Silenced: Livro 1 da Bound Trilogy

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Resumo

Leah foi mantida no escuro durante toda a sua vida. Literalmente. Na verdade, Leah nem sequer é o seu nome verdadeiro. Ela não faz ideia de qual seja o seu nome real. Após ser abusada a vida toda e permanentemente silenciada, ela foge apenas para ser atropelada por um carro. Ela desperta sem saber quem é ou o que lhe aconteceu. Devin é o Alpha de uma alcateia pequena, mas forte. Ele está atrasado para o trabalho para cobrir o seu Beta quando atropela uma jovem na estrada. Para sua surpresa, essa garota franzina acaba por ser a sua companheira! Será que estes dois conseguirão superar os obstáculos que a vida lhes impõe para encontrar o seu felizes para sempre? Ou algo sombrio do passado de Leah virá para destruir tudo o que ela encontrou e preza?

Status
Completo
Capítulos
22
Classificação
4.7 201 avaliações
Classificação Etária
16+

Prólogo

Tudo o que conheci na vida foi dor. Não me lembro de uma época em que eu não sentisse sofrimento. Isso se tornou o normal para mim. Não sei como é sentir o sol no rosto ou olhar para a lua e as estrelas. Para falar a verdade, nem sei o que são essas coisas.

Fiquei trancada aqui a minha vida inteira.

Apanhando, sendo torturada, atormentada.

Só conheço estas quatro paredes. Tenho um monte de feno no chão para dormir e um balde que serve de banheiro. Para mim, isso é normal.

Só recebo a visita de uma pessoa, que diz ser meu pai.

Não sei se isso é verdade ou não. Não tenho mais nenhum ponto de referência no meu mundo miserável. Mas sei que ouço vozes. Bem, uma voz.

Ela me diz que é minha loba e que está lá para me manter forte. Ela não quer que eu perca a esperança de escapar deste inferno. Em certo momento, ela me convenceu a deixá-la assumir o controle e, como eu não tinha mais nada para me ocupar, eu deixei. Eu tinha quatro anos de idade. A dor foi excruciante, mas ainda não era tão ruim quanto algumas das surras que levava do meu “pai”. Eu podia sentir meus ossos quebrando um a um, e parecia que minha pele estava sendo arrancada do meu corpo. Durante tudo isso, nunca soltei uma palavra ou um gemido.

Minhas cordas vocais foram cortadas há muito tempo, para que meu “pai” não tivesse que ouvir meus gritos enquanto me torturava.

Depois que a dor passou, acordei em um mundo muito diferente. Eu conseguia distinguir melhor os detalhes do meu quartinho e todos os meus sentidos estavam mais aguçados, mais nítidos. Além disso, eu via tudo de uma altura diferente.

Quando olhei para minhas mãos, vi patas. Fiquei confusa, mas não dei importância, já que, mais uma vez, não tinha ninguém para me dizer que aquilo não era normal. Minha loba falou comigo e disse que era assim que parecíamos quando ela assumia o controle. Eu perguntei se podia voltar e ela deixou.

Desta vez não doeu, e eu perguntei o porquê. Ela me disse que a primeira transformação é a mais difícil e que, de agora em diante, seria mais fácil. Dei de ombros e fui dormir.

Desde então, meu “pai” sempre me pedia para me transformar. Minha loba dizia para eu não fazer isso. Ela dizia que, se eu fizesse, seria pior para mim caso ele descobrisse que eu era capaz. Eu a ouvia e nunca me transformava na frente dele.

Não sei quantas vezes ele me fez essa pergunta. Não faço ideia de por quanto tempo ele pretendia me manter trancada, longe do resto do mundo.

Um dia eu vou sair daqui. Um dia eu vou saber como é estar ao ar livre e não viver mais em uma jaula. Um desses dias, ele vai fazer a pergunta dele, e eu vou mostrar o que sou e fugir dele.