Nathan
Avisos de conteúdo!
Este livro contém:
Violência gráfica
Violência física
Assédio sexual / estupro
Abuso e crueldade contra crianças
Sangue e derramamento de sangue gráfico
Blood play
Fumo
Linguagem obscena forte
Referências a abuso físico
Jogos de azar
Conteúdo sexual explícito
Atos sexuais envolvendo objetos
Depravação moral e comportamento imoral
Manipulação psicológica
Relacionamentos coercitivos e abusivos
O autor não apoia nenhuma das ações, comportamentos ou eventos retratados neste livro e condena o comportamento nocivo de seus personagens. Esta história é uma obra de ficção destinada a um público maduro (18+).
Lembre-se de que jogos de azar podem causar dependência e levar a sérias consequências pessoais e financeiras.
As noites em Vegas nunca são entediantes. Elas passam lentamente, como mel escorrendo de um pote, brilhando com o ouro do neon e prometendo muito mais do que jamais entregam. Na cidade do pecado, todos encontram o tipo de entretenimento que procuram—seja ele barulhento ou silencioso, inofensivo ou perigoso. Mas, qualquer que seja o caminho escolhido, cedo ou tarde ele leva a um cassino. E quem sabe? Talvez esta noite a sorte finalmente escolha você. Mas, se você estiver realmente contando com a sorte, é melhor dar meia-volta e ir para casa.
Lancei um olhar ao homem do outro lado da mesa. Suas mãos descansavam sobre o feltro, exibindo casualmente um relógio novinho. Um Vacheron Constantin. Bom gosto. Se você tem uma coleção dessas, perder alguns milhares de dólares no pôquer provavelmente não é o tipo de coisa que tira o seu sono.
Ele percebeu que eu olhava e sustentou meu olhar. Dei-lhe o mais leve dos sorrisos antes de perder o interesse imediatamente. A mão inicial estava sendo distribuída.
Como sempre, o rosto do crupiê era um vazio perfeito. Ele deslizou duas cartas para cada jogador com precisão treinada, movendo-se no sentido horário ao redor da mesa. Olhei para o homem com o relógio caro uma última vez e levantei a ponta das minhas cartas com a unha.
Existem algumas regras que vale a pena lembrar quando você se senta em uma mesa de pôquer. Regra número um: nunca confie nos seus oponentes. Os iniciantes quebram essa regra o tempo todo. Regra número dois: nunca jogue com dinheiro que você não pode se dar ao luxo de perder. Quase todo mundo quebra essa. Regra número três: nunca conte com a sorte. Essa é a regra favorita de Vegas: convencer as pessoas de que esta noite é, finalmente, a noite delas.
Mas existe uma regra que importa mais que todas as outras. Não importa quais cartas receba, nunca demonstre emoção.
E minha mão estava espetacularmente ruim. Sete de espadas e dois de copas. Tão útil quanto um cinzeiro em moto.
O jogador à minha direita empurrou uma pilha de fichas coloridas para o pote, lançando-as para frente com a facilidade casual de quem joga fora um recibo. Muito jovem. Terno caro. Camisa perfeitamente engomada. Filho de alguém? Noivo de uma rica herdeira? Investidor de cripto? Meu dinheiro estava na segunda opção.
“Aposto”, disse ele.
“Pago”, respondeu o homem do relógio quase imediatamente.
Deixei alguns segundos passarem. No pôquer, como na vida, pressa é um erro. As pessoas adoram quem decide rápido. Geralmente porque são mais fáceis de vencer.
“Eu pago.”
O crupiê recolheu as fichas para o centro, alinhou o pote com a lateral da mão e desviou o olhar por uma fração de segundo.
Ali estava. O momento que eu esperava.
Mantendo minha expressão perfeitamente neutra, cobri minhas cartas com a mão, como se estivesse apenas protegendo-as dos outros jogadores. Um gesto rotineiro no pôquer. Nada suspeito. Na realidade, era algo totalmente diferente. No instante em que minha palma tocou o feltro, a carta escondida na minha manga deslizou sem esforço para o lugar, e a carta fraca desapareceu silenciosamente na dobra do meu casaco.
Um segundo. Foi só o que bastou para mudar o resultado do jogo. Não me dei ao trabalho de olhar em volta para ver se alguém tinha notado meu pequeno truque. Não por arrogância, mas porque eu sabia que não tinham. As pessoas raramente notam o que não esperam ver.
O crupiê abriu o flop: dez, valete, quatro. Alguns jogadores suspiraram em desapontamento e saíram da mesa. O jovem de terno caro murmurou um palavrão entre os dentes, descartou suas cartas, e outro jogador o seguiu para fora da mão.
O homem com o relógio sorriu levemente, como se o flop tivesse lhe dado exatamente o que ele queria. Seus dedos moveram-se com confiança sobre as bordas de suas fichas.
Deixei meu olhar repousar sobre a mesa por um momento. Um vinco quase imperceptível surgiu entre minhas sobrancelhas, e ele notou. Seus lábios se curvaram em um sorriso rápido e satisfeito antes que ele empurrasse todas as suas fichas para o pote.
Ele me olhou com uma leve inclinação de cabeça. Sua expressão dizia tudo.
All in.
Olhei para sua montanha de fichas e empurrei as minhas silenciosamente. O crupiê virou a carta do turn.
Rainha.
A confiança se espalhou pelo rosto do homem. Ele tamborilou os dedos na borda da mesa como se já estivesse comemorando. Eu quase podia vê-lo contando minhas fichas antes mesmo que a mão terminasse.
Idiota.
Quando o crupiê colocou a carta do river, o homem quase brilhava de empolgação. O dinheiro em si não importava tanto. A emoção de vencer, sim. As endorfinas já inundavam seu sistema, prometendo o final perfeito para uma noite perfeita.
“Par de rainhas”, disse ele calmamente, colocando suas cartas na mesa e me dando um olhar de superioridade.
Tomei meu tempo. Passei meus dedos lentamente pela superfície lisa das minhas cartas, deixando que ele saboreasse mais um segundo de triunfo. As pessoas raramente apreciam momentos assim. Deveriam. Às vezes, a melhor parte de vencer é deixar seu oponente acreditar que ele já venceu.
Sorri.
“Três de dez.”
Virei minhas cartas.
Seu sorriso desapareceu tão rápido quanto surgiu. A vitória drenou de seu rosto, substituída pelo vazio e pelo tipo de decepção que os cassinos vendem melhor do que qualquer bebida.
Sem dizer uma palavra, recolhi minhas fichas e me levantei, sem olhar para ninguém.
O jogo tinha acabado.
Quando saí do cassino, o amanhecer já surgia no horizonte. Espreguicei-me, com as costas doendo de passar horas na mesa de pôquer. Passando a mão pelo cabelo, soltei um suspiro cansado, peguei as chaves no bolso e fui em direção ao estacionamento. A cidade começava a acordar, mas aquela parte de Vegas nunca dormia.
O neon ainda brilhava contra o céu pálido da manhã, forte o suficiente para arder meus olhos mesmo ao amanhecer. Motores rugiam sem parar. A cada poucos segundos, risadas explodiam dos sortudos e soluços baixos vinham de pessoas que tinham acabado de perder tudo o que achavam que podiam perder. Las Vegas era uma cidade construída sobre vitórias e derrotas, e a segunda acontecia muito mais vezes que a primeira.
Meu conversível vermelho se destacava entre os sedãs cinzentos e a coleção de carros batidos que deveriam estar no ferro-velho há anos. Pressionei o botão da chave, e o carro respondeu com um bipe curto e quase convencido, como se estivesse me cumprimentando de volta.
Abri a porta e me afundei no banco de couro preto. Do bolso interno do casaco, tirei dois maços grossos de dinheiro presos por elásticos e joguei-os no porta-luvas sem pensar duas vezes. Então, fechei os olhos por alguns segundos e apenas respirei. Quem disse que trapacear é fácil? Sempre tira mais de você do que parece.
Em algum lugar ao longe, um coro de vivas bêbadas ecoava pelo estacionamento. Provavelmente uma despedida de solteiro. O clássico de Vegas. Um noivo e seus amigos tinham vindo trocar seu dinheiro suado por uma dose rápida de dopamina e pela ilusão de liberdade.
Respirei fundo e me forcei a abrir os olhos. Se eu ficasse ali por mais um minuto, não chegaria em casa. A exaustão me alcançava, minhas pálpebras estavam pesadas como chumbo, mas ainda assim girei a chave na ignição.
O motor rugiu, a vibração zumbindo sob minhas mãos. Dei um tapa leve no meu rosto para espantar o pior do cansaço, segurei o volante e pisei no acelerador.
O conversível saiu do estacionamento para a rodovia. A única coisa a meu favor era a falta de trânsito. Pressionei um botão no painel, e o teto começou a fechar com um zumbido mecânico abafado. Ar fresco passou pelo meu rosto, jogando meu cabelo para trás.
Eu amava esse momento. A rajada cortante de vento, a estrada vazia antes do nascer do sol, o silêncio raro que existia apenas no espaço entre a noite e a manhã. Em momentos assim, o mundo quase parecia fazer sentido.
Mas eu amava o som das máquinas caça-níqueis tanto quanto. O farfalhar do dinheiro. O rugido de um cassino lotado. Aquele mundo era tão natural para mim quanto a água para um peixe. Eu não apenas existia ali — eu caçava.
Se apostar fosse uma forma de arte, eu seria um dos mestres. O que me diferenciava da maioria dos trapaceiros não era apenas a habilidade. Era o instinto. Eu sabia como ganhar, mas também sabia como perder. Eu sabia quando me afastar para poder voltar mais tarde e levar algo muito maior.
A maioria das pessoas no meu ramo se autodestruía pela ganância — ganância pura e simples — e pagava caro por isso. Eu jogava de forma diferente. A cautela tornou-se minha aliada mais próxima. Eu sabia perfeitamente bem que, um dia, seria pego. Meu único objetivo era adiar esse dia o máximo possível.
Até então, eu não tinha a menor intenção de viver com modéstia. Clubes? Com certeza. Festas? Óbvio. Outro brinquedo ridiculamente caro? Por que não? O dinheiro escorria pelos meus dedos tão rápido quanto entrava. Eu não trabalhava em dois empregos como meu pai, não contava cada dólar como minha mãe e nem sacrificava minha vida por um futuro imaginário.
E nunca senti pena das pessoas que venci. Olhei para aqueles que apostavam suas últimas fichas no vermelho com nada além de desprezo, e eu não via problema nenhum em deixar meus oponentes se sentirem superiores por alguns segundos gloriosos antes de jogá-los direto no abismo da decepção.
Era simplesmente quem eu era.
O carro deslizava suavemente pela estrada sinuosa, deixando um rastro fraco de poeira para trás. Os primeiros raios de sol já tinham atingido o chão do deserto quando entrei na minha garagem. Minha casa era modesta, com um gramado muito bem cuidado, e de alguma forma conseguia parecer familiar e estranhamente estrangeira ao mesmo tempo. Eu a decorei exatamente como quis, ignorando a opinião de qualquer designer, mas nunca se tornou um lugar para o qual eu realmente ansiasse voltar. De seis cômodos, eu só vivia em um, e mesmo lá as paredes pareciam permanentemente mergulhadas em frio e solidão.
Meus amigos viviam tentando me arranjar alguém que pudesse, supostamente, dar um jeito nessa solidão, mas ou nosso gosto por pessoas era catastroficamente diferente, ou meus amigos tinham um péssimo critério. Cada encontro terminava quase antes de começar. Uma vez, cheguei a bater um recorde pessoal: aguentei exatos trinta minutos com uma garota que juravam ser perfeita para mim. Terminou com uma taça de vinho tinto espalhada pela minha camisa branca impecável e pelo meu cabelo. Homens eram mais fáceis, mas esses relacionamentos também nunca duravam. Um encontro casual, algumas saídas, e essa era toda a história do meu sucesso romântico.
A certa altura, cheguei a cogitar seriamente adotar um cachorro, só para ter alguém me esperando quando chegasse em casa. Desisti da ideia por pena. Um cachorro merecia algo melhor do que um dono que desaparecia todas as noites e que, um dia, poderia levar um tiro por causa de um jogo viciado.
Depois de estacionar o carro, subi as escadas e me livrei da jaqueta antes mesmo de chegar ao quarto. Minha camisa, cinto e calça seguiram o mesmo caminho, caindo no chão. Peguei uma camiseta larga que estava na cadeira próxima, vesti e desabei na cama. Os lençóis gelados me fizeram estremecer, mas em segundos a exaustão venceu e eu apaguei.
Acordar foi consideravelmente menos agradável.
Meu celular me arrancou de um sonho perfeitamente bom, tocando alto o suficiente para me fazer jurar que mataria quem tivesse ousado me ligar. Sem abrir os olhos, tateei o criado-mudo, mas o celular não estava lá.
“Porra.”
Me arrastando para fora da cama, tropecei em direção à pilha de roupas onde o aparelho invariavelmente tinha se escondido. Hábito terrível. Afastei as calças com o pé, enfiei a mão no bolso da jaqueta e tateei à procura do celular.
“E que babaca é você?”, murmurei, puxando-o. Lancei um olhar para a tela e imediatamente revirei os olhos. “Claro.”
Suspirei, já sabendo exatamente quem era.
“Fala, Josh?”, disse, pressionando o celular contra o ouvido.
“Te acordei?”
Olhei as horas.
17:07.
“É. E, para constar, você me acordou. De novo.”
Josh era uma das poucas pessoas que eu poderia chamar de amigo com sinceridade. Ele podia me acordar no meio do dia sem levar uma enxurrada de insultos de volta. Podia aparecer na minha casa sem avisar, e eu ainda abriria a porta.
O engraçado é que o Josh sabia surpreendentemente pouco sobre mim. Ele tinha meu número, meu endereço e a vaga noção de que eu ganhava a vida jogando cartas.
Nos conhecemos quando ambos buscávamos companhia. Eu tinha acabado de me mudar para Vegas e entrei em um clube em busca de algo forte o suficiente para fazer a cidade parecer menos estranha. Josh estava sentado no banco ao lado do meu. Algumas reclamações sobre a música horrível, algumas piadas inapropriadas e, pouco tempo depois, já estávamos trocando números e pedindo outra rodada de tequila ao barman.
Ao longo dos anos, Josh colecionou todo um círculo de amigos. Ele flutuava em uma sucessão infinita de festas e encontros casuais, muitas vezes esquecendo o nome das pessoas na manhã seguinte. Mas ele nunca esquecia de me ligar, me convidar para qualquer caos que estivesse planejando ou passar uma hora falando sobre absolutamente nada.
Não tínhamos conversas profundas. Não dávamos conselhos um ao outro. Provavelmente era por isso que eu gostava dele. Não havia julgamento, nem investigação de sentimentos, nem perguntas incessantes sobre o que se passava na minha cabeça. Apenas uma boa companhia e uma chance de esquecer meus próprios problemas por um tempo.
“Vou direto ao ponto”, disse ele. Podia ouvir o mar ao fundo, junto com gaivotas e aquele tipo de ruído ambiente que só existe em um trecho caro do litoral. “Estou na Europa a trabalho agora, mas quando voltar, vou dar uma festa. Todo mundo vai. Você vem?”
“Todo mundo” significava a mesma galera barulhenta que praticamente transformou a casa do Josh em um experimento social permanente. Eu os achava um pouco cansativos, mas não me importava em passar algumas horas com eles de vez em quando.
“Claro. Só me avise com pelo menos um dia de antecedência para eu deixar a noite livre.”
Josh estalou a língua. Tive quase certeza de que ele também revirou os olhos.
“Sempre esqueço o quanto você é ridiculamente ocupado. É mais fácil conseguir uma reunião com CEOs do que com você.”
“Então por que você não curte com os CEOs?”
Ele riu.
“O que seria de mim sem você? Você é a única pessoa na minha vida que não puxa o meu saco e realmente diz o que pensa. Embora ‘me insultar sem parar’ seja provavelmente mais preciso.”
“Se essa é a sua ideia de amizade, tenho más notícias. Você é masoquista.”
“Acho que isso é uma excelente notícia.”
Vozes surgiram através do telefone. Alguém discutia em uma língua que eu não reconhecia.
“Eu adoraria continuar trocando elogios, mas preciso ir. Te mando uma mensagem sobre a festa.”
Depois que desligamos, eu estava sozinho de novo. Olhei em volta do quarto. Camisas, ternos e lenços de bolso de todas as cores e estampas imagináveis estavam espalhados pelo ambiente como se alguém tivesse saqueado uma boutique de luxo. A bagunça era impressionante, especialmente considerando que valia mais do que o aluguel mensal da maioria das pessoas.
Dei outro suspiro. Por alguns segundos, travei o mesmo debate de sempre: arrumar tudo ou fingir que a bagunça não existia. Infelizmente, o lado responsável venceu.
Comecei a juntar as roupas do chão, da poltrona, da luminária e até das estátuas decorativas, que de alguma forma tinham acabado vestindo meu guarda-roupa.
Quando o quarto finalmente ficou limpo, lembrei que não tinha comido. A geladeira estava vazia, como sempre, e o mercado mais próximo ficava a quinze minutos de distância. Isso era motivo mais do que suficiente para pedir algo.
Peguei o bife e a salada que tinha pedido de um restaurante, abri uma garrafa de vinho e despejei o líquido bordô em uma taça. Deixei o vinho respirar por alguns segundos antes de dar o primeiro gole. O sabor seco e tânico se espalhou lentamente pela minha língua.
Era assim que a maioria dos meus dias acontecia. Eu, um prato solitário e uma garrafa de vinho que estaria vazia em menos de uma hora.
Depois que tomei a última taça, deixei a louça suja na pia e voltei para o meu quarto. Agora eu podia trabalhar.
Abri meu notebook e acessei uma planilha na área de trabalho. Essa era a parte do trabalho que eu mais odiava, mas era tão importante quanto o jogo em si. Era o que me mantinha longe de problemas.
A planilha era simples, quase dolorosamente monótona de se ver, mas continha tudo o que importava: nomes dos cassinos, as datas das minhas visitas e os resultados dos meus jogos mais recentes. Algumas entradas estavam marcadas como perda. Outras, vitória.
Por mais exausto que estivesse, eu nunca pulava esse ritual. Após cada ida ao cassino, abria o arquivo e registrava as novas informações cuidadosamente, nunca perdendo uma única sessão. No meu ramo, a memória era um péssimo contador. As pessoas esqueciam datas, rostos e valores, depois agiam como se estivessem surpresas quando um erro começava a custar mais do que podiam pagar.
“Olympus”, murmurei, encontrando rapidamente a linha certa. “Vitória.”
Meus dedos se moveram pelo teclado. Quando terminei de atualizar o arquivo, rolei a página lentamente, lendo cada linha com cuidado deliberado. Nunca escolhia um cassino ao acaso, como se estivesse correndo atrás de sorte. Cada decisão que eu tomava era calculada. Hora, data, resultados anteriores — cada detalhe importava, e cada detalhe moldava meu próximo alvo.
O sistema todo seria inútil se eu fosse apenas mais um viciado em jogo, capaz de perder uma fortuna na roleta em uma única noite. Mas, quando você é quem geralmente vence, a cautela deixa de ser um hábito e se torna uma necessidade.
Meu celular vibrou de novo, cortando o silêncio. Lancei um olhar para a tela.
Mãe.
Encarei o nome dela por alguns segundos. Meu polegar pairou sobre o botão verde. Quase. A tela continuava brilhando, a vibração persistente preenchendo o quarto. Lentamente, virei o celular para baixo e recusei a chamada.
Era errado puni-la por algo que não era realmente culpa dela. Mas eu não conseguia parar. Eu simplesmente não conseguia.
Fiquei sentado ali por mais um minuto, encarando o nada, então respirei fundo e voltei a olhar para o monitor. Meus olhos se fixaram no nome Casino Le Royal. Dei uma passada rápida pelas notas das minhas visitas anteriores, avaliando se era o lugar certo para o meu próximo jogo.
A decisão levou menos de um minuto. Meu próximo cassino estava escolhido.










