Beatrix

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Resumo

Uma noite. Um homem. Uma traição devastadora. Quatro anos após Cruz Mora reivindicar seu corpo e desaparecer, Beatrix Fairfax é arrastada de volta para o mundo perigoso dele. O poderoso líder do sindicato, de têmporas grisalhas, está mais frio, mais possessivo e muito mais determinado do que antes. Presa entre o dever profissional e um desejo proibido, Beatrix luta contra a atração pelo único homem que a fez queimar. Mas Cruz não quer apenas a sua obediência — ele quer o seu coração, a sua rendição e a sua alma. Em um jogo de poder, obsessão e paixão sombria, a questão não é se ela vai se quebrar… A questão é se ela vai deixá-lo manter o que já é dele. Um dark contemporary romance sobre poder, trauma e amor proibido.

Gênero
Romance
Autor
Dark Matter
Status
Completo
Capítulos
27
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Eighteen

O bar era mais barulhento do que ela esperava, embora isso não fosse exatamente verdade — ela não sabia o que esperar, apenas que, onde quer que Luelle decidisse levá-la, não seria um lugar suave ou acolhedor. No momento em que entraram, com o ar carregado de calor e algo viciado por baixo, Bea sentiu isso se assentar sobre sua pele de uma forma que a fez instintivamente encolher os ombros, como se pudesse se tornar menor sem ser notada.

Não foi o barulho em si que a deixou desconfortável, mas a textura dele — a maneira como as vozes se sobrepunham em vez de se elevar, risadas com um tom mais afiado do que diversão, o pulsar baixo da música que parecia menos um fundo e mais um batimento cardíaco atravessando o ambiente. A iluminação não ajudava. Penumbra, mas não íntima. Escondia em vez de valorizar. Deixava sombras demais nos lugares errados, e Bea se viu consciente delas, consciente da forma como as pessoas ocupavam o espaço sem pedir desculpas, o jeito que se inclinavam, se tocavam, se moviam sem pedir permissão a nada nem a ninguém ao redor.

Luelle, por outro lado, parecia totalmente à vontade.

"Não fique parada desse jeito", disse ela, não de forma maldosa, mas também sem qualquer suavidade, já guiando Bea para o interior com uma mão em suas costas que parecia menos um incentivo e mais uma insistência. "São seus dezoito anos. Tente parecer que está se divertindo."

Bea assentiu, embora não tivesse certeza de como isso deveria parecer, e permitiu ser conduzida em direção ao bar. Seus dedos se curvaram levemente na borda do balcão, como se ele pudesse ancorá-la a algo sólido, algo que não oscilasse sob o peso da presença de outras pessoas. Ela percebeu, quase imediatamente, como parecia comparada a todos os outros — sua calça jeans justa, sua camiseta, escolhidas sem muito pensamento, agora pareciam subitamente... insuficientes. Não erradas, exatamente. Apenas deslocadas.

A bebida chegou antes que ela tivesse decidido se a queria.

"Comece com isso", disse Luelle, já levantando seu próprio copo. "Relaxe."

Bea hesitou apenas um segundo antes de seguir, a queimação mais forte do que ela esperava, prendendo-se levemente no fundo da garganta antes de se transformar em algo mais quente, algo que se espalhou o suficiente para suavizar as arestas de sua consciência, sem removê-la, mas atenuando-a de um modo que fez a sala parecer um pouco mais distante.

Foi entre a segunda e a terceira bebida que ela percebeu que estava sendo observada.

Não da maneira que ela sentiu quando entraram — aqueles olhares rápidos e passageiros que apenas roçavam —, mas algo mais deliberado, algo que se prendia. Ela não se virou imediatamente. Primeiro, percebeu o peso da atenção, a sensação de estar sendo fixada no lugar por algo que ainda não conseguia ver. E quando finalmente olhou, foi quase contra o seu próprio instinto.

Ele não desviou o olhar.

Isso, mais do que qualquer outra coisa, foi o que a manteve lá por um segundo a mais do que deveria ter permitido.

Não havia pressa nele. Nenhuma tentativa de disfarçar. Ele simplesmente observava, como se já tivesse decidido algo e não tivesse pressa alguma para agir. E quando finalmente se moveu, não foi brusco. Foi inevitável.

Quando ele chegou até elas, Luelle já tinha notado.

"Bem", disse ela levemente, seu tom mudando de uma forma que Bea não entendeu completamente, mas sentiu, algo se tornando mais afiado por baixo, algo avaliador. "Isso não demorou."

A atenção de Cruz não se voltou para Luelle imediatamente. Primeiro, ele se deteve em Bea, perto o suficiente para que ela pudesse ver os detalhes dele corretamente — a facilidade em sua postura, a confiança que não precisava ser anunciada porque já era presumida, o tipo de presença que alterava o espaço ao seu redor sem esforço.

"Dezoito?", ele perguntou, embora a resposta já estivesse clara.

Bea assentiu, subitamente consciente de tudo ao mesmo tempo — o jeito como estava parada, o modo como suas mãos não tinham onde se apoiar naturalmente, o jeito como o olhar dele não se desviava quando deveria.

"Só esta noite", acrescentou Luelle, uma nota de algo quase aprovador percorrendo sua voz. "Achei que devíamos marcar a ocasião como se deve."

Cruz sorriu com isso, embora o sorriso não chegasse aos olhos, e então sua atenção voltou para Bea, mais focada, mais deliberada.

"Bom", disse ele, "isso pede outra bebida."

Ela deveria ter recusado. O pensamento passou por sua mente, claro o suficiente para ser reconhecido, mas não ficou. Não quando ele estava olhando para ela daquele jeito. Não quando a atenção em si parecia algo que ela nunca tinha tido antes, algo que a fazia se sentir... vista, de uma forma difícil de separar de outra coisa, algo mais quente, que beirava a lisonja antes que ela tivesse a chance de questionar.

"Tudo bem", ela disse, mais baixo do que pretendia.

A bebida seguinte veio mais fácil. E a que veio depois, mais fácil ainda.

A essa altura, o ambiente tinha mudado. Não fisicamente, mas na forma como ela o experimentava; a nitidez estava suavizada, as bordas menos definidas, sua consciência se estreitando até parecer se concentrar principalmente nele — na forma como ele falava com ela como se ela já fizesse parte de seu mundo, no jeito como a mão dele encontrava seu braço, sua cintura, casual o bastante para parecer algo sem importância, mas deliberado o suficiente para que ela notasse cada toque.

A princípio, ela não se afastou.

Parecia... esperado. Normal, até, dentro do contexto de tudo o mais. E quando ela sentiu o lampejo de desconforto, foi pequeno e passageiro o suficiente para que ela o descartasse quase imediatamente, sem saber se era algo real ou apenas sua própria falta de costume com a situação.

"Está tudo bem?", ele perguntou em um momento, sua voz mais próxima agora, a mão descansando um pouco confortavelmente demais em seu quadril.

"Sim", ela respondeu rapidamente, rápido demais, e então, mais baixo, "estou bem".

Ele pareceu satisfeito com isso.

Luelle certamente estava. Bea notou, uma ou duas vezes, o jeito como sua madrasta observava a interação com algo parecido com aprovação, como se fosse exatamente assim que a noite deveria se desenrolar, como se não houvesse nada ali que precisasse de intervenção.

Quando saíram, o ar parecia mais frio do que deveria, a mudança do interior para o exterior a deixando levemente desequilibrada, seus passos menos firmes do que gostaria de admitir. Cruz permaneceu perto, sua mão a estabilizando de um jeito que poderia ser atencioso, ou talvez algo diferente.

"Cuidado", murmurou ele, com a boca tão perto do ouvido dela que ela sentiu em vez de ouvir.

Ela deixou.

O carro já estava esperando.

Isso, também, parecia algo que ela deveria ter questionado, mas não o fez.

A viagem passou em um borrão de pensamentos incompletos e fragmentos de conversa que ela não conseguiria reconstruir depois. Sua cabeça descansava levemente contra a janela em um momento, o movimento do carro suavizando tudo em algo indistinto. Ela continuava ciente de Cruz ao seu lado, de como sua presença não diminuía mesmo quando ele não falava, da maneira como parecia preencher o espaço de qualquer forma.

Luelle não tinha dito muito durante o trajeto, o que em si se tornou perceptível à medida que o silêncio persistia, sua presença não ausente, mas... estabelecida, como se ela já tivesse decidido que não havia nada ali que exigisse sua intervenção. Com um braço descansando contra a porta, sua atenção ia e vinha da conversa sem nunca se engajar totalmente. E quando Cruz falava, quando o foco dele se voltava para Bea novamente, ela não interrompia, não redirecionava, simplesmente permitia que continuasse como se fosse o esperado.

Em certo ponto, quando o carro diminuiu a velocidade em um semáforo, Cruz olhou para ela, algo breve passando entre os dois que Bea não entendeu bem — não as palavras em si, mas a naturalidade daquilo, a familiaridade do tom.

"Vou precisar do número dela", disse ele.

Luelle não hesitou.

"Tudo bem", respondeu ela, já buscando a bolsa, tirando o telefone com uma eficiência distraída que sugeria que aquilo não era algo que valesse a pena pausar. "Eu te passo."

Bea se virou levemente com isso, não bruscamente, não o suficiente para interromper, mas o bastante para que o momento ficasse registrado; um pequeno lampejo de algo que ela não nomeou imediatamente, algo que não parecia inteiramente confortável, mas que não se elevou o bastante para ser um desafio.

Luelle ditou o número sem perguntar.

Cruz repetiu uma vez, memorizando, e então assentiu.

"Fácil", disse ele.

E foi isso.

O carro seguiu, o momento passando como se não tivesse tido peso algum, embora Bea sentisse, vagamente, que algo tinha mudado sem que ela compreendesse exatamente como ou quando aconteceu.

Quando o carro finalmente parou, ela não estava preparada.

"Aqui?", ele perguntou, embora, mais uma vez, não parecesse uma pergunta.

"Sim", disse Bea, com a voz mais suave agora, a palavra prendendo-se levemente.

Quando o carro parou de vez, Luelle se moveu primeiro, abrindo a porta sem hesitação, já saindo como se a noite tivesse corrido exatamente como planejado, deixando Bea um segundo mais lenta para seguir, a mudança do interior para o exterior a deixando levemente desequilibrada —

Ela olhou para trás antes de sair completamente, sem ter certeza absoluta do motivo, apenas ciente de que algo naquele momento parecia exigir isso, e foi então que ele se inclinou.

O beijo não foi forçado. Não precisava ser.

Foi breve, controlado, o tipo de contato que permanecia mais pela implicação do que pela duração. E quando ele se afastou, havia um sorriso sutil no canto da boca que sugeria que ele já sabia exatamente o que tinha causado.

"Eu te ligo", disse ele.

Bea assentiu, embora não tivesse lhe dado seu número, embora não tivesse pensado sobre isso de forma alguma.

"Tudo bem", respondeu ela, a palavra quieta, quase incerta.

Ele não corrigiu.

No momento em que ela fechou a porta e o carro arrancou, ela ficou parada ali por um segundo a mais do que o necessário, a noite se assentando ao seu redor de um modo que parecia diferente agora, alterado, como se algo tivesse mudado sem que ela entendesse completamente como.

Dentro do carro, Cruz recostou-se no banco, a naturalidade voltando a ele como se toda a noite não tivesse passado de um passatempo leve.

Lucien olhou para ele primeiro.

"E então?", ele disse.

Cruz soltou algo próximo a um riso, baixo, satisfeito, seu olhar vagando brevemente para o vidro traseiro antes de voltar para a frente.

"Dezoito", ele disse, quase ocioso. "Doce o suficiente."

Dagger deu um sorriso irônico, inclinando-se para trás com um meneio silencioso de cabeça.

"Você vai deixar por isso mesmo?", ele perguntou.

A expressão de Cruz mudou levemente, não em dúvida, mas em consideração, como se a resposta já tivesse sido decidida muito antes de a pergunta ser feita.

"Não", disse ele simplesmente. "Acho que vou me divertir um pouco com essa."

A boca de Lucien se curvou em resposta, o entendimento imediato, compartilhado sem precisar ser dito em voz alta, e o carro continuou noite adentro, levando consigo a diversão fácil de homens que já tinham superado o momento, mesmo que, em outro lugar, ele apenas começasse a ganhar força.