Capítulo 1: O Príncipe Black e o Chamado
Visão de Natanael Kingsley
O sol de Nova York já tinha desaparecido por completo atrás dos arranha-céus, deixando apenas o brilho elétrico da cidade que nunca dorme iluminando a minha sala no último andar da S.K. Kiron Tecnologias. Fechei a pasta de couro com os relatórios do dia, sentindo o peso da responsabilidade — eu era o CEO da maior empresa de tecnologia do país, filho adotivo de Selena Kingsley, a mulher que construiu esse império, e dos meus três pais: Lian Blackwood, Javier Sinclair e Henry Vane. Muita gente dizia que eu tinha tudo fácil, mas ninguém via as noites sem dormir, as negociações tensas e o esforço diário para honrar o nome que carregava.
Mas quando o expediente acabava, havia um lugar onde eu podia ser quem realmente era: o Clube Imperius.
Fundado pela minha mãe, era um dos espaços de BDSM mais luxuosos, respeitados e exclusivos de Nova York. Eu era um dos seus principais donos, logo depois da minha mãe, e também uma das atrações mais cobiçadas de lá. Usava o pseudônimo de Príncipe Black, e sempre aparecia com uma máscara de cetim preto que cobria a metade superior do meu rosto, deixando visíveis apenas o queixo firme, os lábios bem desenhados e o maxilar marcado. Meu cabelo loiro caía levemente sobre a testa, e o meu corpo — trabalhado com anos de disciplina e academia — ficava delineado sob roupas de couro ou seda justas.
Assim que saí da empresa, o celular apitou. Era Lucas, o gerente do clube:
“Príncipe, um cliente especial pediu por você na Sala Black hoje. Sessão exclusiva. Aceita?”
Eu sorri. As minhas regras eram claras, herdadas diretamente da minha mãe: eu dou prazer, eu comando, eu controlo — mas nunca toco, e ninguém pode me tocar. Era a minha marca, o meu poder. Eu levava pessoas ao êxtase apenas com a voz, o olhar, objetos e a minha presença, sem encostar um dedo sequer. E isso valia muito mais do que qualquer contato físico.
Respondi rápido: “Aceito. Estou a caminho. Prepare tudo.”
Cheguei ao clube e fui direto me preparar. Naquela noite, antes da sessão privada, eu faria um show principal com dois Dons experientes e suas respectivas submissas. Subi ao palco sob luzes baixas e avermelhadas, e o silêncio tomou conta do salão. Com movimentos lentos e precisos, usei penas, velas e a minha voz grave para guiá-los. Fiz com que sentissem arrepios, calor, desejo insano. Fiz com que gemessem e chegassem ao clímax apenas com o que eu lhes proporcionava, sem encostar em ninguém. Quando terminou, saí sob aplausos abafados, sentindo o meu próprio corpo reagir intensamente — a excitação era parte do jogo, e naquele momento, eu estava duro, sentindo o desejo latejar forte sob a calça de couro.
Caminhei em direção à Sala Black, o meu santuário particular, pronto para mais um desafio.








