The Encounter
“Você está demitida!!!”
Uma pilha de papéis foi jogada no rosto de Sara. Ela baixou a cabeça.
“Eu não te disse para terminar isso no prazo? Esse projeto é crucial para a nossa empresa!”, a voz do gerente trovejou.
“Sinto muito, senhor… Tive uma emergência ontem, precisei sair mais cedo”, a voz dela tremia.
“Emergência? Não me venha com essa merda. Por que é sempre você que tem emergências, hein? Eu já te coloquei em um turno de 9 horas enquanto os outros estão trabalhando 12, e ainda assim você não consegue entregar? Você tem noção do tipo de estrago que isso pode causar com nosso novo cliente? Você ao menos pensa?”
Os olhos de Sara ficaram fixos no chão. “Eu… eu sinto—”
“Cala a boca!”, ele a interrompeu bruscamente. “Saia. Não volte mais.”
A voz dela falhou enquanto ela implorava: “Senhor, por favor… não faça isso. Por favor…”
Mas ele já tinha pegado o telefone. “Srta. Normi, acerte os pagamentos finais de Sara Novak. Ela foi desligada.”
“Sim, senhor”, veio a resposta rápida do RH.
****************
3 anos atrás
A música pulsava pelas paredes da boate como um segundo batimento cardíaco. Luzes estroboscópicas varriam a multidão, corpos pressionados uns contra os outros em uma onda interminável de perfume, suor e bebida. Não era uma boate qualquer; era a boate, de propriedade de um dos homens mais ricos da cidade, Belvaria. Entrar ali era quase impossível a menos que você conhecesse as pessoas certas, mas, naquela noite, Sara tinha sido arrastada por Nora, sua melhor amiga obcecada por festas.
“Ahh, minha cabeça está girando, não consigo ver nada direito”, Nora arrastava as palavras, inclinando-se pesadamente sobre o ombro de Sara.
Sara suspirou, já se arrependendo de ter aceitado. “Eu não te avisei para não beber tanto?”
“Desculpe, querida…” Nora riu, suas palavras se misturando enquanto sua mão agarrava o braço de Sara para se equilibrar. “Eu não consigo evitar quando as bebidas ficam chamando o meu nome. Por favor, me ajude. Me leve para algum lugar fora dessa multidão.”
Antes que Sara pudesse responder, Nora praticamente desabou contra ela, forçando-a a segurar a garota. Sara revirou os olhos, mas apertou o passo, guiando a amiga através da multidão agitada.
Parecia impossível respirar com a música batendo tão forte e o ar denso de suor e fumaça. “Está bem, está bem”, Sara murmurou, carregando Nora em seu ombro enquanto procurava um lugar calmo. “Vamos encontrar uma sala vazia.”
Ela avistou um corredor lateral que levava para longe da pista de dança principal. Com algum esforço, guiou Nora até um sofá de couro luxuoso no canto. “Sente aqui”, Sara ordenou suavemente, acomodando a amiga. “Fique aqui. Vou ver se encontro uma sala vazia.”
A cabeça de Nora tombou no apoio de braço, seus lábios se movendo sem emitir som. Sara esfregou as têmporas. “Inacreditável.”
Virando-se, ela alcançou a maçaneta da porta mais próxima. O baixo da sala principal parecia abafado pelas luzes vermelhas e azuis. No segundo em que ela girou a maçaneta—
E congelou.
“Ahh, isso… mais rápido—porra—mais forte!” A voz de uma garota gemia lá dentro, aguda e ofegante.
Os olhos de Sara se arregalaram enquanto seu corpo ficava rígido. Ela tinha aberto a porta errada.
A cena à sua frente a atingiu como um soco. O homem, aquele por quem ela tinha uma queda secreta. O homem sobre o qual todas as garotas sussurravam nos corredores, nas redes sociais, até em seus próprios devaneios.
Kairo Valen.
Seu coração disparou até a garganta. Ele estava lá, nu, sem vergonha, seu corpo se movendo com uma arrogância natural. Suas costas eram lisas, cheias de músculos e tatuagens, e seu cabelo castanho escuro estava úmido de suor. As bochechas de Sara ficaram vermelhas na hora.
A garota debaixo dele de repente a avistou e gritou: “Ei, você! O que está fazendo aqui?”
Sara tropeçou para trás, com as mãos trêmulas. Ela queria fechar a porta e correr, mas então ele olhou para cima.
Kairo.
Aqueles olhos verdes penetrantes encontraram os dela como um holofote. Ele nem se moveu. Nem se preocupou em se cobrir. Ele apenas a encarou com aquela expressão maligna e indiferente, como se ela fosse um inseto ou, pior, um entretenimento.
Os joelhos de Sara quase falharam. Ela se virou, atrapalhada: “D-desculpa! Eu não—”
“Ei. Você.” A voz dele cortou o ambiente como um chicote. “Pare.”
Ela congelou. Seus pulmões esqueceram como funcionar.
Lentamente, Kairo se levantou. Ele não se deu ao trabalho de buscar roupas ou mesmo um lençol. Seu corpo nu brilhava sob a luz baixa da boate, e o rosto de Sara queimava de tão quente. Ela não conseguiu se controlar; seus olhos desceram para baixo.
Porra!
Uma onda de calor correu por seu estômago, concentrando-se em seu centro. Ela se xingou mentalmente, tentando desviar o olhar, mas ele percebeu. É claro que ele percebeu.
Kairo olhou para si mesmo, depois de volta para ela, com um sorriso lento se espalhando pelos lábios. Ele se aproximou, sem pressa, como um predador. “Que olhar é esse? Quer participar?” Suas palavras pingavam sarcasmo, mas havia um tom perigoso na forma como seu olhar permanecia nela.
A garganta de Sara fechou. Sua voz a traiu, suave e trêmula: “Eu—eu deveria ir.”
O peito de Sara subia e descia rápido demais, suas mãos tateando o batente da porta. Seu corpo inteiro vibrava de vergonha, calor e algo mais sombrio que ela se recusava a nomear. Ela não aguentou; ela saiu correndo.
“Pare, ei!” A voz de Kairo veio atrás, rindo, divertido. “Pelo menos me traga uma taça de vinho—”
Mas ela já tinha ido, com o coração batendo forte contra as costelas e a respiração em suspiros.
Atrás dele, a garota choramingou. “Kairo… por que você parou? Volte, por favor. Não me deixe na mão.”
Ele se virou para ela com preguiça, o sorriso nunca saindo de seu rosto. “Relaxe, baby. É claro que eu vou continuar.”
E, assim, ele se deitou novamente, sorrindo para ela, enquanto agarrava seu peito e capturava seus lábios, sua atenção indo embora tão rápido quanto chegou.
Do lado de fora, Sara se pressionou contra a parede, com as bochechas coradas e o pulso acelerado. Seus lábios tremiam enquanto ela sussurrava baixinho: “Droga… será que ele é real mesmo? Porra… estou perdendo o juízo.”
Seu corpo ainda tremia quando ouviu a voz bêbada e distante de Nora. “Sara? Onde você está? Não me deixeee.”
Sara gemeu, jogando o cabelo para trás do rosto. “Droga, Nora…”
Arrastando-se de volta para a amiga, ela a encontrou espalhada pelo sofá, com um salto jogado longe e a cabeça caída para o lado. Sara suspirou e se agachou. “Você tem sorte de eu te amar.”
Ela colocou o braço de Nora sobre seu ombro e a puxou, ignorando suas próprias pernas trêmulas. Enquanto a levava corredor adentro, procurando uma sala diferente, sua mente se recusava a sossegar.
Os olhos de Kairo. O sorriso dele. A voz dele. Sua aura sem vergonha e seu corpo nu.
Cada detalhe queimava sua pele como fogo.
E, por mais que tentasse afastar aquilo, a verdade era inegável.
Sara estava fisgada.










