3:17 AM
CAPÍTULO UM parte -1 ; 3:17 AM
A primeira vez que Ayla ouviu as batidas do coração, ela tinha oito anos.
Estava chovendo naquela noite. Não era aquele tipo de chuva suave que dá sono, mas a chuva pesada que batia tão forte nas janelas que a casa inteira parecia tremer com o impacto.
Ayla estava sentada na cama com um livro no colo. Ela não estava mais lendo. Estava encarando a mesma página por quase dez minutos.
Sua mãe estava no andar de baixo.
Ela tinha descido para atender ao telefone minutos antes, dizendo a Ayla para não sair do quarto.
Ayla havia balançado a cabeça em sinal de concordância.
Ela sempre ouvia a mãe.
Até que ouviu aquilo.
Tum.
Ela levantou a cabeça.
Por alguns segundos, ela não se moveu.
Então o som veio novamente.
Tum.
Ayla colocou o livro de lado lentamente.
Seus olhos se voltaram para a parede ao lado da cama.
O som vinha dali.
Ela desceu do colchão e caminhou para mais perto.
O quarto estava frio.
Muito mais frio do que estava instantes atrás.
Ayla encostou sua mão pequena na parede.
Nada.
Ela esperou.
Então—
Tum.
Sua mão recuou de susto.
Parecia um batimento cardíaco.
Um batimento de verdade.
Lento.
Pesado.
Próximo.
Ayla olhou para a porta do quarto.
Ela ainda estava aberta.
“Mamãe?”
Nenhuma resposta.
Ela deu um passo em direção ao corredor.
Então ouviu algo que a fez parar.
“Ayla.”
Ela paralisou.
A voz vinha de fora do seu quarto.
Parecia a dela.
Não exatamente como a Ayla que ela era agora.
Era como a garotinha que ela ouvia todas as manhãs quando falava sozinha.
Ela encarou o portal.
“Ayla...”
Sua própria voz a chamou novamente.
Os olhos de Ayla se encheram de lágrimas.
Ela queria a mãe.
Queria correr para o andar de baixo.
Mas, antes que pudesse se mover, sua mãe apareceu no fim do corredor.
Seu rosto estava pálido.
Muito pálido.
“Ayla.”
Sua mãe entrou apressada no quarto e agarrou seu braço.
“Venha aqui.”
“Mas, mamãe—”
“Não fale nada.”
Sua mãe a puxou para longe da porta e a fechou.
Depois, trancou-a.
Ayla nunca tinha visto sua mãe tão assustada.
“Mamãe, o que aconteceu?”
Sua mãe se ajoelhou à sua frente.
Envolveu o rosto de Ayla com as duas mãos.
“Ouça-me com atenção.”
Ayla concordou.
“Se você ouvir alguém chamando seu nome esta noite, não responda.”
Ayla franziu a testa.
“Por quê?”
“Apenas não responda.”
Sua mãe olhou para a porta.
Ayla seguiu seu olhar.
Nada.
Então o batimento cardíaco veio de novo.
Tum.
Sua mãe ficou completamente imóvel.
Ayla podia sentir os dedos dela tremendo contra suas bochechas.
Tum.
Então, alguém sussurrou do outro lado da porta.
“Ayla...”
Era a voz dela.
Exatamente a voz dela.
Sua mãe rapidamente cobriu sua boca.
Nenhuma das duas se moveu.
A voz veio de novo.
“Ayla...”
Dessa vez, pareceu mais perto.
Quase como se quem estivesse lá fora tivesse encostado os lábios na porta.
As lágrimas de Ayla finalmente caíram.
Sua mãe a puxou para um abraço.
“Não responda”, sussurrou ela.
Elas ficaram assim até o amanhecer.
Ayla nunca viu quem estava lá fora.
Ela nunca mais perguntou sobre isso para a mãe.
Mas ela se lembrou do relógio.
Eram exatamente 3:17 AM.
Dezessete anos depois, Ayla ainda acordava exatamente no mesmo horário.
Ela abriu os olhos e encarou o teto escuro.
Por alguns segundos, não soube onde estava.
Então, o som da chuva batendo na janela a fez lembrar.
Ela estava em um hotel.
De novo.
Ayla pegou o celular no criado-mudo.
A tela iluminou seu rosto.
3:17 AM.
Ela fechou os olhos.
“Sério?”
Ela jogou o celular ao lado dela.
Isso vinha acontecendo há anos.
Não importava onde dormisse, ela acordava às 3:17.
Às vezes acontecia depois de um pesadelo.
Às vezes não havia motivo algum.
E às vezes...
Ela ouvia as batidas do coração.
Ayla virou-se de lado.
Tentou ignorar o som da chuva.
Amanhã ela voltaria.
Voltaria para Blackwood Manor.
Ela não ia lá desde os dezoito anos.
Não da maneira correta, pelo menos.
Depois de sair para a universidade, ela arranjou todas as desculpas possíveis para ficar longe.
Sua mãe nunca reclamou.
Nunca pediu para Ayla voltar para casa.
Talvez ela entendesse o porquê.
Talvez ela também tivesse medo daquela casa.
Ayla puxou o cobertor até o queixo.
Tinham se passado três semanas desde o funeral da sua mãe.
Três semanas desde que ela ouvira a voz de sua mãe.
Três semanas desde que recebera as chaves da casa que passara metade da vida tentando esquecer.
O advogado chamou de herança.
Ayla chamou de problema.
Ela não queria a casa.
Não queria as lembranças.
Definitivamente, não queria saber por que sua mãe a tinha deixado para ela.
Mas havia algo em que ela não conseguia parar de pensar.
A carta.
Ela chegou dois dias depois do funeral.
Sem remetente.
Sem explicação.
Apenas o nome dela no envelope.
Dentro, havia uma única frase escrita com a letra da sua mãe.
Vá até Blackwood Manor antes de vendê-la.
Era só isso.
Ayla tinha lido pelo menos vinte vezes.
Ela ainda não entendia o motivo.
Sua mãe passou anos dizendo para ela nunca mais voltar lá.
Agora, ela estava pedindo que retornasse.
Ayla virou-se em direção à janela.
Um relâmpago brilhou lá fora.
Por um breve segundo, o quarto inteiro ficou branco.
Ela viu uma figura parada perto das cortinas.
Ayla soltou um grito.
Ela pulou da cama e acendeu o abajur.
Nada.
Não havia ninguém ali.
Ela encarou as cortinas.
Elas estavam se movendo levemente.
A janela estava fechada.
A respiração de Ayla voltou lentamente ao normal.
“Controle-se.”
Ela esfregou o rosto.
“Você precisa dormir.”
Ela foi até a janela e abriu as cortinas.
A rua lá embaixo estava vazia.
A água da chuva escorria pelo vidro.
Nenhum carro.
Nenhuma pessoa.
Nada.
Ela estava prestes a fechar as cortinas quando notou algo caído no chão.
Um envelope.
Ayla franziu a testa.
Ela não tinha visto aquilo quando entrou no quarto.
Ela deu um passo atrás.
Por um momento, ela apenas ficou olhando para ele.
Então, ela se abaixou.
Seu nome estava escrito na frente.
AYLA.
Seu estômago deu um nó.
Ela pegou o envelope.
O papel estava velho.
Amarelado nas bordas.
Não havia selo.
Nenhum endereço.
Apenas o nome dela.
Ayla olhou para a porta.
Estava trancada.
Ela conferiu duas vezes.
Então, ela abriu o envelope.
Uma fotografia deslizou para sua mão.
Ela olhou para a foto.
E parou de respirar.
Era sua mãe.
Jovem.
Muito mais jovem do que Ayla jamais a conheceu.
Ela estava em frente a Blackwood Manor.
Ayla reconheceu a casa imediatamente.
As janelas altas.
Os degraus de pedra.
As árvores retorcidas ao redor.
Mas sua mãe não estava sozinha.
Um rapaz estava ao lado dela.
Ele parecia ter uns dezenove anos.
Cabelo escuro.
Casaco preto.
Sua expressão era estranhamente séria.
Ayla virou a fotografia.
Havia uma data escrita atrás.
14 de outubro de 2001.
Abaixo da data, havia três palavras.
ELE ESTÁ ESPERANDO.
Ayla encarou as palavras.
Seus dedos começaram a tremer.
Então, ela olhou para o rapaz novamente.
Algo em seu rosto parecia familiar.
Não familiar da maneira comum.
Era o tipo de familiaridade que fazia a nuca dela gelar.
Ela pegou o celular.
Seus dedos se moveram rapidamente.
Ela pesquisou pelo nome de Blackwood Manor.
Depois, pela data.
Depois, pela fotografia.
Nada de útil apareceu.
Ayla pesquisou novamente.
Desta vez, ela adicionou o nome de sua mãe.
Ainda nada.
Ela estava prestes a desistir quando notou algo escrito bem fracamente abaixo da data.
Um nome.
Ela deu um zoom.
Rayyan Hale.
Ayla encarou a tela.
Seu coração começou a bater mais rápido.
Ela conhecia aquele nome.
Ela não sabia como.
Ela pesquisou.
O primeiro resultado fez seu sangue gelar.
RAYYAN HALE — FALECIDO EM 14 DE OUTUBRO DE 2001.
Ayla parou de respirar.
Ela olhou para a fotografia novamente.
O jovem estava sorrindo fracamente agora.
Ou talvez ela estivesse imaginando.
Seu celular tocou de repente.
Ayla quase o deixou cair.
O identificador de chamadas mostrava um nome.
MÃE.
Ela não conseguia se mexer.
O número de sua mãe tinha sido desconectado após o funeral.
Não havia como aquele número estar ligando.
O celular continuava tocando.
Ayla encarou o aparelho.
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.
Então, ela atendeu.
Ela não disse nada.
Nem a pessoa do outro lado.
Apenas respiração.
Lenta.
Respiração pesada.
Os lábios de Ayla se entreabriram.
“Mamãe?”
A respiração parou.
Por vários segundos, houve silêncio total.
Então, a voz de um homem sussurrou:
“Ayla...”
Seu sangue gelou.
A ligação terminou.
Naquele exato momento, algo bateu na janela.
Ayla deu um salto.
Ela se virou.
Nada.
Então, ela ouviu.
Pá.
Ela olhou para a fotografia.
Pá.
Seus olhos se moveram lentamente para a porta do quarto.
Pá.
O som não vinha de fora.
Não vinha da parede.
Vinha de algum lugar dentro do quarto.
Ayla recuou.
Sua mão cobriu a boca.
Então, alguém sussurrou seu nome atrás dela.
“Ayla...”
Ela se virou.
E a luz do quarto se apagou.
CAPÍTULO 1; PARTE 2;
O HOMEM NA FOTOGRAFIA .O quarto ficou totalmente escuro
Ayla não conseguia ver nada.
Por alguns segundos, ela ficou paralisada ao lado da cama, ouvindo sua própria respiração.
Então, ouviu um som perto da porta.
Um ranger lento.
Alguém estava abrindo a porta.
Ayla tateou em busca do celular, mas ele escorregou de seus dedos trêmulos e atingiu o chão.
A tela brilhou por um segundo.
Apenas o suficiente para ela ver a porta.
Havia alguém parado ali.
Ayla parou de respirar.
A figura não se moveu.
Ele era alto.
Ombros largos.
Roupas escuras.
O rosto dele estava escondido pela escuridão.
“Quem está aí?”
Sua voz saiu mais fraca do que ela esperava.
O homem entrou no quarto.
Ayla recuou imediatamente.
“Não se aproxime.”
Ele parou.
Por um momento, nenhum dos dois disse nada.
Então, um relâmpago brilhou pela janela.
O rosto do homem apareceu claramente por meio segundo.
O coração de Ayla disparou.
Era ele.
O homem da fotografia.
O mesmo cabelo escuro.
Os mesmos olhos.
O mesmo rosto.
Ela encarou-o como se sua mente tivesse parado de funcionar.
“Rayyan...”
O homem olhou para ela.
Algo mudou em sua expressão ao ouvir seu nome.
Ele parecia quase irritado.
“Onde você ouviu esse nome?”
Ayla não conseguiu responder.
Ela apontou para a fotografia caída no chão.
Os olhos dele seguiram a mão dela.
No momento em que ele a viu, seu rosto mudou.
Ele caminhou em direção à fotografia.
Ayla deu um passo atrás.
“Fique longe de mim.”
Ele parou.
“Eu não vim aqui para machucar você.”
“Então por que você está aqui?”
Ele olhou para ela por um longo momento.
“Eu vim porque você não deveria ter aberto aquele envelope.”
Ayla franziu a testa.
“Como você sabe sobre o envelope?”
Ele não respondeu.
“Quem o enviou?”
Ainda nada.
O medo de Ayla lentamente se transformou em raiva.
“Você entra no meu quarto no meio da noite, sabe sobre uma carta que minha mãe morta me deixou e, de alguma forma, sabe meu nome.”
Ela deu outro passo atrás.
“Agora você está me dizendo que eu não deveria ter aberto algo que era endereçado a mim?”
Rayyan olhou para ela.
“Você está fazendo as perguntas erradas.”
“Então me diga as certas.”
O maxilar dele ficou tenso.
“Por que sua mãe mandou você de volta para cá?”
Ayla encarou-o.
“Eu não sei.”
“Você deveria saber.”
“Eu não estaria perguntando se soubesse.”
Pela primeira vez, algo mais suave apareceu em seus olhos.
Ele parecia cansado.
Quase triste.
Então o olhar dele caiu sobre a mão dela.
Ayla seguiu o olhar.
Ela ainda estava segurando a fotografia.
Rayyan aproximou-se.
“Dê isso para mim.”
“Não.”
“Ayla.”
“Como você sabe meu nome?”
“Eu já disse.”
“Não, você não disse.”
Ele parou na frente dela.
Eles estavam perto o suficiente agora para que Ayla visse a pequena cicatriz perto da sobrancelha dele.
Ela nunca tinha notado isso na fotografia.
Os olhos dele encontraram os dela.
“Eu sei o seu nome há muito tempo.”
O coração de Ayla falhou uma batida.
“Quanto tempo?”
Rayyan não respondeu.
Em vez disso, ele olhou para o relógio.
3:19 da manhã.
Sua expressão de repente tornou-se séria.
“Você precisa ir embora.”
“O quê?”
“Agora mesmo.”
Ayla quase riu.
“Você entra no meu quarto às três da manhã e me diz para sair do meu próprio quarto de hotel?”
“Não do hotel.”
Ele olhou para o corredor.
“Da casa.”
O rosto de Ayla ficou pálido.
“Que casa?”
Rayyan olhou para ela novamente.
“Blackwood Manor.”
O nome fez seu estômago revirar.
“Você sabe sobre a casa.”
“Eu sei mais do que você imagina.”
“Então me diga o que aconteceu lá.”
Rayyan permaneceu em silêncio.
A frustração de Ayla aumentou.
“Minha mãe estava lá quando você morreu?”
Os olhos dele endureceram imediatamente.
Ayla percebeu.
“Você morreu, não foi?”
Rayyan desviou o olhar.
“Sim.”
A palavra foi tão baixa que Ayla quase não ouviu.
Seu peito apertou.
“Então como você está parado aqui?”
Ele olhou para ela novamente.
“Eu não sei.”
Ayla encarou-o.
Ela esperava medo.
Ela esperava que ele risse ou dissesse que era algum tipo de brincadeira.
Ele não fez nem uma coisa nem outra.
Ele parecia completamente sério.
E, de alguma forma, isso a assustou ainda mais.
Um som veio do corredor.
Tump.
A expressão de Rayyan mudou instantaneamente.
“Não se mova.”
Ayla congelou.
“O que foi isso?”
Ele levantou um dedo aos lábios.
Outra batida soou.
Tump.
Desta vez foi mais alto.
Ayla sentiu no peito.
Ela olhou para a porta.
O corredor estava vazio.
Então algo se moveu no fundo.
Uma sombra.
Ela atravessou a parede e desapareceu.
Ayla agarrou o braço de Rayyan sem pensar.
Ele olhou para a mão dela.
Ela rapidamente a puxou de volta.
“Desculpe.”
Ele não disse nada.
Por alguma razão, o silêncio dele a deixou mais nervosa.
Outro som veio do corredor.
A voz de uma mulher.
“Ayla...”
O rosto dela ficou branco.
“Mamãe?”
Rayyan agarrou seu pulso.
“Não.”
Sua voz era firme.
“Não responda.”
“Mas é minha mãe.”
“Sua mãe está morta.”
Ayla olhou para ele.
Lágrimas encheram seus olhos.
“Você não sabe disso.”
“Eu sei.”
A certeza em sua voz doía mais do que as palavras.
Ayla puxou sua mão.
“Você não tem o direito de falar dela assim.”
A expressão de Rayyan suavizou.
“Eu sei.”
Sua voz tornou-se mais baixa.
“Me desculpe.”
Ayla desviou o olhar.
Ela odiava que o pedido de desculpas dele soasse sincero.
Ela odiava ainda mais que uma parte dela quisesse acreditar nele.
A voz da mulher surgiu novamente.
Desta vez, vindo diretamente de fora da porta.
“Ayla...”
Rayyan entrou entre ela e a porta.
“Não olhe.”
“Por quê?”
“Porque, se você vir, ela saberá que você está pronta.”
Ayla engoliu em seco.
“Pronta para quê?”
Ele não respondeu.
A porta se abriu lentamente.
Um vento frio entrou no quarto.
As cortinas se moveram violentamente.
Ayla olhou para a entrada, apesar do aviso de Rayyan.
Não havia ninguém lá.
Apenas a escuridão.
Então, algo apareceu no piso de madeira.
Uma pegada molhada.
Depois outra.
E mais uma.
Alguém estava caminhando em direção a eles.
Mas não havia ninguém lá.
Ayla cobriu a boca.
Rayyan aproximou-se dela.
“Fique atrás de mim.”
Ela sussurrou: “O que é aquilo?”
“Eu não sei.”
“Você disse que sabia de tudo.”
“Eu disse que sabia mais do que você.”
Os passos pararam.
Bem na frente deles.
O quarto ficou em silêncio.
Então, a fotografia na mão de Ayla ficou quente de repente.
Ela olhou para baixo.
Uma fina linha vermelha tinha aparecido no rosto de Rayyan na foto.
Parecia sangue.
Ayla a deixou cair.
Rayyan pegou a foto imediatamente.
Seu rosto ficou pálido.
“O quê?”
Ayla encarou-o.
“O que aconteceu?”
Ele não respondeu.
Ele virou a fotografia.
As palavras no verso tinham sumido.
Em seu lugar, algo novo havia aparecido.
Uma única frase.
ELA SE LEMBRA DE VOCÊ.
Os dedos de Rayyan apertaram a fotografia.
Ayla sussurrou: “Quem?”
Ele olhou para ela.
“A mulher que me matou.”
Ayla não conseguia falar.
Rayyan dobrou a fotografia e a colocou dentro de seu casaco.
“Você vem comigo.”
“Para onde?”
“Para qualquer lugar, menos aqui.”
“E se eu não for?”
Ele olhou para a porta vazia.
“Então, pela manhã, você não será a única pessoa neste quarto.”
Ayla encarou-o.
Apesar de tudo, apesar do medo que se contorcia em seu peito, ela se viu fazendo a única pergunta que não queria fazer.
“Rayyan...”
Ele parou.
“Você conhecia minha mãe?”
Seus olhos encontraram os dela.
“Sim.”
O coração de Ayla afundou.
“Como?”
Ele desviou o olhar.
“Ela foi a razão da minha morte.”
As palavras pairaram entre eles.
Ayla sentiu como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés.
“Minha mãe matou você?”
Rayyan não respondeu.
Em vez disso, caminhou em direção à porta.
Então, ele parou e olhou para trás.
“Amanhã de manhã, vá até a Mansão Blackwood.”
Ayla encarou-o.
“Você acabou de me dizer para ficar longe de lá.”
“Eu mudei de ideia.”
“Por quê?”
Sua expressão era indecifrável.
“Porque agora ela sabe que você está vindo.”
Ele entrou no corredor.
Ayla o seguiu.
“Espere.”
Ele se virou.
“O quê?”
Ela hesitou.
“Vou ver você de novo?”
Pela primeira vez, Rayyan quase sorriu.
Não foi um sorriso feliz.
Foi o tipo de sorriso que alguém dá quando já sabe a resposta.
“Você tem me visto há anos.”
Ayla franziu a testa.
“O que isso significa?”
Mas ele já estava se afastando.
Ela correu atrás dele.
“Rayyan!”
O corredor estava vazio.
Ele tinha sumido.
Ayla ficou ali sozinha.
Ela olhou para o chão.
As pegadas molhadas ainda estavam lá.
Elas paravam exatamente onde Rayyan estava.
Ela olhou lentamente para a escadaria.
Então, ouviu algo atrás de si.
Um batimento cardíaco.
Tum-tum.
Ela se virou.
Nada.
Seu telefone vibrou no chão.
Ayla o pegou.
Havia uma nova mensagem.
Sem número.
Sem nome.
Apenas quatro palavras.
BEM-VINDA AO LAR, AYLA HALE.
Seu rosto esfriou.
Ela leu a mensagem novamente.
Ayla Hale.
Aquele não era seu nome.
O sobrenome de seu pai era diferente.
O sobrenome de sua mãe era diferente.
Ela nunca tinha sido uma Hale.
Outra mensagem apareceu.
VOCÊ NUNCA FOI FILHA DELA.
As mãos de Ayla começaram a tremer.
Então, a última mensagem apareceu.
VOCÊ ERA DELE.
A tela do telefone ficou preta.
E em algum lugar dentro da casa escura, um homem começou a rir.
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