A Pequena Intrusa: Anatomia do Medo (Livro 1)

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Resumo

Maeve Fallon adentrou os sombrios cofres de Edimburgo para salvar seu futuro, apenas para acabar nos braços de um predador cujo rosto jamais viu. Ele poupou sua vida, mas roubou sua paz, deixando uma marca invisível de posse sobre sua pele. Agora, enquanto Maeve tenta desesperadamente ocultar as evidências de sua invasão, ela percebe que fugir não é uma opção. A sombra das catacumbas a está perseguindo. Ele conhece o cheiro dela, deleita-se com seu tremor e está lentamente apertando o cerco ao redor de seu mundo. O jogo de gato e rato começou, e Maeve ainda precisa descobrir a verdade mais aterrorizante: o monstro da escuridão não está mais escondido no subsolo. Ele já está aqui, olhando diretamente em seus olhos, esperando que ela caminhe por vontade própria para dentro de sua jaula.

Gênero
Romance
Autor
EonniWorld
Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
4.0 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Maeve

A chuva em Edimburgo não cai. Ela arranha. Sentei-me no parapeito da minha janela, em um quarto apertado, ouvindo as gotas afiadas atingirem o vidro como pregos gelados. Mas a escuridão lá fora não era nada comparada à que apertava minha garganta.

Meus papéis, centenas de páginas de pesquisa sobre o Dr. Knox, estavam espalhados pelo chão como folhas secas. Bolsa de estudos perdida. Visto perdido. Vida perdida.

“Você está me assustando, Maeve”, Clara sussurrou de sua cama. “Você parece um fantasma esperando pela própria execução.”

“Não tenho tempo para dormir, Clara”, respondi, com a voz seca, como papel sendo arranhado. “O comitê é amanhã. Amanhã estarei diante dele. O novo professor. Um carrasco que se deleita com as cinzas dos sonhos dos outros.”

“Por que você não desiste dessa história mórbida sobre Knox?”, ela suspirou. “Aquele diário queimou, Maeve. Ele não existe.”

Meus lábios se curvaram em um sorriso lento e sombrio. “É o que todos pensam.”

Puxei uma caixa preta debaixo da cama. Dentro dela, jazia uma máscara elegante que cobria a metade superior do rosto e um convite com o símbolo de uma coroa de espinhos.

“Elias deixou isso para mim antes de tirar a própria vida”, sussurrei, tocando o plástico frio da máscara. “O diário não queimou, Clara. Ele foi roubado. E, hoje à noite, está sendo vendido nos Vaults. Embaixo da cidade. Em um leilão para pessoas cujos desejos são mais sombrios do que suas contas bancárias.”

“Eles vão te matar se te pegarem!” Clara levantou-se, com os olhos arregalados de pânico. “Você não tem dinheiro, não tem proteção!”

“Não vou comprar o livro”, disse, enquanto vestia um casaco preto longo. “Vou fotografá-lo. Três páginas. É só o que preciso para provar que meu mentor não era louco.”

Saí em direção à escuridão, enquanto o som da chuva me chamava para as profundezas.

Os cofres subterrâneos de Edimburgo cheiravam a umidade, ferrugem e um luxo absurdo. Os degraus de pedra estavam escorregadios enquanto eu descia para as entranhas da cidade, com o rosto escondido pela máscara preta. O guarda na entrada apenas olhou para o meu convite e deu passagem.

Entrei. O salão principal era grotesco. Homens de smoking usando máscaras de lobo e demônio bebiam champanhe, esperando para dar lances em pecados roubados.

Não perdi tempo. Escapulirei para o setor VIP, onde os itens estavam expostos. Meu coração batia contra as costelas enquanto eu entrava em uma sala pequena e isolada.

Lá estava ele. O Diário da Fisiologia do Medo.

A caligrafia do Dr. Knox era maníaca. Esboços de rostos contorcidos em um grito. Textos sobre como o terror puro quebra ossos por dentro. Tirei minha câmera.

Click. Primeira página. Click. Segunda.

E então cometi um erro. Meu anel de prata roçou o vidro da vitrine. O som ecoou no silêncio como um tiro.

“Ei! Quem está aí?!” A voz do guarda atingiu-me como um chicote.

A adrenalina explodiu. Enfiei a câmera no bolso e me joguei em direção à porta de serviço. Corri por um labirinto de corredores escuros enquanto os gritos dos guardas ecoavam de todos os lados. Eles estavam me cercando.

Vi uma cortina de veludo pesada em um nicho. Um beco sem saída. Minha única chance. Deslizei por trás dela, apertando-me no espaço estreito e sufocante.

Eu estava na escuridão absoluta. Tentei acalmar minha respiração enquanto os passos pesados dos guardas troavam logo à minha frente e começavam a diminuir.

Fechei os olhos sob a máscara, soltando um longo suspiro de alívio.

E então, o ar mudou.

Aquele nicho estreito não cheirava mais a mofo. Eu o senti. O perfume de tabaco caro, chuva e uísque envelhecido. Meu corpo paralisou. Eu não estava sozinha.

Alguém estivera ali, no escuro, antes de mim.

Tentei me virar, mas antes que pudesse respirar, uma mão grande e impiedosa surgiu das sombras.

Couro. Ele usava uma luva de couro. Sua superfície fria pressionou meus lábios com brutalidade, abafando qualquer grito. Outra mão envolveu minha cintura, levantando-me na ponta dos pés e prendendo minhas costas contra a parede de pedra.

Eu estava presa em uma gaiola de carne e pedra.

Sua cabeça se inclinou lentamente. Senti o calor de sua respiração bem perto do meu ouvido, enquanto a ponta de seu nariz roçava levemente a borda da minha máscara.

E então ele falou. Sua voz era um sussurro baixo e lento. Profunda, rouca e sombria, ela vibrou direto através dos meus ossos.

“Você está fugindo de monstros, pequena intrusa...”, ele sussurrou, seu polegar enluvado de couro traçando lentamente meu lábio inferior, “...ou acabou de correr direto para os braços de um?”