Chapter 1 - A despedida.
— Não dá mais para continuarmos assim, Pedro — disse Manoel Gomes, pegando seu violão e a chave de sua motocicleta. — Estou indo embora.
— Isso é um erro, Manoel, e você sabe disso! — Orochinho agarrou o braço do senhor Caneta, fazendo-o virar para si. Assim que os olhares se cruzaram, Orochinho já não conseguia mais controlar o choro, então cedeu às suas emoções e desmanchou-se em lágrimas.— Eu sinto muito, querido. Nós sabíamos que não daria certo desde o início, mas fomos teimosos, não é? — deu uma risada na tentativa falha de amenizar a situação, mas Orochinho não conseguia aceitar ou sequer entender o porquê daquilo.— Ainda pode dar certo… — disse esperançoso com os olhos marejados.— Desculpa, Pedro — puxou seu braço, fazendo Orochinho soltá-lo à força. Logo, foi em direção à porta, porém, parou ali mesmo para que pudesse dizer suas últimas palavras ao seu amado: — Não espere por mim, eu não vou voltar.E foi-se embora.Orochinho tentou ir atrás de Manoel, mas era tarde demais, ele já havia pegado sua motocicleta e partido para sempre. A dor de ver seu amado indo embora era insuportável para aquele pobre "piscador". Jamais imaginou ter que presenciar tal cena que partira seu coração em pedaços. [...]Tentou afogar suas mágoas em vinhos baratos e leite de grávidas, mas nada era suficiente para cessar sua tristeza. Foi a todos os bares da cidade, frequentou até mesmo os principais restaurantes onde o ex-casal costumava almoçar junto nos finais de semana, e nada. Nada era o bastante.Ele estava na pior. Não era mais aquele cara que vivia sorrindo por aí, fazendo piadas ruins que deixavam os idosos chatos ao seu redor desconfortáveis. Não via mais sentido em sua vida sem Manoel ao seu lado.Foi aí que, com uma pitada de esperança, decidiu ligar sua rádio favorita, que antes costumava ser a favorita de Manoel, para ouvir a música deles mais uma vez. Porém, assim que ligou o rádio, ficou surpreso ao ouvir uma voz tão familiar.— Essa música eu escrevi para uma pessoa que já foi muito importante para mim…Os olhos de Orochinho se arregalaram, ele sabia exatamente quem era a pessoa no rádio. Aumentou um pouco mais o volume e fixou seus olhos naquela pequena caixa de som.— Eu nunca esqueci daquela mulher que eu amei naquele tempo… O nome dela é Maura, ô mulher que machucou meu coração…Escutava tudo atentamente e, mesmo que não tenha citado seu nome, Orochinho sabia que aquela música era para ele.Após a música terminar, desligou o rádio e foi até seu quarto. Não sabia o que sentir, estava triste, estava com raiva, estava emocionado. Foi então que abriu sua gaveta onde tinha um estoque de canetas azuis, juntou todas em uma sacola de lixo e levou até os fundos da casa, logo, ateou fogo à sacola com todas as canetas dentro.— Desculpa, Manoel, você quem me obrigou a fazer isso — falou, vendo suas canetas derreterem naquela chama ardente. Pôde sentir um peso enorme saindo de seus ombros e respirou aliviado. — Eu finalmente te superei, Caneta.[...]Orochinho estava livre. Já não era mais aquele homem que chorava pelos cantos enquanto chamava pelo nome de Manoel e bebia leite de grávida vencido.Pedro Orochi encontrou sua verdadeira vocação no ramo da música, estava fazendo o que amava e sentia-se muito bem com isso. Sem dor, sem culpa e, principalmente, sem Caneta Azul.Moral da história: jamais se apaixone por um galanteador, ainda mais se for o famoso Manoel Gomes.Fim.


