Um Conto Além do Tempo - Prólogo
Narrador:
— Seja bem-vindo, caro visitante. Acomode-se, e me deixe contar-lhe uma história que atravessa eras.
— Você já desejou voltar no tempo, não apenas para testemunhar, mas para mudar o passado? Para proteger aqueles que ama, mesmo que isso significasse desafiar o próprio destino?
— Se sua resposta for sim, você está no lugar certo. A história que vou contar começa antes do início da humanidade, em uma época onde deuses caminhavam sobre a Terra, moldando o cosmos com suas paixões e conflitos.
Há milhões de anos, existiam dois deuses: Urano, a personificação do Céu, e Gaia, a mãe terra. Um dia, Urano se apaixonou por Gaia, e juntos tiveram dezoito filhos — três ciclopes, três hecatônquiros e doze titãs, seis mulheres e seis homens. Entre eles estava Cronos, o titã do tempo.
Temendo que um dia fossem tomar seu lugar como soberano, Urano aprisionou Cronos e seus irmãos. Mas eles escaparam, e Cronos, movido por vingança, enfrentou o próprio pai em batalha. Com sua foice, derrotou Urano e tornou-se o novo soberano entre os deuses. Antes de cair, porém, Urano lançou uma maldição: assim como Cronos havia destronado o pai, um dia seria destronado por um de seus próprios filhos.
Assombrado pela profecia, Cronos devorou cada filho que Reia, sua esposa, lhe dava à luz. Mas Reia conseguiu esconder o mais novo deles — Zeus — criando-o em segredo, para que um dia vingasse a si e aos irmãos devorados.
Zeus, já adulto, voltou para enfrentar o pai. A guerra durou dez anos, e por muito tempo nenhum lado parecia capaz de vencer. Foi nesse impasse que Ceos, irmão de Cronos e deus da inteligência, forjou armas de um poder nunca antes visto — as Chrono Stones, batizadas em homenagem ao próprio Cronos — e aperfeiçoou a foice que o irmão usara contra Urano. Ainda assim, nem essas armas foram suficientes: Cronos só caiu quando os hecatônquiros e os ciclopes se juntaram a Zeus contra ele.
A maldição de Urano se cumpriu. Zeus tornou-se o novo soberano do Olimpo — e chamou Ceos para ser seu braço direito, o guardião do equilíbrio entre a ordem e o caos.
Foi então que Ceos revelou algo que nem os próprios deuses sabiam: muito antes de Urano e Gaia, muito antes do primeiro deus caminhar sobre qualquer mundo, já existia Yggdrasil — não a árvore fixa dos nove reinos que os povos do norte um dia contariam, mas o próprio fluxo do tempo, a raiz que sustenta incontáveis mundos e todas as eras que jamais existiram ou existirão. Todos os panteões, gregos, nórdicos ou esquecidos, bebiam — sem saber — da mesma fonte. E foi dessa fonte que Ceos extraiu a essência para forjar um cristal, capaz de guardar em si os poderes do tempo que haviam pertencido a seu irmão caído. Assim nasceu o Cristal do Tempo, criado não para guerra, mas para perpetuar o legado de Cronos e manter o equilíbrio que sua queda havia posto em risco.
Com esse cristal em mãos, Ceos convocou os maiores guerreiros da humanidade e formou os Guardiões do Tempo — um grupo encarregado de conter qualquer anomalia temporal nascida dos ecos daquela guerra entre pai e filho. A cada era, quando o tempo voltava a se romper, novos guerreiros eram chamados a servir. Até que chegou um momento em que os Guardiões não foram mais necessários — e o mundo esqueceu que um dia precisou deles.
Assim, ao longo de incontáveis eras, os Guardiões do Tempo mantiveram a harmonia. Contudo, no ano de 2032, a humanidade moderna enfrentou uma ameaça sem precedentes — uma crise temporal que exigia, mais uma vez, o retorno dos Guardiões.
É aí que nossa história começa: um conto de quatro jovens que arriscaram tudo para proteger aqueles a quem mais amam. Passado, presente e futuro se entrelaçam.
A aventura começa agora.