Capítulo 1-Pensamentos Ruins
A chuva de outubro batia contra a Mansão Steele como se tivesse um rancor pessoal, com cortinas de água riscando as janelas altas em ritmos irregulares e implacáveis. Dean estava jogado no sofá da sala de estar, uma cerveja pela metade balançando frouxamente entre seus dedos, enquanto a condensação escorria pelo copo e pingava em seu moletom cinza. A televisão piscava com um jogo de futebol americano de fim de noite, com as vozes dos comentaristas não passando de murmúrios baixos e indistintos sob a tempestade.
Ele não estava assistindo.
Sua atenção estava fixa no andar de cima—no som da risada de Scarlett Thorne.
Aquela risada. Suave, quente e bonita demais para o seu próprio bem. Ela se infiltrava sob sua pele todas as vezes, quente e provocante, como dedos deslizando por sua espinha. Sua mandíbula tensionou.
Puta que pariu.
"Cara", Erik chamou da poltrona do outro lado da sala, "você está fazendo aquela coisa bizarra de encarar o teto de novo."
Dean não desviou o olhar das vigas de madeira escura acima de sua cabeça.
"Ela vai descer?", ele perguntou secamente. Rápido demais.
Erik soltou uma risada curta. "Você é inacreditavelmente patético."
Dean virou a cabeça lentamente, seus olhos azuis frios. "Cuidado."
Erik apenas sorriu ainda mais. Diferente de todo mundo na cidade, Erik Steele não se sentia intimidado por seu irmão mais velho—principalmente porque o conhecia bem demais. Especialmente no que dizia respeito a Scarlett.
Scarlett Thorne fazia parte da vida deles desde sempre. A garota da casa ao lado. A melhor amiga de Erik. A garota quieta que sempre tinha um livro encostado no peito e um sarcasmo afiado e escondido atrás daqueles olhos verdes inocentes. Dean passou anos fingindo que ela o irritava. Enquanto isso, a cada ano ela ficava mais velha, mais bonita, mais curvilínea e significativamente mais perigosa para o seu autocontrole.
Aos dezesseis, ela começou a usar suéteres enormes que caíam de um ombro. Aos dezessete, começou a revirar os olhos para ele como se soubesse exatamente o que estava fazendo. Aos dezoito, arranjou um namorado.
Will Carter. Estrela do futebol. O garoto de ouro do campus. Charmoso demais para o seu próprio bem. Dean o odiou logo de cara—não apenas porque Will estava saindo com Scarlett, embora só o pensamento já fizesse a violência coçar sob sua pele. Garotos como Will sempre tinham um plano oculto, e Scarlett—a doce e confiante Scarlett—ainda olhava para as pessoas como se elas carregassem bondade dentro de si.
Passos ecoaram lá em cima. A porta da sala se abriu.
Dean olhou para cima automaticamente.
E lá estava ela.
Scarlett desceu as escadas com cuidado, dois livros didáticos apertados contra o peito, o cabelo ruivo caindo em ondas suaves e úmidas de chuva ao redor dos ombros. Seus olhos verdes penetrantes espreitavam por cima dos óculos de aros pretos. Dean sentiu o impacto de vê-la como um golpe físico nas costelas—toda santa vez.
Seu suéter cor de creme caía folgado sobre shorts pretos minúsculos que mal cobriam a extensão macia, nua e bronzeada de suas pernas. Pernas que Dean definitivamente não deveria ter notado imediatamente.
Tarde demais.
Seu cérebro o traiu em um instante.
Ele imaginou aquelas pernas enroladas em sua cabeça, suas coxas macias tremendo contra suas orelhas enquanto ele prendia os quadris dela e enterrava a língua profundamente em sua pussy encharcada, lambendo e chupando até que ela gozasse forte em todo o seu rosto, gemendo seu nome como a putinha suja que ela era para ele. Ele imaginou os lábios dela, cheios e franzidos, esticados ao redor de seu cock grosso, sua garganta dilatando enquanto ele segurava o cabelo dela e fodia sua boca em movimentos lentos e deliberados—controlando cada estocada desleixada e engasgada enquanto a saliva escorria pelo queixo dela. Ele se viu arrancando aquele suéter enorme, expondo seus seios perfeitos e seu corpo pequeno e apertado, o peito dela arfando enquanto ele afastava as pernas dela, alinhava seu cock com sua xoxota molhada e entrava de uma vez, sem aviso, batendo nela com força até que ela estivesse toda cremada nele.
"DEAN!"
O grito de Erik o tirou da fantasia.
Dean cerrou a mandíbula com força suficiente para quebrar um dente e lançou a Erik um olhar mortal.
"Se controla", murmurou Erik sarcasticamente.
Scarlett sorriu no momento em que o notou. "Oi, Dean."
Duas palavras. Foi só o que bastou para ele se mexer no sofá, inclinando o corpo para esconder o volume repentino e pesado crescendo em seu moletom cinza. Ele não escondeu o modo como seu olhar percorreu o corpo dela—sombrio, possessivo, não deixando dúvidas de quem estava no comando da tensão na sala.
Dean se forçou a parecer indiferente. "Você é sempre tão barulhenta?"
Scarlett revirou os olhos instantaneamente. "Aí está a recepção do Dean Steele que eu conheço e amo."
Cristo. Aquele sarcasmo nela deveria ser ilegal. Ele queria apagá-lo da boca dela com a sua própria.
Erik bufou. "Ignora ele. Ele está de mau humor o dia todo."
Scarlett olhou de um para o outro antes de ir até o sofá e se encolher na extremidade oposta, com as pernas dobradas por baixo dela enquanto abria um de seus livros. Dean cometeu o erro de olhar para baixo.
Coxas nuas. Shorts minúsculos subindo para revelar a curva macia de sua bunda. Pele lisa e de aparência quente.
Porra.
Ele passou a mão pela boca lentamente, sem tirar os olhos dela um segundo sequer.
Scarlett notou imediatamente. "Por que você está me encarando desse jeito?"
Porque eu vou te dobrar sobre o braço deste sofá, te segurar pela nuca e enterrar meu rosto entre suas pernas até que você esteja pingando no meu queixo e implorando para ser fodida. Porque eu vou arrancar esses shorts de vadia e te encher com o meu cock até que você esqueça que qualquer outra pessoa existe.
Dean se recostou, a expressão neutra, mas a voz baixa e carregada de comando. "Porque esses shorts são criminosos. E você está testando minha paciência usando eles perto de mim."
O silêncio caiu.
Scarlett piscou. Erik engasgou com a bebida. Dean contemplou internamente a ideia de esmagar a própria cabeça contra a lareira de mármore—então decidiu que preferia esmagar outra coisa.
As bochechas de Scarlett ficaram rosadas quase instantaneamente. "Bem", ela murmurou, puxando o suéter para baixo, "isso foi rude."
O arrependimento não o atingiu desta vez. Ela precisava entender o efeito que causava. Dean Steele não pedia desculpas por tomar o que queria.
Erik o encarou como se ele tivesse perdido o juízo. "Você é tão socialmente quebrado."
Dean o ignorou.
Scarlett focou em seu livro novamente, embora ele notasse o modo como ela colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha quando ficava nervosa. Ele notava tudo nela. Sempre notou. Esse era o problema—e a oportunidade.
"Então", Erik disse casualmente, claramente tentando salvar o clima, "Scarlett vai para aquela festa no lago na sexta-feira com o Will."
Dean ficou completamente imóvel, seu olhar travado nela com uma intensidade sombria.
Scarlett não pareceu notar. "Ele disse que alguns caras do time de futebol alugaram uma cabana", ela explicou suavemente, virando uma página. "Parece divertido."
Dean a encarou. Uma cabana. Jogadores de futebol bêbados. Will Carter. Algo sombrio se contorceu no fundo de seu peito—possessivo, territorial.
"Você não vai."
Scarlett olhou para cima imediatamente. "Por quê?"
Porque homens são nojentos. Porque metade desses caras já te olha como presa. Porque seu namorado não vai te proteger do jeito que eu protegeria—te mantendo onde você pertence. Porque se alguém te tocar do jeito errado, eu vou acabar na cadeia, e vai valer a pena.
Dean tomou um gole lento de cerveja, a voz caindo para algo mais sombrio. "Essas festas são baratas. E você é melhor que isso. Fique aqui."
A expressão de Scarlett mudou—ficou menor, cautelosa. Como se as palavras dele a tivessem deixado sem jeito. Mas desta vez Dean não se odiou. Ele gostou do rubor na pele dela. Ele gostou do modo como ela estava ouvindo.
Então ela disse baixinho: "Bem... Will quer que eu vá."
Dean riu por baixo da respiração. Não achou graça. Apenas raiva. Dominância.
Scarlett franziu a testa. "O que isso deveria significar?"
Os olhos de Dean deslizaram pelo rosto dela lentamente, a voz baixa e impositiva. "Você sempre faz tudo o que ele quer? Ou precisa de alguém para te dizer o que você realmente precisa?"
A tensão aumentou instantaneamente.
Scarlett se endireitou. "Não."
"Poderia ter me enganado."
As bochechas dela coraram novamente—desta vez com irritação. Dean sabia que deveria parar. Sabia que o ciúme o estava deixando cruel. Mas então Scarlett cruzou as pernas, mudando de posição inconscientemente, e seu suéter subiu, expondo a curva suave de seu quadril. Todos os pensamentos decentes abandonaram seu corpo.
Ele imaginou puxá-la para o seu colo, agarrando aqueles quadris com força suficiente para deixar marcas, finalmente tocando a garota que ele passou anos desejando com força suficiente para fazê-la se render. Para fazê-la entender que ela era dele para reivindicar—dele para foder, para possuir, para usar até que ela estivesse tremendo e cheia de seu gozo.
Dean levantou-se abruptamente. Scarlett se assustou. Erik suspirou. "E lá vai ele."
Dean pegou seu moletom preto da cadeira próxima, sua presença dominando a sala.
"Onde você vai?", Scarlett perguntou suavemente. A preocupação em sua voz quase o destruiu.
Dean olhou para ela por um longo segundo. A chuva batia contra as janelas. Seus olhos eram escuros, inflexíveis.
"Você vai ficar longe da festa do Carter", ele disse baixinho—mais uma ordem do que um pedido. "Isso não é um pedido."
Então ele subiu as escadas antes que fizesse algo imperdoável... ou exatamente o que ambos precisavam.