Capítulo 1
POV de Ainsley
Meu alarme toca às cinco da manhã, me fazendo gemer. Hoje era o começo da temporada de festas, e eu sabia que eles iam me soterrar de trabalho. Eu precisava deixar meu filho, Callum, na creche antes de ir para o meu emprego como secretária da Vivianne na MacNee Inc. Depois, eu começaria meu turno da noite como garçonete no Young and Long’s Steakhouse. Vivianne se ofereceu para ficar com o Callum para mim à noite, assim eu poderia fazer turnos extras. Eu queria comprar presentes de Natal para o Callum e para o aniversário dele, que já é em janeiro. Creche não é barato, e ninguém me ajuda com o Callum. O pai dele, Nick, descobriu quando eu estava grávida e me largou como se eu fosse um vício qualquer. Irônico, já que o Nick é viciado em metanfetamina.
Saindo da cama, olho no espelho e vejo uma mulher exausta, com olheiras profundas.
“Mamãe!” Callum grita, correndo para dentro do meu quarto e se jogando nas minhas pernas. Eu dou uma bambeada, então me abaixo e o pego no colo.
“Bom dia, pestinha, você foi ao banheiro?” pergunto. Estamos no processo de desfralde.
“Sim.” Callum bate com a cabeça no meu ombro, me fazendo estremecer. Ele adora brincar bruto, e com a minha doença autoimune, fico roxa com qualquer coisa.
“Que bom. Deixa eu me vestir e já te ajudo.” Coloco-o no chão e procuro no meu armário, pegando meu visual de trabalho habitual. Um vestido de cintura império com um cardigã; o vestido cai sobre minha barriga, escondendo o peso que ganhei na gravidez e que nunca consegui perder.
“Eu mesmo faço!” ele grita, correndo de volta pelo corredor para o quarto dele.
“Calça e camisa de manga comprida. Está frio lá fora,” ordeno, enquanto visto minhas meias. Quando estou pronta, Callum volta preso na camisa. Eu rio e ajudo ele a passar a cabeça. Não me surpreende ver que ele escolheu uma camisa com um dinossauro. Agora ele está numa fase alucinada por dinossauros. Tudo o que ele quer de Natal este ano tem a ver com dinossauros. Quando ele ganha sua horinha de televisão, ele pede tudo o que vê nos comerciais que seja relacionado a isso. Dói saber que não posso dar tudo o que ele quer. Já luto bastante trabalhando sete dias por semana como secretária durante o dia e garçonete nos finais de semana.
“Prontinho,” digo quando a cabeça dele aparece. Ele tem cabelos loiros quase brancos e olhos azuis, embora os dele sejam mais puxados para um azul-celeste, enquanto os meus são azul-acinzentados.
“A tia Viv que vai me buscar?” ele pergunta quando o levo para a cozinha.
“Sim. A mamãe está fazendo turnos extras agora.” Vejo ele franzir a testa, mas ele acena com a cabeça. Sei que ele odeia quando não posso buscá-lo na creche, mas preciso do dinheiro. As contas das minhas consultas médicas não param de acumular. Sim, eu tenho plano de saúde, mas as coparticipações ainda são um absurdo. Tive que fazer uma ressonância magnética e me custou quase mil dólares do meu bolso. Ainda estou tentando quitar isso.
“Coma seu cereal,” digo, empurrando a tigela para ele enquanto pego um iogurte para o meu café da manhã. Coloco minha granola caseira no iogurte de baunilha e me encosto na bancada.
“Mamãe.” Olho para o Callum, com a colher na metade do caminho até a boca.
“Oi, filho?”
“Por que eu não tenho um papai?” Enfio o iogurte na boca, me dando alguns segundos para pensar em uma resposta.
“Por que você está perguntando isso, filho?”
“Bom, meu amigo Noah tem um papai, e o Will também. Por que eu não tenho um?” Solto um suspiro; eu sabia que isso ia acontecer, mas não achei que ele perguntaria tão novo.
“Bem, querido, o seu papai não era bom para nós. Às vezes, quando as pessoas não são legais, a gente não deve ficar perto delas.” Tento explicar da melhor forma para que ele entenda.
“Tipo a Una? Ela me mordeu semana passada.” Consigo ver o cérebro dele trabalhando duro para fazer a conexão.
“Tipo a Una. Você lembra que eu disse para não brincar com ela se ela te morder?” pergunto, colocando a colher na pia antes de jogar fora o pote de iogurte.
“Precisamos levar você para a creche.” Vou apressada até a porta com o Callum atrás. Eu o agasalho com casaco, gorro, luvas e cachecol antes de fazer o mesmo comigo. Não tenho carro, então ou pegamos ônibus ou vamos a pé. A creche é perto do meu apartamento, então vamos andando. É caro morar aqui, mas escolhi este lugar porque é perto da creche e do meu trabalho. Pendurando a bolsa no ombro, coloco a mochila do Callum nele.
“Pronto, filho?”
“Sim.” Seguro a mão dele, pego minhas chaves e saímos do apartamento. Caminhamos três quarteirões até a creche. Eu o deixo lá e aviso a professora dele, Dona Trina, que a Vivianne vai buscá-lo hoje.
“Ele sabe?” Trina me pergunta; ela é uma mulher mais velha, na casa dos cinquenta anos.
“Sim. Eu disse para ele hoje de manhã.”
“Ótimo. Tenha um bom dia, Ainsley.” Ela dá um tapinha no meu braço e eu saio apressada para o meu trabalho. São mais cinco quarteirões até chegar ao prédio imponente da minha empresa. A empresa ocupa o prédio inteiro. Trabalho no andar térreo, sendo a primeira pessoa que todos veem ao entrar. Minha melhor amiga, Vivianne Forth, trabalha para o COO como assistente pessoal. Entrando no prédio, corro para trás da recepção e guardo meu casaco, luvas e cachecol junto com minha bolsa. Percebo que tem outra mulher no balcão arrumando as coisas dela. Franzo a testa e olho em volta. Para minha surpresa, Vivianne desce e vem apressada até mim.
“Ainsley, preciso de você agora.” Vivianne agarra meu braço, me puxando de trás da recepção.
“O quê? Por quê?” Eu me abaixo para pegar minha bolsa.
“A Charlotte se demitiu!” ela exclama, e eu perco o fôlego. Charlotte era a assistente pessoal de Finn MacNee, o CEO.
“O que você quer que eu faça?” pergunto, juntando minhas coisas.
“Preciso que você seja a Charlotte até acharmos uma substituta.”
“Tudo bem.” Não vou dizer não, porque primeiro, não quero perder meu emprego, e segundo, eu faria qualquer coisa pela Vivianne.
“Pode ir na frente,” digo. Ela me abraça e me leva até o último andar do prédio.
“Vá até o fim do corredor e bata na porta dele. Ele sabe que você é a temporária.” Vivianne aponta para o final do corredor, para um conjunto enorme de portas duplas. Do lado de fora da porta, há uma mesa com um computador e um telefone. O nervosismo toma conta de mim; não consigo evitar tremer enquanto bato na porta.
“Entre,” ouço uma voz grave chamar.
Me diga o que você achou!