The Life She Stole
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A Vida que Ela Roubou

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Resumo

Quando uma tragédia tira a vida de seus tios, Vivian Ashford, de seis anos, é acolhida pela família Ashford e criada ao lado da amada filha deles, Clara. Para Clara, Vivian nunca foi apenas uma prima de sangue — ela era sua irmã. Mas, com o passar dos anos, a gratidão dá lugar à inveja. Determinada a tomar para si a vida que ela acredita que deveria ter sido sua, Vivian transforma, silenciosamente, o amor em suspeita, a confiança em dúvida e a família em estranhos. Uma mentira calculada de cada vez, ela rouba o lugar de Clara nos corações de seus pais e do marido cuja vida Clara um dia arriscou tudo para salvar. À medida que a saúde de Clara começa a falhar, seus pedidos desesperados por ajuda são descartados como mais uma tentativa de chamar atenção. Cegos pela decepção de Vivian, as pessoas que Clara ama se afastam justamente quando ela mais precisa delas. Somente após sua morte é que verdades enterradas emergem, expondo uma traição planejada por anos e forçando uma família em luto a confrontar o custo devastador de ter acreditado na filha errada. Algumas vidas podem ser roubadas. Alguns erros jamais poderão ser desfeitos.

Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
5.0 (3 avaliações)
Classificação Etária
16+

Prólogo

A Menina que Voltou para Casa

A chuva finalmente tinha parado quando o sedã preto passou pelos portões de ferro da propriedade Ashford.

Clara Ashford, de seis anos, estava atrás da porta da frente com as duas mãos agarradas a um coelho de pelúcia, cuja orelha esquerda já tinha perdido a costura há muito tempo. Ela saltitava na ponta dos pés a cada poucos segundos, espiando pelo painel de vidro estreito antes de se virar para a mãe.

"Quando elas vão entrar?", perguntou ela pela décima vez, mais ou menos.

Margaret Ashford se ajoelhou para ajeitar o cardigã de Clara, embora ele não estivesse fora do lugar.

"Elas chegaram agora, querida."

Os olhos azuis brilhantes de Clara se arregalaram.

"Ela vai mesmo morar com a gente para sempre?"

O sorriso de Margaret tremeu levemente.

"Se for isso que ela quiser."

Antes que Clara pudesse fazer outra pergunta, a porta da frente se abriu.

William Ashford entrou primeiro.

Seus ombros, geralmente confiantes, caíram sob o peso do luto. Gotas de chuva grudavam em seu sobretudo escuro, e seus olhos carregavam o cansaço de um homem que passou o dia se despedindo de alguém que amava.

Ao lado dele, estava uma menina pequena.

Ela vestia um vestido preto que parecia grande demais para seu corpo franzino. Seus dedinhos agarravam a manga do casaco de William tão forte que seus nós dos dedos estavam brancos.

Vivian.

Seus longos cabelos castanhos estavam embaraçados por causa do vento.

Seu rosto estava pálido.

Sem expressão.

Ela encarava o chão de mármore polido em vez dos estranhos à sua frente.

Margaret atravessou a sala primeiro.

Sem dizer uma palavra, ela se ajoelhou e gentilmente afastou uma mecha de cabelo do rosto da menina.

"Olá, Vivian."

Silêncio.

"Meu nome é Margaret."

Nenhuma resposta.

Os olhos de Margaret brilharam.

"Você não precisa dizer nada hoje."

Outro longo silêncio se seguiu.

William colocou a mão no ombro de Vivian, tentando confortá-la.

"Esta é sua tia Margaret."

A menina assentiu quase imperceptivelmente.

"E..."

Sua voz suavizou quando ele olhou para Clara.

"Esta é a Clara."

Clara sorriu tanto que o coelho de pelúcia quase escorregou de seus braços.

"Oi!"

Vivian olhou para cima pela primeira vez.

Seus olhos estavam inchados de tanto chorar.

Clara nunca tinha visto alguém parecer tão triste.

Ela deu dois passos cuidadosos à frente antes de parar.

"Meu coelho só tem uma orelha", ela anunciou orgulhosa, estendendo o brinquedo.

Vivian piscou.

"Eu arranquei a outra sem querer."

Ainda sem resposta.

Clara baixou a voz como se estivesse compartilhando um segredo importante.

"Mas eu ainda amo ele."

Os cantos da boca de Margaret se levantaram, apesar de tudo.

William desviou o olhar, segurando as lágrimas.

Clara caminhou o restante da distância e colocou o coelho nas mãos de Vivian.

"Você pode segurar ele até se sentir melhor."

Vivian encarou o brinquedo.

Depois, olhou para Clara.

Finalmente...

Seus dedos se curvaram ao redor do tecido gasto.

Foi a primeira coisa que ela aceitou de bom grado o dia todo.

Clara sorriu.

"Pronto."

"Você não precisa mais ficar sozinha."

Algo brilhou no rosto de Vivian.

Não era felicidade.

Ainda não.

Mas o vazio esmagador em seus olhos suavizou o suficiente para deixar uma pontinha de esperança aparecer.

Naquela noite, Margaret preparou uma sopa quente, mas nenhuma das crianças terminou.

William levou a pequena mala de Vivian para o andar de cima pessoalmente.

O quarto de hóspedes estava pronto há dias.

Flores frescas estavam na mesa de cabeceira.

Uma luz noturna brilhava suavemente ao lado da cama.

Tudo tinha sido preparado com amor.

No entanto, quando chegou a hora de dormir, Vivian se recusou a soltar o coelho.

Ela ficou encolhida no canto da cama desconhecida, com os joelhos apertados contra o peito.

Margaret tentou ler uma história.

William ofereceu-se para ficar até ela dormir.

Nada funcionou.

A cada poucos minutos, a menina sussurrava a mesma pergunta de partir o coração.

"Eu quero minha mamãe."

Ninguém sabia como responder.

Horas se passaram.

A casa ficou em silêncio.

Então, uma batida leve ecoou na porta entreaberta do quarto.

Clara estava lá, usando um pijama grande demais, cheio de estrelinhas.

Ela abraçava um travesseiro quase tão grande quanto ela.

"Eu não consigo dormir", sussurrou.

Margaret sorriu gentilmente.

"Venha aqui."

Em vez de subir nos braços da mãe, Clara caminhou direto para a cama de Vivian.

Ela olhou para o espaço vazio ao lado de sua nova prima.

Depois, olhou de volta para os adultos.

"Ela pode dormir sozinha?"

William hesitou.

"Eu não acho que ela queira."

Clara franziu a testa.

"Eu não quero que ela fique com medo."

Sem esperar permissão, ela subiu na cama, puxou o cobertor para cima das duas e colocou o coelho de pelúcia cuidadosamente entre elas.

"Meu papai diz que os monstros não aparecem se você não estiver sozinha."

Vivian continuou imóvel.

Clara esticou a mão para ela.

"Você pode segurar a minha também."

Por vários segundos...

Nada aconteceu.

Então...

Bem devagar...

Os dedos minúsculos de Vivian envolveram os de Clara.

Com força.

Como se ela estivesse com medo de soltar.

Em poucos minutos, os soluços baixos de Vivian pararam.

Sua respiração ficou lenta e calma.

Pela primeira vez desde o acidente...

Ela dormiu.

William ficou em silêncio no batente da porta.

Margaret deslizou a mão na dele.

"Eu acho...", ela sussurrou, "...que ela vai ficar bem."

William observou as duas meninas dormindo lado a lado sob o mesmo cobertor.

Uma tinha aberto o coração sem hesitar.

A outra tinha finalmente encontrado um lugar que parecia seguro o suficiente para fechar os olhos.

Ele sorriu em meio às lágrimas.

"A partir de hoje", disse ele baixinho, "nós vamos criá-las como nossas filhas."

Nem ele nem Margaret notaram o coelho de pelúcia descansando entre as meninas.

Uma criança tinha oferecido sem pensar duas vezes.

A outra se agarrou a ele como se fosse a última coisa que lhe restava no mundo.

Naquela noite, Clara acreditou que tinha ganhado uma irmã.

E, por um tempinho...

Ela realmente tinha.

Deixe Ellen R. Condon saber o que você pensou sobre este capítulo!

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