comece brigas. Você sabe que eu odeio barulho.”
A senhora riu baixinho.
“Você viu ele, Tia?” perguntou Ren.
“Bom…” ela hesitou pensativa. “Só vi as costas dele quando estava carregando caixas para cima. Mas ele parecia alto.”
Ela acenou com a mão, dispensando o assunto, antes de se virar para a rua.
“Enfim, tenho que ir agora. Minha neta está me esperando.”
Ren assentiu educadamente.
“Sim, por favor, tome cuidado no caminho de casa.”
Enquanto a senhora se afastava, Ren soltou um suspiro baixo e entrou no prédio. Ele esperou pelo elevador, massageando a nuca cansado.
O dia havia drenado toda a sua energia.
Quando as portas do elevador abriram em seu andar, Ren caminhou lentamente pelo corredor em direção ao seu apartamento. Seus passos arrastavam-se levemente contra o chão, seu corpo pesado de exaustão.
Mas, assim que chegou à sua porta, seus olhos se voltaram para o apartamento ao lado.
O lugar do novo vizinho.
A porta estava fechada.
Ren encarou-a por um momento.
Devo ir dar um "oi"?
O pensamento passou por sua mente brevemente.
Depois, ele balançou a cabeça.
“Não… esquece”, murmurou para si mesmo.
Eu nem sei que tipo de pessoa ele é. Se eu bater, ele vai achar que sou um vizinho grudento.
E, honestamente…
Ren estava cansado demais para qualquer interação social.
Ele destrancou sua porta e entrou em seu apartamento silencioso. O silêncio pacífico o envolveu instantaneamente, fazendo-o relaxar.
Primeiro, ele foi direto para o banheiro e ligou o chuveiro.
Água quente caiu sobre ele, lavando o estresse do dia. Ren fechou os olhos e soltou um suspiro suave de alívio.
Depois, trocou de roupa e comeu o jantar simples que tinha comprado fora.
A noite tranquila parecia perfeita.
Finalmente, completamente esgotado, Ren foi para o quarto e se jogou na cama.
Ele nem se deu ao trabalho de acender o abajur.
Em segundos, seus olhos se fecharam.
O pobre Ren não fazia ideia…
De que, a partir desta noite, sua vida pacífica estava prestes a se tornar uma bagunça completa.
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Algum tempo depois da meia-noite —
Um som agudo rompeu o silêncio de repente.
Os olhos de Ren se abriram de susto.
No início, ele pensou que estava sonhando.
Então, ele ouviu novamente.
O gemido de uma mulher ecoou através da parede.
Seguido por um grito alto.
Ren sentou-se instantaneamente, com o coração batendo forte em confusão.
“O quê…?”
Ele esfregou os olhos e olhou em volta no quarto escuro. Os sons continuaram, mais altos desta vez.
Suas sobrancelhas se juntaram lentamente em irritação.
O barulho vinha da parede ao lado de sua cama.
O que significava que…
Vinham do apartamento ao lado.
Ren paralisou.
A parede do seu quarto era diretamente conectada ao quarto do seu novo vizinho.
Outro gemido alto ecoou através da parede fina.
O olho de Ren tremeu.
Sua exaustão rapidamente se transformou em pura irritação.
“Você só pode estar de brincadeira…”
Os sons eram altos o suficiente para destruir qualquer chance de sono.
Ren jogou o cobertor para longe e levantou-se, sua paciência completamente esgotada. Marchando em direção à porta, ele saiu do seu apartamento e parou em frente à porta do vizinho.
Sem hesitar —
Ele tocou a campainha.
Uma vez.
Duas.
Três vezes.
E então ele continuou apertando.
Finalmente, a porta se abriu.
E no momento em que Ren olhou para cima —
Seus olhos se arregalaram.
Parado na sua frente estava um homem alto, com a camisa entreaberta, o peito musculoso visível sob a luz fraca do corredor. Seu cabelo escuro estava levemente bagunçado, como se alguém tivesse passado os dedos por ele.
Atrás dele, um leve perfume de feromônios de Ômega flutuava no ar.
O homem olhou para Ren com preguiça.
Um sorriso lento e confiante apareceu em seus lábios.
E naquele momento —
Ren percebeu algo que ele não queria perceber de jeito nenhum.
Seu novo vizinho…
Era um Alfa.










