Chapter 1
“Tudo o que estou dizendo é que a sua vida sexual está basicamente morta”, ela disse.
Resisti à vontade de jogar minha água nela, atravessando a mesa.
Em vez disso, fiquei encarando o fundo do meu copo, bebendo devagar, porque gritar teria chamado atenção demais.
Lá vamos nós de novo. Mais uma noite, mais uma rodada de interrogatório amigável. A única razão pela qual me dei ao trabalho de aparecer neste bar hoje foi porque Rashelle ainda estava com meu vestido favorito, e eu não sairia dali sem a promessa de que ela o devolveria.
Assim que o recuperasse, eu a bloquearia em tudo. Nada de mensagens, nada de ligações, nem sinal de fumaça.
Agora minhas amigas estavam me cercando como abutres, suas vozes altas mesmo através da música pesada.
“Sério, quando foi a última vez que você saiu para um encontro de verdade? Você ainda lembra como é beijar alguém?”, uma delas perguntou.
“Você é muito exigente”, outra entrou na conversa, girando a bebida. “Se não se soltar, vai acabar sozinha com gatos e pegando emprestada a conta da Netflix da sua mãe.”
O calor subiu pelas minhas bochechas. Afundei na cadeira, implorando silenciosamente para que o couro sintético me engolisse inteira. As risadas delas abafaram a música, atingindo em cheio a minha vontade de viver.
“Talvez a gente devesse escolher alguém para você”, outra disse, apontando a bebida, sem muita sutileza, para um cara curvado no balcão como se não visse a luz do sol — ou uma camisa limpa — há uma década.
Meu maxilar travou. Apertei os dedos ao redor do copo. O bar estava barulhento demais, lotado demais, o tipo de lugar onde o perfume se misturava ao desespero e todos dançavam como se ninguém estivesse olhando, exceto que todo mundo estava.
Então eu senti: aquele puxão invisível.
Meu olhar varreu a multidão. E lá estava ele.
À minha direita, parado como se fosse dono do ar ao seu redor. Alto. Ombros largos. Cabelo castanho levemente despenteado, como se tivesse sido arrumado e depois estragado por algo pecaminoso. Terno azul-escuro. Gravata desfeita apenas o suficiente para sussurrar perigo.
E seu olhar prendeu-se ao meu, como se estivesse esperando ali a noite toda.
Nós encaramos.
O tempo não passou devagar. Ele parou.
Um calor percorreu meus dedos dos pés até a espinha.
Desviei o olhar primeiro, com o coração disparado como não acontecia há muito tempo.
“Sabe”, Kendrie dizia, totalmente alheia, “o irmão da melhor amiga da minha irmã conhece uma casamenteira. Juro por Deus, a mulher é como uma bruxa do amor. Ela combinou meu primo com a noiva dele. Claro, eles brigam o tempo todo, mas ficam lindos nas redes sociais.”
“Espere, seu primo está comprometido?”, Glory lamentou. “Aff. Eu tinha uma queda enorme por ele.”
Tomei outro gole devagar, com o gelo roçando meus lábios — e captei o movimento pelo canto do olho.
Ele.
O homem do terno.
Ele estava parado bem ao nosso lado agora, perto o suficiente para eu sentir a mudança no ar, como uma tempestade se aproximando. Meu batimento cardíaco imediatamente acelerou e senti aquele rubor subir pelas minhas bochechas.
“Odeio estragar a diversão de vocês”, ele disse.
Seu olhar nunca deixou o meu enquanto ele entrava no nosso círculo como se fosse exatamente onde pertencia. “Mas vou ter que pegá-la emprestada.”
Seu sorriso era suave. Educado. Com charme suficiente para suavizar a audácia daquilo. “Não posso deixar que fiquem com ela só para vocês”, ele acrescentou. “Tenho a sensação de que ela vai aproveitar mais a minha companhia.”
Pisquei, atordoada — pela ousadia, pela confiança, pelo modo como meu pulso já estava me traindo.
Rashelle, Kendrie e Gloria ficaram em silêncio absoluto, trocando olhares como se não soubessem se deveriam protestar ou suspirar. Provavelmente a primeira vez na vida que ficaram sem palavras.
Então ele se virou para mim, sua voz baixando para algo privado — algo apenas para nós. “Não fique tão chocada”, ele disse. “Você não achou que eu deixaria você ficar aqui sofrendo, achou?” Ele estendeu a mão. “Vamos. Você parece que precisa de uma pausa.”
Uma risada escapou antes que eu pudesse contê-la, leve e surpresa, como se ele tivesse roubado o ar dos meus pulmões e me deixado estranhamente grata.
“Você não está errado”, murmurei, já me levantando, como se meu corpo tivesse decidido antes que meu cérebro pudesse acompanhar. E segurei a mão dele sem hesitar.
Enquanto nos afastávamos da mesa e das fofocas barulhentas que já começavam atrás de mim, respirei fundo como se estivesse emergindo da água.
O barulho diminuiu. Meus ombros relaxaram.
E então notei a mão dele ainda envolvida na minha — firme, segura — com um detalhe pequeno e perturbador. Uma faixa clara de pele, sem bronzeado, circulava seu dedo anelar. Por um breve segundo, me perguntei quem — ou o que — ele tinha deixado para trás.
“Obrigada por me tirar dali”, eu disse. “Quem quer que você seja, eu definitivamente te devo uma.”
“Você parecia que precisava ser salva.” A voz dele era grave, daquele tipo que se enrola na espinha e torna o pensamento coerente algo opcional.
Paramos perto do fundo do bar, escondidos nas sombras o suficiente para que o ruído desaparecesse um pouco. Seus dedos roçaram meu pulso enquanto ele me soltava — devagar, deliberadamente — como se não estivesse pronto para me devolver ao mundo.
“Elas eram implacáveis”, eu disse. “Eu estava a cinco minutos de ser apresentada a um cara que provavelmente colecionava bonecas nuas e achava que tomar banho era opcional.”
“Trágico. Estou feliz por ter vindo”, ele disse.
“Então você sempre aparece para resgatar donzelas em perigo”, eu disse, “ou apenas as que parecem particularmente fartas de histórias ruins?”
“Apenas as que me intrigam.”
Ali estava — aquela faísca. Não era apenas flerte. Havia algo mais intenso por baixo.
“Bem, homem misterioso”, eu disse, mantendo o tom leve mesmo com meu pulso me traindo, “você vai me dizer seu nome, ou isso faz parte da fantasia?”
Ele deu um passo à frente, perto o suficiente para eu sentir o rastro de sua colônia — escura, limpa, inconfundivelmente dele.
“Você quer saber meu nome”, ele perguntou com a voz baixa, “ou quer continuar fingindo que sou uma fantasia?”
Meu coração disparou, um ritmo súbito e perigoso. Senti isso em toda parte — na minha pele, na garganta, no jeito que me inclinei como se a própria gravidade tivesse mudado.
“Talvez eu queira os dois.”
“Gananciosa, não é?”
“E você é bem confiante”, eu disse, “para um homem que tecnicamente ainda não tem nome.”
Ele ergueu a mão, o suficiente para roçar os nós dos dedos nos meus. Leve. Deliberado. Como se testasse o quão fácil eu poderia me desmanchar.
“Gosto do jeito que você olha para mim quando ainda não sabe como me chamar”, ele disse. “Como se eu pudesse ser um problema. Como se você pudesse gostar disso.”
Deus me ajude — ele não estava errado.
“E se eu gostar?”, eu disse. “E se eu gostar de um pouco de problema?”
Os olhos dele brilharam. “Então deixe-me te mostrar algo legal primeiro.”
Houve um momento de hesitação. Apenas um. Então eu sorri. “Com certeza. Mostre-me.”
Ele deu um sorriso presunçoso, como se já tivesse previsto minha resposta, agarrou minha mão e se virou, levando-me em direção a uma porta na penumbra no fundo do salão. A placa dizia PRIVADO. NÃO ENTRE.
Naturalmente.
Ele olhou ao redor — casual, mas atento — e então me chamou com um gesto.
“Ei”, eu disse, rindo um pouco, “a gente tem permissão para entrar aí?”
“Talvez. Tenho certeza de que eles não vão se importar. E o figurão que geralmente usa esse espaço?” Ele deu de ombros. “Não está aqui esta noite. Então... sem problemas.”
Ele abriu a porta e eu entrei, com a curiosidade vibrando intensa e selvagem em meu peito.
O barulho atrás de nós desapareceu; um silêncio caiu sobre o lugar, um grande contraste com a confusão lá fora, como se alguém tivesse apertado o botão de mudo.
Lá dentro era um mundo totalmente diferente. Uma sala de jantar sofisticada e deslumbrante estendia-se diante de mim — pisos de mármore polido, cadeiras de couro elegantes, toalhas de mesa de linho preto brilhando sob candelabros delicados. O tipo de lugar onde serviriam vinhos de mil dólares, sabe?
“Uau”, eu disse. “Esta sala é ainda maior que a outra.”
Entrei mais, meus saltos ecoando suavemente, o silêncio do espaço me envolvendo como veludo. Tudo era perfeito. Impossivelmente perfeito. Como se tivéssemos entrado em um segredo feito para permanecer escondido.
Girei lentamente no centro da sala, minha saia rodando enquanto inclinava a cabeça para admirar o teto. “É lindo”, murmurei. “E tem cheiro de... couro caro.”
Ele observava da porta, encostado no batente com uma facilidade preguiçosa, como se a sala em si não o interessasse nem de longe tanto quanto minha reação a ela.
“Sinto como se...”, eu disse, minha voz ecoando levemente. “Como se eu devesse fazer um discurso dramático ou tomar algo absurdamente caro em um copo de cristal.”
“Você sustenta a ilusão muito bem”, ele disse.
Eu sorri, ainda girando em círculos lentos, tomada pelo absurdo de todo aquele luxo.
“Sabe”, eu disse, “aposto que consigo ir daqui até o outro lado sem tocar no chão.”
Aquilo chamou a atenção dele. Ele se endireitou, uma sobrancelha se erguendo. “Ah, é mesmo?”
“Com certeza.” Tirei os saltos e apontei para a cadeira mais próxima. “Olhe todas essas cadeiras e mesas. É basicamente um trepa-trepa disfarçado.”
Ele riu. “Você está falando sério?”
“Sério mesmo.”
Subi na primeira cadeira, balancei, e então recuperei o equilíbrio com um pequeno sorriso triunfante. De lá, subi na borda da mesa, meus pés descalços fazendo um toque suave contra a madeira polida.
“Você vai fazer a gente ser expulso”, ele disse, com a voz baixa. Ele não me impediu. Apenas ficou parado observando, um sorriso puxando o canto da boca como se estivesse gostando da vista um pouco demais.
“Tenho certeza de que foi você quem disse que esta sala estava vazia.” Espiei para ele. “A menos que esteja com medo de tentar você mesmo?”
Seus olhos se estreitaram, divertidos. “Você acha que estou com medo?”
“Você só fala”, eu disse — e saltei para a próxima mesa com uma risada. “Aliás, eu já estou ganhando.”
Ele revirou os olhos, mas começou a desabotoar o paletó, revelando músculos sob o tecido impecável — muito mais do que o estritamente necessário. Uma quantidade distrativa, na verdade.
“Está bem”, ele disse. “Mas se você cair, não vou te segurar de novo.”
“Não se preocupe”, respondi. “Você erraria mesmo assim.”
Ele sorriu, depois tirou o paletó e o jogou em uma cadeira próxima. A gravata veio em seguida, a seda deslizando entre seus dedos enquanto ele subia na cadeira que eu acabara de deixar.
“Você percebe que eu tenho pernas mais longas”, ele disse, equilibrando-se com uma facilidade irritante. “Vou te alcançar em um piscar de olhos.”
“Não se eu for mais rápida.” Disparei para outra mesa, minha risada ecoando pela sala cavernosa.
O que começou como uma aposta boba se dissolveu em um caos total. Saltamos de cadeira em cadeira, de mesa em mesa, a risada nos impulsionando, o equilíbrio por um fio a cada pulo. Ele era surpreendentemente ágil para alguém de calças sociais e camisa — embora isso não me impedisse de gritar a cada aterrissagem levemente desajeitada.
“Cuidado, Sr. Acrobata!”, chamei, dobrando-me de rir depois que ele quase escorregou de uma cadeira. “Você vai distender um tendão.”
“Estou bem”, ele disse, balançando a mão com confiança teatral, embora o sorriso sem graça o entregasse. “Pelo menos eu não quase dei com a cara no chão ali atrás.”
“Eu não dei com a cara no chão”, eu disse. “Eu me segurei.”
“Sorte de principiante!” Ele me alcançou em dois passos largos, o peito subindo com o riso enquanto parava perto demais. Perto o suficiente para eu sentir o calor dele, a tensão entre nós ainda vibrando, diferente agora, mais brilhante. Elétrica.
Quando chegamos ao outro lado da sala, ambos estávamos sem fôlego, com as bochechas coradas pelo esforço e pela risada. Caí em uma cadeira com um suspiro dramático.
“Ok”, eu disse. “Isso foi... muito mais divertido do que deveria ter sido.”
Ele deslizou para o assento à minha frente, inclinando-se para trás como se fosse dono do lugar. “Nada mal para um esconderijo, hein?”
Eu sorri, cutucando o pé dele por baixo da mesa. “Nada mal mesmo.”
A energia mudou. A risada selvagem desapareceu em algo mais silencioso, mais pesado. O silêncio entre nós não era estranho — era carregado. Confortável.
Eu o observei por um momento, o jeito que seu sorriso suavizou, a forma como seu olhar permaneceu em mim um pouco tempo demais.









there is a saying here that my grandma used to say to us with the appropriate movement of her hand, usually she fake bit her finger) that the loud laughs usually ends with tears!! i hope not. ;-)