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A Corva que Desafiou o Rei Lycan

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Resumo

Ela foi enviada para destruí-lo. Ela não planejava desejá-lo. Evren Ravenwood é uma metamorfa corva com um passado sangrento, uma língua afiada e uma dívida que jamais conseguirá pagar. Quando sua família a expulsou, seu primo Lachlan a acolheu. Agora, ela deve tudo a ele — e ele a está enviando direto para o covil do Rei Lycan da Escócia para espionar. Asher Balfour governa todas as alcateias Lycan do país. Frio, controlado, intocável. Ele não sabe que uma espiã pousou em sua janela. Ele não sabe que ela está catalogando seus segredos. Ele não sabe que ela é filha do homem que o pai dele destruiu. Ele também não sabe a verdade sobre seu companheiro morto, Ewan — apenas que a morte dele foi suspeita o suficiente para manchar o nome dela. E desde que Evren chegou, acidentes começaram a cercar Asher como abutres. Ninguém sabe o que realmente aconteceu com Ewan. Ninguém sabe por que o perigo agora persegue o rei. E ninguém sabe se ele é o próximo. Quanto mais Evren aprende sobre o rei, mais difícil é odiá-lo. Quanto mais Asher desvenda a corva, mais difícil é deixá-la partir. Mas Lachlan está observando. A dívida dela está aumentando. E a verdade sobre a morte de Ewan pode destruir tudo. Alguns segredos protegem você. Alguns segredos destroem você. Os dela podem fazer os dois.

Status
Completo
Capítulos
56
Classificação
5.0 9 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: Blind Side

Dez minutos.

Foi quanto tempo voei depois que Ewan caiu.

Dez minutos para matar o sorriso no meu rosto. Dez minutos para montar uma expressão que parecesse luto em vez do que realmente era.

A chuva vinha de lado, vinda do Mar do Norte. Agulhas em minhas penas.

Frio. Cortante. Escocês.

Exatamente o que eu merecia.

Não olhei para trás.

Nem quando ouvi os galhos quebrarem. Nem quando o ouvi bater. Nem quando a copa das árvores o engoliu por completo e o céu ficou em silêncio.

Uma boa esposa teria dado voltas. Uma boa esposa teria mergulhado. Uma boa esposa teria arrebentado as próprias asas tentando alcançá-lo.

Eu dei duas voltas.

Então voei para casa.

A propriedade dos Nightwing. Pedra cinzenta na costa nordeste. Paga com trabalho de mensageiro para famílias Lycan que queriam pássaros resistentes em vez dos bonitos.

Os Nightwings não eram elegantes.

Mas eles davam conta do recado.

Pousei no jardim. Transformei-me.

Penas em pele. Pele em tecido. Fios escuros tricotando-se sozinhos em um vestido preto que grudou no meu corpo molhado. As asas dobrando-se para dentro das minhas costas. A cicatriz na minha asa esquerda, agora uma linha branca e fina ao longo da minha omoplata.

Pés descalços na lama. Cabelo grudado no rosto. Coração martelando.

Corri para a porta da frente.

Estava destrancada.

Estava sempre destrancada.

Os Nightwings eram orgulhosos demais para pensar que alguém os roubaria.

Entrei batendo a porta. A água formou poças ao redor dos meus pés.

"Ewan!", gritei. "Ewan foi baleado!"

A casa ficou em silêncio.

Então, passos.

Então os Nightwings saíram de seus quartos como ratos de buracos.

Lowgen primeiro. O irmão de Ewan. Grande. Burro. Leal do jeito que cães são leais a outros cães.

Instinto acima do cérebro.

Riona atrás dele. Segurando um bebê que começou a chorar ao som da minha voz.

Ela se encolheu.

Ela sempre se encolhia com barulhos altos.

Eu já a tinha visto se encolher perto de Lowgen também.

Eu nunca disse nada.

Nem ela.

Garrick. O pai de Ewan. Levantando-se da cadeira com um resmungo.

Um olho nublado por catarata. O outro afiado.

Ele me deu uma olhada. Molhada. Tremendo. Olhos selvagens.

Seu maxilar travou.

E então, Mairi.

Mairi Nightwing. A mãe de Ewan.

Ela saiu da cozinha limpando as mãos em um pano.

Lenta. Firme.

Ela não correu. Ela não ofegou.

Ela apenas olhou para mim.

"Baleado", disse ela.

Não foi uma pergunta.

Uma palavra jogada como uma pedra em águas profundas.

Eu balancei a cabeça. A água pingava do meu cabelo.

"Caçadores. Na floresta leste. Ele caiu nas árvores. Eu não consegui..."

Minha voz falhou.

Eu deixei que falhasse.

"Eu não consegui chegar até ele a tempo."

Os olhos de Mairi percorreram meu corpo. O vestido molhado. Os pés descalços. O tremor.

Ela me estudou como um falcão estuda um coelho.

Paciente. Esperando. Procurando pelo mancar que revela a mentira.

"Você estava voando com ele", disse ela.

"É."

"Você foi a última a estar com ele."

"É."

"E você estava no ponto cego dele."

Meu estômago apertou.

"Eu estava à frente dele. Não vi o caçador. Não o vi cair."

A boca de Mairi se estreitou.

Ela não piscou. Ela não se moveu.

Ela apenas ficou ali. Com o pano nas mãos. Observando-me com um olhar que dizia que ela já tinha decidido o que aconteceu esta noite.

E nada que eu dissesse mudaria isso.

"E você simplesmente o deixou lá", disse ela.

Baixo. Controlado.

O tipo de calma que precede a violência.

"Ele caiu com força. Através da copa das árvores. Eu ouvi os galhos quebrarem. Ouvi quando ele bateu. Não tinha como ele ter sobrevivido a isso."

"Você não olhou."

"Eu dei duas voltas..."

"Você deu duas voltas." Ela deu um passo à frente. O pano caiu de suas mãos. "Você deu duas voltas e depois voou para casa. Dez minutos. Foi só o que você levou. Dez minutos desde que meu filho atingiu as árvores até você entrar pela minha porta."

"Eu vim buscar ajuda..."

"Você veio para arrumar sua história."

A voz dela não subiu. Ficou mais calma.

Isso era pior.

"Você estava esperando por isso desde o dia em que se casou com ele."

Lowgen deu um passo à frente. "Mãe..."

"Cala a boca." Ela não olhou para ele. "Eu te observei. Observei você por um ano. O jeito que você olhava para ele. O jeito que você falava com ele. O jeito que você voava ao lado dele, sempre à esquerda. Sempre no ponto cego dele. Como se você estivesse mantendo-o no escuro."

Sempre à esquerda.

Ela tinha razão.

Todo voo. Cada voo durante um ano.

O lado que ele não conseguia ver.

O lado de onde eu podia observá-lo sem que ele me visse de volta.

Eu disse a mim mesma que era hábito.

Mas Mairi estava me observando agora. E o jeito que seus olhos me cortavam dizia que ela também não acreditava que fosse hábito.

Minhas mãos tremeram.

Eu as fechei com força ao lado do corpo.

O hematoma na minha costela latejava sob o vestido molhado. Aquele que Ewan tinha me dado três dias atrás, quando queimei o jantar dele.

Eu usei gola alta por dois dias.

Ninguém notou.

Ninguém nunca notava.

"Ele era meu companheiro", eu disse.

"Ele era sua sentença", disse Mairi. "E agora ele está morto. E você entrou pela minha porta de olhos secos e tremendo como um pássaro que ficou sentado em uma árvore por dez minutos decidindo que história contar."

"Ah, dá um tempo."

Joguei as mãos para cima.

Minha voz ficou alta e ríspida. Do jeito que sempre ficava quando alguém chegava perto demais.

"Eu acabei de vê-lo cair do céu! Acabei de voar para casa em uma ventania dos infernos tentando descobrir como vou contar para a família dele que ele morreu. E você está aí me olhando com essa cara de quem me julga como se eu tivesse planejado tudo? Como se eu tivesse acordado hoje de manhã e pensado: 'É, hoje é um bom dia para perder meu companheiro'?"

Dei um passo à frente.

"Você está fora de si, Mairi. Você está completamente fora de si."

“Sim,” disse Mairi. “É exatamente isso que estou pensando.”

“Bom, então, parabéns pra cacete, você tem uma teoria. Quer uma medalha? Quer que eu a prenda no seu peito? Tenho certeza de que dão isso por acusar a nora antes mesmo de o corpo estar frio.”

Inclinei a cabeça.

“Que mulher você é. Que santa dos infernos.”

“Terminou?”, perguntou Mairi.

“Não, eu não terminei! Nem cheguei perto de terminar!”

Minha voz subiu, ficando mais aguda. Mais cortante.

“Estou casada com seu filho há um ano. Um ano dele roncando no meu ouvido, deixando as porcarias dele pela casa toda e você me ligando a cada cinco minutos para perguntar se eu já fiz o jantar dele. E agora ele se foi e a primeira coisa que você faz é olhar para mim como se eu tivesse puxado o gatilho?”

Eu a encarei.

“Que tipo de pessoa faz isso? Que tipo de mãe faz isso?”

“O tipo de mãe que conhece o filho”, disse Mairi. “E o tipo de mãe que conhece você.”

“Você não me conhece. Nunca quis me conhecer. Você queria uma serva. Queria alguém para cozinhar, limpar e sorrir bonitinho quando seu filho trazia os amigos para beber e encher a casa de catinga.”

Eu ri. Um riso seco. Feio.

“Você queria um capacho com asas. Pois bem, parabéns, Mairi. Seu filho casou com um capacho. E agora o capacho está parado no seu corredor, molhado e com frio, e você olha para ela como se ela fosse a vilã.”

Minha voz falhou na última palavra.

Engoli em seco.

Meus olhos ardiam, mas nenhuma lágrima caiu.

Eu ainda não tinha chorado na frente dos Nightwings.

Não ia começar agora.

Mairi me observava.

Algo brilhou no rosto dela. Não era simpatia. Não exatamente.

Algo mais próximo de reconhecimento.

O olhar de uma mulher que já foi jovem um dia. Que já foi casada. Que aprendeu coisas sobre as quais ela também nunca falava.

Mas passou.

O maxilar dela endureceu de novo.

“Você casou com ele”, disse ela. “Na alegria e na tristeza.”

“Sim”, eu disse. “E foi na tristeza. Foi muito pior. Mas eu fiquei. Fiquei porque é isso que companheiros fazem.”

Eu a encarei bem nos olhos.

“Então não venha ficar aí parada me dizendo que eu queria isso.”

Garrick se moveu.

O velho atravessou o corredor com uma rapidez surpreendente para sua idade. Colocou-se entre a esposa e eu.

Não para me proteger.

Para segurar Mairi.

“Chega”, disse ele com a voz rouca. “O menino morreu. Vamos encontrá-lo primeiro. Depois fazemos perguntas.”

“Não tem nada para encontrar”, eu disse.

Todos olharam para mim.

Eu engoli em seco.

“A queda foi feia. Ele passou pela copa das árvores. Eu ouvi os galhos quebrarem. Ouvi quando ele bateu. Não tem como ele ter sobrevivido a isso.”

O rosto de Mairi não mudou.

Mas algo mudou no fundo dos olhos dela.

Algo frio. Definitivo.

“Então nós o traremos para casa”, disse ela. “E depois conversamos.”

Garrick acenou para Lowgen.

“Chame os homens. Floresta leste. Depois da colina.”

Lowgen entregou o bebê para Riona e saiu sem dizer uma palavra.

A porta da frente bateu atrás dele.

A chuva entrou pela fresta antes que ela se fechasse.

Riona hesitou.

Ela olhou para mim.

Por um momento, algo passou entre nós. Algo que não foi dito.

Os olhos dela caíram para a minha clavícula. Onde a ponta de um hematoma espreitava acima da linha do vestido.

Então ela desviou o olhar.

Apertou o bebê contra o peito.

Passou por mim sem dizer nada.

Eu não me movi.

Eu vi o olhar dela.

Eu vi que ela viu.

E vi que ela escolheu não ver.

Tudo bem.

Eu também vinha escolhendo não ver há um ano.

O corredor ficou silencioso.

Mairi pegou o pano que estava no chão. Dobrou-o. Colocou-o na mesa perto da porta.

Cada movimento era lento. Controlado.

“Você não vai a lugar nenhum”, disse ela. “Você vai ficar nesta casa até meu filho ser trazido para casa. E então você vai me dizer exatamente o que aconteceu naquele céu.”

Abri a boca.

“Nem pense.” A voz dela era como uma lâmina. “Nem pense em dizer mais uma palavra até que eu te faça uma pergunta. Porque tudo o que você disser a partir de agora, eu vou lembrar. E vou usar.”

Ela se virou e caminhou de volta para a cozinha.

Garrick olhou para mim.

Seu olho bom parecia triste. Seu olho ruim não via nada.

Ele apenas balançou a cabeça e seguiu a esposa.

Fiquei sozinha no corredor.

Molhada. Tremendo.

O fogo na sala de estar estalava. A chuva batia nas janelas.

Encostei as costas na parede e deslizei até ficar sentada no chão de madeira fria.

Meu vestido estava encharcado. Meus pés, enlameados.

A cicatriz na minha omoplata esquerda pulsava com a umidade.

O hematoma na minha costela doía.

O hematoma no meu quadril doía.

O que eu tinha no braço, escondido sob a manga, também doía.

Fechei os olhos.

A casa se acomodou ao meu redor. Canos rangendo. Torneiras pingando. O vento contra as janelas.

Nada de Ewan.

Nada de gritos. Nada de punhos. Nenhum som das botas dele subindo as escadas às duas da manhã.

Apenas o silêncio.

Fiquei sentada ali.

Respirando.

Pensando.

Dez minutos no céu.

Foi isso que Mairi disse.

Dez minutos desde o momento em que o filho dela bateu nas árvores até eu entrar pela porta dela.

Ela fez parecer uma confissão.

Como se dez minutos fossem prova de alguma coisa.

Talvez fosse.

Abri os olhos.

Encarei o teto.

O que aconteceu de verdade naquela floresta?

O que aconteceu naqueles dez minutos?

Eu sei.

Eu sei o que aconteceu.

E Mairi nunca desistiria até descobrir também.

A questão era se ela encontraria a verdade.

Ou se eu a enterraria primeiro.









Capítulos
1. Capítulo 1: Blind Side
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Personagem Ótimo

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Ver 6 comentários anteriores...
author

Wow, powerful beginning. And I understand about Eevren being a bird shape shifter now. It's well-written. I can see this novel becoming very popular on Inkitt. 👍

24 dias
2
author

And now I'm wondering what you updated in this chapter? 🧐 Anything we should take note of? 🤭

7 dias
1
author

great first chapter! totally interested in her and really like that you made the mother the challenging one. Writing was excellent. Scenes were vivid. dialogue was great. all around super excited to enter this world.

6 dias
1

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