The Bad Boy And The Autistic Angel (Bl) por Ghostwriter2 em Inkitt
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O Bad Boy e o Anjo Autista (BL)

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Resumo

A última coisa que Channum imaginava fazer era ser mentor de um aluno autista, Blake Thorn. Aos 17 anos, ele só arrumava confusão, fumava e fugia com sua banda. Mas quando sua mãe, que por acaso é a diretora da escola, o coloca como responsável por um aluno autista chamado Blake Thorn, esperando que isso traga mais maturidade a Channum, as coisas começam a se tornar um desafio. Blake não é verbal, tem crises e foge com frequência, deixando Channum na função de correr atrás dele porque, surpreendentemente, Channum é o único a quem Blake realmente responde.

Status
Completo
Capítulos
20
Classificação
4.8 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Anuo o nariz enquanto abro os olhos lentamente, apenas para dar de cara com um pé na minha frente. Vou ser muito honesto, porra: não faço ideia de quem é esse pé... ou onde diabos eu estou.

Sento-me e vejo meu parceiro Zain dormindo no sofá. Meu outro amigo, Arron, está dormindo atrás de mim, e Lauren, nossa outra amiga, não está em lugar nenhum.

Duas pessoas estão paradas à nossa frente com os braços cruzados, antes que—

"Jarred?! Você deu uma festa?!" elas gritam, fazendo com que meus amigos acordem.

Tem cerveja por toda parte, coisas quebradas, minha cabeça está latejando e — espera... onde caralho foi parar meu outro sapato?

Meu celular descarregou e, pelo visto, eu não fui para casa ontem à noite.

Porra.

_______

Entro pela porta da frente e vejo a mamãe ao telefone. Ela se vira imediatamente e coloca a mão sobre o peito.

"Ai meu Deus — n-não. Ele acabou de chegar. Deixa eu te ligar de volta."

Ela desliga o telefone e, na mesma hora, vejo o medo da morte nos olhos dela.

"Onde você estava?!" ela dispara. "Você sabe que horas são? Aliás, você sabe que dia é hoje?! Porque não é o mesmo dia de quando você saiu por essa porta! Eu espero que você volte no mesmo dia em que saiu, Channum!"

Bla bla bla.

Bla bla bla.

Bla bla bla.

É só o que minha mãe faz. Se dessem medalhas por encher o saco, minha mãe ganharia todas.

"Escuta..." faço um gesto com a mão na direção dela enquanto ela cruza os braços. "Eu voltei. Isso é o mais importante—"

"EU ESTOU PRESTES A PERDER A CABEÇA!" ela grita.

Lá vamos nós...

"Não me importa que você voltou! Não — esquece. Importa sim. Eu só preciso que você volte no mesmo dia em que saiu! Não é difícil, Channum! Desde que seu pai morreu—"

Desligo-me dela enquanto vou até a geladeira e pego a jarra de suco de laranja. Se dessem troféus para pessoas que repetem as mesmas coisas, minha mãe definitivamente ganharia esse também.

"E eu sei que você esteve bebendo!" ouço ela dizer antes de servir um copo de suco de laranja para mim. "E sabe o que eu acho?!"

Ela pergunta enquanto levo o copo aos lábios.

"Eu acho que você deveria fazer um teste de AIDS—"

Cuspo aquele maldito suco em todo o balcão. Um pouco até sai pelo meu nariz, me deixando ainda mais puto.

"De onde caralho isso veio?!" viro-me e encaro ela, limpando o suco com o braço.

"Quem sabe por onde você andou?!" ela me diz.

"Puta que pariu, você precisa saber de cada porra de detalhe?! Quer que eu coloque um rastreador GPS em mim? Não, melhor ainda, vamos contratar um cara para me seguir e gravar cada porra de movimento meu ao vivo! Você gostaria disso?! Isso faria você calar a porra da boca?!" eu explodo.

O rosto da mamãe fica vermelho escuro enquanto sua garganta aperta por causa do esforço para engolir.

"Você não é o único que está passando por dificuldades com a morte do seu pai—"

"EU NÃO DOU A MÍNIMA!" eu grito, mesmo que não seja verdade. "Eu não ligo... Mãe. Eu só quero sair com meus amigos e ficar em paz. Me deixa em paz. Só me deixa em paz..."

Balanço a cabeça enquanto encaro ela.

Ela balança a cabeça lentamente. Posso ver a mágoa no rosto dela, mesmo que eu não quisesse dizer aquilo. É que estou tão cansado dela trazer o papai à tona.

"Me entrega seu celular..." ela diz, estendendo a mão.

"Não—"

"ME ENTREGA SEU CELULAR, CHANNUM MCBRIDGE!" ela grita.

Vou até lá batendo o pé e jogo o celular na mão dela antes de sair bufando para o meu quarto.

Papai definitivamente não teria ficado me vigiando como um helicóptero assim... então por que ela está fazendo isso?

Bato a porta com tanta força que ela abre de novo, fazendo-me fechá-la com força novamente antes de cair para trás na minha cama.

Ano que vem, eu vou cair fora dessa porra e não volto mais.

Sento-me, pego meu violão e começo a tocar.

"EU NÃO TENHO UMA VIDA, TUDO PORQUE MEU PAI ACABOU DE MORRER, E EM VEZ DE CHORAR E SEGUIR EM FRENTE, MINHA MÃE GOSTA DE CHUTAR MEUS SACOS!"

"Channum — continua aí, filho!" ouço ela chamar.

Reviro os olhos antes de jogar o violão de lado.

Eu odeio este lugar.

_________

Uma coisa que odeio na escola é que ela não serve de refúgio.

Saio do carro enquanto a mamãe me segue.

"Eu quero você na aula, Channum. Não me faça descobrir que você matou aula de novo. E pelo amor de Deus, tem placas de proibido fumar por toda parte! Você é filho do diretor. Pelo menos mostre a eles que você sabe ler. Nem é ler, é só—"

Eu me desligo dela.

Entramos na escola antes de a mamãe agarrar meu braço gentilmente. Olho para ela. Ela é bem mais baixa que eu. Ela acha que é tão intimidadora. Pode até assustar todo mundo, mas não a mim.

Nunca a mim.

"Eu te amo, Channum," ela me diz.

Desvio o olhar.

"Posso ir para a aula agora?"

A mamãe solta meu braço gentilmente e eu saio andando. Não tenho tempo para essa merda hoje.

Vou assistir a uma aula, que é a de orientação. Lá eles podem registrar minha presença e praticamente provar que eu estava pelo menos na escola.

Não ganho pontos por aparecer nessa porra?

Entro na sala e sento na minha mesa. Normalmente eu entro, sento e fico na minha até que alguém me encha o saco. E quem é esse alguém?

"McBridge? Fico feliz que tenha se juntado a nós hoje."

O Sr. Hawks coloca as mãos na cintura.

"Mas vou te dizer o que digo a todas as outras garotas que entram nesta sala: se eu consigo ver seu delineador lá do outro lado da sala, você está exagerando na maquiagem."

Reviro os olhos, solto um suspiro e me sento mais ereto.

"Seu imbecil. É uma escolha de estilo. É para ver a porra da maquiagem mesmo."

Ele aponta imediatamente para a porta da sala, e eu sei que esse é o meu bilhete de saída.

Dou um sorriso antes de levantar, pegar minhas coisas e sair. Ele vai registrar minha presença porque sei que ele vai ficar o dia todo pensando em como me odeia, assim como todo mundo.

"Vá para a sala da sua mãe," ouço ele dizer antes de eu passar pela porta.

Sim.

Como se essa porra fosse acontecer.

Saio, encosto minhas costas na parede e puxo um maço de cigarros. Coloco um cigarro nos lábios, tiro-o do maço e acendo.

O som do tabaco queimando me lembra que estou me matando lentamente, mas tudo bem. Porque, pelo menos, não é de uma vez...

É tão devagar que ninguém nunca vai perceber que esse foi o motivo de eu ter começado a fumar.

Para que eu pudesse, aos poucos, cair fora dessa merda.

Trago a fumaça lentamente quando ouço risadas.

Viro os olhos na direção de onde vêm enquanto solto a fumaça.

Vejo duas pessoas.

"Hahaha—" o aluno ri enquanto pula de um lado para o outro, fazendo o professor fazer o mesmo, como se estivesse tentando bloqueá-lo.

Franzo o nariz, observando os dois. Isso é algum tipo de regra nova que a minha mãe inventou? Agora os professores ficam literalmente bloqueando as pessoas?!

Já estou até vendo... Cara, eu mataria alguém se fizessem essa porra comigo.

"Hahahaha—" o garoto corre ao redor do professor, fazendo-o girar.

"BLAKE!" ele grita.

Dou uma risadinha antes de levar o cigarro de volta aos lábios. Aquele cara tem mais coragem do que eu. Fico pensando o que esse moleque tem de tão especial para o professor correr atrás dele. Eles geralmente só me deixam em paz e anotam meu nome.

Dou um peteleco nas cinzas antes que aquele mesmo garoto volte correndo, e o professor logo atrás. Fico observando, parece até que estão brincando de pega-pega... até que o professor o agarra e—

"Não! Não! Não! Não!"

O rapaz cai para trás, mas o professor o segura e o levanta.

Ah.

Entendi.

Isso é algo que você assiste de longe...

Em vez de se preocupar tanto comigo, minha mãe devia estar preocupada com toda essa merda.

Falando na minha mãe...

Solto a fumaça enquanto ela sai andando, com um walkie-talkie no quadril e uma prancheta na mão.

"Blake, querido? Para onde você quer ir?" ela pergunta, enquanto esse tal de Blake praticamente rola para longe do professor e se levanta.

Ele coça a cabeça e olha ao redor.

"Corre, corre—ha—mmm."

Levanto as sobrancelhas antes de dar um peteleco no meu cigarro, observando enquanto ele voa pelo ar antes de atingir o chão.

Minha mãe olha para lá, abaixa os braços e me encara.

Dou um sorriso e levanto a mão.

"Corre!" Blake diz de repente antes de se virar e sair correndo como um louco, forçando a mamãe e aquele professor a irem atrás dele.

Ei.

Já gostei dele!

Dou meia-volta e entro novamente.

Mesmo sem celular, meus amigos estão aqui. Então nos encontramos no banheiro do nosso corredor.

"Onde vocês se meteram?" pergunto para Lauren quando ela se aproxima.

Ela joga o cabelo para trás dos ombros.

"Tentei falar para vocês virem, mas ninguém ouviu, então fui para casa. Gosto de festejar, mas não gosto de me meter em encrenca. Vou deixar isso com você, Zaine e Arron."

Ela é a responsável do grupo... bom, mais responsável do que o resto de nós. Mas ainda assim falta na aula com a gente, então tem isso.

"Para onde vamos hoje?" ela pergunta enquanto esperamos o resto do pessoal.

Me encosto na parede com os braços cruzados.

"Não sei. Qualquer lugar, menos aqui."

Balanço a cabeça lentamente enquanto Zaine se aproxima. Cumprimentamo-nos com um toque de mãos antes de Arron chegar atrás dele. Cumprimento-o também e todos saímos andando.

"Precisamos sair pela porta lateral porque minha mãe está lá fora correndo atrás de um cara—" digo a eles, que me olham com uma expressão confusa.

"Garoto especial..."

"Ahhh—" todos concordam.

Saímos pela porta lateral.

____________

Existe um lago que foi isolado porque é propriedade privada. Mas gostamos de vir escondidos aqui para beber porque é lindo. Quando o sol reflete na superfície, parece que há pequenos diamantes brilhando pelo lago todo.

Levo a garrafa de cerveja aos lábios enquanto penso na vida.

A dura, duríssima realidade da vida.

Flashback—

Sento no banco do passageiro do carro.

"E então eu estava pensando, talvez se eu voltasse a jogar futebol americano, eu tivesse um motivo para viver..." digo ao meu pai enquanto ele fala no Bluetooth.

"Não, eu já te disse que precisava adiar essa reunião," diz papai, levantando um dedo.

Típico.

Me encosto no banco e cruzo os braços.

"Tudo bem... o-ok. S-sim, se cuida."

Papai desliga antes de olhar para mim.

"O que você disse, filho?"

"Certo, eu estava pensando—" começo, mas o celular dele toca de novo.

Recosto no banco e cruzo os braços novamente.

Papai começa a falar.

"Por que você teve um filho?" pergunto, sem achar que ele tinha me ouvido.

Mas a conversa não dura muito e ele desliga.

O carro fica em silêncio por um momento antes de—

"Eu tive um filho porque eu quis," diz papai.

Sinto minhas bochechas esquentarem, mas meu orgulho não me deixa ficar quieto. Sinto que ele está sempre escolhendo o trabalho em vez de mim.

"Bom, sabe de uma coisa? Talvez você devesse ter adotado o seu trabalho, porque é para lá que vai toda a sua atenção também," eu digo a ele.

Estou tentando conversar com ele há um tempo e ele nunca arranja tempo para mim.

"Eu tenho um trabalho, moleque. Tenho que colocar comida na mesa, um teto sobre a sua cabeça, roupas no seu corpo—"

"Mas a que custo?!" eu o interrompo. "Você nem se importa comigo!"

"Isso não é verdade, Channum—"

"SIM, É!" eu grito.

Essa é a primeira vez que grito com meu pai.

"SIM, É!"

Balanço a cabeça.

"Vou escrever uma música para você," digo, balançando a cabeça enquanto encaro ele. "E ela se chama—"

"Channum, cuidado—"

**CRASH!**

Não me lembro de nada depois disso...

Mas ouvi dizer que um carro furou o sinal vermelho.

Tudo aconteceu tão rápido.

Mas me lembro de quando recebi a notícia.

A notícia de que a última coisa que fiz com meu pai foi brigar com ele.

Fim do flashback—

Levo a garrafa de cerveja novamente aos lábios e dou um gole forte.

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Boa Escrita

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Enredo Envolvente

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Personagem Ótimo

5

Personagem Ótimo

Diálogo Forte

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Diálogo Forte

Ver 3 comentários anteriores...
author

I'm already loving it author you're the best writer 🥰🫶

9 dias
1
author

I’m not sure why but I got a weird since of Deja vu on the last sentence, have you used that in another book? Anyway great start hon!!! I love Channum already, I always like the misunderstood ones lol! And Blake seems like he’s going to be one of my favorites too!!!

9 dias
1
author

grieving is difficult and different for each person, child, teenager. this is a good starting chapter. looking forward to this read.

9 dias

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