Chapter 1
A chave girou na fechadura com um som que lembrava um osso se partindo.
Celia empurrou a porta e ficou no limiar do saguão, com a palma da mão ainda pressionada contra a maçaneta de latão frio. O ar que escapou para recebê-la carregava o peso de um século — poeira, madeira ressecada, o doce e fraco cheiro de cola de papel de parede antigo se desfazendo em nada. Seus tênis deixaram marcas no assoalho enquanto ela entrava. Marcas ao lado das dela. É só a poeira se movendo, ela disse a si mesma. É só a casa se acomodando depois de setenta anos.
"Certo", ela murmurou.
A palavra ficou suspensa no silêncio, como se estivesse esperando por companhia.
O advogado da avó entregou a escritura com dedos que tremiam levemente, embora Celia não soubesse dizer se era pela idade ou por outra coisa. "Morningside Manor", ele a chamou, como se o nome pudesse morder. Ela traçou as letras do seu próprio nome no papel — Celia Williams, única herdeira, vinte e dois anos, com um conhecimento de estudante de segundo ano de engenharia estrutural e sem a menor condição de possuir uma mansão anterior à Guerra Civil. Mas ninguém mais na família a queria. Ninguém mais sequer passava de carro pelos portões.
Ela deixou sua bolsa no primeiro degrau da escada. O corrimão se curvava para cima em direção à sombra, mogno esculpido e desgastado por mãos que já eram poeira há gerações. As mãos de sua tataravó. Effie Williams, nascida Effie Thorne, antes de se casar com Theodore Williams. Celia já tinha visto fotografias — uma mulher franzina de cabelos claros e olhos azuis assustadores que o sépia não conseguia captar direito. Algo naqueles olhos sempre a deixava inquieta. Algo vigilante.
"Tudo bem, Vovó Effie", Celia chamou para a casa vazia, porque parecia melhor preencher o silêncio com sua própria voz. "Estou aqui. Feliz?"
O silêncio rebateu.
Não era um som, era uma pressão. Uma mudança barométrica que fez seus ouvidos estalarem e depois relaxarem. Celia se apoiou no corrimão, piscou com força, e a sensação passou.
Ela riu, um som alto demais. Rápido demais.
"Canos velhos. Casa velha. Se recomponha."
Ela encontrou a cozinha primeiro, porque precisava de um lugar para montar o fogareiro que trouxera. O piso de linóleo da década de 1940 estava descascando nos cantos, revelando uma madeira que alguém havia pintado de um tom enjoado de verde. A pia era de porcelana funda, com rachaduras em formato de teia de aranha que se espalhavam pelo ralo, como se algo tivesse tentado sair de lá. Celia passou o dedo pelas fissuras e o recolheu rapidamente. A porcelana estava fria de um jeito que a temperatura do ambiente não explicava.
"Não vou pedir desculpas por estar aqui", ela disse, mais alto do que o necessário. "Esta casa é minha agora. Legalmente. Com papelada e tudo."
Nada respondeu.
Ela passou a tarde arrastando suas coisas do carro — garrafas de água, um saco de dormir, lanternas, uma caixa de ferramentas que pertencera ao pai. O sol percorreu as janelas sujas, iluminando os cômodos em sequência como um passeio em câmera lenta. Uma sala de estar com móveis cobertos por lençóis brancos. Uma sala de jantar com uma mesa comprida o suficiente para acomodar vinte pessoas, as cadeiras empurradas em ângulos precisos, como se o último jantar tivesse acabado de acontecer. Uma biblioteca onde livros encadernados em couro haviam se fundido nas prateleiras, com suas lombadas esfarelando quando ela as tocava.
Na biblioteca, ela parou.
A temperatura caiu entre um suspiro e outro. Não era uma corrente de ar — as janelas estavam seladas com décadas de tinta —, mas um bolsão de frio que envolveu seus braços nus e fez os pelos se arrepiarem. A respiração de Celia formou uma nuvem na frente de seu rosto.
"Ah", ela disse, e foi mal um sussurro.
O frio pressionou mais perto. Curioso. Ela pensaria depois que parecia curioso, do jeito que um gato pode cheirar o tornozelo de um estranho. Testando. Aprendendo seu formato.
Então ele se afastou, e o ambiente voltou a ser apenas o frio do outono, e Celia estava parada em uma biblioteca segurando uma lanterna com uma mão que não parava de tremer.
"Eu sei que você está aqui", ela disse.
A casa gemeu. Ela quase pensou que fosse apenas o vento, mas o ar lá fora estava parado. Nem uma folha se mexia contra as vidraças. Nenhum galho raspava nos beirais.
Ela pigarreou. "Eu li as cartas."
Silêncio. Mas um silêncio que ouvia. Uma qualidade de fôlego retido que fez os grãos de poeira pararem de flutuar.
"As que a Effie escreveu para o Theodore", Celia continuou, e sua voz se estabilizou à medida que falava, porque aquele era um terreno familiar. Pesquisa histórica. Ela passou três semanas nos arquivos da universidade antes de dirigir até aqui, pegando todos os registros que pôde encontrar sobre a propriedade Morningside e seus donos originais. "Ela escreveu sobre você. Sobre Basil Morningside. Sobre o que fizeram com você."
A temperatura da biblioteca despencou.
Os dentes de Celia bateram. Ela se abraçou e se recusou a recuar. "Effie escreveu que você era controlador. Ciumento. Que não deixava ela sair de casa sem um acompanhante, que vigiava as correspondências dela. Não estou dizendo que isso justifica. O que fizeram. Mas quero que saiba que eu sei. Eu sei quem você é."
O frio se tornou algo diferente. Algo com arestas.
Ele a circulou. Ela sentiu contra sua bochecha, contra a curva de sua garganta, contra a parte interna de seus pulsos onde o sangue corria perto da superfície. Uma pressão que era quase um toque, mas não bem um toque — a sugestão de dedos, o fantasma de um aperto.
"Basil", ela disse.
E a casa falou.
Não em palavras — no ranger do assoalho, no estalo repentino do vidro das janelas, no rangido do lustre acima da mesa de jantar a três cômodos de distância. Mas por baixo de tudo isso, uma voz. Ou a memória de uma voz. Um som arranhado das frequências mais baixas, vibrando mais na cavidade de seu peito do que em seus ouvidos.
"Diga de novo."
As costas de Celia bateram na estante. Volumes encadernados em couro pressionaram sua coluna. O feixe da lanterna sacudiu violentamente pelo teto.
"Dizer o quê?"
"Meu nome." A voz estava mais clara agora, moldando-se a partir do ruído ambiente da casa, tirando sílabas de rangidos e sussurros. "Você disse meu nome. Ninguém diz meu nome desde que ela morreu."
"Effie?"
A temperatura caiu mais um grau. "Não fale o dela."
A boca de Celia abriu, fechou, abriu de novo. Ela estava falando com um fantasma. Ela estava conversando com um homem morto em uma biblioteca em ruínas, em uma casa que não deveria mais existir, e em algum lugar no fundo de sua mente, uma voz que soava como seu professor de psicologia estava dizendo para ela verificar vazamentos de gás ou envenenamento por fungos, ou qualquer coisa, qualquer coisa para explicar aquilo.
Mas o frio era real. A voz era real. O peso de uma presença no quarto com ela era mais real do que a estante cavando suas costas.
"Basil", ela disse novamente, porque não sabia o que mais fazer.
O frio avançou.
Ele a atingiu como uma onda, mas seca — árida, elétrica, criando arrepios em cascata de seus ombros até seus tornozelos. Sua cabeça bateu para trás contra os livros. Seus olhos se apertaram. E então algo tocou sua boca.
Não lábios. Não exatamente. A ideia de lábios, a pressão de um beijo sem o fato físico de um. O frio floresceu contra sua boca e, sob o frio, um sabor — o leve gosto metálico de moedas antigas, a doçura de flores em decomposição, algo mais por baixo que ela não conseguia nomear.
Ectoplasma, seu cérebro supriu, resgatando a palavra de algum documentário paranormal vagamente lembrado. Resíduo espiritual. Manifestação física de energia espectral.
Ela deveria estar aterrorizada. Ela estava aterrorizada. Mas sua boca se abriu mesmo assim, só um pouco, e a pressão se aprofundou, e o sabor se intensificou — sal e cobre e aquela doçura floral, espalhando-se por sua língua como mel.
"Ah", ela sussurrou contra o nada que a pressionava.
A pressão recuou.
Os olhos de Celia se abriram de repente. A biblioteca estava vazia. A temperatura estava normal. A lanterna estava no chão, onde ela a deixara cair, seu feixe iluminando uma pilha de jornais mofados. Ela pressionou os dedos contra os lábios. Eles estavam úmidos. Ela estava úmida. Sua boca formigava, uma sensação de agulhadas que se espalhou de seus lábios para sua língua e para o fundo de sua garganta.
Ela engoliu em seco. O gosto ainda estava lá.
"Basil?"
Nenhuma resposta. Mas ela o sentiu — uma vigilância nos cantos do quarto, uma densidade nas sombras que não estava lá antes. Ele ainda estava ali. Ele estava esperando.
Por quê, ela não conseguia adivinhar. Mas o formigamento em seus lábios estava se espalhando agora, esquentando, instalando-se em sua pele como se ali fosse seu lugar. Como se sempre tivesse estado ali, adormecido, esperando para ser despertado.
Celia recuperou a lanterna com uma mão mais firme do que esperava. Ela limpou a boca nas costas do pulso e examinou a mancha de fluido transparente que saiu. Ele captava a luz de um jeito estranho, brilhando com um tom perolado que a água não tinha.
"Ectoplasma", ela disse em voz alta.
A vigilância no quarto ficou mais nítida.
Ela sentiu então — uma pulsação baixa de calor entre as coxas, totalmente inapropriada e impossível de ignorar. Ela juntou as pernas e sentiu a umidade ali, a forma como seu corpo respondeu sem sua permissão ao beijo de um homem morto.
"Eu não tenho medo de você", ela disse.
Não era verdade. Mas a mentira parecia poderosa.
O quarto do terceiro andar tinha sido de Effie. Celia sabia disso pelas cartas, pelas descrições da vista para o jardim dos fundos, onde as rosas já tinham crescido em fileiras organizadas. O papel de parede tinha um padrão floral desbotado, rosas subindo em treliças que tinham sido pintadas no gesso. A estrutura da cama era de ferro, o colchão já estava desintegrado há muito tempo, mas Celia trouxe um colchão de ar e um saco de dormir. Ela montou seu acampamento no centro do quarto, cercada pelos detritos de uma mulher que tinha ajudado a assassinar o marido.
"Estou dormindo no quarto da sua falecida esposa", ela anunciou para a casa. "O que você acha disso?"
A porta se fechou com um estrondo.
Celia deu um pulo. Depois riu, embora tenha saído um som estrangulado. "Entendido."
Ela se trocou com as costas para a porta — uma camiseta velha e shorts de algodão — e tentou não pensar em ser vigiada. O ar no quarto estava quente. Quente demais para a estação, para a falta de aquecimento, para as correntes de ar que deveriam estar assobiando pelas vedações quebradas das janelas.
Quente como se alguém estivesse respirando o ar antes dela.
"Se você vai me observar dormir, o mínimo que poderia fazer é se apresentar direito", ela murmurou, fechando o zíper do saco de dormir.
Nada. Mas o calor permaneceu.
Ela fechou os olhos. Minutos se passaram — dez, vinte, uma hora — e o sono se recusava a vir. O calor a distraía. Ele se concentrava na base de suas costas, percorria a curva de sua coluna, instalava-se no vazio atrás de seus joelhos. Não era exatamente um toque. Era um quase-toque. A sensação de uma mão pairando um milímetro acima de sua pele, perto o suficiente para que seus nervos disparassem em antecipação.
Celia virou de costas. O teto estava manchado de água, um mapa de algum continente imaginário se espalhando a partir do medalhão central. Ela traçou os contornos com os olhos. "Eu sei que você pode me ouvir."
O calor se intensificou.
"Você me beijou na biblioteca. Você... tanto faz. Você sabe o que eu quero dizer. Aquilo foi... eu não estou reclamando. Só estou dizendo. Se vamos morar neste espaço, ou fazer seja lá o que for isso, deveríamos estabelecer algumas regras básicas."
"Regras básicas." A voz veio de todos os lugares ao mesmo tempo, das paredes, do chão e do teto, vibrando através da estrutura de ferro da cama até seus ossos. "Você está na minha casa. Dormindo na cama da minha esposa. E você quer regras básicas."
"A casa é minha agora. Legalmente. Papelada, lembra?"
Um som que poderia ter sido uma risada, se risadas pudessem ser feitas de poeira e trovões distantes. "Papelada."
Celia se apoiou nos cotovelos. O quarto estava escuro, exceto pelo luar que filtrava pelas janelas sujas, mas as sombras no canto estavam mais escuras do que deveriam. Mais densas. Elas se moviam quando ela não olhava diretamente para elas.
"Mostre-se", ela disse.
“Eu não posso. Ainda não.”
“Ainda?”
“Você precisa me reconhecer. De verdade. Com intenção.” As sombras no canto rodopiaram, fundindo-se em algo que quase formava uma silhueta — a sugestão de ombros, o ângulo de um maxilar. “Você disse meu nome na biblioteca. Aquilo foi um começo. Mas preciso de mais. Preciso que você me conheça, que me veja de verdade.”
O coração de Celia batia rápido demais. O calor ainda estava lá, pressionado contra sua coluna, e agora se espalhava, envolvendo suas costelas e acariciando seus seios através do algodão fino da camisa. Ela soltou um suspiro ofegante.
“Isso é realmente necessário?”
“Eu não sei.” A voz estava mais próxima agora, diretamente ao lado de seu ouvido. “Você é a primeira pessoa que fala comigo em setenta e três anos. Estou descobrindo o que é possível.”
O calor apertou. Seus mamilos ficaram rígidos contra o tecido, e ela sentiu a pressão tão claramente como se houvesse uma mão real ali, com a palma curvada sobre seu corpo e o polegar acariciando em um movimento lento que a fez mover os quadris involuntariamente.
“Você está aprendendo rápido”, ela sussurrou.
“Sempre fui um aluno aplicado.”
Ela deveria parar com aquilo. Sabia que deveria parar. Mas seu corpo estava tomando decisões que seu cérebro não tinha autorizado, e o calor deslizava agora mais para baixo, atravessando a pele de seu ventre, parando no cós de seu short. Suas coxas se abriram sem permissão consciente, dando espaço para um corpo que não estava lá.
“O que acontece”, ela disse, com a voz falhando, “se eu reconhecer você? Intencionalmente?”
A pressão cessou. As sombras se fundiram ainda mais, e agora ela conseguia distinguir a forma de um homem parado ao pé da cama — alto, ombros largos, com os traços ainda ocultos, mas o contorno inconfundível. Cachos escuros. O brilho dos olhos sob o luar.
“Eu me torno mais”, ele disse simplesmente. “Mais sólido. Mais presente. Mais capaz de tocar você de maneiras que sentirá completamente.”
“E o que você ganha com isso?”
A sombra inclinou a cabeça. “Você.”
O ar escapou dos pulmões de Celia de uma vez. A palavra atingiu seu peito e irradiou para fora, e ela sentiu que estava ficando mais úmida; o short grudava nela de um jeito que seria desconfortável, se não fosse exatamente o que ela queria.
“Isso é muita confiança para um homem morto.”
“Tive setenta e três anos para pensar no que eu queria.” A sombra se moveu e, de repente, ele estava ao lado da cama, olhando para ela. Agora, ela quase conseguia ver seu rosto — a linha forte do maxilar, a curva da boca, a intensidade em seus olhos escuros. “Tive setenta e três anos para me arrepender. Para planejar. Para imaginar.”
“Imaginar o quê?”
“O que eu faria se alguém viesse. Alguém que pudesse me ver. Alguém que pudesse...” Ele parou. A sombra oscilou. “Alguém que pudesse me tocar de volta.”
Celia sentou-se completamente. O saco de dormir caiu. Sua camisa estava torcida, com uma alça caindo de seu ombro, e ela não a ajeitou. O luar caía sobre suas clavículas, o volume dos seios, a pele pálida do ombro. Seus longos cabelos ruivo-escuros caíam em ondas até a cintura.
“Eu posso ver você”, ela disse.
A sombra se solidificou. Não completamente — ele ainda era translúcido, ainda atravessado pela escuridão do quarto atrás dele —, mas ela agora conseguia ver o cacho de seu cabelo, o arco das sobrancelhas, a boca que parecia habituada a dar ordens.
“Diga meu nome”, ele sussurrou.
“Basil.”
Ele estremeceu. Ela observou aquilo percorrer seu corpo, uma ondulação que fez seus contornos embaçarem e depois se definirem novamente, e quando passou, ele estava mais sólido do que antes. Ela conseguia ver a gola da camisa dele, o colete sob o casaco, as mãos que agarravam a estrutura de ferro da cama com dedos que deixavam marcas na poeira.
“Novamente.”
“Basil.”
Ele fechou os olhos. A boca se entreabriu. Quando ele abriu os olhos novamente, eles estavam fixos nela com uma intensidade que fez seu estômago afundar e suas coxas se contraírem.
“Você parece com ela”, ele disse. “Effie. Você se parece tanto com ela.”
Algo frio tocou sua espinha. “É por isso que você...?”
“Não.” A palavra foi seca. Imediata. “Não. Você não é ela. Você é... você está aqui. Você falou comigo. Você ficou.” O aperto dele na estrutura da cama aumentou. “Você tem um gosto diferente.”
A lembrança do beijo na biblioteca a invadiu — a onda fria de pressão, a doçura mineral, a forma como o gosto havia permanecido em sua língua por horas depois. Ela tocou os lábios.
“Ainda consigo sentir”, ela admitiu.
“Bom.” Ele contornou o lado da cama e, agora, ela conseguia ouvir seus passos — fracos, abafados, como alguém andando em outro cômodo, mas definitivamente presentes. Definitivamente reais. “Esse é o objetivo. É isso que o ectoplasma faz. Ele deixa uma marca em você.”
“Uma marca?”
“Para que eu possa encontrar você. Para que eu possa sempre encontrar você.” Ele estava ao lado dela agora, e sua mão — translúcida, porém visível, com dedos longos e elegantes — alcançou seu rosto. “Posso?”
Ela acenou antes que pudesse pensar a respeito.
Os dedos dele tocaram sua bochecha. Estavam frios, mas o frio aqueceu rapidamente, absorvendo o calor de seu corpo, tornando-se algo mais próximo da temperatura humana. Ela sentiu a textura da pele dele — macia, quase macia demais, como pedra polida. Ele traçou a linha da maçã do rosto, a curva do maxilar, o contorno de sua orelha.
“Você não parece morto”, ela sussurrou.
“Eu não estou morto. Não inteiramente. Não mais.” O polegar dele roçou seu lábio inferior, puxando-o levemente para baixo, e ela provou o ar entre eles. “Você está me trazendo de volta. Cada vez que me vê. Cada vez que diz meu nome. Cada vez que me deixa tocar em você.”
“É isso que você quer? Voltar?”
Ele se inclinou mais. Ela agora conseguia sentir sua respiração — fria, mas presente, trazendo o mesmo perfume floral e salgado que ela sentira na biblioteca. “O que eu quero”, ele disse, “é tocar você em toda parte. Conhecer cada centímetro seu. Sentir algo além do frio, do silêncio e da lembrança do veneno em minha garganta.”
A palavra pairou entre eles. Veneno.
“Theodore deu para você”, Celia disse. “Ele colocou no seu vinho. Effie distraiu você enquanto ele servia.”
A expressão de Basil não mudou, mas a temperatura no quarto caiu, e a mão dele em seu rosto ficou fria novamente. “Sim.”
“Eu sinto muito. Deve ter sido...”
“Não quero falar sobre eles.” Ele retirou a mão. “Quero falar sobre você. Sobre isto. Sobre se você vai me deixar continuar.”
O coração de Celia batia tão forte que ela conseguia senti-lo na garganta, nos pulsos, na pulsação entre as pernas que não tinha diminuído desde a biblioteca. Ela estava sozinha em uma mansão mal-assombrada com um fantasma que acabara de admitir querer tocá-la em toda parte; ela estava úmida sob o short, seus mamilos continuavam rígidos contra a camisa, e ela diria que sim.
Ela certamente diria que sim.
“O que você quer fazer?”
O sorriso dele foi lento. Predatório. “Deite-se.”
Ela obedeceu. O travesseiro estava murcho e cheirava a poeira, mas ela não se importou. Seu corpo tremia — de expectativa, não de medo, embora talvez os dois estivessem mais próximos do que ela admitiria. Ela o observou observá-la, seus olhos escuros acompanhando a subida e a descida de seu peito, a forma como suas pernas ainda estavam abertas, a maneira como suas mãos agarravam o saco de dormir sob ela.
“Você é linda”, ele disse. “Sob o luar. Com o cabelo espalhado desse jeito. Com esse olhar no rosto.”
“Que olhar?”
“O olhar de uma mulher que sabe que está prestes a ser tocada e não consegue decidir se quer fugir.” Ele se posicionou sobre a cama ao lado dela — o colchão não afundou, mas ela sentiu o deslocamento de ar frio, a proximidade de sua forma. “Eu não vou machucá-la. Não posso, neste estado. Tudo o que eu fizer com você, você sentirá, mas não será o suficiente para satisfazer. Ainda não.”
“O que você quer dizer?”
A mão dele pairou sobre seu estômago, sem tocar. O calor irradiava de sua palma, penetrando através da camisa, fazendo os músculos de seu abdômen se contraírem. “Quero dizer que só posso tocá-la através do ectoplasma. A substância que a marca. Agora, ela está apenas em seus lábios, sua garganta, nos lugares onde minha essência já tocou. Se você quer mais, eu preciso espalhá-la.”
“Espalhá-la como?”
Agora a mão dele a tocou — através da camisa, com uma pressão leve, mas inconfundível. Ela arquejou. A palma dele estava mais quente agora, quase na temperatura corporal, e ela conseguia sentir o formato de cada dedo pressionando a carne macia de sua barriga.
“Tocando você. Beijando você. Colocando minha boca em cada centímetro da sua pele e deixando uma parte de mim para trás.” A mão dele deslizou para cima, sobre suas costelas, e os dedos encontraram a parte inferior de seu seio. “Fazendo isto.”
Ele envolveu seu seio com a mão.
As costas de Celia se curvaram para longe do colchão. A sensação era... impossível. Era a pressão de uma mão, o calor da pele, mas por baixo havia algo mais, algo elétrico que fazia seus nervos dispararem em padrões que ela não reconhecia. Prazer, frio e calor, tudo ao mesmo tempo, irradiando para fora do ponto onde a palma da mão dele a pressionava.
“Oh, meu Deus”, ela sussurrou.
“Deus não tem nada a ver com isso.” O polegar dele encontrou seu mamilo, já rígido, e girou ao redor dele através do tecido da camisa. “Isso é mais antigo do que qualquer deus. Mais antigo do que qualquer coisa.”
A pressão aumentou. Ela observou a mão dele — translúcida contra o branco da camisa; o contorno dos nós dos dedos era visível enquanto ele massageava seu seio. Ela conseguia sentir o ectoplasma infiltrando-se pelo algodão, uma umidade fria que se espalhou por sua pele e depois aqueceu, formigando, acomodando-se em seus poros.
“Como é a sensação?”, ele perguntou. “Descreva para mim. Faz tanto tempo que não sinto nada. Diga-me o que estou fazendo com você.”
“É...” Ela lutou para encontrar as palavras, com os quadris se movendo inquietos contra o colchão. “É frio no começo. Depois quente. Então... formiga. Como champanhe. Como agulhadas, mas... bom. A sensação é boa.”
“Bom.” Ele se inclinou, e sua boca pairou sobre seu outro seio, ainda coberto pela camisa. Ela viu os lábios dele se abrirem. Viu o brilho de algo — ectoplasma, ela percebeu — reunindo-se em seu lábio inferior. “Diga-me se isso também é bom.”
Ele fechou a boca sobre seu mamilo.
Através da camisa, ela sentiu a pressão frio-quente dos lábios dele, a raspagem suave dos dentes e, então, o calor úmido de sua língua enquanto ele traçava um círculo ao redor do bico empinado. Suas mãos subiram para a cabeça dele — os dedos dela afundaram no cabelo dele, e eram cachos sólidos e espessos que se enrolaram em seus nós dos dedos. Ela puxou, e ele gemeu contra seu seio, e a vibração viajou diretamente para o seu centro.
“Basil”, ela arquejou.
Ele levantou a cabeça. Seus lábios estavam úmidos, brilhantes, e ela conseguia ver a mancha na camisa onde a boca dele estivera — uma luminescência tênue que já estava sendo absorvida pelo tecido. “Novamente”, ele exigiu.
“Basil. Basil, por favor...”
“Por favor, o quê?” A mão dele ainda estava em seu seio, ainda massageando, e o polegar fazia círculos lentos que a faziam querer gritar. “O que você quer que eu faça com você?”
“Eu quero...” Ela não sabia como dizer. Não sabia o que queria, porque nada em sua vida a preparara para aquilo; para a forma como seu corpo respondia a um homem que não era inteiramente físico; para a sensação do ectoplasma penetrando em sua pele; para a forma como seu corpo se contraía ao redor de nada e de tudo ao mesmo tempo. “Eu quero que você continue.”
Ele sorriu novamente. “Eu esperava que você dissesse isso.”
A mão dele deixou seu seio. Ela choramingou com a perda, mas então os dedos dele estavam na bainha da camisa, empurrando-a para cima, expondo seu estômago ao luar. O ar estava frio em sua pele nua, mas a mão dele estava quente quando ele a pressionou contra sua barriga.
“Cada parte de você”, ele murmurou. “Eu vou conhecer cada parte de você.”
A mão dele deslizou para baixo. Os dedos engancharam no cós do short. Ele não os abaixou — ainda não. Apenas os manteve ali, os nós dos dedos pressionando a pele sensível logo acima do osso púbico.
“Diga-me que você quer isso.”
“Eu quero.”
“Diga meu nome e diga que você quer isso.”
“Basil.” A voz dela falhou na segunda sílaba. “Basil, eu quero isso. Quero que você me toque. Quero que você… que espalhe. Seja lá o que for. Eu quero mais.”
Ele puxou o short dela para baixo.
O tecido deslizou pelos quadris, prendeu por um momento na curva da bunda dela e então se soltou. Ele puxou a peça pelas coxas, passando pelos joelhos, até que o short saiu e ela ficou nua da cintura para baixo, vestindo apenas a calcinha — de algodão simples, rosa-pálido, encharcada no entrepernas.
Basil olhou para ela ali. Para a mancha escura de umidade. Para o modo como o tecido grudava nos lábios inchados. Para o contorno do seu clitóris, visível sob o algodão molhado, pressionando o tecido como se implorasse por atenção.
“Você está encharcada”, disse ele, com um tom de assombro na voz. “É para mim?”
“Para quem mais seria?”
Os olhos dele subiram rapidamente para o rosto dela. “Eu não sei. Não sei nada sobre sua vida fora desta casa. Talvez haja alguém. Talvez existam muitos 'alguéns'.”
“Não há. Não tem ninguém.” Ela engoliu em seco. “Só você.”
Algo mudou na expressão dele — uma possessividade, aguda e quente, atravessou seus traços translúcidos. “Bom”, disse ele. “Isso é bom.”
E então ele abaixou a boca até o clitóris dela.
Através do algodão, ela sentiu a pressão dos lábios dele. A floração fria do ectoplasma se espalhando pelo tecido, encharcando-o, encharcando-a. A língua dele traçou a fenda dela, pressionando o algodão contra o sexo, e ela conseguia sentir cada nervura da língua dele como se não houvesse nada entre os dois.
Ela soltou um grito — um som que nunca tinha feito antes, algo entre um gemido e um soluço. Suas mãos apertaram o saco de dormir. Seus quadris subiram, esfregando-se contra a boca dele, e ele emitiu um som de aprovação que vibrou pelo clitóris dela.
“Tão receptiva”, murmurou ele contra ela. “Tão ansiosa. Ninguém nunca te ensinou a ter paciência?”
“Faz… eu não…”
“Quanto tempo?”
Ela não queria responder. A resposta era embaraçosa: meses, fazia meses desde que alguém a tocara, e ainda mais tempo desde que alguém a tocara daquela forma, com tanta intensidade concentrada. Mas ele esperava, a boca pairando logo acima dela, o hálito frio em sua pele quente.
“Muito tempo”, ela admitiu.
“Então serei gentil. Por enquanto.” Ele enganchou os dedos no cós da calcinha dela. “Levante os quadris.”
Ela obedeceu. Ele puxou o tecido para baixo e, agora, ela estava nua diante dele, com seu sexo exposto ao luar e ao olhar faminto dele. Ela estava inchada — ela podia sentir, o modo como seus lábios haviam estufado com o desejo, o modo como seu clitóris espreitava por fora do capuz, o modo como sua entrada se contraía ao redor do nada.
“Olhe para você”, ele sussurrou. “Você está rosada e carnuda, e tão molhada que consigo ver o brilho. Seu pequeno botão está praticamente pulsando. E aqui…” O dedo dele, frio e depois quente, traçou a borda da sua abertura. “Aqui você está banhada. Absolutamente encharcada. Tudo para mim.”
“Por favor”, ela sussurrou.
“Por favor, o quê?” O dedo dele circulou a entrada dela, mas não entrou. “Use as palavras. Eu era advogado. Precisão é importante para mim.”
“Por favor, me toque. Coloque sua boca em mim. Eu preciso… eu preciso gozar.”
“Você vai.” Ele abaixou a cabeça novamente, e desta vez não havia algodão entre eles. “Mas quero provar você primeiro. Do jeito certo.”
A língua dele tocou o clitóris dela.
A visão de Celia ficou branca.
A sensação foi… ela não tinha palavras para descrever. O frio do ectoplasma, o calor da boca dele e o formigamento elétrico que se espalhava do ponto de contato, irradiando pela pélvis, coxas e estômago. Ele a lambeu em uma trilha lenta, da entrada até o topo do clitóris, e ela sentiu o ectoplasma cobrindo-a, infiltrando-se nela, marcando-a.
“Você tem gosto de mel”, disse ele contra ela. “Como mel, sal e algo para o qual não tenho nome.”
A língua dele traçou suas dobras — os grandes lábios, inchados e sensíveis; os lábios internos, mais delicados, tremendo sob sua atenção; o capuz do clitóris, que ele afastou com a ponta da língua para expor a pérola por baixo. Quando ele fechou os lábios ao redor dela e sugou, ela gritou.
O som ecoou pela casa vazia. Ela não se importou. Suas coxas prenderam a cabeça dele, e ela podia sentir o cabelo dele contra sua pele; os cachos faziam cócegas na carne sensível da parte interna de suas coxas. Ele continuava sugando, lambendo, a língua dele desenhando padrões no clitóris que faziam o corpo dela todo tremer.
“Eu vou gozar”, ela arfou. “Basil, eu vou…”
Ele se afastou. Ela quase chorou. “Ainda não”, disse ele. “Eu avisei. Não vou deixar você se satisfazer tão facilmente.”
“Seu desgraçado…”
“Sim. Já fui chamado disso antes.” O dedo dele, escorregadio com o desejo dela e com o ectoplasma, pressionou a entrada dela. “Mas você vai me agradecer. Eventualmente.”
O dedo dele deslizou para dentro dela.
Ela estava tão molhada que não houve resistência — apenas o deslizar suave dele para dentro dela, a expansão de suas paredes ao redor dos nós dos dedos dele, o modo como seu corpo se contraía sobre ele, como se tentasse puxá-lo para mais fundo. Ele gemeu, e ela sentiu o som no próprio peito, na garganta, no lugar onde o dedo dele estava enterrado.
“Você está apertada”, disse ele. “Apertada, quente e tão molhada. Consigo sentir seu pulso ao redor do meu dedo.”
Ele o moveu — para dentro, para fora, para dentro de novo — e ela observou o rosto dele enquanto ele fazia isso. A expressão dele era extasiada, quase religiosa, como se estivesse testemunhando algo sagrado. Isso a fazia se sentir poderosa. Fazia com que se sentisse desejada. Fazia-a sentir coisas para as quais ela não tinha nomes.
Um segundo dedo juntou-se ao primeiro. A expansão intensificou-se, e ela arfou. Ele pausou, esperando que ela se ajustasse. Quando ela assentiu — ela não conseguia falar —, ele continuou, os dedos curvando-se dentro dela, encontrando um ponto que fez luzes estourarem atrás de seus olhos.
“Ali”, disse ele. “É ali.”
Ele pressionou aquele ponto enquanto o polegar encontrava o clitóris dela, e a dupla sensação era demais e, ao mesmo tempo, insuficiente. Seus quadris moviam-se sem que ela precisasse comandar, montando na mão dele, esfregando-se contra a palma. Ela podia ouvir os sons molhados de seu desejo, o ruído escorregadio dos dedos dele movendo-se dentro dela, e era obsceno e lindo, e ela nunca queria que aquilo parasse.
“Quero ver você gozar”, disse ele. “Quero observar seu rosto. Quero sentir você se contrair ao redor dos meus dedos. Quero provar o que sai de você.”
“Então me deixe — por favor, Basil, por favor, me deixe…”
“Diga meu nome de novo.”
“Basil.” A voz dela estava se quebrando. “Basil, eu estou tão perto, por favor…”
“Goze para mim, Celia.”
A boca dele desceu sobre o clitóris dela. Seus dedos impulsionaram-se para dentro dela, curvando-se, pressionando. A outra mão dele agarrou a coxa dela, mantendo-a aberta, mantendo-a imóvel, e ela estava indefesa contra a onda de sensações que colidia através dela.
Ela gozou com um grito que rasgou sua garganta.
Sua visão fragmentou-se — luar, sombras e a silhueta escura de Basil entre suas coxas. Seu corpo travou, cada músculo se contraindo, e então relaxou em uma inundação de sensações que começou em sua boceta e irradiou para fora, até que as pontas de seus dedos formigassem. Ela sentiu-se jorrar ao redor dos dedos dele, sentiu a umidade derramar-se sobre a mão dele, e ele emitiu um som de triunfo e a lambeu, bebendo-a, a língua dele mergulhando na entrada dela para capturar cada gota.
Continuou. E continuou. Ele não parou — os dedos continuaram se movendo, a boca continuou trabalhando, extraindo seu orgasmo até que ela estivesse soluçando com a intensidade dele.
“Demais”, ela arfou. “É demais…”
Ele se retirou imediatamente. Os dedos dele deslizaram para fora dela com um som úmido, e ela se sentiu vazia, oca, dolorida. Mas a boca dele ainda estava nela, gentil agora, dando beijos na parte interna de suas coxas, em seu monte, na leve saliência de sua barriga.
“Você foi maravilhosa”, murmurou ele. “Tão maravilhosa.”
Ela estava tremendo. Seu corpo inteiro tremia. Ela olhou para si mesma e viu o brilho tênue do ectoplasma em sua pele — nas coxas, no estômago, no sexo. Estava sendo absorvido por ela, desaparecendo em seus poros, e em cada lugar que tocava, a pele dela formigava com um calor estranho e possessivo.
“Eu consigo sentir”, disse ela. “O ectoplasma. É… eu consigo sentir onde você esteve.”
“Bom. Esse é o objetivo.” Ele rastejou pela cama — ela conseguia ver mais dele agora, os detalhes do rosto mais nítidos, a cor dos olhos visível. Castanhos, ela percebeu. Um castanho profundo, escuro, quase preto na luz baixa. “Agora sempre poderei encontrar você. Tocar você. Onde quer que você vá nesta casa, eu sentirei aquele formigamento na sua pele, e virei até você.”
“Isso soa como uma ameaça.”
O sorriso dele foi lento. “É uma promessa.”
Ele se deitou ao lado dela e, mesmo que o colchão não afundasse, ela sentiu a presença dele — sólido, pesado, real. A mão dele encontrou o quadril dela, e o ectoplasma ali aqueceu com o toque, enviando um arrepio de prazer através de seus nervos superestimulados.
“Tem mais”, disse ele. “Muito mais. Eu só toquei uma fração de você.”
“Mais?”
“Quero estar dentro de você.” As palavras foram simples, diretas, devastadoras. “Não apenas com os meus dedos. Todo o meu ser. Quero sentir suas paredes ao redor do meu cock. Quero encher você com a minha semente. Quero observar você aceitar tudo de mim e ainda implorar por mais.”
A respiração dela travou. Seu corpo, recém-saciado, contraiu-se com as palavras, e ela sentiu-se ficar molhada novamente, de forma impossível, seu desejo misturando-se aos resíduos de ectoplasma em suas coxas.
“Você consegue… você é sólido o suficiente para isso?”
Ele olhou para o próprio corpo — para as mãos translúcidas, o brilho tênue de sua forma. “Ainda não. Mas estou ficando mais forte. Cada vez que você me reconhece. Cada vez que você me deixa tocar você.” Os olhos dele encontraram os dela. “Se você continuar dizendo meu nome. Se continuar me deixando entrar. Eu me tornarei sólido o suficiente para fazer tudo o que quero a você.”
“O que mais você quer?”
Ele se inclinou para perto. Os lábios dele roçaram a orelha dela, e o ectoplasma ali — desde o primeiro beijo na biblioteca — ganhou vida, formigando, aquecendo, fazendo-a arfar.
“Quero te engravidar (breed)”, sussurrou ele.
A palavra caiu na escuridão entre eles.
Engravidar (Breed).
A boca de Celia secou. Todo instinto feminista que ela tinha deveria ter recuado diante da palavra. Todo pensamento racional deveria tê-la rejeitado. Mas o ectoplasma zumbia sob sua pele, seu corpo ainda pulsava do orgasmo que ele lhe dera, e a voz dele era uma vibração baixa que se instalou na base de sua espinha.
“Quero encher você tanto com a minha semente que ela escorra pelas suas coxas por dias”, ele continuou. “Quero marcar você por dentro. Quero que cada centímetro de você reconheça que você me pertence.”
“Eu não… eu não sou… pertencer a alguém, isso não é…”
“Shh.” O dedo dele pressionou os lábios dela, e ela provou o ectoplasma ali, a doçura mineral, o sal de seu próprio desejo. “Você não precisa decidir esta noite. Mas deve saber o que eu quero. Serei honesto com você sempre. Isso é mais do que Effie jamais me deu.”
O nome instalou-se entre eles. Um lembrete. Um aviso.
Celia fechou os olhos. O calor do ectoplasma pulsava sob sua pele — em seus lábios, seios, estômago, sexo. Cada lugar que ele a tocara brilhava com um calor tênue e possessivo.
“Basil”, ela disse.
“Sim?”
“Eu não sou ela. Eu não sou Effie.”
“Eu sei.” A mão dele envolveu o rosto dela. “Você é muito mais.”
Ela abriu os olhos. Ele ainda estava lá, ainda sólido — mais sólido do que antes. Ela conseguia ver a textura da pele dele agora, a barba por fazer em seu maxilar, o modo como seus cachos caíam sobre sua testa. Ele era bonito. Ele era aterrorizante. Ele era um fantasma, ele queria procriá-la, e ela estava deitada nua na cama da falecida esposa dele, com o ectoplasma dele sendo absorvido pela pele dela.
E ela não queria que ele parasse.
“O que acontece agora?”, ela perguntou.
O sorriso dele se alargou. “Agora vamos ver o quanto de mim você consegue aguentar.”


