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Sob Os Olhos Do Dragão Negro

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Resumo

Kael não respondeu. Estava olhando para trás dela, paralisado. Lysandra virou o rosto devagar. E então viu. Primeiro, duas luzes vermelhas e intensas surgiram entre a penumbra das árvores. Depois, uma silhueta colossal. Depois outra. E outra. Até que o corpo gigantesco finalmente saiu da escuridão densa da mata. Um dragão negro. Enorme. As árvores seculares pareciam meros arbustos ao lado dele. As escamas absorviam toda a luz do ambiente, e as asas fechadas pareciam feitas da própria noite. E os olhos... dois abismos vermelhos queimando em fúria. Kael recuou dois passos, o peito arfando. — Meu Deus... Lysandra simplesmente ficou olhando, completamente imóvel. O dragão avançou um passo. Uma pata dotada de garras letais tocou o chão. THOOM. A terra tremeu sob os pés deles. Kael estava quase sem voz. — Ele... Lysandra levantou-se lentamente da relva. — Ele o quê, Kael? — Ele quer o bebê. — Uau... Vhaezar ficou imóvel na forma dracônica, a respiração pesada soltando fiapos de fumaça pelas narinas. Lysandra deu mais um passo à frente. — É o dragão mais lindo que eu já vi em toda a minha vida.

Status
Em Andamento
Capítulos
16
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Prólogo

Prólogo – Sob os olhos do dragão

Por Clara Avelar

Dizem que todas as coisas possuem um fim.

Um último suspiro. Uma última chama. Um instante derradeiro em que a matéria cede antes de finalmente se desfazer.

Estão errados.

Algumas coisas não chegam ao fim. Elas simplesmente deixam de existir.

Aprendi isso muito antes de compreender o peso do que aquilo significava. O primeiro objeto que desapareceu estava preso entre as minhas mãos. Não houve fogo para consumi-lo, nem a poeira de uma explosão. Não houve sequer o rastro fraco de fumaça subindo ao ar.

Apenas a ausência.

Desde então, aprendi a governar a fenda que existe entre a existência e o nada. Aprendi a fazê-la obedecer, a dobrá-la aos meus comandos, a contê-la no fundo do peito e a sobreviver a ela.

O que nunca aprendi... foi o que fazer no dia em que o Vazio decidiu não me obedecer.

O homem diante dele ergueu a lâmina de aço pesado, a lâmina refletindo o brilho pálido da tarde. O metal tremia ligeiramente, mas o aço continuava firme.

— Você não pode me matar — rosnou o guerreiro, dando um passo à frente, o peso de sua armadura rangendo sobre as folhas secas.

O garoto permaneceu imóvel. A brisa fria apenas roçava as pontas do seu cabelo escuro. A postura era ereta, ombros largos sob a túnica simples, mas desprovida de qualquer tensão. Seus olhos permaneciam frios, em um tom profundo de azul-acinzentado.

— Eu sei — disse o garoto. Sua voz, embora ainda jovem, carregava um peso absoluto, sempre mansa e calma.

A espada avançou em um corte limpo, projetado para decepar-lhe a garganta.

O garoto apenas ergueu a mão direita, os dedos longos se entreabrindo no ar.

E então... não houve mais espada.

O metal não caiu no chão. Não se partiu em estilhaços brilhantes. Não derreteu sob o calor de uma chama repentina.

Simplesmente não estava mais ali.

O homem continuou com o braço estendido, o punho fechado em volta do nada. Ele piscou, os olhos arregalados encarando a própria mão vazia, antes de lentamente deslocar o olhar apavorado para o garoto diante de si. O ar ao redor da mão do jovem parecia ter ficado subitamente mais frio, uma pressão invisível que fazia a própria luz ao redor parecer ligeiramente distorcida.

Pela primeira vez, o guerreiro compreendeu. Aquilo não era fogo. Não era feitiçaria. Não era destruição.

Era ausência pura.

O garoto abaixou a mão devagar, ajustando o punho da túnica escuro sobre o pulso. O azul acinzentado de seus olhos continuava intocado, indiferente ao pânico que se instalava diante dele.

— Agora você sabe por que deveria ter corrido.

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