Capítulo 1- O rei de coração mole.
ALARIC
Alaric nunca havia sido um homem que demonstrasse felicidade com facilidade.
Oito séculos haviam lhe ensinado a controlar cada expressão, cada palavra e, principalmente, cada sentimento. Aprendera a esconder qualquer coisa que pudesse ser usada contra ele atrás de sarcasmo, arrogância e uma máscara de indiferença que raramente deixava cair.
Mas naquela noite, no reino de Kayon, cercado pela família, aquela máscara parecia esquecida.
Era o aniversário dos trigêmeos.
E Alaric estava completamente rendido.
Draven, Nox e Elira tinham apenas três anos, mas já haviam descoberto exatamente como manipular o tio.
Principalmente quando os três resolviam agir juntos.
— Tio Lali! — Elira chamou do outro lado do salão.
Alaric imediatamente virou o rosto.
— O que foi, minha princesa?
A menina veio correndo em sua direção com os pequenos braços estendidos.
— Colo.
Ele nem sequer hesitou.
Abaixou-se, pegou-a nos braços e a ergueu contra o peito.
— Pronto.
Elira imediatamente passou os bracinhos pelo pescoço dele.
— Eu tava com saudade.
Alaric sorriu.
— Faz três minutos que eu estava com você.
— Muito tempo.
— Ah, é?
Ela assentiu solenemente.
— Muito.
— Então eu cometi um erro gravíssimo.
Elira segurou o rosto dele com as duas mãozinhas.
— Não faz mais.
Alaric soltou uma risada baixa.
— Prometo.
Foi então que a música mudou.
Uma melodia lenta começou a preencher o salão.
Elira olhou para os músicos e depois para ele.
— Dança.
— Você quer dançar?
Ela assentiu com tanta força que os cabelos balançaram.
— Eu danço.
Alaric a segurou melhor contra o peito.
— Então venha cá.
Começou a valsar devagar pelo salão, carregando a menina nos braços.
Elira imediatamente abriu um sorriso enorme.
— Mais rápido!
— Nem pensar.
— Mais rápido, tio!
— Você tem três anos. Não me dê ordens.
— Eu mando!
Alaric riu.
— Ah, você manda?
— Mando!
Ele deu uma pequena volta com ela.
Elira soltou uma gargalhada gostosa, daquelas que faziam todo o rosto pequeno se iluminar.
Alaric sorriu junto.
E, por alguns instantes, esqueceu completamente que era rei.
Era apenas um homem dançando com a sobrinha de três anos no colo.
— De novo!
— Você vai acabar me deixando surdo.
— De novo!
— Está bem, porra.
Ele girou mais uma vez.
A gargalhada dela ecoou pelo salão.
Foi nesse momento que Draven apareceu.
— Tio!
Alaric parou.
O menino estendeu os braços.
— Colo também.
— Claro que quer.
Alaric se abaixou e o pegou com o braço livre.
Agora tinha Elira de um lado e Draven do outro.
Nox não demorou nem dez segundos.
Aproximou-se em silêncio e simplesmente levantou os braços.
Alaric olhou para ele.
— Você também?
Nox assentiu.
— Colo.
Alaric soltou uma risada.
— Vocês três estão tentando me matar.
Ainda assim, acomodou Nox no outro braço.
Os três ficaram agarrados a ele.
Elira mexendo no cabelo comprido do tio.
Draven tentando alcançar o colar em seu pescoço.
Nox encostado contra seu peito, tranquilo, segurando a lapela de sua roupa.
Alaric olhou para os três e sentiu aquele aperto estranho no peito que só eles conseguiam provocar.
— Meus pequenos monstronstrinhos.
Draven apontou para si mesmo.
— Eu não sou monstro.
— Não?
Alaric beijou a testa dele.
— Claro que não.
Nox apontou para Draven.
— Ele é.
Draven arregalou os olhos.
— Não sou!
Elira começou a rir.
— É sim!
— Você também!
— Eu sou princesa!
Alaric fechou os olhos por um instante. Os três começaram a falar ao mesmo tempo.
Palavras incompletas.
Frases tortas.
Acusações que não faziam sentido.
E Alaric simplesmente ria.
Ele amava aquilo.
Amava cada palavra pronunciada errado.
Cada pequena mão puxando sua roupa.
Cada pedido de colo.
Cada risada.
Cada vez que os três corriam até ele como se Alaric fosse o lugar mais seguro do mundo.
E, embora Elira tivesse uma pequena obsessão por Hendrick que nenhum dos outros dois compartilhava, aquilo jamais impedia que ela se derretesse completamente pelo tio.
Quando ela estava com Alaric, parecia esquecer qualquer outra pessoa.
— Tio Lali é meu — anunciou, abraçada ao pescoço dele.
Draven imediatamente protestou:
— Meu também!
— Não!
— É meu!
Nox ergueu a mãozinha.
— Meu.
Alaric olhou para os três.
— Eu sou de vocês três.
Silêncio.
Os pequenos pareceram pensar sobre aquilo.
Então Elira sorriu.
— Tá.
Alaric beijou a testa dela.
— Muito bem.
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Foi algum tempo depois que Elijah apareceu ao lado deles.
Angel estava junto dele, enquanto os dois observavam a cena com sorrisos divertidos.
Ela soltou uma pequena risada ao ver Alaric completamente cercado pelos três filhos.
— Você está ridículo — Elijah comentou.
Alaric ergueu uma sobrancelha.
— Estou segurando seus filhos.
— Exatamente.
Angel riu novamente.
— Eles aman você.
Alaric olhou para os três.
— Eu também amo esses pequenos.
Elijah sorriu.
— Vem cá. Queremos registrar isso.
Alaric imediatamente franziu a testa.
— Não.
— Alaric.
— Não vou posar para uma pintura.
— Não é para você.
— Então por que eu estou nela?
Elijah apontou para os três.
— Porque eles estão no seu colo.
Alaric olhou para os trigêmeos.
Os três estavam completamente aconchegados nele.
Draven à sua esquerda. Nox à direita. Elira no meio, com a cabecinha encostada contra seu peito.
Ele suspirou.
— Vocês são uma merda.
Elijah sorriu.
— Isso significa sim?
— Significa que vocês ganharam.
Angel riu.
— Eu sabia.
Pouco depois, Alaric estava sentado em uma grande poltrona, com Nox acomodado em seu colo à direita e Draven à esquerda.
Os braços do rei envolviam os dois pequenos.
Elira permanecia no meio deles, aninhada contra seu peito, os olhos já pesados pelo cansaço da festa.
A cena era quase angelical.
Alaric, com seus longos cabelos negros caindo pelos ombros, a pele extremamente clara, os traços marcantes e os olhos vermelhos contrastando com a delicadeza das três crianças em seus braços.
Mesmo vestido de preto, com toda a imponência de um rei e aquela beleza sombria que parecia pertencer mais às lendas do que ao mundo dos vivos, havia algo diferente nele naquele momento.
Ternura.
Uma ternura que raramente alguém tinha o privilégio de testemunhar.
Do outro lado do salão, Elijah mantinha um braço ao redor da cintura de Angel.
Angel sorria baixinho enquanto observava o cunhado e os três pequenos.
Elijah também.
A pintura começou.
Alaric tentou permanecer sério.
Durou menos de um minuto.
Draven mexeu no seu colar.
Nox encostou a cabeça em seu peito.
Elira bocejou e se aconchegou ainda mais.
Alaric olhou para os três.
E sorriu.
O artista capturou exatamente aquele momento.
Quando terminou, Alaric foi o primeiro a se levantar.
Seus olhos permaneceram sobre a pintura por alguns segundos.
— O quadro vai ficar comigo.
Angel sorriu.
— Tudo bem. Você pode levar.
Alaric assentiu.
Angel aproximou-se um pouco mais da pintura.
— O artista pode fazer outra cópia. Eu gostaria muito que uma delas permanecesse aqui, no meu reino.
Alaric olhou para ela.
— Faça isso.
Então voltou os olhos para a pintura.
— Quero essa comigo.
Elijah soltou uma risada.
— Eu sabia que você ia querer.
Alaric passou a mão delicadamente pelos cabelos de Elira.
— É claro que vou. São meus sobrinhos.
Elijah sorriu.
— Você é completamente apaixonado por eles.
Alaric lançou um olhar de lado para o irmão.
— E você está surpreso?
— Não. Só estou constatando.
— Então guarde a constatação para você.
Angel riu.
— Você fica diferente perto deles.
Alaric olhou para os três.
— Eles são as únicas criaturas neste reino que podem fazer o que quiserem comigo e continuarem vivos.
Elijah gargalhou.
— Isso explica por que estão tão mal-acostumados.
— Culpa sua.
— Minha?
— Você os fez assim.
Angel interrompeu, rindo:
— Não. Isso é culpa sua, Alaric.
Ele apontou para ela.
— Não me coloque nessa situação, minha querida.
— Você acabou de dizer que eles podem fazer o que quiserem.
— Porque podem.
Elijah balançou a cabeça, divertido. Alaric sorriu.
Por alguns segundos, os quatro permaneceram ali, observando a pintura.
Então Elijah mudou de expressão.
Havia algo diferente em seu rosto.
Alaric percebeu imediatamente.
— O que foi?
Elijah olhou para Angel.
Ela sorriu.
Alaric estreitou os olhos.
— Por que vocês dois estão com essa cara?
— Que cara? — Angel perguntou, tentando parecer inocente.
— Essa cara de quem está prestes a me contar alguma coisa.
Elijah soltou uma risada.
— Porque estamos.
Alaric cruzou os braços.
— Então fala logo.
Elijah aproximou-se um pouco mais e abriu um sorriso enorme.
— Já que estamos falando de filhos...
Alaric arqueou uma sobrancelha.
— O que tem os filhos?
Elijah olhou para Angel outra vez.
Dessa vez, ela não conseguiu segurar a risada.
Alaric apontou para os dois.
— Não gostei dessa troca de olhares.
— Relaxa — Elijah respondeu. — A notícia é boa.
— Então fala, porra.
Elijah riu.
— Parabéns, seu filho da puta. Você vai ganhar mais um sobrinho.
Alaric ficou imóvel.
Olhou para Elijah.
Depois para Angel.
— Espera.
Angel mordeu o lábio para conter o sorriso.
— Estou grávida.
Por um segundo, Alaric simplesmente a encarou.
Então seus olhos se arregalaram.
— Você está grávida?
Angel assentiu.
— De novo.
A expressão dele se transformou completamente.
— Caralho.
Elijah começou a rir.
Alaric passou uma mão pelo rosto.
— Vocês realmente não perdem tempo.
— Exatamente — Elijah respondeu, satisfeito.
— Eu estou falando sério. Vocês acabaram de me dar três crianças para mimar e já estão providenciando outra.
Angel gargalhou.
— A culpa não é só minha.
Alaric olhou para Elijah.
— Ah, não. Esse sorriso aí entrega tudo.
— O que posso dizer? — Elijah deu de ombros. — Eu e Angel somos muito eficientes.
— E convencidos.
— Também.
Alaric soltou uma risada e puxou o irmão para um abraço.
— Parabéns, seu miserável.
— Obrigado.
Alaric se afastou e abraçou Angel com cuidado.
— Parabéns, minha querida.
— Obrigada.
Ele olhou novamente para a pintura.
Três pequenos rostos.
Três vidas que já ocupavam um espaço enorme dentro dele.
E agora haveria mais um.
Alaric sorriu.
— Essa família está ficando grande demais.
Elijah bateu em seu ombro.
— E você está gostando.
Alaric olhou para ele.
— Estou amando.
Então voltou os olhos para os três pequenos em seus braços.
E, naquela noite, por algumas horas, nada pareceu faltar.


