Um - De volta
Katie
Eu deveria ter dito não.
Mas o problema da culpa é que ela não pede permissão. Ela simplesmente te arrasta de volta, não importa o quanto você tente fugir dela.
A música está alta demais para o tamanho do carro, mas ninguém diminui o volume.
Justin está com um braço para fora da janela, os dedos batendo na porta no ritmo da batida, enquanto Sally mantém as duas mãos no volante.
Dou uma olhada no celular. Oito mensagens do Brad. Uma atrás da outra. Bloqueio a tela.
O sol do fim da tarde corta o para-brisa, aquecendo o painel e nossas pernas, e por um segundo, quase parece normal.
Como uma daquelas viagens de anos atrás, quando a gente se amontoava no carro de alguém com malas demais, besteiras para comer e sem plano nenhum, exceto chegar na casa de campo antes de escurecer.
“A gente quase perdeu tudo”, diz Sally, com um tom de quem está prestes a dar um soco no volante.
“Sério, Sal. Quando você ligou, achei que fosse só papelada. Não percebi que estávamos tão perto de perder o lugar.”
“É, bem, o que você queria que eu dissesse? ‘Ei, Katie, espero que esteja bem, vem aqui me ajudar a des-foder essa bagunça?’”
Sally ri. “Estou feliz que você esteja aqui.”
Ela tira uma mão do volante e toca a minha.
Justin se inclina para a frente no banco de trás, baixando o som. “Sinceramente, achei que você estivesse exagerando. Mas trinta dias? Isso é uma merda de contagem regressiva para o apocalipse.”
“E já se passaram dez dias”, acrescento. “Então, sem pressão.”
“Demais.” Sally aperta o volante com um pouco mais de força. “Encontrei a notificação em uma pilha de cupons de pizza na minha casa antiga. Se eu não tivesse parado para pegar as correspondências, eu estaria totalmente fodida.”
Justin balança a cabeça. “E os vizinhos vêm reclamando há meses, pelo que parece.”
“Típico”, diz Sally, revirando os olhos. “Deixa uns filhinhos de papai comprarem a orla, e de repente o lugar da sua avó vira um ‘perigo’. Tipo, desculpa por não termos instalado uma piscina de borda infinita. A história não tem mais valor nenhum.”
Justin sorri. “O problema é que o lugar realmente tem história. Não dá para deixar os fantasmas da nossa infância serem demolidos para sempre.”
Olho pela janela, mas já não vejo a estrada. Estou vendo a casa de campo como costumava ser. O píer lotado em julho. Toalhas molhadas jogadas no corrimão. Música vindo da cozinha com a porta de tela batendo a cada poucos minutos.
Finais de semana nas férias de inverno, quando vínhamos de qualquer jeito, dirigíamos até a colina, congelávamos os dedos praticando snowboard e andando de trenó o dia todo, depois voltávamos com as bochechas vermelhas e morrendo de fome, espalhando neve pelo corredor enquanto alguém gritava: “Cadê o chocolate quente?”
“O aniversário de dezesseis anos da Sally foi a maior merda da década”, diz Justin, rindo.
“Aquele ponche era noventa por cento vodka e dez por cento fruta no final. Até hoje não estou convencida de que ainda tenho fígado.”
Sally geme. “Minha mãe ainda acha que um de nós batizou a bebida.”
“Um de nós?”, eu digo.
Justin fica quieto.
Sally revira os olhos. “O Nick tentou lutar com uma vespa.”
“Ele tentou *boxear* com uma vespa”, corrijo. “O desgraçadinho ganhou também.”
Justin ri. “Ele foi picado e gritou como se tivesse levado um tiro. Achei que ele fosse pular do píer só para fugir.”
“Ele gritou mesmo”, acrescento, já sorrindo com a lembrança.
Por um segundo, é fácil. Familiar. Como se nada tivesse mudado de verdade.
Então, aquela sensação de afundamento volta.
“Então, nós consertamos o que der esta semana”, eu digo. “O suficiente para mostrar à cidade que o lugar não está abandonado.”
“Essa é a ideia”, diz Sally. “Tornar o lugar seguro, deixá-lo com cara de habitável de novo, deixar claro que estou fazendo um esforço.”
“E ganhar tempo”, Justin completa.
“Isso também.”
Justin dá de ombros. “Uma semana. Vamos nessa.”
Uma semana. Parece fácil quando ele fala assim. Um projeto. Um favor. Um período de tempo com um começo e um fim.
Não é nada disso. Não para mim.
“O Nick vai nos encontrar lá?”, pergunto.
Sally balança a cabeça. “Ele tinha que mostrar um imóvel hoje de manhã.”
“É, ele está indo bem”, diz Justin. “Nada supera o desgaste emocional como decorar um daqueles condomínios novos na cidade.”
Eu sorrio, mas o sorriso desaparece rápido. Me recuso a perguntar sobre o Cole. Até o nome dele na minha cabeça me irrita.
Não preciso perguntar. O silêncio em torno do nome dele já é barulhento o suficiente.
Sally limpa a garganta. “Ele já está lá.”
Quando foi que ela virou telepata?
Mantenho meus olhos na janela. “Ok.”
“Ele chegou mais cedo para dar uma olhada nas coisas.”
“Ok.”
Justin se mexe e olha para trás, para mim. “Ele está nos fazendo um favor, Katie.”
Ouvir o Justin falando sério significa alguma coisa. Deixo passar.
“Estou totalmente calma”, digo. Por causa deles. Talvez um pouco por mim também.
Justin balança a cabeça. “Vai ficar tudo bem. Também vai ser divertido. Eu sinto isso. Tirei umas cartas de tarô hoje de manhã antes de sairmos. A maioria vermelhas, umas duas pretas. Então, e daí se tivermos um ou outro probleminha?”
Lanço um olhar para ele. “Você realmente fez isso?”
“Você sabe que eu fiz. Um pouco de visão ajuda muito, Katie.”
Olho para ele pelo espelho retrovisor.
Ele levanta as mãos. “Eu me rendo. Retirada total.”
Sally balança a cabeça, mas está sorrindo. É provavelmente por isso que eu vim de verdade. Não só pela casa de campo. Porque a Sally parecia estar prestes a perder o controle, e eu a conheço melhor do que ela pensa.
A estrada faz uma curva e as árvores começam a ficar mais ralas. A água brilha entre elas, iluminada sob o sol poente. Meu estômago me atormenta tanto que tenho que me mexer novamente.
Digo a mim mesma que é o lugar. As lembranças. O fato de que não volto aqui há cinco anos.
Não me permito cavar mais fundo que isso.
“Nós realmente podemos fazer isso”, diz Sally, mais baixo agora, como se estivesse convencendo a si mesma tanto quanto a mim. “É muita coisa, mas com todo mundo lá e o Cole cuidando das coisas pesadas, podemos fazer uma diferença real.”
Lá está ele de novo. O nome dele jogado na conversa como se não significasse nada.
Talvez para todo mundo não signifique mesmo. Justin abaixa mais um pouco a música. “No que exatamente estamos nos metendo?”
Sally solta um suspiro. “Os corrimãos da varanda precisam ser trocados. Tem infiltração perto das janelas dos fundos. Parte do piso da cozinha perto da entrada de serviço está amolecido, o que estou tentando não pensar muito a respeito, e o inspetor da cidade apontou negligência externa, problemas estruturais e questões gerais de segurança. A frente precisa que o gramado seja cortado. Toda aquela coisa boa.”
Justin assobia. “Questões gerais de segurança. Puta merda.”
“É verdade”, ela diz.
Olho para a água novamente. “Se fôssemos estranhos passando de carro, provavelmente diríamos a mesma coisa.”
“Não, não diríamos”, diz Sally imediatamente.
Olho para ela. Ela mantém os olhos na estrada. “Diríamos que precisa de ajuda. Não que deveria ser demolido.”
Ela tem razão. Algumas coisas parecem perdidas até que alguém que as ama chegue perto o suficiente para saber melhor. Esse seria o nosso grupo. Amigos desde que me entendo por gente. Não tanto agora.
O cascalho estala sob os pneus enquanto Sally vira na longa entrada, e de repente, chegamos.
A casa de campo para todas as estações surge entre as árvores e, embora eu soubesse o que esperar, vê-la assim ainda me tira o fôlego por um segundo. A linha do telhado é a mesma. A varanda em torno de toda a casa ainda está lá. O gramado inclinado ainda desce em direção à água. Mas o tempo cobrou seu preço. A tinta descasca ao longo do revestimento. Um canto da varanda está caído. O mato cresceu pelas bordas, e os antigos canteiros de flores não passam de ervas daninhas agora.
Parece cansada. Também parece ela mesma. De certa forma.
Sally estaciona o carro e desliga o motor. A música para, fazendo cada pensamento parecer mais alto.
Por um segundo, nenhum de nós se move.
Então Justin abre a porta. “Bem”, ele diz enquanto sai. “Ela ainda está de pé.”
Por pouco, penso, mas guardo isso para mim.
Saio logo atrás dele, o ar mais fresco roçando meus braços descobertos. Tem cheiro de água e madeira aquecida pelo sol, e o lugar ainda entra nos seus ossos, quer você queira ou não. Fecho a porta do carro e fico ali por um segundo, observando.
A varanda onde costumávamos sentar enrolados em cobertores depois da meia-noite. O píer onde passamos verões inteiros conversando, mergulhando e sendo apenas nós mesmos.
E então eu vejo o caminhão.
Estacionado de lado, perto dos fundos, grande, escuro e limpo o suficiente para se destacar contra a idade de tudo ao seu redor. O logotipo na porta é impossível de não notar.
Adams Commercial Contracting.
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Bem-vindos, amantes de romance 💜
Back To Before é um romance/erótico de segunda chance, ambientado em uma cidade pequena, sobre ex-namorados forçados a voltar para a vida um do outro quando não é mais uma opção voltar para casa. Espere faíscas de ciúmes, um passado complicado, amizades estilo "família escolhida" e uma tensão em banho-maria que fica quente.
Se você gosta de romances de segunda chance, dramas de cidade pequena, amigos inseparáveis, segredos do passado que explodem no presente e calor emocional com cenas adultas explícitas...
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Mergulhe, se apegue, grite com eles quando fizerem merda.
Estou lendo junto com você.
E.G.💜
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1. Ficção, Ação, Erótico, Romance / Cenas Adultas. 18+









I hope we figure who everyone is to everyone quickly lol
I know this is going to be another EPIC piece of EG Patrick writing. buckle up it’s going to be an amazing wild ride
I'm already intrigued, who the hell is brad? And Cole? I hope they are not planning on living in that house as they repair. It sounds like an accident about to happen
Let's get to it 📖 🥸🥸