Rainha da Ruína

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Resumo

"No mundo dele, poder é gravidade. No dela, controle é sobrevivência." Olivia é um tubarão em um mundo de lobos. Como o braço direito, perspicaz e ferozmente leal, de Antonio, ela administra um império de trinta e cinco andares com uma precisão gélida que não deixa espaço para erros. Ela não aceita desculpas, não tolera fraqueza e, certamente, não se rende. Mas então veio o Martini. E então vieram os olhos. Theo. Para o mundo, ele é O Barão. Para seus inimigos, ele é o Diabo. Um homem de sussurros sombrios e autoridade absoluta, ele é a única pessoa que Antonio teme — e a única a quem Olivia não consegue resistir. O que começou como um jogo letal de olhares em um bar lotado rapidamente se transforma em uma colisão de alto risco na sala de reuniões. Theo não quer apenas um lugar à mesa; ele quer a mulher sentada à sua frente. Ele lhe oferece ultimatos; ela lhe dá consequências. Ele exige sua submissão; ela lhe oferece guerra. À medida que as linhas entre a lealdade profissional e o desejo indomável se confundem sob a sombra do terraço, Olivia precisa decidir se está disposta a entregar as chaves de seu reino. Antonio a avisa que ela está brincando com fogo. Electra a avisa que ela está dançando com o diabo. Mas Olivia está cansada de jogar pelo seguro. Se o Diabo está vindo buscar sua alma, é melhor ele estar preparado para se curvar. Porque Olivia não é apenas um peão no jogo dele — ela é a maldita Rainha de tudo.

Gênero
Romance
Autor
Elena K.
Status
Completo
Capítulos
45
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

“Parecia gravidade. 

Parecia um soco.

Parecia um terremoto.

Parecia uma erupção vulcânica.

Era essa a sensação do poder — uma onda percorrendo meu sistema, pulsando em minhas veias. Estava quente. Eu estava queimando de febre? Lancei um olhar para a janela, usando o vidro escuro como espelho. Meu reflexo encarou de volta; meu cabelo estava em um coque bagunçado, mas eu parecia, de alguma forma, impecável. Minha maquiagem estava intacta: rímel preto, um toque de blush e meus lábios em um tom de roxo profundo — sempre ali, sempre iguais. O tom escuro dos meus lábios criava um contraste marcante com meu cabelo castanho com luzes.

Eu não dava conta do enxame de pensamentos na minha cabeça. Uma descarga percorreu todo o meu corpo. O que eu estava bebendo? Eu estava bêbada? Será que eu o conhecia? Claro que não; eu tinha certeza de que nunca o tinha visto ali antes. Ou talvez ele frequentasse o lugar, mas aquela era a minha primeira noite. Eu tinha vindo com Electra, mas ela se enrolou com alguma coisa — provavelmente estava no escritório, no primeiro andar. Então, lá estava eu: sozinha, não bêbada — pelo menos não ainda —, mas eu pretendia mudar isso em breve.

E então havia ele, e aqueles olhos. Negros como o Érebo. Seu olhar atravessava a minha alma. Eu não deveria ter olhado, mas não me escondi; eu o encarava — sem filtro e sem restrições. Tentei memorizar o rosto dele. Mas aqueles olhos… e o jeito que ele falava com o homem e a mulher parados à sua frente. Não era só comigo; a mulher parecia tão hipnotizada quanto eu. Os olhos, o sorriso, a linha definida do maxilar — perfeição. Ele era como uma estátua, cheia de contornos rígidos e malícia. Uma obra de arte. Ele era o tipo de homem que faz as mulheres babarem — e, porra, eu estava babando, e não era só pela boca.

Eu precisava chegar perto dele. Meu coração batia em um ritmo que batia todos os recordes. Dei outra olhada no meu reflexo. Eu usava calças slim-fit e uma camisa branca com uma gravata preta. Eu tinha curvas — nem gorda, nem magra, mas firme. Minhas unhas estavam feitas com uma francesinha, sempre francesinha. O toque final eram saltos altos que não deveriam existir, mas eu caminhava pelo mundo neles. Das cinco às nove, como diz a música.”

“Vendo algo que gostou, Olive?” A voz de Electra me tirou dos meus pensamentos. Eu não queria ser acordada, no entanto. Eu estava jogando um jogo de caça — mas, àquela altura, eu nem sabia se era a presa ou a caçadora.

“Você me conhece, só estou descansando a vista”, respondi, tentando soar casual. “Mas agora você tem toda a minha atenção. Então, me diga — houve uma emergência de verdade ou você só queria ajudar o Antonio a colocar lenha na fogueira?”

“Você e essa sua boca, Olive!” Electra riu com um sorriso malicioso. “Eu sou uma dama — especificamente a dama dele. Posso colocar lenha na fogueira quando, como e onde eu quiser.” Sua voz suavizou em um tom leve. “Quer beber mais alguma coisa? A propósito, o que você está bebendo?”

Nesse momento, um garçom se aproximou da nossa mesa alta. Ele colocou uma taça de martini com duas azeitonas na minha frente. Com a voz mais calma que já ouvi, ele disse:

“Esta bebida é do cavalheiro no camarote. Ele disse que, se você quiser, deveria se juntar a eles. Se não, não tem problema nenhum.” E, com isso, ele desapareceu.

Electra e eu encaramos a taça, depois uma à outra. Ela olhou para ele — não por muito tempo, mas o suficiente para ver Antonio sentado ali também.

“Olive, o que você fez?”

“Eu não fiz nada. Eu só... descansei o olhar.”

“Nele? Você sabe ao menos quem ele é?”

“Não, nunca o vi antes. Mas vejo que o Antonio está com ele.”

“Claro que está. Ele é colega dele. Entre os dois, o Antonio é o santo.”

“Como assim, ‘o Antonio é o santo’? Electra, o que está acontecendo?”

“Olivia, qual é. Ligue os pontos. Você é uma mulher inteligente — consegue dar conta da carga de trabalho de um departamento inteiro em uma hora. O Antonio sempre me diz que, se ele tivesse que ir embora, você tocaria a firma toda sem nem precisar sentar na cadeira dele. Você é o braço direito dele.”

“Electra, pare de falar por enigmas. Me conte logo.”

“Não cabe a mim dizer”, disse Electra, inclinando-se para me dar um beijo na bochecha antes de começar a caminhar em direção à mesa deles. “Mas vou te dizer uma coisa: se você escolher ir até lá, terá acabado de entregar ao diabo a escritura e as chaves da sua casa.”

“Electra, espere! E quanto a você? Você também está indo lá.”

Ela parou e olhou para trás com uma piscadela. “Querida, eu dei oi para o diabo, peguei as chaves dele e depois o expulsei.”

Fiquei sentada sozinha, com o olhar cravado na taça. Eu era um tubarão; vivia como um. Eu sempre conseguia o que queria, quer tivesse que rastejar, dobrar ou correr para isso. Eu fazia o que precisava ser feito — sempre. Eu não usava desculpas e, certamente, não as tolerava.

Não olhei para a mesa deles, mas podia ouvir a risada de Electra ecoando pelo salão. Tentei me recompor. Primeira opção: eu vou lá. Segunda opção: termino minha bebida e vou para casa. Eu não estava com medo.

Algo me dizia que a perseguição o excitava. Algo me dizia que ele sempre conseguia o que queria, provavelmente porque nunca tinha ouvido a palavra ‘não’.

Será que eu diria não?

Peguei as azeitonas e as comi com uma lentidão calculada e notável. Eu podia sentir os olhos dele em mim, pesados e focados. Uma gota da bebida ficou nos meus lábios. A tela do meu celular acendeu.

Mensagens não lidas:

Electra: “Você está irresistível, mas confusa. Antonio manda um oi.” Eu: “Estou indo para casa. Retribua o oi; vejo ele amanhã.” Electra: “Aposto todas as minhas fichas em você. Você se saiu bem, minha amiga.”

Não respondi. Apenas terminei minha bebida de uma vez e deixei dinheiro suficiente na mesa. Endireitei minha postura, peguei minha bolsa e saí do prédio. Eu não estava com medo; eu estava planejando. Conquistando. Dominando a minha arte.

Naquele momento, decidi exatamente quem eu era, e eu definitivamente não era a presa. Se o diabo vier bater à minha porta, ele terá que me aceitar como eu sou: a rainha de porra nenhuma toda.