Capítulo 1
Aconteceu no ano passado. Ninguém viu chegar; atingiu nossa cidade como um meteoro, algo estranho, algo ao mesmo tempo assustador e tentador. Esse escândalo fez todo mundo balançar a cabeça, mas eles adoraram. Eles amam um drama simplesmente porque raramente têm um gostinho disso. Infelizmente, o entretenimento deles teve um preço, e a conta sobrou para mim. Na verdade, o escândalo todo foi desencadeado por mim, mas não foi minha culpa. Dizem que eu menti. Que eu inventei tudo. Me rotularam como alguém desesperada por atenção. Atenção era a última coisa que eu queria, especialmente vinda de alguém como ele.
"Não arranje problemas", minha mãe me disse. "Nesta cidade, nada permanece segredo por muito tempo."
"Não é um segredo", eu disse a ela. "Quero que as pessoas saibam o que ele fez comigo. E não estou arranjando problemas, é a verdade!"
Contei tudo para minha mãe depois que o incidente aconteceu. Ela ouviu, e achei que ela estivesse me apoiando — os acenos dela eram terrivelmente convincentes —, mas, quando terminei, ela me disse para parar de criar tais histórias. "Atenção, atenção, atenção, é só isso que ela quer", disseram depois que a notícia se espalhou pela escola. Contei para minha melhor amiga na época, Daphne, e Daphne decidiu assumir o papel de fofoqueira oficial. Ela começou a espalhar, como uma IST durante as férias de primavera, igual nos filmes. Todo mundo na escola sabia. Todo mundo na escola achava que eu tinha inventado tudo, adivinhem só, por atenção.
"Ela inventou isso porque o pai dela fugiu com aquela vadia", disseram algumas garotas no vestiário, apenas uma semana depois que as aulas começaram.
O incidente aconteceu em uma festa de início do ano letivo, dada pelo próprio bastardo. Eu fui com Daphne e nossa amiga em comum, Jana. Daphne era da equipe de dança e precisava brilhar naquele ano letivo, já que o penúltimo ano significava ascensão e o último ano significava sucesso. Ela precisava se preparar para a grandeza. Daphne, Jana e eu não chegávamos nem perto de sermos populares, mas também não éramos consideradas perdedoras; nós apenas existíamos ali. Eu estava bem com isso, apenas estar lá. Ela queria mais.
Assim que entrou para a equipe de dança durante o verão, Daphne soube que tinha uma chance de alcançar a popularidade de verdade.
Jana, por outro lado, era como eu; ela estava satisfeita com seu lugar na escala de status social. Ela estava mais focada na escola do que nos amigos, embora agora, quem sabe como ela esteja.
Para deixar tudo claro, depois da festa de início de ano e depois do primeiro semestre do meu penúltimo ano, eu fui embora.
Depois que meu incidente falso se espalhou, todos se voltaram contra mim. Como eles poderiam se voltar contra seu líder, Harrison Keller?
Harrison Keller foi o anfitrião da festa há um ano e meu protagonista na produção que é esse escândalo. Como eu disse antes, eu não queria atenção dele, ao contrário de todo o resto. Todo mundo adorava ele; ele era a estrela do time de futebol americano da nossa cidade pequena, um garoto de ouro, rico e carismático para caramba. As garotas suspiravam, os garotos tinham inveja, blá, blá, blá.
Eu sei o que vocês estão se perguntando: que incidente foi esse?
Um sinal repentino me faz pular, meu coração perdendo uma batida extra. Quase bato na buzina do meu carro. Observo o estacionamento lotado ao meu redor, cheio de carros de estudantes, e os últimos calouros passam apressados pelas portas principais.
Eu queria ser criança, queria poder me jogar no chão e chorar: eu não quero!
Gemendo, pego minha mochila e saio do carro, batendo a porta de forma dramática atrás de mim. Coloco a mochila nas costas e aperto meu celular com força na mão, pronta com o 911 já discado, como se fosse precisar, e começo minha marcha fúnebre em direção às portas.
Como eu disse, fui embora depois do primeiro semestre do meu penúltimo ano, aqui na Coldgrove High School. Passei as férias de inverno empacotando minhas coisas, deixando minha mãe e me mudando para a Flórida com meu pai. Como eu poderia ficar em uma escola onde todos me odiavam? Inferno, a cidade inteira me odiava. Então, eu saí. Comecei meu segundo semestre em uma escola na Flórida e fui morar com meu pai e a namorada dele, sim, aquela com quem ele fugiu. Meus pais são divorciados agora, mas estavam juntos na época.
Minha mãe ficou devastada.
Eu não queria morar com ele, mas se eu quisesse sair de Coldgrove, ele era minha única opção.
O corredor principal do prédio está vazio; os alunos já foram encaminhados para suas salas, ansiosos para descobrir ao lado de quem vão sentar. É bom ter o corredor só para mim, já que ninguém me notou, o que significa que não serei atingida por bolas de papel... ainda.
Uma parte de mim quer acreditar que eles não vão me reconhecer. Eu pintei o cabelo para isso e, com sorte, realmente pareço bem diferente. O quanto uma pessoa pode mudar em meio ano?
Imprimi meu horário ontem à noite, em casa. Procuro por ele na mochila, desdobro e olho para o primeiro horário, me lembrando. Está escrito: Economia, 1242, Freeman. Sala 1242, mal consigo me lembrar de onde ficaria.
Há uma semana, completou um ano da festa onde tudo aconteceu, quando tomei minha primeira bebida. Foi uma vodka com sprite, e não gostei do gosto, me lembrou do dentista.
"Não me diga que você não aguenta beber", Daphne riu de mim.
Retruquei: "Eu aguento sim".
Tínhamos acabado de chegar e já estávamos bebendo. Assim que entramos, Jana saiu com um cara da aula de espanhol dela, me deixando com Daphne. Daphne queria impressionar suas novas colegas de equipe, então beber profissionalmente era uma tarefa. Toda a equipe de dança estava lá, incluindo a capitã da época, Clara. Daphne estava obcecada em impressionar Clara.
Daphne revirou os olhos para os meus goles de bebê e me deixou sozinha na cozinha, me abandonando por causa de Clara.
Eu estava parada na cozinha de Harrison Keller, sozinha, em uma festa cheia de veteranos, e eu estava morta de medo. Minhas duas melhores amigas me deixaram e, naquele momento, eu as odiei por isso. Foi então que ele entrou com alguns jogadores de futebol, olhou para mim e perguntou meu nome.
Vagueio pelos corredores e conto cada sala pela qual passo até chegar à 1242. Há uma pequena placa preta ao lado da porta. O número 1242 — em números e em braile — com "Freeman" logo abaixo. Sr. Freeman, já ouvi falar dele. Oito meses atrás, no primeiro semestre do penúltimo ano, os alunos do último ano falavam sem parar sobre ele, sobre como ele é gato para um professor. É engraçado como só me lembro disso. Eu me lembraria disso.
Respiro fundo e hesitante alcanço a maçaneta. Posso ouvi-los conversando lá dentro, provavelmente circulando pela sala, compartilhando histórias, quebrando o gelo. Quero dar meia-volta, correr, fugir para bem longe, mas sei que não posso.
Eu não quero!
Reviro os olhos e me animo como se estivesse prestes a levantar cento e cinquenta quilos.
Então eu faço isso: seguro a maçaneta com um pouco de força demais, empurro a porta e entro. Todos param de falar, a sala silencia.
Eu sei o que todos estão pensando: puta merda, Hailey Fonte está de volta.

I still don't know what happened 😱😱
how do you get to the next chapter when you're writing a story
I remember reading this story as a silent reader