Bem-vinda à Blackthorn Academy
A Blackthorn Academy erguia-se sobre a floresta como uma fortaleza, construída para proteger o dinheiro antigo, linhagens mais antigas ainda e o tipo de segredo que ninguém admitia existir. Havia uma regra não dita.
Nunca desafie alguém nascido Alfa.
E Izzy já tinha quebrado essa regra seis vezes.
Ela puxou o capuz para baixo enquanto atravessava a grama úmida apressadamente. O sinal tinha tocado dez minutos atrás, o que significava que os corredores já estariam esvaziando para a aula. Ótimo. Menos gente fazendo perguntas e menos olhares de julgamento de pessoas pelas quais ela não dava a mínima. Suas botas bateram nos degraus de pedra cinza, dois de cada vez, enquanto ela deslizava pelos portões de ferro, respirando o aroma familiar de livros velhos, pisos polidos e uma disciplina sufocante.
Deusa lá de cima, ela odiava este lugar.
Blackthorn não era apenas uma escola. Era um campo de treinamento para lobos perfeitos — futuros Alfas, Lunas, estrategistas, curandeiros e guerreiros. Todos ali vinham de linhagens importantes e alcateias ricas. O tipo de pessoa que já nascia sabendo seu lugar no mundo. E a verdade? A verdade era que Izzy passara a vida inteira sentindo que não pertencia a lugar nenhum.
Os alunos passavam por ela com seus uniformes impecáveis, saias totalmente pretas e blazers bem passados com listras prateadas. Todos pareciam glamourosos o suficiente para serem escalados em algum filme sobrenatural na televisão. Izzy puxou a manga de sua jaqueta desbotada de segunda mão e foi direto para o refeitório. Quase todo dia, no almoço, Izzy tinha pelo menos três objetivos. Os de hoje eram simples.
Não ser pega.
Não ser expulsa.
E, definitivamente, não pensar no chupão em seu pescoço.
"Ei, Kidio. Perdeu o almoço de novo?"
A Sra. Kip mal desviou o olhar das maçãs que estava cortando para a sobremesa, embora a diversão em sua voz fosse inconfundível. Izzy encostou-se no balcão e sorriu para a cozinheira.
"Talvez."
A mulher mais velha bufou dramaticamente antes de desaparecer em direção à cozinha nos fundos. Pouco tempo depois, ela voltou carregando uma embalagem de comida para viagem, e Izzy quase se sentiu fraca com o cheiro maravilhoso.
"Frango assado, minhas famosas batatas e salada — porque você precisa de nutrientes. É melhor comer antes que desmaie no treinamento de combate."
A Sra. Kip anunciou, apontando a mão enluvada para Izzy enquanto ela pegava a caixa.
"Você é a minha pessoa favorita no mundo, Sra. Kip!"
"Uma adolescente inteligente não deveria ter uma velha trapo como melhor amiga."
Izzy riu baixinho e abriu a tampa, atacando a comida sem vergonha alguma. Mal tinha engolido a primeira garfada quando notou a Sra. Kip olhando para seu pescoço. Merda. Ela instintivamente levou a mão à gola do blazer.
"Sabe..."
Ela finalmente disse, enquanto mexia uma panela com uma mão. Ah não, lá vem.
"Um dia você vai encontrar seu parceiro, e essas suas pequenas aventuras não vão mais colar."
Izzy bufou.
"Sra. Kip, acho que não existe uma única pessoa viva capaz de me tolerar a longo prazo. Nem pense em um parceiro!"
A velha riu disso, embora a preocupação ainda pairasse em seus olhos.
"Você continua enfiando o nariz onde não deve, kidio."
Izzy mordeu outra batata, dando de ombros levemente.
"Eu gosto de me divertir."
"Existe uma diferença entre diversão e desafio, Izzy."
O silêncio pairou entre elas por um momento. Não era um silêncio estranho. Nunca era com a Sra. Kip. Ela era uma das únicas pessoas em Blackthorn que olhava para Izzy sem suspeitas ou desprezo. Izzy era órfã e quase todos em Blackthorn achavam que ela tinha assassinado os pais. Infelizmente, os rumores sobre ela não terminavam aí. Izzy não se lembrava de nada de sua juventude ou do caso envolvendo seus pais, mas, na verdade, ela nem precisava, porque todos os outros faziam isso por ela. Quase toda semana, ela era lembrada de seu passado triste.
Izzy sorriu ao pensar na aula de combate que viria. Era a única aula em que ela realmente se destacava. Lutar parecia fácil e natural, e ela gostava do exercício. Na verdade, em algum momento entre o corpo reto como uma tábua e a adolescência, os meninos pararam de olhá-la como a garota órfã estranha e começaram a olhá-la como algo inteiramente diferente. Anos de treinamento de combate esculpiram seu corpo em músculos magros e curvas perigosas, e Izzy rapidamente aprendeu que a atenção podia ser tão útil quanto os punhos. Isso não ajudava em nada sua reputação, mas pelo menos lhe dava algum alívio da sensação de ser ignorada continuamente.
Ela teve que suportar sete escolas em cinco anos.
Ainda assim, ela manteve suas notas altas o suficiente para ganhar ofertas de universidades. Deusa lá de cima, Izzy realmente, realmente queria algo maior do que a política de alcateias e as hierarquias dos lobisomens. Ela costumava sonhar como seria escapar de tudo isso, fugir para o pôr do sol em algum lugar distante e assumir uma nova identidade. A verdade, porém? A Blackthorn Academy oferecia uma bolsa de estudos com moradia, todas as refeições e até uma ajuda de custo semanal. Então, aqui estava ela. Aprendendo a se tornar a loba perfeita. Só o pensamento já a irritava.
"Não precisa me olhar desse jeito, Sra. Kip."
Izzy murmurou, pegando outro pedaço de frango e colocando na boca.
"Eu me viro muito bem sozinha."
A Sra. Kip encostou-se no balcão, cruzando os braços.
"Eles estão te incomodando de novo na aula?"
Izzy pensou brevemente nos sussurros. Nos olhares. Laurent Grey e sua necessidade constante de tornar sua vida miserável. Em vez disso, ela deu um sorriso cínico.
"Nah. Eu só gosto de desaparecer de vez em quando."
A Sra. Kip não pareceu convencida. Izzy deu um sorriso para ela mesmo assim, antes de pegar sua comida e deslizar de volta para o corredor.
Os corredores da academia se estendiam infinitamente, e janelas obscenamente longas davam para a floresta lá fora. Através das portas das salas de aula, ela podia ouvir o zumbido abafado dos professores dando palestra e dos alunos fingindo que se importavam. Era a última aula antes do treinamento de combate e todos já estavam exaustos. Izzy caminhou lentamente em direção ao quadro de duplas de combate, mastigando uma coxa de frango enquanto examinava a lista de nomes afixada na parede. Ela apontou o dedo ao longo da página até encontrar seu nome. E seus olhos dispararam para ver contra quem ela enfrentaria na aula.
"Bem, que merda!"
Ela murmurou baixinho, encarando o nome. De repente, o frango não caiu tão bem em seu estômago. Uma garota que ela nunca tinha visto antes e que compartilhava a mesma aula de combate notou o nome ao lado do de Izzy também.
Laurent Grey
As letras pareceram embaçar por um segundo. A garota morena e baixinha ao seu lado olhou.
"Ah, droga."
Ela fez uma careta.
"Você está morta."
Izzy bufou.
"Já sobrevivi a coisas piores."
O rosto da garota não mudou.
"Não."
Ela sussurrou.
"Eu me refiro a ele."


